Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

05/04/2011

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: O que nos teria acontecido se não fosse o senhor engenheiro? (3)

[Continuação (1) e (2)]

Por umas contas de merceeiro, cheguei a uns hipotéticos 190 milhões de euros relativamente só aos leilões no 1.º trimestre torrados pelo governo patriótico por não ter negociado um bailout em devido tempo.

Se as contas do Diário Económico estiverem certas, com os leilões previstos para o 2.º trimestre, o custo da propaganda do PS , para evitar o inevitável e recomendável, sobe para 330 milhões de euros, a adicionar aos 190 milhões que estimei para o 1.º trimestre.

Se eu fosse um economista novo situacionista deveria aplicar aos 520 milhões de juros adicionais o multiplicador de (des)investimento que esses economistas costumam aplicar ao dinheiro torrado na despesa pública (a que chamam investimento público) e chegaria a facilmente a uns mil milhões de euros.

04/04/2011

Em 2005 Medina Carreira era quase tão optimista quanto José Sócrates em 2009

Em 2005, Medina Carreira previa:
«Como não vamos ter [um crescimento acentuado da] economia tão cedo, corremos o risco, se não tratarmos do Estado, de acabar por estoirar com o Estado porque, com a economia a crescer 1,3 por cento [do Produto Interno Bruto] anualmente, nós vamos falir antes de 2015». (*)
Falimos 5 anos antes do previsto pelo mais notório pessimista ou, vá lá, 4 anos se considerarmos a versão oficial.

Em 2009, no vídeo de propaganda do PS (aos 25 s), José Sócrates pela boca do locutor garantia:
«Este foi o rumo adoptado pelo governo do PS para enfrentar a maior crise económica mundial dos últimos 100 anos. Esta foi a estratégia que possibilitou que Portugal fosse um dos primeiros países europeus a sair da recessão».
A saída de Portugal da crise foi um flop ainda maior do que a inexistente crise mundial de José Sócrates com a China, a Índia e o Brasil a cresceram a dois dígitos ou quase, a África a 4 ou 5%, os Estados Unidos a 3%, a maior parte da Europa ao redor dos 2% e a economia mundial a crescer entre 3 e 4%.

(*) Muito bem lembrado no post «Delírios de um optimista» do Blasfémias, com um título que é um rótulo só possível de aplicar a Medina Carreira pelas acções resultantes do génio de José Sócrates.

O rugido do tigre vs o miado do gato (2)

Fizeram o favor de me lembrar que aqui foi esquecida a referência ao indicador que definitivamente potencia o miado do gato e silencia o rugido do tigre: Portugal têm 3,7 vezes mais polícias por 100.000 habitantes do que a Irlanda (520 contra 140). O que não admira, porque já há 4 anos aqui se registou ser Portugal o quarto estado mais policiado do mundo – apesar de não parecer, porque os nossos polícias não são vaidosos e não andam por aí a exibir-se, preferindo descansar nas esquadras.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: O clube mais português de Portugal

Imediatamente após terem perdido em casa e confirmado o título do FêCêPê, os lampiões fizeram uma demonstração do porquê alegam ser o clube português com mais adeptos: desligaram a electricidade (a Luz já estava desligada) e ligaram o sistema de rega. Melhor não é possível.

03/04/2011

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: O que nos teria acontecido se não fosse o senhor engenheiro? (2)

[Continuação daqui]

Felizmente Portugal tem tido a sorte de dispôr vai para 7 anos de um governo patriótico e competente. Patriótico porque se tem batido tenazmente contra a intervenção do par FEEF/FMI, em grande parte justificada pelo resultado da governação nesses 7 anos. E competente porque assim tem conseguido evitar o descalabro financeiro que resultaria dessa intervenção, segundo a narrativa oficial.

Quereis exemplos? A Grécia um país quase falido, que se não fosse a hábil manobra dos nossos timoneiros Sócrates & dos Santos nos teria contaminado, pede emprestado ao FEED a uma taxa de 4,2% e ao FMI a uma taxa de 3,3%. A taxa ponderada (1/3 FMI, 2/3 FEEF) é 4,45% 3,90%.

