Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/10/2018

ARTIGO DEFUNTO: O tsunami de Vasconcelos ou a arte de apresentar derrotas como vitórias

O tsunami de Vasconcelos

«O [partido] fundado por Lula foi o que menos sofreu no tsunâmi político que varreu o país: foi o que mais deputados elegeu e o seu candidato presidencial, FH, passou à 2ª volta, obtendo cerca de 45 milhões de votos; ora, o PMDB, de Temer, e o PSDB, do ex-Presidente FHC, sofreram uma queda brutal.»
José Carlos de Vasconcelos na Visão (citado na anteVISÃO)

O tsunani no mundo real
  • Presidente: Haddad, o candidato do PT, teve menos 10,7 milhões de votos do que Bolsonaro;
  • Governadores: o PT só conseguiu eleger 4 em 27 e perdeu 1 governador; o PSL, o partido de Bolsonaro, não tinha nenhum e ficou com 3; 14 dos eleitos apoiaram Bolsonaro no primeiro ou no segundo turno das eleições
  • Senado: o PT perdeu 3 dos seus 9 senadores; o PSL não tinha nenhum e ficou com 4;
  • Câmara de Deputados: o PT perdeu 12 dos seus 68 deputados; o PSL, o partido de Bolsonaro, passou de 1 para 52 deputados;
  • Número de votos: o PT foi o partido com mais votos mas perdeu 15 mil eleitores; o PSL aumentou de 2 para 90 milhões.

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (65) - «Catavento de opiniões erráticas»

Outras preces

Sobre a reposição das 35 horas:

Junho de 2016 «Marcelo promulga 35 horas mas envia para o TC se despesa aumentar»

Outubro de 2018 «Marcelo justifica aumento dos gastos com horas extra em Belém com horário de 35 horas»

Sobre a recandidatura:

«O tabu da recandidatura de Marcelo em 13 versões», desde tratar dos morangos em Abril de 2016 até Outubro 2018 em que admite recandidatura como "efeito colateral" de dez anos de Web Summit

Sobre o auto-conhecimento:

Para terminar com algo positivo sobre a criatura, recordo que quando Passos Coelho disse que o candidato do PSD não deveria ser um «Catavento de opiniões erráticas», Marcelo enfiou de pronto o chapéu.

30/10/2018

Os mais ricos estão mais ricos? As opiniões dividem-se

«A concentração de fortuna nas mãos dos homens e mulheres mais ricos do planeta está a acentuar-se e em 2017, revela um estudo do banco suíço UBS, os milionários de todo o mundo detinham um património de 8,9 biliões de dólares, mais 20% do que no ano anterior.» (Expresso)


«No relatório do ano passado do Credit Suisse, os 1% mais ricos pareciam reivindicar mais da metade da riqueza do mundo (ver gráfico). Mas estimativas novas e aprimoradas sugerem que a participação dos 1% pode ter atingido o pico ou estabilizado. Entre 2016 e 2018, caiu no Brasil, na Grã-Bretanha, na França, na Alemanha, na Índia e na Rússia e caiu nos EUA, Canadá, China, Itália e Japão.

Para ser um membro do 1%, uma pessoa precisa agora de mais de US $ 870.000 em ativos líquidos. Dois quintos desse grupo feliz podem ser encontrados nos Estados Unidos. No passado, o segundo maior contingente sempre esteve no Japão. Mas este ano eles vivem na China, lar de 8,4% deles (e Hong Kong acrescenta outros 0,4%). (The Economist)

Vós, as elites, não percebeis nada de nada

«... as elites artísticas, intelectuais e jornalísticas têm de meter na cabeça de uma vez por todas que a sua influência sobre o povo, na hora do voto, é nula. Que os seus poderes de mediação e de persuasão, na era das redes, evaporaram-se de vez. Que ter escritores, comentadores, historiadores, músicos ou jornais a criar vídeos, e manifestos, e hashtags, e editoriais, e o diabo a quatro, onde do alto da sua imensa sabedoria tentam explicar ao povo brasileiro (como já haviam tentado explicar ao povo americano) em quem ele deve votar, é uma ridícula figura, por uma razão muito simples – aquele voto, o voto de dezenas de milhões de brasileiros e de norte-americanos, também é contra nós.

(...)

Trump e Bolsonaro não são exemplos para ninguém, nem sequer para quem vota neles. Mas servem um propósito – abanar o sistema de alto a baixo. A esquerda gosta tanto de falar de empoderamento, pois aqui está ele: o eleitorado está-se a borrifar para aquilo que as elites lhe mandam fazer. Daí Trump. Daí Bolsonaro. Daí tantas lágrimas à minha volta.»

