Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

06/06/2021

CASE STUDY: Sob o socialismo, na melhor hipótese as empresas são vendidas ao estrangeiro, na pior são transformadas em zombies

Jornal Económico

Tudo começou há 15 anos com a dupla Animal Feroz-Dono Disto Tudo a sabotar a OPA da Sonae à PT, a um preço 20% superior à última cotação da PT na Euronext antes do anúncio.

Desde então a PT transformou-se na rameira do regime, vendeu a sua extremamente lucrativa subsidiária brasileira Vivo à Telefónica, foi desnatada com distribuição das mais-valias pelo GES do DDT e com as sobras comprou através dos amigos de Lula a Oi, uma operadora falida. A partir daí foi sempre em queda até à compra da PT pela Altice que agora a tenta vender para reduzir o seu endividamento.

05/06/2021

Dúvidas (309) - Estarão os portugueses a ser vítimas da Síndrome de Estocolmo?

Aximage - Correio da Manhã

A síndrome de Estocolmo (Nils Bejerot) é um fenómeno psicológico em que as vítimas expressam simpatia, empatia e outros sentimentos positivos pelo seu raptor. A pergunta se os portugueses estarão a ser vítimas dessa síndrome é, portanto, uma pergunta retórica.

O exemplo do Anthochaera phrygia sugere que a proibição do piropo pelo politicamente correcto pode levar à extinção dos seus praticantes

Cantas mas não me encantas

O Regent honeyeater (Anthochaera phrygia) é um passeriforme do sudeste da Austrália ameaçado de extinção. Só restam 400 indivíduos numa área de equivalente a 3 Portugais dos Pequeninos, o que torna difícil os acasalamentos, dificuldade agravada pelo facto dos acasalamentos dependerem do macho seduzir a fêmea pelo canto e há cada vez menos machos a saberem cantar por falta de oportunidade dos machos jovens aprenderem com os mais velhos. 

Ross Crates e Robert Heinsohn, da Australian National University, que têm estudado esta passarada (Loss of vocal culture and fitness costs in a critically endangered songbird), concluíram que os machos jovens não sabem cantar ou adoptam cantos de outras espécies e assim não se tornam atractivos para as fêmeas que perdem o interesse de acasalar, agravando ainda mais os riscos de extinção.

Ora o piropo desempenha, ou desempenhava, no homo sapiens uma função semelhante à do canto do Anthochaera phrygia no acasalamento entre humanos (*). Não se admirem por isso que com a adopção pelos berloquistas dos códigos de linguagem inclusiva do politicamente correcto e em particular do cancelamento do piropo, esses indivíduos percam a capacidade de se reproduzir, o que pelo mecanismo da selecção natural pode levar à extinção dessa subespécie, o que num certo sentido até é positivo na condição do resto da humanidade não aderir a esses códigos.

(*) Entre os muitos exemplos, um dos meus piropos preferidos foi-me contado há muitos anos por uma amiga, por sinal muito bonita, que vestida de verde-alface ouviu de um magala com quem se cruzou «gostava muito de ser um coelhinho para petiscar essa alface». Naturalmente que isto hoje não seria possível ou, se fosse, determinaria a condenação por um tribunal militar do magala por violação da directiva de linguagem inclusiva.

04/06/2021

Fact checking a um dia de tretas do Dr. Costa

Na ridícula cerimónia de inauguração (ver a foto que ilustra a notícia do Avante da Sonae) do primeiro cabo de fibra óptica de alta velocidade entre Portugal e o Brasil, o Dr. Costa referiu-se ao Sines 4.0 como «o maior data center do Sul da Europa» e ao porto de Sines como «um dos maiores portos da União Europeia».

O Sines 4.0 será sem dúvida o maior data center do Sul da Europa se considerarmos que a Covilhã, onde se situa o data center da Altice considerado maior da Europa, se situa no Norte da Europa.

O porto de Sines poderá ser um dos maiores portos da União Europeia se os dados publicados sobre cargas movimentadas boicotarem o Portugal dos Pequenos (Top 15 container ports in EuropeEurope's Busiest Cargo Ports).