Desde o princípio do ano, o IGCP colocou 3,9 mil milhões de OT a uma taxa ponderada de 5,92%, ou seja mais 147 202 pontos base ou mais 25%  52% do que se tivesse as condições da Grécia. Os 5,5 mil milhões de BT este ano foram-no apenas para fugir às taxas dos prazos mais longos e criarão uma pressão tremenda no curto prazo. Se considerarmos a totalidade de 9,4 mil milhões das emissões de OT e BT, Portugal vai pagar mais 140 190 milhões de juros por ano do que teria pago se tivesse as condições de Grécia. É só fazer as contas, como um dia disse o inimitável Guterres.

Correcção:
Demonstrando que o inimitável Guterres é, afinal, imitável, e que ninguém está imune à maldição da tabuada, as contas estavam erradas. Os números correctos são os agora indicados.

O rugido do tigre vs o miado do gato

No passado sábado o Expresso publicou mais um número da série Portugal vs outro país. Depois da Bélgica, da República Checa e do Chile, foi a vez da Irlanda. A Irlanda com menos de metade da população tem um PIB quase igual ao português, uma carga fiscal das empresas metade da portuguesa, está 17 lugares acima de Portugal no ranking da competitividade, tem um excedente de 15% do PIB na balança comercial, contra um défice português de 8%, tem uma desigualdade menor do que a de Portugal, sem esquecer que em 20 anos partiu de um PIB per capita quase igual ao português para ter actualmente o dobro. O seu sistema bancário está de rastos enquanto o nosso lá vai rastejando muito à custa do negócio de emprestar ao Estado a taxas de 4 a 6% e pedir emprestado ao BCE a 1%.

Face a este versus o que concluem os pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam do Expresso? «O tigre já não ruge» e nada dizem sobre os miados do tareco lusitano. E o que pensa disso o grande pensador do regime Freitas do Amaral? «A Irlanda, hoje, não é exemplo para ninguém». Para ninguém? Para Portugal ainda pode ser um exemplo?

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Admiramos secretamente os grandes aldrabões

