Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

09/10/2022

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (16) - A maldição do jornalismo promocional. Depois da Web Summit a Air Summit e o primeiro avião 100% português

Outras maldições do jornalismo promocional.

Expresso

« (...) a maior cimeira de aeronáutica, espaço e defesa da Península Ibérica (...) 14 empresas da indústria de ponta da aviação, (...) 300 empregos qualificados, (...).

Será apresentado no Air Summit o avião português, uma aeronave tripulada regional ligeira com capacidade para 19 passageiros, 2000 quilos de carga e 2000 quilómetros de alcance (...)

A fábrica onde será construída parte da aeronave, com 18 metros quadrados (...) 

(...) a empresa está a equacionar avançar para manutenção de aviões de carga, e que está seria bem-vinda uma parceria com a TAP.  Adiantou ainda que será investido dois milhões de euros no equipamento da fábrica. (...)

Já foram investidos no cluster de Ponte de Sor 37 milhões de euros (...)»

A maior cimeira de aeronáutica, 14 empresas de ponta, 300 empregos, 18 metros quadrados (deve ser engano devido a inumeracia), 2 milhões de equipamento, 37 milhões de investimento. Terá esta gente noção do que é a indústria aeronáutica no mundo real?  

É um bom exemplo de uma espécie de jornalismo hiperbólico que vive em simbiose com o complexo de Eduardo Lourenço que assola a maioria dos habitantes do Portugal dos Pequeninos. Como nos outros casos de promoção tem uma elevada probabilidade de ser mais um flop.

08/10/2022

Dúvidas (343) - Sobreviverá o império russo a oito décadas de comunismo e a duas décadas de plutocracia putinista?

Vamos admitir que não têm importância nem consequências relevantes para a Rússia que três quartos das suas exportações dependam do petróleo e do gás num mundo que está a tentar fazer a transição energética para energias renováveis, que a sua economia em queda pese o mesmo que a de uma Espanha com cerca de um terço da população e menos de 3% da superfície da Rússia, e que tenha o PIB per capita mais baixo da Europa, com excepção da Moldavia. 

Admitamos também que o fiasco do exército russo na invasão da Ucrânia, sem uma estratégia consistente, com uma logística pavorosa, um moral inexistente da tropa, equipamentos de má qualidade e um número de baixas e de perda de equipamento três ou quatro vezes os da Ucrânia, não significa nada.

Demographics of Russia

Sim, admitamos tudo isso e olhemos apenas para o envelhecimento e o desequilíbrio entre sexos que resulta de um século de comunismo e plutocracia e que a pirâmide etária mostra. 

Demographics of Russia

E, já agora, olhemos também para a evolução da natalidade e da mortalidade e para uma população a diminuir.

Pode um império decadente com duas dezenas de repúblicas, quatro dezenas de regiões autónomas, mais de uma centena de etnias diferentes que falam mais de uma centena de línguas diferentes e professam quatro religiões principais, governado por uma plutocracia corrupta e com esta demografia sobreviver no mundo moderno?

07/10/2022

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (52) - O "quiet quitting" foi inventado em Portugal

Outros portugueses no topo do mundo.

Recentemente surgiu nos mídia e nas redes sociais o termo quiet quitting, uma "nova tendência" que se pode traduzir por desistência silenciosa e definir como (por exemplo na Investopedia):

«A desistência silenciosa refere-se a fazer os requisitos mínimos do trabalho e não dedicar mais tempo, esforço ou entusiasmo do que o absolutamente necessário. Como tal, é um equívoco, já que o trabalhador não deixa de facto seu cargo e continua recebendo um salário.»

Como acontece frequentemente às novas tendências, esta é também uma coisa antiga a que chamaram nova. Perguntareis, uma coisa antiga? a esta escala? (metade da força de trabalho americana, segundo a Gallup). Respondo, sim e sim.  

"Ele anda por aí, não deve demorar"
Pois não é verdade que na função pública do Portugal dos Pequeninos há décadas, ou talvez desde que se usam casacos, é usado um expediente conhecido como casaco na cadeira que consiste em o funcionário ter dois casacos (no Verão só um é suficiente), sair e ir tratar da sua vidinha deixando um deles nas costas da sua cadeira e quando alguém pergunta por ele o colega do lado informa "não deve demorar, até deixou aí o casaco". O que é isto senão uma modalidade de "quiet quitting"? E uma modalidade engenhosa porque minimiza os requisitos mínimos do trabalho reduzindo-os apenas à presença do casaco.