Dúvidas (308) - Serão os mesmos portugueses?

03/06/2021

ACREDITE SE QUISER: Outros governos reduzem a letalidade por Covid. O Dr. Costa ressuscita mortos por Covid - 20 num só dia

As raças e os tempos de espera nos serviços básicos nos EUA

Segundo um estudo de Stephen Holt, da Universidade de Albany, citado pela Economist, a raça e o rendimento são factores que influenciam o tempo que em média os americanos gastam para usar os serviços básicos como creches, saúde e mercearias e «sugere que os americanos brancos ricos conseguem o que querem rapidamente». E estranhamente sugere também que «entre os negros americanos, aqueles que ganham pelo menos US $ 150.000 na verdade passam mais tempo "arrefecendo os pés" do que aqueles que ganham US $ 20.000 ou menos. Isso pode ser porque apesar destes últimos viverem em bairros de maioria negra mal providos de serviços básicos, usam serviços como lojas e salões de beleza com mais frequência.» 

Se a realidade não fosse mais complicada do que os esquemas simplistas do áctivismo, poderia então concluir-se que não podendo ser branco rico é melhor ser negro pobre do que negro rico.

02/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: O serviço público da TAP e o serviço privado da Ryanair

TAP 14 mil empregados, 17 milhões de passageiros
Ryanair 17 mil empregados, 149 milhões de passageiros
[antes da pandemia]

No Novo Império do Meio o Imperador determina os nascimentos e as mortes

Durante uma geração inteira o Politburo proibiu os chineses de ter mais do que um filho, Dada a preferência dos chineses por terem filhos em vez de filhas, isso teve como consequência, além da redução drástica do número de nascimentos, uma alteração da relação entre nascimentos dos dois sexos com aumento do número de machos.

Em 2016 o Politburo permitiu um segundo filho. Ainda assim, a população chinesa com uma taxa de fertilidade de 1,3 estava ameaçada a prazo de redução, como se confirmou no último censo agora divulgado que mostrou uma queda de 20% dos nascimentos de 2019 para 2020. Face à redução do número de súbditos, o Imperador determinou agora que é autorizado ter três filhos.

No Novo Império do Meio, o Imperador determina quantos nascem e até quantos morrem. Como se concluiu num estudo publicado no British Medical Journal por investigadores chineses, considerando o excesso de mortalidade em Wuhan, segundo a Economist isso indicia um subregisto da mortalidade por Covid, ou seja mais um exemplo da habitual manipulação de estatísticas pelo governo/PC chinês.

01/06/2021

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (51) - Já agora, como compara o Sr. Almirante

Não compara mal, sobretudo com os mais retardados, mas é-se sempre bom comparado com os piores. A comparação que faz mais sentido é, porém, o resultado com o planeado:
Fonte

Vacinar jovens sem risco quando 10% dos idosos mais expostos ainda não têm a segunda dose?

Não há a certeza se Passos Coelho seria a melhor escolha para liderar uma alternativa vencedora à geringonça. Quem não tem dúvida são os geringonços

Entendamo-nos: Passos Coelho foi incomparavelmente melhor líder do PSD do que o Dr. Rio e muito melhor primeiro-ministro do que o Dr. Costa está a ser. Porém, para sermos honestos, temos que conceder que essa comparação vale pouco.

Como primeiro-ministro, Passos Coelho governou em condições penosas e num período muito difícil, tendo a bordo uma criatura inconfiável como o Dr. Portas, o da demissão irrevogável e do "argumentário". Não fez grandes asneiras, não sabemos se porque a troika não deixou ou de motu proprio. Fica para a pequena história a ridícula argolada de ter garantido que estava a ir além da troika, um disparate sem nome, porque não estava e ficou exposto à multidão dos idiotas açulados pela esquerdalhada que entendiam que uma troika só poderia querer a desgraça do Portugal dos Pequeninos - na verdade, estava a tentar salvar-nos de nós próprios, ou pelo menos das elites merdosas que nos governavam.