«No nosso país, uma pessoa que trabalhe todos os dias e que tenha de assinar ponto é visto como um falhado.
Caricaturando a coisa, pode dizer-se que em Portugal só quem não sabe fazer mais nada é que trabalha, isto é, tem uma rotina, cumpre horários, produz e presta contas.
Os portugueses, além de europeus, são culturalmente mediterrânicos, o que não nos afasta muito dos gregos, dos italianos e dos espanhóis do Sul, com todas as influências que são ditadas pela geografia, pelo clima e pela religião. Sermos judaico-cristãos é muito diferente de sermos calvinistas e protestantes. Além disso nunca corremos o risco de morrer de frio e estamos na periferia, não tivemos guerras e ninguém nos chateou. Na verdade, somos muito individualistas e estamos mais próximos dos norte-africanos do que dos povos do Norte da Europa.
Somos um país mais mediterrânico do que atlântico, com todas as implicações que isso tem até na nossa produtividade.
A diferença entre nós e os nórdicos não está nos genes, é fruto da cultura e da educação, da geografia, do clima e da religião. Eles tinham frio, era-lhes difícil cultivar cereais e não tinham vinho. Para sobreviverem tiveram de estimular a inovação e a cooperação. Ao contrário de nós, que tínhamos um bom clima, uma agricultura fértil e peixe com fartura. E depois tivemos África, a seguir o Brasil e logo os emigrantes. Não precisámos de nos organizar e não precisámos de nos esforçar. Não era preciso. Não planeávamos, desenrascávamos. Continuamos assim, gostamos de resolver catástrofes.
Não é só com a desgovernação do actual governo, é com o desnorte dos últimos vinte e tal anos. O que nos está a acontecer não resulta apenas da desorientação dos últimos dois anos, já há muito que gastamos acima do que podíamos e devíamos. E o mais grave é que demos sinais errados às pessoas. Agora, vamos ter de evoluir de novo para uma sociedade com capacidade de produção real, com agricultura e pesca.
Desde o tempo do Dr. Salazar que o Estado faz questão de proteger os seus e nós temos aprovado esse amparo. Mas os nossos cidadãos não têm grandes conhecimentos e perguntam pouco, até temos aquela afirmação extraordinária que é «se não sabes porque perguntas?». Ora quando temos dúvidas é que devemos perguntar. Por estas e por outras, nas últimas décadas, dominado por ciclos eleitorais curtos, o Estado passou a viver acima das suas possibilidades e a substituir-se à realidade. E, de repente, a realidade caiu em cima do povo.
Podemos ofuscar o real durante algum tempo, mas não para sempre. As imagens da Grécia, com reformas aos 55 anos ou até mais cedo para as chamadas profissões de desgaste rápido, permitiram-nos perceber que se eles tinham entrado em colapso também nós corríamos o risco de vir a acontecer-nos o mesmo. Até essa altura, creio que muitas pessoas acreditavam, lá no seu íntimo, que nem os países, nem a segurança social, nem o Serviço Nacional de Saúde (SNS), nem as câmaras municipais podiam entrar em bancarrota. Agora já perceberam que isto pode mesmo entrar em ruptura. Para já reduziram até dez por cento o ordenado dos funcionários públicos, mas no ano que vem pode vir a ser necessário chegar aos vinte por cento. E que é que adianta andar a papaguear que é inconstitucional e que mexe com os direitos adquiridos? Se não há dinheiro o que é que se faz? Esta questão é que tem de ser respondida.
Os nossos líderes e os seus partidos vivem mais para ganhar eleições do que para servir o país e os interesses da nação. Na administração pública até os directores-gerais cessam funções quando há mudança de governo. Ora é óbvio que, assim, qualquer um quer que o seu partido continue no governo, se não corre o risco de ir para a rua. O nosso individualismo militante e a fragilidade organizativa contribuem também para a ingovernabilidade.
E quando ouço os economistas falarem ainda fico espantado. Como é que eles não se aperceberam de que aumentando progressivamente o défice tínhamos uma receita para o desastre? Sei que vamos ter de mudar de vida. Se tivermos de o fazer num contexto de protecção da Europa e do euro prefiro a solução FMI a ter de saltar do euro e ir para soluções do domínio da magia, com a desvalorização da moeda, altivos e sós.
Nós somos mal governados em parte por culpa própria, em parte pela escassez de líderes exemplares. Pior, nós admiramos o sucesso do aldrabão. Em Portugal não há censura social para a esperteza saloia nem para a corrupção a que passámos a chamar informalidade. Pelo contrário, admiramos os esquemas, os expedientes. Vivemos deles.
A nossa tragédia é que somos um povo pré-moderno. Não perguntamos, não responsabilizamos, não exigimos nem prestamos contas. Não temos a literacia nem a numeracia necessárias. Outro problema é a falta de transparência, a opacidade. Olhe o que se passou com o BPP e com o BPN, histórias tão mal contadas.
Não metemos ninguém na cadeia, deixamos os problemas eternizarem-se sem punições, mas também não recompensamos ninguém. O Estado é burocrático, não nos deixa avançar, mas dá-nos segurança. A nossa tradição é empurrar os problemas com a barriga esperando que se resolvam por si. Quando as coisas dão para o torto somos injustos ou por excesso ou por defeito. Quem tem muito poder económico pode recorrer a expedientes e a mecanismos dilatórios que são usados de maneira desproporcionada. Quem não tem esse poder é totalmente vulnerável. Somos demasiado tolerantes, somos condescendentes, no mau sentido, aderimos mais ao tipo que viola a lei do que ao polícia. Temos afecto pelo fulano que faz umas pequenas aldrabices, admiramos secretamente os grandes aldrabões, não punimos os prevaricadores. Na verdade somos contra a autoridade.»