Nós, as elites, não percebemos nada de nada, João Miguel Tavares no Público

Isso é com as elites em geral. Se falarmos em particular de elites merdosas como a nossa, ainda é mais importante a choldra borrifar-se nelas.

29/10/2018

Os deputados assombrados pela ascensão do populismo querem acabar com a concorrência?

«A menos de um ano das legislativas, e assombrados pela ascensão do populismo um pouco por todo o mundo, os partidos portugueses estão preocupados com o fenómeno das fake news (notícias falsas), que teve um impacto direto nas eleições que levaram Donald Trump à Casa Branca e que estão a marcar a campanha nas presidenciais do Brasil. Por isso, o Parlamento quer colocar o assunto na agenda política portuguesa.

Edite Estrela, presidente da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, vai propor um debate sobre o tema. “Há uma nova forma de condicionar a opinião pública à revelia daquilo que é a mensagem política e o jornalismo. É uma alteração que merece ser refletida”, diz ao Expresso»)

É verdade. Há a velha forma de condicionar a opinião pública pela mensagem política e o jornalismo e há uma nova forma de condicionar a opinião pública à revelia daquilo que é a mensagem política e o jornalismo.

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (159)

Outras avarias da geringonça e do país.

Se as heranças do fascismo são pesadas, as heranças do socialismo não são menos pesadas: da herança do Euro 2004 nascido com Guterres e consumado com Sócrates, 14 anos depois ainda falta pagar 107 milhões de euros do estádios.

E se falamos de heranças do fascismo podemos falar da RTP, uma instituição que tem atravessado regimes e governos como púlpito dos poderes do momento. Nos 16 anos que tem o Acordo de Reestruturação Financeira, a RTP recebeu cinco mil milhões de euros, segundo as contas do CM, o equivalente a 500 euros por habitante à razão de 856 mil euros por dia. Convenhamos que é um elevado preço para os governos para nos tentarem moldar os bestuntos.

Entre os muitos acontecimentos que escapam à minha compreensão, encontra-se a chamada «nova ala pediátrica» do Hospital de S. João no Porto que Costa agora anunciou para as calendas gregas. Se bem entendi, é uma obra (Joãozinho) para a qual a iniciativa privada dinamizada por Pedro Arroja já teria conseguido financiamento privado e que há três anos foi bloqueada pelo governo (ver a saga no blogue Portugal Contemporâneo). Vem a propósito relevar que mais dois directores do Hospital de S. João apresentaram demissão por falta de condições para exercerem.

28/10/2018

ACREDITE SE QUISER: E quando se esperava que se fizesse acompanhar por um exemplar de Mein Kampf...


..., em vez disso, a Bíblia, a Constituição Brasileira e a biografia de... Winston Churchill.

ARTIGO DEFUNTO: «Outspoken Trump Supporter» não é a mesma coisa que «Suspect charge»

«Outspoken Trump Supporter in Florida Charged in Attempted Bombing Spree», foi o título do NYT da notícia sobre o envio de bombas artesanais pelo correio a diversas luminárias democratas.

«11 Killed in Pittsburgh Synagogue Massacre; Suspect Charged With 29 Counts», foi o título do NYT da notícia sobre o atentado por Robert Bowers, um sujeito que poucos dias antes, segundo o NYT, tuitou «Trump is a globalist, not a nationalist. There is no #MAGA as long as there is a” — he inserted a slur for Jews — “infestation.”»

Felizmente não voto nas eleições brasileiras

Cá em casa há quem na primeira volta tenha votado em Alckmin, também conhecido como picolé de chuchu, e na segunda volta não consiga decidir-se entre um demagogo autocrático admirador da ditadura militar e um marxista bem falante que é um pau mandado do pêtismo corrupto e golpista, de quem Fernando Henrique Cardoso (duas vezes presidente que deixou um legado que Lula e Dilma delapidaram) diz que a porta que o separa dele “enferrujou”.


Não escolher é também uma escolha. Não sei se é a melhor.

A ideologia do género é a continuação de um projecto totalitário por outros meios

Continuação deste post por outros meios.