06/10/2022

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (98) - Loucura mansa. Mansa?

« A LOUCURA MANSA

O Partido Comunista da Federação Russa, o segundo maior partido russo, votou favoravelmente a anexação de 20% da Ucrânia. E subiram as penas de prisão para quem ouse criticar a invasão e os media podem ser encerrados se o fizerem.

Carlos Moedas acabou com a ofensa ao património e à paisagem que eram os cartazes de partidos na Praça do Marquês de Pombal.

O PCP referiu a violação da liberdade de expressão, da lei e da Constituição da República e classifica a decisão como "atitude de censura".

Falava da Rússia? Não, era do Marquês de Pombal.»

José Miguel Júdice no Expresso

05/10/2022

TIROU-ME AS PALAVRAS DE BOCA: Marx morreu e todos queremos ser ricos

«Não apenas queremos todos ser ricos, como relegámos para o caixote do lixo da história os mais elementares deveres de compaixão e solidariedade. Veja-se a crise dos refugiados, que convém não confundir com imigrantes, embora também estes devessem ter um acolhimento fraterno. Pois bem, refugiados e imigrantes são um dos principais ingredientes de que se alimentam as novas direitas radicais que se estão a impor na Europa.

Não subscrevo a tese da xenofobia: o que move a animosidade dos novos cidadãos-consumidores é a concorrência no mercado de trabalho, e não o facto de os arribados à Europa serem estrangeiros, pese embora o facto de que a integração socio-cultural destes novos hóspedes possa suscitar conflitos sociais e coloque aos Estados problemas muito difíceis de resolver. 

A social-democracia, por mais subsídios que invente, não resolve estes problemas: os imigrantes e refugiados são mal vindos, e o dinheiro que distribui nunca é suficiente. Não há nada em Marx que nos ajude a pensar este tipo de questões, como o fascínio do consumismo e o desejo de riqueza.

Porquê? Porque não há nada em Marx que leve em conta a natureza humana. Mas, muito precisamente, o que fazem os partidos de direita radical, ditos populistas, é levar em conta a natureza humana e ir ao encontro do que nela existe de menos nobre, mas que é o que é e, pelos vistos, o que dá votos.

Marx morreu.»

Maria de Fátima Bonifácio no Nascer do Sol

04/10/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (34b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.


«Em defesa do SNS, sempre». Pior a emenda do que o soneto

A «orgânica da Comissão Executiva do SNS» aprovada a semana passada é, nas palavras de José Miguel Júdice, «um monumento à burocracia e ao “legalês”. Por exemplo, elenca 25 “atribuições” da Direção Executiva do SNS em vez de definir o que é o SNS e atribuir apenas a missão de o gerir. (…)
o CEO tem apenas poderes de “representar”, “presidir”, “dirigir trabalhos”, “dirigir a Direção Executiva”, “propor” algumas coisas. O que ele não tem é aquilo que teria um CEO: o poder de dirigir o SNS.
»

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

A inflação era para ser pontual e subiu para 9,3% em Setembro, a mais elevada em 3 décadas. Começa a ser difícil anunciar amanhãs que cantam e até o povo ignaro está a perceber que a coisa vai ficar preta – o indicador de confiança dos consumidores desceu ao nível mais baixo desde o início da pandemia.

De volta ao velho normal

O Dr. Centeno, descansando das cativações na sua torre de marfim do BdP, exprimiu a sua «grande preocupação» porque o «consumo privado cresce mais do que o investimento», ao contrário do que vinha acontecendo desde os tempos do governo de Passos Coelho.

No Estado Sucial não há conflito de interesses. Há interesses em conflito

Numa só semana foram conhecidos mais meia dúzia de casos. O Dr. David Xavier, secretário-geral da presidência do conselho de ministros, que entre as várias outras funções no Estado sucial foi membro do Conselho de Qualidade do ISCTE (a madraça do PS), é suspeito de ter sido subornado para a compra de equipamentos. Dois outros quadros da mesma secretaria-geral estão a ser investigados. O recém-nomeado ministro da Saúde é casado com a bastonária da Ordem dos Nutricionistas por ele tutelada. Duas empresas do marido da ministra da Coesão que tutela vários fundos comunitários receberam centenas de milhares de euros desses fundos. A Dr. Manuela Couto, casada com um ex-autarca do PS, já arguida em dois processos de corrupção está agora a ser investigada pela PJ.