[Excertos da entrevista de Célia Rosa a Sobrinho Simões, Notícias Magazine, 5 de Dezembro de 2010]

Falando da minha própria experiência, eu acrescentaria que nosso país, uma criatura trabalhadora, pelo menos medianamente competente, diligente e responsável tende a ser vista, na melhor hipótese, com benevolência, como alguém pouco inteligente que ainda não percebeu como as coisas funcionam - o que pode um sujeito íntegro com um QI 130 face a um chico esperto com um QI 90? Na pior hipótese, se tiver um saco pequeno para aguentar os songamongas e os chico espertos, como é o meu caso, será visto como um problema e uma ameaça ao bem-estar da coligação songamongas-chico espertos.

É por tudo isto que temos as elites que temos e é por isto que essas elites desprezam a populaça e ao mesmo tempo lhes dão graxa, pressentindo que só com esta populaça podem ser elites.

02/04/2011

De boas intenções está o inferno cheio (6)

«Um inquérito levado a cabo pelo Negócios, pela Inteli e pela CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel) revela que mais de metade das pessoas inquiridas ponderam adquirir um veículo eléctrico.» (Ver notícia devidamente ilustrada com uma foto do melhor gestor de empresas incumbentes quase-monopolistas em mercados regulados e fortemente subsidiados de quem um dia posso vir a ser admirador) O mesmo inquérito poderia ter revelado, se as perguntas pertinentes tivessem sido feitas, que mais de metade das pessoas inquiridas ponderam passar férias nas Seychelles, ter uma casa na Quinta da Marinha e passar uma noite com o Brad Pitt / Angelina Jolie.

CASE STUDY: quem é o deus ex machina da Ongoing? (12)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10) e (11)]

Já se sabe quem é a Ongoing, o seu deus ex machina (os Espíritos) e, pela boca de Armando Vara, o que podemos esperar dos seus timoneiros (Nuno Vasconcelos e Rafael Mora). Também se sabe que, durante muitas semanas, o Expresso teve várias páginas de publicidade paga, que ninguém leu, a mostrar a «verdura» dos Espíritos - uma boa ajuda para as degradadas finanças da Imprensa.

E ficou-se a saber que o conúbio dos Espíritos com o polvo socialista através dos corpos da Ongoing continua, desta vez via José António Pinto Ribeiro (ex-ministro da Cóltura do 1.º governo Sócrates) e Diogo Pereira Duarte (um sócio de Pinto Ribeiro na sociedade de advogados), dupla de onde sairá um administrador da Imprensa em representação de Nuno Vasconcelos o elo de ligação entre o deus BES e a machina Ongoing.

A defesa dos centros de decisão nacional (5) - a procissão continua a sair do adro

[Continuação de (1), (2), (3) e (4)]

«Eletrobras estuda compra de 10% da EDP»

01/04/2011

Pro memoria (23) – não precisa, não quer ou não tem legitimidade para pedir?

  • 25-03-2011 «José Sócrates garante que Portugal não precisa de ajuda e vai defender-se dos especuladores»
  • 27-03-2011 José Sócrates: «Lutarei com todas as minhas forças para que isso não aconteça»
  • 29-03-2011 José Sócrates: «O governo não tem nenhuma intenção de fazê-lo»
  • 31-03-2011 Teixeira dos Santos: «O Governo não tem legitimidade, nem condições, nem poder, nem a credibilidade necessária para poder merecer a confiança das instituições internacionais que nos podem ajudar»
  • 01-04-2011 «Bruxelas garante que Governo pode pedir ajuda»

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Um exemplo para o patriota inquilino de Belém

[Recebido sem indicação da fonte original. Pela crítica simplista ao “rotativismo” parece-me que o autor seja um monárquico.]

Quando José Dias Ferreira, bisavô de Manuela (Dias) Ferreira Leite, chega a chefe do Governo em 1892, encontrou um país de "tanga", por força de elevados investimentos ferroviários e em estradas e portos. A dívida pública representava 81% do PIB e o défice orçamental era de 2%. Juntamente com o Ministro da Fazenda - Oliveira Martins, tio-bisavô do actual presidente do Tribunal de Contas - toma medidas drásticas: subida de impostos, corte até 20% dos vencimentos dos funcionários públicos, suspensão de admissões no Estado, paragem das grandes obras, saída do padrão-ouro e desvalorização cambial.