Por tudo isto, sendo uma escolha a considerar para uma sucessão higiénica do Dr. Costa, não está demonstrado que seja a melhor escolha possível. Quem não dúvidas que seja são os geringonços que espumam ódio só ao ouvir o nome da criatura e apostam contra ele todas as fichas. Se confiasse no discernimento da esquerdalhada concluiria que Passos Coelho é o melhor líder de uma alternativa vencedora à geringonça, mas não confio e não acredito que os inimigos dos nossos inimigos sejam necessariamente os nossos melhores amigos.

31/05/2021

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (50) - O efeito "almirante" parece esgotado

Média diária desde o início da vacinação em 27-12-202070% da população vacinada no final de Setembro100 mil pessoas incluindo "privados"maiores de 60 anos vacinados na primeira semana de Junho70% da população com pelo menos uma dose da vacina no início de Agosto
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O efeito "almirante" parece esgotado. Exceptuando umas fogachadas ocasionais, os ciclos semanais não ultrapassam sustentadamente a média de 80 mil doses diárias. Uma vez mais, é um Sr. Almirante incomparável com o apparatchik socialista que o precedeu mas prisioneiro de uma organização kafkiana com apparatchiks pouco motivados e capturados pela rotina do nove-e-meia vou-tomar-um cafezinho-e-já-volto cinco-e-meia.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (87) - Em tempo de vírus (LXIV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

É demasiado. Até mesmo para um governo socialista

Com uma marinha que tem dois submarinos e apenas um está operacional e cinco fragatas e apenas uma está operacional, só ao Dr. Costa e ao seu ministro da Defesa lembraria torrar 8 milhões para comprar uma lancha para a guarda-costeira tripulada por guardas da GNR.

No Estado Novo eram os fontanários, no Estado sucial são os parques para bicicletas

Com a diferença que os fontanários eram inaugurados pelos presidentes da junta de freguesia locais e os parques para bicicletas são inaugurados (com laçarote) pelos ministros socialistas do Ambiente.

Take Another Plan. A obra do Dr. Pedro Nuno

Somando aos 1.200 milhões já enterrados, o Dr. Pedro Nuno torrou mais 462 milhões no aumento de capital da TAP passando a ser o sócio quase único. O Sr. Humberto Pedrosa, o sócio privado sobrevivente, deve ter chorado de alegria, antecipando o que serão os resultados este ano depois dos prejuízos de 1.418 milhões em 2020.

Entretanto, o Dr. Pedro Nuno teve uma reunião com o Michael O'Leary, a qual segundo a imprensa amiga teria deixado o CEO da Ryanair de "orelhas a arder". Pelo que transpirou da reunião e pela entrevista ao Observador de Michael O'Leary, concluo que o jornalista amigo trocou as orelhas.

O que podemos concluir da gestão da TAP pelo pedronunismo? Principalmente duas coisas, a saber: (1) «Pedro Nuno Santos não é qualificado para ter a tutela da TAP» que foi o understatement encontrado por Sérgio Palma Brito para classificar o desempenho da criatura numa esclarecedora entrevista ao jornal Sol e (2) por muito milhares de milhões que esse desempenho irá custar ao país, se contribuir para evitar que o Dr. Pedro Nuno chegue a S. Bento e multiplique por dezenas ou centenas esse custo, o preço até é barato.

Boa Nova

O marketing do Dr. Costa vai soltando todos os dias, através dos seus agentes nas redacções, Boas Novas extraídas do PRR, como os 1.300 milhões para capitalizar empresas, ou pela boca dos secretários de Estado que emergem da clandestinidade para nos dizerem que o emprego cresceu em 320 mil pessoas nos últimos cinco anos.

Há duas semanas a ministra do Estado e da Presidência Dr.ª Vieira da Silva anunciou que os fans ingleses que viriam ao Porto assistir à final da Champions ficariam dentro de uma "bolha".

Choque da realidade com a Boa Nova

O secretário de Estado do Trabalho esqueceu-se de mencionar que a população empregada depois de ter atingido um máximo de 4.913,1 mil em 2019 desceu nos anos seguintes sucessivamente para 4.814,1 mil e 4.737,7 mil e em Janeiro deste ano caiu novamente para 4.647,3 mil, ou seja, em três anos desceu 265,8 mil.