A realidade sob o manto diáfano da Web Summit e das start-up do subsídio

Se a regulação pelo Estado sucial fosse a solução, o ensino universitário não seria um problema

«Nesta primeira fase do concurso de acesso, existem 26 cursos sem qualquer candidato, dezenas de cursos com menos de 10 alunos e ainda sobraram 5284 vagas por preencher, de um total de 54641 disponibilizadas pelas universidades e politécnicos». (fonte)

O Estado sucial é um caloteiro

O aumento de 22,8% do saque fiscal até Agosto não impediu o governo de aumentar os pagamentos em atraso em 158 milhões para 778 milhões.

03/10/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (34a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O anúncio como método de governação

É preciso reconhecer o mérito dos governos do Dr. Costa que, em vez de gastarem à tripa-forra em grandes obras públicas, endividarem o Estado sucial e o levarem a um novo resgate, como fizeram os governos do seu antecessor Eng. José Sócrates, dos quais foram membros o Dr. Costa e vários dos seus ministros, poupam no investimento, aplicam parte da poupança para contratar mais apparatchiks e, apesar de continuarem a endividar o Estado sucial, conseguem diminuir o défice orçamental, tudo à custa de trocar obras por anúncios, como se exemplifica neste número do semanário.

Os “privados” que paguem a crise

Com uma inflação que este ano vai ultrapassar os 7%, o Dr. Costa pretende aumentar o salário dos seus empregados do Estado sucial em 2% no próximo ano, enquanto anuncia que os “privados” devem aumentar 4,8% em cada um dos próximos quatro anos (20% no acumulado). Seria uma espécie de contribuição dos capitalistas para a construção do socialismo d’aprés M Costa.

Não há fartura que não dê em falta

Com 740 mil funcionários que ocupam o Estado sucial, incluindo mais 80 mil adicionados pelos dois governos do Dr. Costa, só existem 40 dos 90 que dizem ser necessários no Centro de Ciberdefesa do EMGFA e daí, explicam, terem sido “exfiltrados” documentos classificados da NATO provenientes do Estado-Maior português à venda na “darkweb”.

O milagre da multiplicação dos judites

E, por falar em fartura, discursando na cerimónia de aceitação de 97 novos inspetores da PJ, o Dr. Costa anunciou que até 2026 seriam contratados mais 1.100 agentes, ou seja, os actuais menos de 900 efectivos (Pordata) serão mais do duplicados.

Estudo de 1972 do Estado Novo
O novo aeroporto arrisca morrer de velhice. A comissão da comissão

O novo aeroporto de Lisboa já por aí anda desde os tempos do Estado Novo que ficou dois anos a encanar a perna à rã. O Estado sucial que lhe sucedeu já vai em quarenta e oito e quer ainda mais uns quantos. Com esse propósito, o Dr. Pedro Nuno, ministro da TAP e do Novo Aeroporto, nomeou mais uma “comissão técnica independente” a qual será acompanhada por uma outra comissão garantindo assim as condições para a coisa continuar a eternizar-se, desta vez pela mão do líder do pedronunismo, que se vinha apresentando ao povo como uma criatura desenrascada e, afinal, é mais um engonha.


A «revolução da ferrovia» anunciada

O comboio rápido para o Porto, já anunciado em 1999 e 2020 por dois outros governos socialistas, foi agora novamente anunciado. Desta vez, à beira de uma recessão potencialmente profunda, o Dr. Costa e o seu ajudante Dr. Pedro Nuno anunciaram uma coisa maravilhosa que a partir de 2030. quando o segundo já estive no lugar do primeiro, ligará as duas cidades em 1h15m.

No argumentário sucialista, privado é sinónimo de imbecil

A principal diferença deste terceiro anúncio do comboio rápido Lisboa-Porto em relação aos anteriores é que desta vez, segundo o Avante da Sonae, as Parcerias Público-Privadas «PPP podem estar de volta para pagar a alta velocidade».

No Portugal dos Pequeninos até os lucros ordinários são extraordinários

O governo votou em Bruxelas a favor da tributação dos lucros extraordinários das empresas energéticas. Espera-se que o Dr. Costa não aproveite para estender a tributação dos lucros extraordinários a outros sectores porque no Portugal dos Pequeninos quase todos os lucros são extraordinários. De facto, um terço das empresas não paga IRC e sendo a taxa total de IRC de 31,5% a taxa efectiva estimada é de apenas 23,5% («Uma análise micro da tributação sobre o rendimento das empresas em Portugal», BdP, Janeiro de 2022).