Durante dez anos, não foi possível recorrer a empréstimos no estrangeiro, dada a situação de bancarrota verificada. O desenvolvimento das infra-estruturas no "fontismo" baseou-se num modelo que se pode considerar como a génese das parcerias público-privadas. Eram concessões dadas a particulares que, muitas vezes, garantiam um determinado rendimento ao investimento e, se este ficasse abaixo desta garantia, havia compensação do Estado.

[Nesse mesmo ano…]

Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% (!) da sua dotação anual para ajudar o Estado e o País a sair da crise criada pelo rotativismo dos partidos (nada de novo, portanto).


(Um belo exemplo, enviado por AB, para o patriota que em Belém defende a nação com a batota das contas)

SERVIÇO PÚBLICO: O dia das mentiras é quando o ministro quiser

Na véspera do dia das mentiras, um dia adiantado para o tipo de comunicação que fez, Teixeira dos Santos justificou «a revisão em alta do défice para os 8,6 por cento com as mudanças metodológicas do Eurostat e que levaram à inclusão de três empresas de transporte e à consideração dos impactos da intervenção do Estado no sistema financeiro, nomeadamente nos casos do BPN e do BPP», como «alterações metodológicas [equivalentes a] mudar o marcador muito depois do jogo ter acabado».

Segundo o Eurostat, estas regras foram definidas em Fevereiro de 2000, isto é cinco anos antes do ministro Teixeira dos Santos começar o seu jogo.

Não. Não é mentira

Segundo o estudo de opinião da Eurosondagem, quatro em cada dez portugueses sofrem de socratinismo provavelmente incurável.

O coronel já foi condecorado. E o amigo? Estão à espera de quê?


O coronel-presidente Hugo Rafael Chávez Frías foi condecorado na Argentina com a medalha da liberdade de imprensa (*), uma merecida honra pelo encerramento de dezenas de estações de rádio e vários canais de TV e a constante interferência na mídia venezuelana. Pergunta óbvia: e o amigo José não merece uma medalha? Sócrates tem um curriculum notável e para sermos justos, tirando o caso da TVI que foi um faux pas, conseguiu um (nem sempre) subtil controlo da mídia sem encerrar nada, apenas com um exército de «abrantes» - para os não iniciados abrantes é cognome da legião de assessores incansáveis que promovem a imagem do Chefe, dia e noite na blogosfera e não só.


(*) Apesar de hoje ser dia das mentiras, a notícia é de ontem.

31/03/2011

O animal feroz pedinte tenta sem sucesso hipotecar o país

Instada por José Sócrates a dar alguma coisinha para o peditório da dívida pública, a presidenta Dilma, como ela se auto-proclama, enxotou o vendedor de automóveis do país, explicando que «a única alternativa que nós vemos para esse caso é a possibilidade de comprar títulos que não são triple A [mas] com garantia. Ou garantia real ou de algum activo que supra essa deficiência».

Como a dívida soberana pública portuguesa está apenas um notch acima do junk, a presidenta Dilma se (um grande SE) emprestasse só poderia fazê-lo com um colateral tipo hipoteca. Algumas sugestões de bens (e males) a hipotecar:
  • Convento de Mafra, afinal foi construído com ouro do Brasil
  • Submarinos
  • Estádios de futebol do Euro 2004
  • Auto-estradas
  • Troço Poceirão-Caia do TGV
  • Terceira travessia do Tejo
  • Acções do BCP detidas pela CGD
  • Acções da Oi detidas pela PT

BREIQUINGUE NIUZ: As portagens nas SCUT CCUT vão ser introduzidas «o mais depressa possível» (11)