A "bolha" da Dr.ª Vieira da Silva

30/05/2021

O Estado Novo tinha uma Comissão de Censura Prévia, o Estado sucial do PS pretende uma comissão de censura a posteriori (2)

Uma continuação deste post com as palavras de António Barreto:

«É um dos piores sinais de evolução de um povo e das suas elites: colaborar na sua própria opressão. O despotismo nacional que sempre espreita e a falta de tradição democrática e liberal ajudam a explicar esta vontade de impor uma virtude, de regular a opinião, de filtrar crenças e de certificar convicções. Há, entre nós, muita gente que espera que o Estado (de direita ou de esquerda) se ocupe das consciências e da moral pública. Para bem de todos, com certeza.

Previsivelmente, esta lei presta atenção a todos os novos direitos, novos clientes e novos públicos, aos fracos e vulneráveis, às questões de género e de raça, a tudo quanto está na moda. E sobretudo à verdade e à virtude. Muito bem. Outros já fizeram o mesmo. Por exemplo, o famoso artigo 8º da Constituição de 1933, do Estado Novo de Salazar, dizia que “a liberdade de expressão do pensamento sob qualquer forma (…) é um direito e uma garantia individual do cidadão”. Mas também dizia que “leis especiais regularão o exercício da liberdade de expressão do pensamento (…) devendo prevenir preventiva ou repressivamente a perversão da opinião pública na sua função de força social e salvaguardar a integridade moral dos cidadãos”. (...)

Salazar não faria melhor! Salazar não fez melhor! Polacos, Húngaros e Turcos não fariam melhor! Fascistas e comunistas não fariam melhor. Porquê? Porque agora utiliza-se a democracia para fazer as mesmas coisas. Usa-se a democracia para fazer o serviço sujo. Recorre-se à democracia para manipular, orientar e proibir. Emprega-se a democracia para favorecer e privilegiar. Utilizam-se todos os meios e recursos democráticos para limitar, condicionar, espiar e vigiar!»

Excerto de A Inquisição, a Censura e o Estado

Nota: Ao contrário do que se pretendeu insinuar sub-repticiamente com as abundantes referências a iniciativas legislativas europeias e internacionais  no projecto de lei de aprovação da Carta de Direitos Fundamentais na Era Digital apresentado pelo Partido Socialista, o atentado à liberdade de expressão agora aprovado não resulta de qualquer directiva europeia ou internacional. Pelo contrário, essas iniciativas internacionais visam não o controlo dos conteúdos pelos governos, como a lei agora aprovada, mas garantir a protecção dos dados individuais, o acesso à internet e... a livre expressão.

Terá o Dr. Miguel Sousa Tavares sofrido uma epifania?

Se me contassem que Miguel Sousa Tavares, aka o tudólogo, quase sempre atento, venerador e grato ao governo do Dr. Costa, tinha escrito na sua coluna no Expresso algo que poderia ter sido escrito aqui no (Im)pertinências, não acreditaria. Apesar disso, ele escreveu o que a seguir reproduzo parcialmente con gusto. 

«A conclusão geral a tirar é que, primeiro que tudo, o Estado está ao serviço dos seus e só depois ao serviço da comunidade. Essa é, com as excepções da ordem, a filosofia reinante na Administração Pública portuguesa. Como aqui escreveu João Vieira Pereira na semana passada, o monstro está de volta e “a pandemia veio agora dar mais uma desculpa para alguns erros que nos vão custar caro, em impostos, claro está. O que se está a passar na Função Pública é o exemplo perfeito”. O número de funcioná­rios é o maior dos últimos nove anos (antes da troika), o valor médio dos salá­rios na Função Pública é o mais alto de sempre (1800 euros brutos) e as pensões de reforma dos servidores do Estado regressaram aos valores de 2004, também os mais altos de sempre, quando o ministro Vieira da Silva conseguiu impor uma reforma que evitou a falência iminente do sistema. Mas, na verdade, a pandemia apenas concedeu rédea solta para uma política que já estava implantada antes dela. O regresso às 35 horas na Função Pública foi um marco político e financeiro que só podia ter como consequência o aumento da contratação ou a degradação dos serviços.