(Continua)

02/10/2022

Tsar Vlad's Russia is a gigantic Potemkine village (3)

Sequel to (1) and (2).

There are numerous reasons why the Russian troops' invasion of Ukraine is being a failure and one of them is the unreliability of Russian military equipment which is being lost (unusable or captured) in quantities four times higher than Ukrainian: totals documented at this date of 6,565 (of which 1,224 tanks) against 1,674 (of which 274 tanks).

And why does Russian equipment fail? Among the many answers to the question «Why is Russian warfare equipment failing so badly? Is this due to corruption, maintenance, and lack of investment?» on Quora the following one struck me as particularly interesting because being founded is yet another example of a gigantic Potemkine village that Putin's Russia continues to be:

«Because it's not their equipment that's failing. Identical equipment in Ukrainian hands works quite well.

Whenever Russian equipment is captured, Ukraine immediately tries to make good use of it. They usually do so quite quickly, although it is to be noted captured vehicles usually need extensive servicing, oil changes, cleaning of engine and so on.

You could chalk this up to maintenance issues and you wouldn't be wrong, but that answer is incomplete. The reason why Russians have maintenance issues is because their army is not actually intended to fight wars, but to serve the many propaganda purposes, a way to sell Russian military equipment abroad and a way for well-connected individuals to make money.

This is why their equipment is failing — Russians are trying to use their army in a way it should never be used at all, because it's not equipped, organized or trained for fighting. It can do other things quite well, but not fight wars, so it fails on many different things. Failures of equipment is just how this manifests.»

01/10/2022

CASE STUDY: Trumpology (78) - This time Mr. Trump may be absolutely right

More trumpology.


Don't you believe? Think again. Why on Earth would Mr. Putin invade Ukraine, start a war he may not be able to win, squander a lot of money, lose some of his allies (Xi, Erdogan, Modi), face the risk of being a victim of suicide at the behest of one of his supporters, to feed discord in the West, if he could have all that just for helping Mr. Trump to enter the White House by putting the Агентство интернет-исследований aka ольгинские тролли to plant aids on Facebook and Twitter for his reelection?

30/09/2022

DIÁRIO DE BORDO: Suspeito que o melhor aliado do Chega é a esquerdalhada

Um dia destes no programa de humor «Isto É Gozar Com Quem Trabalha» de Ricardo Araújo Pereira vi (a partir do minuto 21:40 deste vídeo) uma dúzia de "sketches" de intervenções no Conselho Nacional do Chega na Batalha para aprovação de uma moção de confiança em que dirigentes e militantes disputaram uma espécie de campeonato de veneração do Dr. Ventura. 

Sendo certo que os "sketches" foram certamente escolhidos pelo seu potencial humorístico, ainda assim, mesmo que durante o encontro não tivesse havido mais intervenções desse calibre, elas excederam tudo aquilo que poderia ter imaginado possível em termos de graxismo bacoco.

Resisto, com dificuldade, a traçar analogias fáceis com outras organizações em que o culto do chefe atingiu proporções semelhantes, mas não resisto a concluir que um partido em que estas cenas são, mais que possíveis, vulgares, é um vazio ideológico e programático que vive pendurado em meia dúzia de slogans e se alimenta de ódios e ressentimentos que explicam o seu relativo sucesso eleitoral, sucesso que muito deve também à esquerdalhada do PS ao PCP e BE, incluindo as tribos do politicamente correcto, que, ao fazerem do Chega o seu saco de pancada, o sustentam na esperança de comprometerem e contaminarem a oposição não socialista, reduzindo-a a esse vazio.

29/09/2022

Mitos (323) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXVIII) - Por agora, só se pode concluir as temperaturas extremas são o resultado mais óbvio das hipotéticas mudanças climáticas

Outros posts desta série

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que levada às suas últimas consequências conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

O exemplo mais notório e recente de histeria climática foi dado pelo secretário-geral da ONU que disse há duas semanas «I have never seen climate carnage on the scale of the floods here in Pakistan», o que em si mesmo pode ser verdade ou mentira, dependendo do que o Eng. Guterres viu até hoje. 

Henrique Pereira dos Santos denunciou no Corta-fitas a «visão moralista e conspirativa do mundo (e a) pura manipulação» do SG da ONU. Porém, em minha opinião, não o fez da forma mais adequada visto que reproduziu um diagrama do Our World in Data com as mortes causadas por todos os desastres naturais entre 1900 e 1920, incluindo os que não têm relação com as mudanças climáticas, porém numa escala que no que respeita às temperaturas extremas não evidencia a relação com as hipotéticas mudanças climáticas que se têm vindo a verificar nas últimas décadas.  