Actualizando a primeira, a segunda, a terceira, a quarta, a quinta, a sexta, a sétima, a oitava, a nona  e a décima retrospectivas e confirmando a espantosa incapacidade de realização dos governos de José Sócrates que constantemente se empluma precisamente com a sua alegada capacidade de realização.
  • 06-11-2004 Mário Lino revela que portagens nas Scut irão financiar todas as estradas
  • 20-05-2005 Mário Lino, ministro das Obras Públicas, admitiu que em breve se tenha que proceder à cobrança de portagens nas Scut
  • 07-11-2005 Mário Lino está já a desenvolver um novo modelo geral de financiamento da rede rodoviária nacional, que inclui as Scut, e que deverá ficar concluído em 2006.
  • 19-01-2006 Mário Lino revela que portagens nas Scut irão financiar todas as estradas
  • 18-10-2006, pouco depois das 11h, Mário Lino tornava-se o quarto ministro consecutivo a anunciar o fim das chamadas auto-estradas Scut
  • 30-08-2007 portagens pagas nas ... Scut, anunciada pelo ministro Mário Lino em Outubro do ano passado, só será concretizada, na melhor das hipóteses, em 2008
  • 02-05-2007 negociações para introdução de portagens nas Scut retomadas há um mês
  • 10-10-2007 Mário Lino: Governo vai introduzir portagens nas Scut até ao final do ano
  • 13-11-2007 a implementação de portagens nas três Scuts - até ao fim deste ano - poderá ser adiada para o primeiro trimestre de 2008.
  • 15-01-2008 o processo está «bastante avançado», devendo «estar concluído brevemente»
  • 27-02-2008 Negociações para introdução de portagens «bem encaminhadas», garante Mário Lino
  • 01-03-2008 as negociações com as concessionárias estão bem encaminhadas.
  • 27-05-2008 entrarão em funcionamento «o mais depressa possível».
  • 30-06-2008 «Se pudesse ter amanhã portagens nas SCUT eu fazia»
  • 06-07-2008 «o Governo está a implementar a introdução das portagens nas três SCUT já referidas»
  • 02-10-2008 as portagens nas chamadas SCUT`s vão ser introduzidas «o mais depressa possível» 
  • 27-01-2010 «Há condições para introduzir portagens nas SCUT no 1º semestre»
  • 22-04-2010 «serão introduzidas portagens nas Scut já a partir do próximo dia 1 de Julho» disse Teixeira dos Santos.
  • 29-06-2010 «O Governo tomou a decisão de adiar por trinta dias, até 1 de Agosto, a introdução de portagens nas SCUT Costa de Prata, Norte Litoral e Grande Porto»
  • 24-07-2010 O Governo «não pode aplicar as portagens nas SCUT a 1 de Agosto»
  • 09-09-2010 «Portagens em todas as SCUT até 15 de Abril» 
  • 14-10-2010 «É muita confusão … há um desconcerto …» diz Loreta Fernandez, uma jornalista espanhola da TVE que veio a Portugal para «tentar perceber» o que devem fazer os estrangeiros nas SCUT
  • 16-10-2010 «Portugal implanta el peaje más caro y caótico del mundo», titula El Mundo
  • 16-10-2010 «O processo de cobrança de portagens é caótico», diz a ANTRAM
  • 10-03-2011 «Governo avança com portagens em todas as SCUT a 15 de Abril»
  • 31-03-2011 «O governo decide hoje se avança com cobrança, mas são vários os indícios que apontam para a suspensão.»
Para o governo, «o mais depressa possível» significa pelo menos 6-anos-6 e a baderna que se viu e se vê, isto é o mais devagar possível e o pior possível. Estas portagens de José Sócrates são uma espécie de portagens de Santa Engrácia.

SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (8)

[Actualização deste, deste, deste, deste e deste posts]

17-12-2008
O ministro das Finanças (MF) diz que o défice em 2009 será de 3% do PIB e não 2,2% .

05-02-2009
É aprovado pelo PS o Orçamento suplementar com uma previsão 3,9% do défice.