A sobrevivência de um Governo que se mantém à conta das cedências constantes às chantagens financeiras dos seus parceiros de esquerda, num espectáculo ininterrupto e deprimente a que o resto do país assiste, impotente, sabendo que, no final, tudo se traduzirá em mais dívida e mais impostos, é um processo contínuo de captura da riqueza da nação a favor de despesa fixa, eterna e não compensadora do Estado. Podemos fazer um esforço para acreditar que todas essas medidas contêm em si as melhores intenções para combater as desigualdades e garantir o Estado social. Simplesmente, quando vêm para ficar para sempre e quando reclamam quase metade da riqueza do país não funcionam, antes pelo contrário — temos 40 anos de demonstração da sua inoperância em conseguir inverter o círculo de morte da nossa economia: a baixa produtividade, a ausência de capital para investir, a falta de competitividade devido à asfixia fiscal e os baixos salários, com origem, em grande parte, na mesma razão. Porém, não sejamos ingénuos — se o Inferno está cheio de boas intenções, o Paraíso prometido está cheio de aldrabões: os que querem um Estado cada vez maior, mais gastador, mais endividado, mais cobrador e mais senhor do jogo não o fazem inocentemente, só para defender os pobrezinhos. Fazem-no também, ou sobretudo, porque isso é o mais próximo que podem ter de um Estado totalitário numa democracia europeia.»

29/05/2021

SERVIÇO PÚBLICO: A diferença entre ganhar dinheiro servindo clientes e perder dinheiro servindo-se dos contribuintes

«Nós estamos a fazer favores ao público português. Trazemos tarifas baixas, concorrência e escolha aos portugueses. Sem nós, muitos milhões de portugueses que trabalham fora não conseguiriam pagar o voo de regresso a Portugal para o Porto, para Faro ou para Lisboa, sem as tarifas baixas da Ryanair. Nós continuamos a voar para aeroportos como Faro e Porto ao longo do inverno, quando a maioria das companhias charter e as companhias “de verão” desaparecem. Continuamos a investir fortemente em Portugal. Trazemos milhões de visitantes a Portugal. Pagamos remunerações altas aos nossos pilotos, às nossas tripulações de cabine e aos nossos engenheiros, e negociamos totalmente e de forma aberta com os sindicatos e assinamos contratos coletivos com todos eles. Trazemos muitos benefícios aos portugueses sem ter que pedir 300 euros a cada homem, mulher e criança portugueses.

Nós trazemos muitos mais benefícios para a economia portuguesa. A TAP é uma companhia muito pequena e transporta muito menos, creio que cerca de 14 milhões de passageiros por ano. Nós reconhecemos plenamente que a TAP faz alguns voos de longo curso, mas a custos muito altos. E esses voos de longo curso seriam feitos por outras companhias caso a TAP não recebesse um subsídio de 3 mil milhões de euros. Para dar algum contexto, a Ryanair faz a ligação a Portugal. No verão de 2021 vamos operar 120 rotas para Portugal. A TAP apenas oferece, penso eu, 60 a 65 rotas, por isso ligamos Portugal e os portugueses a mais do dobro dos destinos que a TAP. Perguntamos ao ministro Santos, que apesar de tudo é o ministro das Infraestruturas… Ele não é o ministro da TAP! Perguntámos: o que vai fazer ao aeroporto do Montijo enquanto vai desperdiçar três mil milhões de euros de dinheiro dos contribuintes na TAP, e ele não tinha resposta.»

Da entrevista a Observador de Michael O'Leary, CEO da Ryanair  

A Ryanair está a trabalhar em primeiro lugar para os seus accionistas ganharem dinheiro e ao fazê-lo presta aos portugueses um serviço melhor do que a TAP que está em primeiro lugar a trabalhar para a nomenclatura e os apparatchiks que parasitam o Estado sucial à custa do dinheiro torrado dos contribuintes,

Torrefacção Lusitana, Lda.