Quando se analisam separadamente os dados relativos a mortes pelo tipo de desastres naturais com uma possível relação com as mudanças climáticas, como é o caso da seca, das inundações, tempestades e temperaturas extremas, emerge uma outra realidade, como os diagramas seguintes mostram.  

Our World in Data

E a conclusão é que ao contrário dos desastres naturais provenientes de seca, inundações e tempestades em que não parece possível estabelecer uma relação com as mudanças climáticas que, por hipótese, estão a ocorrer mais intensamente nas últimas décadas, no caso das temperaturas extremas, cujo número de mortes tem aumentado exponencialmente, essa relação ressalta muito claramente.

28/09/2022

Before Mr. Erdogan dropping Mr. Putin, Mr. Xi had already made him fall to his knees

"That hug", cartoon by António on Expresso

Last week, in an interview with PSB, Mr. Erdogan, the Turkish Pasha, resoundingly dropped support for Mr. Putin, the Czar of All Russia, but a week earlier Mr. Xi, the Emperor of the Middle Kingdom, had already done so with Chinese circumspection and perhaps that inspired Mr. Erdogan.

In fact, on the 15th, at the meeting with Mr. Putin, Mr. Xi, who was supposed to reiterate his support for the so-called "special military operation" in Ukraine, didn't say a word on the matter and Mr. Putin felt obliged to guarantee that he would respond to Chinese “question and concerns”, thus showing that Mr. Xi had asked him questions hitherto ignored, considered China's position "balanced", that is, revealed that support was not unconditional, and guaranteed that it would contribute to peace, surprisingly declaring that he and Mr. Xi "stand for the formation of a just, democratic and multipolar world order based on international law and the central role of the United Nations", he who all days since 24 February violated the UN charter and even fired a missile when the UN Secretary General was visiting Kiev. Furthermore, without any statement of support from China on the invasion of Ukraine, Mr. Putin declared his unconditional support for China in an eventual invasion of Taiwan.

Worse would have been difficult.

27/09/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (33b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.


Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

O desemprego começa a dar alguns sinais de que irá voltar com a inevitável recessão a caminho - apesar da redução homóloga em relação ao ano passado, em Agosto o desemprego aumentou 1,9% em ao mês anterior relação.

Segundo as estimativas do Conselho das Finanças Públicas, o crescimento de 2023 não ultrapassará 1,2%, de onde a taxa anual de crescimento entre 2019 e 2023 será pouco superior a 1%.

As taxas de juro continuam a sua trajectória ascendente com a Euribor 12 meses em 2,5% e as emissões da semana passada de BT a 6 meses e 12 meses tiveram yields de 1,291% e 1,916%, respectivamente, contra -0,179% e 0,236% das últimas emissões.

Se a coisa corre mal não é por falta de esforço da imprensa amiga

Com títulos como «PIB aumentou 7,0% para 214,5 milhões em 2021», que poderia ser PIB reduziu-se em 2021 relativamente a 2019, «Abaixo da linha vermelha. Dívida pública nos 118,9% este ano», que poderia ser dívida pública 16 mil milhões acima da de 2019, «Portugal tem excedente de 0,8% do PIB no primeiro semestre», que poderia ser receita fiscal aumentou mais de 20% e a despesa de capital diminuiu 8% (INE), não será por falta de boa-vontade e de fé que o mafarrico virá.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

A EFACEC, nacionalizada por um governo do PS que sucedeu a outro governo do PS que havia facilitado a entrada de Isabel dos Santos, depois de inúmeros anúncios pelo Dr. Siza Vieira foi finalmente vendida em Abril ao grupo DST e a operação continua a ser avaliada pela DGComp que desconfia de um auxílio do Estado à DST. Enquanto isso, a EFACEC continua a afundar-se e estava falida no fim do primeiro semestre com as vendas a caírem 40%, um prejuízo de 53 milhões, a dívida acima de 220 milhões e os capitais próprios negativos.

O socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros, disse Lady Tatcher sem saber que o governo do Dr. Costa nem o dinheiro dos outros consegue investir

A pouco mais de um ano do limite para investir os fundos do Portugal 2020, o governo do Dr. Costa ainda só conseguiu investir 40% da grana disponível para as 20 maiores obras públicas, em resultado de uma combinação de incompetência na gestão dos projectos com as cativações orçamentais que afectam a parte desses projectos dependente do investimento público.