21-04-2009
O MF diz que «a despesa está perfeitamente controlada» e que o défice se mantém (3,9%)

15-05-2009
O MF diz que o défice será 5,9% em vez de 3,9%

04-07-2009
O MF mantém que o défice será 5,9%.

22-07-2009
José Sócratez diz que «está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu».

09-10-2009
O MF mantém a previsão de 5,9%.

03-11-2009
A CE anuncia uma previsão de 8% e o MF admite a revisão da estimativa anterior (5,9%).

24-11-2009
Défice do Estado dispara para 8,4% do PIB em 2009, em resultado do orçamento rectificativo redistributivo apresentado à AR.

12-01-2010
O ministro admitiu que o défice de 2009 será superior a 8% do PIB.

26-01-2010
Responsáveis do PSD, que tiveram com o Governo negociações sobre o OE, garantiam que o défice iria passar de um valor próximo de 8,7 por cento em 2009.

27-01-2010
Teixeira dos Santos revelou ... que o défice de 2009 atingiu o valor histórico de 9,3% do PIB.

01-02-2010
«Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias», disse José Sócrates, sem explicar porque não tinha o governo sido capaz de antecipar o défice que resultou das suas decisões, nem como tendo as ajudas sido de menos de 2% do PIB causam um aumento do défice de 2,2% para 9,3%.

27-10-2010
«Sim, sou inflexível. O défice de 2011 tem de ser 4,6%» disse Teixeira dos Santos justificando a ruptura da negociação do OE 2010 com o PSD.

31-03-2011
Em consequência da inclusão no perímetro do OE dos défices das empresas públicas que cobrem os custos com menos de 50% de receitas próprias, segundo os critérios do Eurostat desde há vários anos não cumpridos pelo governo socrático, o INE corrigiu os défices de vários anos:
  • 2009 - 10,0%
  • 2010 - 8,6%

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Fogueira com eles, insinuou ele

«Antes de se recolher no seu castelo para escrever os Ensaios, o grande Montaigne (século XVI) fez uma viagem a Roma, e foi recebido pelo Papa.

Nos seus relatos de viagem escreveu que naquele tempo fora descoberta em Roma uma seita de portugueses, imagine-se!, que se casavam na igreja entre eles (homem com homem) com todo o formalismo.

O Papa não esteve com meias medidas e mandou oito ou nove para a fogueira.

Cavaco e Sócrates - com o apoio de Louçã - só não quiseram deixar de honrar as boas tradições de certa sociedade portuguesa. Só é pena que o Papa tenha entretanto perdido o poder temporal sobre os reinos cristãos.»

[Do mesmo passarinho caído do ninho, recebi esta evocação subliminar e nostálgica da falta de poder temporal papal para enviar esses cristãos transviados para a fogueira. Não nos identificamos aqui no (Im)pertinências com essas punições bárbaras. Como castigo, consideramos suficiente a sodomia.]

30/03/2011

CASE STUDY: Uma aplicação do efeito Lockheed TriStar ao TGV – desfazendo a mistificação técnica

No meu post anterior, não pretendia fazer uma abordagem técnica das micro-turbinas eólicas a montar nos carris do TGV. Fiz apenas uma abordagem irónico-económica-financeira superficial usando uma argumentação do tipo reductio ad absurdum para evidenciar o disparate da coisa. Apesar do desconfiómetro técnico me ter piscado o olho, e daí a piada ao engenheiro Sócrates e à sua putativa capacidade para driblar o princípio da conservação da energia, dificilmente poderia ir mais longe neste domínio.

Por um email da leitora AP, chegou-me a referência a este post do prof. Pinto de Sá onde se demonstra a mistificação técnica da T-Box e se conclui que «as ventoinhas, ao rodarem como indicado, funcionam como travão do TGV e que a energia que este tem de dispender para vencer essa travagem é sempre maior que a que as ventoinhas poderão produzir, visto que nenhum processo de transformação de energia tem rendimento maior que 1! Pelo que o TGV gastará sempre mais energia com este processo do que se gerar directamente a electricidade (para a iluminação interna) a partir dos seus motores...»