É do conhecimento geral (quer dizer do conhecimento de umas poucas centenas de cidadãos) que sob a governação de vários socialismos se torraram no Portugal dos Pequeninos, a que não por acaso, também chamamos carinhosamente Torrão Pátrio, milhares de milhões de euros dos contribuintes europeus para construir equivalentes modernos do Convento de Mafra, na melhor hipótese, ou para benefício e gáudio de uma camada de insaciáveis apparatchiks, na pior.

O que é (ainda) menos conhecido e raramente falado é que esses milhares de milhões tiveram como beneficiários exclusivos as luso-elites extractivas e a multidão de apparatchiks pendurados no Estado sucial, como se confirma neste ponto de situação do blasfemo Telmo Azevedo Fernandes, que se pode resumir assim relativamente ao período 2014-2020:

  • 0,8% das empresas receberam subsídios 
  • 0,19% recebeu dinheiro para se ligar às universidades e centros de inovação e dessas só cerca de 4% lançaram novos produtos
  • 0,03% dos lares (fogos) receberam dinheiro para melhorar a eficiência do consumo de energia
  • Isso não impediu que com 2,3% da população e 1,5% do PIB da União Europeia, o Portugal dos Pequeninos tivesse 28% dos 25 maiores beneficiários de subsídios

Nota: A Torrefacção Lusitana foi uma pequena e simpática empresa que durante décadas ocupou um prédio emblemático do Bairro Alto, cujo nome no meu espírito evocou sempre a vocação do Portugal dos Pequeninos de mineração do guito europeu para o torrar em manadas de elefantes brancos e cor-de-rosa.

28/05/2021

Mitos (311) - A longa noite fascista pode ter sido mais iluminada do que a primeira República

Como é sabido, a esquerdalhada tem sempre de reserva a demonização do Estado Novo colando-lhe atributos duvidosos (como fascista, para designar algum folclore de uma ditadura nacionalista e beata), exagerando-lhe os crimes (umas dezenas de assassinatos em quase cinco décadas, o equivalente a umas horas ou, vá lá, uns dias da maioria dos regime glorificados pela esquerdalhada), e negando, ou pelo menos menorizando, algumas das realizações que o regime conseguiu, a começar pela estabilidade política, social, económica e financeira que se seguiu à baderna e violência caótica da I República.

Uma das realizações da Estado Novo, até agora escamoteada em contraste com os supostos sucessos republicanos, foi no campo das políticas de educação e em particular na erradicação do analfabetismo. A verdade é que, ao contrário da mitologia da esquerdalhada, o Estado Novo fez obra, como se fica a saber pelas conclusões do estudo Can autocracy promote literacy? Evidence from a cultural alignment success story  de Nuno Palma e Jaime Reis publicado recentemente e em boa hora citado por Aguiar-Conraria na sua coluna do Expresso

Citando o resumo dos autores:

«Do countries with less democratic forms of government necessarily have lower literacy rates as a consequence? Using a random sample of more than 9000 individuals from military archives in 20th century Portugal, we show that 20-year old males were 50% more likely to end up literate under a nondemocratic regime than under a more democratic one. Our results are robust to controlling for a host of factors including economic growth, the disease environment, and regional fixed effects. We argue for a political economy and cultural explanation for the relative success of the authoritarian regime in promoting basic education.»

27/05/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Com a verdade nos enganam - "influenciados por três russos envolvidos numa revolução mal-sucedida"

«No Congresso do Bloco houve uma frase memorável. Um congressista, Américo Campos, afirmou o seguinte: “É curioso que três russos envolvidos numa revolução mal-sucedida, com mais de 100 anos, influenciam um partido de esquerda do século XXI.” Os três russos são, obviamente, Lenine, Trotsky e Estaline. Não sei se o camarada Américo percebeu devidamente o que estava a dizer. Se percebeu, não sei se já foi expulso ou silenciado pelo partido, como faziam os famosos três russos aos seus camaradas que se afastavam da linha oficial (e como fizeram uns aos outros, mais precisamente Estaline a Trotsky).