Os quereres do Dr. Costa não são poderes

No caso dos fundos não aplicados do Portugal 2020, Helena Matos pode não ter razão quando se refere aos «quereres do Governo que pouco faz mas muito quer se forem os outros a pagar». Razão que lhe sobra nos outros casos como o querer do governo chegar às 300 mil casas para arrendar, querer que vai em 7 anos de anúncios dos programas de renda acessível concorrentes do Dr. Pedro Nuno, como ministro do pelouro, e do Dr. Medina, como presidente da câmara de Lisboa, programas que foram fiascos acabados.

De volta ao velho normal

Terminados os confinamentos da pandemia o povo voltou às compras com os dinheiritos que não tinha conseguido gastar e os resultados foram os do costume: a taxa de poupança voltou ao nível habitual (5,9%) de menos de metade da taxa média da Zona Euro (13%) e o défice externo das balanças corrente e de capital chegou a 2,8 mil milhões até Julho, contra um superavit e 275 milhões o ano passado.

26/09/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (33a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

A insustentável leveza da sustentabilidade da Segurança Social

Como o país (isto é, as pessoas com pelo menos meia dúzia de neurónios a funcionar) se deu conta a semana passada, a Segurança Social passou em poucos dias da sustentabilidade ad eternum para o descalabro anunciado - ver aqui o vídeo da CNN com as sucessivas estórias contadas pelo Dr. Costa sobre este tema desde 2018.

Para justificar que a actualização automática das pensões não terá lugar em 2023, apesar de prevista na lei, porque, segundo o governo, anteciparia em cinco anos o défice da Segurança Social, a trafulhice chegou ao ponto de as projecções da ministra das Pensões apresentadas ao parlamento a semana passada omitirem mais de 1.300 milhões de aumento das receitas resultante da inflação e a redução das despesas com o subsídio de desemprego. Sem esquecer que tais projecções contrariam completamente o relatório de 21 páginas inserto no OE 2022, apresentado pelo ministro das Finanças e aprovado há 3 meses, onde se concluiu que o Fundo de Estabilização da Segurança Social sobreviria até 2060.

O Estado sucial gerido pelo PS & Cª diz querer acabar com os “precários”, mas apenas está a empobrecê-los

Eurostat

Transformar em vitalícios os "precários" tem sido uma bandeira dos governos socialistas desde o Eng. Guterres e objecto de grande desvelo por parte da extinta geringonça. Além do seu número ter vindo a aumentar (sobretudo como consequência da rigidez do mercado de trabalho), também o risco de pobreza e de exclusão social não só aumentou como é o maior de toda a UE, com excepção da Roménia sobrevivente do colapso do socialismo soviético.

«A educação é a nossa paixão» ou de como o socialismo torna escasso o que é abundante

Apesar de entre 2015 e 2019 o número médio de alunos por turma em Portugal se ter reduzido de 21,2 para 20,9 e o número de professores entre 2015 e 2021 ter aumentado de 97.100 para 102.077 (Pordata) continuam as queixas da falta de professores. Talvez a explicação deva procurar-se nos 7.500 professores (mais de 7% do total) com baixa ou em “mobilidade por doença” ou nos 2 mil professores “cedidos” “às mais variadas instituições” (sindicatos na sua maioria). Se o Dr. Costa tivesse uma empresa de construção civil no Sará, em breve faltaria a areia.

Para suprir a “falta” de professores, o ministério vai preencher 80% dos horários com professores sem formação específica.

O governo do Dr. Costa como saco de gatos

O primeiro-ministro manda revogar o despacho do ministro da TAP e dos aeroportos. O ministro das Finanças manda calar o da Economia que havia admitido a descida do IRC, ministro da Economia que já havia sido mandado calar por ter falado na windfall tax sobre os lucros das energéticas.

Take Another Plan

Se fosse um “privado” seria um escândalo, mas tratando-se da TAP é uma coisa normal deixar que fossem expostos os dados pessoais de dúzias de dignitários do regime, incluindo S. Ex.ªs o PR e o primeiro-ministro.

(Continua)

25/09/2022

Mitos (322) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (13) - Evitemos a fé nas doutrinas

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem-nascidos e mal-nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 "géneros" identificados pelo Tumblr.

Num livro (Career and Family: Women’s Century-Long Journey Toward Equity) publicado o ano passado, Claudia Goldin, uma especialista nos temas mulher e trabalho, analisa cinco gerações de mulheres distinguindo diferentes atitudes face ao trabalho e reconhece, em relação à geração mais recente nascida após 1958, que a generalização da pílula anticoncepcional ao permitir o planeamento familiar tornou possível privilegiar simultaneamente carreira e família. No entanto, isso não eliminou um gap salarial entre sexos estimado em 20% em média.

Até aqui nada de novo, porque esse gap é indesmentível, reconhecido nos posts anteriores que escrevi a este respeito e em minha opinião é devido, não a qualquer tipo de discriminação como a esquerdalhada defende, mas à "especialização sexual" que durante toda a história e até recentemente atribuía às mulheres funções "inferiores", funções que, gradualmente, se vêm aproximando das funções "masculinas".

Diferentemente, Claudia Goldin argumenta que as diferenças salariais associadas às diferenças de funções resultam de escolhas racionais das famílias para maximizar o rendimento familiar com os homens a optarem por carreiras profissionais (“greedy jobs”) mais bem pagas e por isso mais exigentes e as mulheres por carreiras menos exigentes mais fáceis de compatibilizar com as responsabilidades domésticas e a menor disponibilidade dos maridos para as assumir. 

Como era previsível, independentemente do fundamento desta explicação, a tese de Claudia Goldin é rejeitada pelo áctivismo do género. O que era menos previsível é que esta explicação não agrada igualmente aos liberais que cultivam a liberdade de escolha e a quem repugna admitir que do exercício dessa liberdade resultem unintended consequences. E é isso que a torna fascinante para mim porque, se a explicação de Goldin estiver certa, é um exemplo de como a crença cega numa qualquer doutrina pode levar os crentes para uma realidade alternativa.

24/09/2022

Tsar Vlad's Russia is a gigantic Potemkine village (2)

Sequel to (1).

«As russia’s troops were abandoning their positions and armour in Kharkiv, in Ukraine, Russia’s capital was celebrating the “Day of the City”. Vladimir Putin, the dictator who started the war, boasted of a new attraction—a giant Ferris wheel called the Sun of Moscow at vdnkh, a vast theme park built in the 1930s to exhibit the achievements of the Soviet empire that Mr Putin is now fighting to restore.

“It is unique. There is nothing like that in Europe…It is very important for people to have a chance to relax with their family and friends,” Mr Putin said on September 10th. It was meant to be an advertisement for Mr Putin’s successes. But within minutes, the 140-metre-high wheel got stuck, and the next day it closed altogether. Visitors were offered a refund.

The symbolism was not lost on those who flooded social media with sarcastic or angry comments. “Why? What are all these carousels, attractions and pavilions with clowns? [Our] people are dying for us there [in Ukraine]. Are you sure that at such moments we need events whose goal is to distract, relax and entertain?” Boris Korchevnikov, a pro-war television presenter, wrote on Telegram, a social-media app.

“The army has NO thermal-imaging cameras, NO body armour, NO reconnaissance equipment, NO secure communications, NO first-aid kits. You’re holding a billion-rouble feast. What is wrong with you?” another social-media post read.

It was not just the Sun of Moscow that was malfunctioning. Having failed in his plan to take Kyiv in three days, and having failed to dissuade the West from supporting Ukraine, Mr Putin suffered another reversal. He had planned sham referendums to give a figleaf of legitimacy to the annexation of Russian-occupied territories in Ukraine on September 11th. These have now been postponed indefinitely. Russian forces do not know if they will be around long enough to intimidate voters.

Mr Putin’s power depends on Russians believing that he is strong and ever-victorious. His propagandists do all they can to promote that notion. However, the rout of Russian forces in north-east Ukraine caught them off-guard. At first state television was silent. Then its channels coyly acknowledged Russia’s retreat, described by the army as “an operation to organise the transfer of troops”. The bad news was padded out with patriotic guff. All criticism was deflected away from Mr Putin.»

Russian discontent with the war, and Vladimir Putin, is growing

23/09/2022

Tsar Vlad's Russia is a gigantic Potemkine village (1)

«What has happened to the Kremlin’s invasion of Ukraine is explained in a remarkable memoir published on VKontakte, Russia’s Facebook, by Pavel Filatyev, a Russian professional soldier (not a conscript). Despite joining an ‘elite’ unit – the 56th Guards Air Assault Regiment – Filatyev found there were no beds in his barracks, and often no power or water. A pack of wild dogs roamed through the buildings. He wrote in his diary that there was not enough food: just stale bread and ‘soup’ that was raw potatoes in water. He had to buy his own winter uniform after being given summer clothes and boots in the wrong size. His rifle was rusty and jammed after a few shots.