De propósito ou sem querer, o camarada Américo revelou o grande disfarce do Bloco. Um partido que continua a seguir uma ideologia que fracassou e espalhou violência, miséria e pobreza em todo o lado onde chegou ao poder. Mas usa uma linguagem moderna atraente para os jovens e até os liberais urbanos para disfarçar a sua verdadeira natureza. Um partido onde quem pensa são os discípulos dos três russos, neste caso Louça, Fazendas e Rosas, mas os rostos da falsa modernidade são a Catarina, as manas Mortágua e a Marisa. Ninguém tenha ilusões, o poder está com os velhos revolucionários, não está com as senhoras simpáticas. Além disso, as senhoras simpáticas pensam como os velhos revolucionários. Tudo o que sabem foi com eles que aprenderam.

Nas ideias de muitas das moções apresentadas no Congresso, há uma linha constante: o anti-capitalismo, e a luta contra a economia de mercado e a iniciativa privada. A política económica do Bloco tem um objectivo máximo: a nacionalização da economia. Os bancos, os CTT e a TAP seriam apenas o início. Depois nacionalizariam a EDP, a Galp, as várias indústrias, as seguradoras, a hotelaria, as empresas agrícolas e os meios de comunicação social. Quando Louçã sugere Mariana Mortágua para ministra das Finanças, o que quer dizer é que ela seria a CEO da economia portuguesa, e ele seria naturalmente o Chairman.» 

Excerto de O anti-capitalismo do Bloco, João Marques de Almeida no Observador

Por falar em anti-capitalismo, recordo que o capitalismo e os mercados são apenas a democracia liberal a funcionar na economia, sem os quais a democracia no mínimo é meramente formal e no máximo não existe. E, já agora, recordo também que a aliança espúria e oportunista do Dr. Costa com os marxismos comunista e bloquista, para governar apesar de ter perdido as eleições de 2015, contaminou irremediavelmente o Partido Socialista e está a transformá-lo num partido colectivista cujo propósito se resume à ocupação do aparelho de Estado fazendo o país pagar por isso um elevado preço.

26/05/2021

ESTÓRIAS E MORAL: O Sr. Eng. no Portugal dos Pequeninos e Mr Johnson na pérfida Albion estão em galáxias diferentes

Estórias

Boris Johnson, o primeiro-ministro do Reino Unido, está a ser acusado de ter desaparecido durante doze dias em Fevereiro, faltando a cinco reuniões cruciais do Cabinet Office Briefing Rooms, alegadamente para acabar  o livro The Riddle of Genius sobre Shakespeare, pelo qual tinha recebido adiantamentos durante vários anos do editor Hodder & Stoughton, totalizando £100 mil libras.

Os assessores de BoJo receiam que a principal acusação venha de Dominic Cummings, seu ex-consultor principal de estratégia despedido recentemente, que parece disposto a pôr a boca no trombone garantindo que BoJo está sobre pressão para entregar o livro e conseguir o dinheiro necessário para formalizar o divórcio com a sua ex-mulher Marina Wheeler. Para apimentar mais a coisa, Cummings foi despedido por pressão da actual companheira de BoJo. (Fontes: The Independent e Mirror).

A duas horas e meia de voo para Sul, um outro primeiro-ministro foi durante vários anos alegadamente subornado por várias pessoas, incluindo um influente banqueiro do regime para favorecer os interesses dos corruptores, tendo (sempre alegadamente) recebido muitos milhões de euros por esse favorecimento, através de um seu fiel amigo o qual, mesmo tendo sido também preso, manteve a versão que se tratava de empréstimos seus ao primeiro-ministro.

Moral

Apesar da distância entre Downing Street e S. Bento serem uns meros 2 mil km, a distância entre os calibres intelectuais (e morais), dos respectivos moradores e entre as fidelidades ou falta delas dos seus próximos é de vários parsecs, pelo que podemos considerar esses dois locais situados em galáxias diferentes.