On paper, his unit had 500 soldiers, but it was really just 300. While, officially, some 200,000 troops invaded Ukraine, he believes the real number was more like 100,000. Filatyev was sent into battle without a flak jacket – no doubt it had been stolen and sold. He was driven to the front in a truck that was carrying mortar bombs but had no brakes. He calls the army a ‘mafia’ and says officers continually lied to the top brass to hide the true state of their units. ‘All this [equipment] is 100 years old, a lot is not working properly, but in their reports everything was probably fine… the Russian army is a madhouse and everything is for show.’

Filatyev’s account comes as no surprise to Yuri Shvets, a former KGB officer. He tells me one story about four Russian tanks arriving in a Ukrainian village. Two ran out of fuel, so the crews hopped on to the other two and they went to look for a gas station. Meanwhile, villagers put Ukrainian flags on the stalled tanks. Having failed to find fuel, the returning soldiers – perhaps forgetting where they had parked – shelled those tanks, destroying them. Then the remaining two tanks ground to a halt. The soldiers tried to leave on foot but were caught by the villagers and handed to the Ukrainian army.

Shvets talks of a Russian ‘collapse’ in Ukraine. ‘It looks like the whole regime, including the Russian armed forces, including the FSB [the main intelligence service], was just one big Potemkin village. Putin made the biggest mistake in starting this damn war because it ruined the village. People are amazed to see that what they believed was Russia was all fake. It was virtual reality. And the reality is different. It is a disaster.’ Shvets believes that defeat in Ukraine, the army trudging home on foot, could be the end of Russia. ‘The army keeps this vast land together… Putin put himself in a corner from which he has no escape. He has killed his country.’. »

Paul Wood, Spectator

22/09/2022

Dúvidas (343) - Qual a diferença para o semanário de reverência entre "tempo de antena" e comentário político?

Tsar Vlad's speech to his subjects is a paradigm of the Orwellian Newspeak: the abuser becomes the abused; the invader becomes the invaded; war becomes peace


“Today our armed forces are operating across a front line that exceeds 1,000 km, opposing not only neo-Nazi formations but the entire military machine of the collective West.”

“Nuclear blackmail has also been used. We are talking not only about the shelling of the Zaporizhzhia nuclear plant – encouraged by the West – which threatens to cause a nuclear catastrophe but also about statements from senior representatives of NATO countries about the possibility and permissibility of using weapons of mass destruction against Russia: nuclear weapons.

“I would like to remind those who make such statements about Russia that our country also possesses various means of destruction, and in some cases, they are more modern than those of NATO countries. When the territorial integrity of our country is threatened, we, of course, will use all the means at our disposal to protect Russia and our people.

“This is not a bluff. And those who try to blackmail us with nuclear weapons should know that the weathervane can turn and point towards them.”

“In its aggressive anti-Russian policy, the West has crossed every line. We constantly hear threats against our country and our people.”

“The purpose of this West is to weaken, divide and ultimately destroy our country. They are already saying that in 1991 they were able to break up the Soviet Union, and now the time has come for Russia itself that it should disintegrate. And they have been planning it for a long time.”

“The West is not interested in a peaceful solution and making compromises; they just want to break all negotiations.”

21/09/2022

Mr. Erdogan is dropping his friend Mr. Putin. If that means anything, it means that Mr. Erdogan does not believe in the success of the invasion of Ukraine... and therefore considers it unjustified

PSB: Should Russia be permitted to keep some of the territory it's taken from Ukraine since it invaded in February?

Erdogan: If a peace is going to be established in Ukraine, of course, the returning of the land that was invaded will become really important. This is what is expected. This is what is wanted.

PSB: Should Russia be allowed to keep Crimea?

Erdogan: Since 2014, we have been talking to my dear friend Putin about this, and this is what we have requested from him.

We asked him to return Crimea to its rightful owners. These are our descendants at the same time, the people who are living there. If you were to take this step forward, if you could leave us, you would also be relieving the Crimean Tatars and Ukraine as well. That's what we have always been saying.

PSB: Was this invasion justified by the Russians? Was it justified?

Erdogan: Well, no invasion can be justified. An invasion cannot be justified.

Excerpts from the interview of Mr. Erdogan to PBS' Judy Woodruff