Faz algum tempo soube-se que na escola Francisco Torrinha no Porto foi realizado um inquérito a alunos do 5.º ano perguntando-lhes se namoravam ou já tinham namorado e se sentiam atraídos por homens, mulheres ou ambos - estamos a falar de crianças com 9-10 anos de idade. Como é costume nestas coisas, não se chegou nem chegará a apurar responsabilidades já que o lóbi do politicamente correcto é quase tão influente como o lóbi socialista.

Dir-se-á, é um caso isolado. Talvez, mas todas as tentativas de perversão da moral convencional pelo politicamente correcto (ou marxismo cultural) começaram por ser casos isolados.

Leia-se o que se passa na Escócia, segundo Madeleine Kearns descreveu na Spectator. Kearns, até recentemente também professora, foi submetida a uma espécie de lavagem ao cérebro pelo "campaign group" LGBT Youth Scotland, que no ano passado recebeu mais de 1 milhão libras de subsídios. Durante a lavagem foram dadas aos professores instruções para dizerem na sala de aula às crianças do ensino básico que se podem considerar menino, menina ou nenhum dos dois.

O "formador", segundo as palavras de Kearns, «insistiu na importância de deixar as crianças decidirem a sua própria identidade. Como antes em tantas modas escolares progressistas, as crianças são os especialistas e os professores estão lá para encorajar e facilitar. Fomos aconselhados a decorar as nossas salas de aula com imagens positivas de pessoas trans e a falar sobre celebridades trans, especialmente aquelas com muitos seguidores nas redes sociais. Isso faria com que as crianças não-conformes de género se sentissem mais incluídas. Se elas se sentirem excluídas, correm o risco de se matar.» O mesmo se passa em Inglaterra, escreve.

Kearns termina: «Os professores estão a ser solicitados a colocar a ideologia antes dos factos e a excluir os pais de decisões sérias sobre o bem-estar social de seus próprios filhos. Muitas vezes os pais não são autorizados a participar da discussão. As crianças são solicitadas a tomar decisões importantes sobre seu género, o que é uma noção demasiado adulta para muitos entenderem. O que está claro é que a questão da disforia de género em crianças é de uma tremenda complexidade, tanto médica quanto moral. Sugerir o contrário - para crianças ou professores - é um erro perigoso.»

Porquê esta obsessão com a ideologia do género? O marxismo clássico falhou a sua revolução pelos meios convencionais. A instauração da ditadura do proletariado, que se esperava conduziria à abundância e ao paraíso na terra, conduziu à ditadura dos apparatchiks comunistas, à miséria e ao inferno na terra. Trata-se agora da variante do marxismo cultural que visa subverter as democracias liberais capitalistas minando-lhe as instituições, incluindo a família, como neste caso. O proletariado foi substituído pelas minorias, como os gays e as outras variedades de sexo alternativo, ou outras inventadas segundo as conveniência do momento; a burguesia exploradora foi substituída pelo homem branco heterossexual; os partidos comunistas foram substituído por ONG. A estratégia permanece obscura e as tácticas profundamente mutáveis - veja-se a instituição casamento a ser denegrida quando se trata do casamento convencional heterossexual e glorificada quando se trata do casamento gay.

27/10/2018

Pedrinho vá para a bicha. Ponha-se atrás da Catarinita, do Jeronimozinho e do Ruizinho

Jornal SOL

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (176) - De pequenino se torce o pepino

«Um ano de nascimento incorrecto, uma referência a um mestrado em Ciência Política que afinal ficou a meio e a presidência de uma Associação de Estudantes (AE FCSH) que não aconteceu. Todos estes dados estavam na página de candidatura de Maria Begonha à liderança da Juventude Socialista (JS).»

Por pudor, o Público não explicou que a Maria nasceu em 21 de Janeiro de 1989 e o seu prazo de validade para a JS termina dentro de 3 meses. Já o "erro" nas referências académicas faz parte do currículo do pessoal politico em geral e do socialista em particular.

Acrescente-se que a Maria é uma rapariga bem sucedida e já vai no terceiro contrato por ajuste directo, sendo o último de 180 mil euros com a Câmara de Lisboa, respeitante a serviços variados de assessoria ao vereador e seu camarada de partido Duarte Cordeiro. O contrato foi cancelado em Setembro tendo sido pagos 42 mil euros por 10 meses. (Jornal Económico)

Em conclusão, o currículo perfeito para uma candidata às juventudes socialistas.

26/10/2018

O dinheiro dos credores esgotou-se primeiro do que a capacidade da Portela (3)

Uma actualização deste post.

Em retrospectiva:

«A manterem-se as taxas de crescimento actuais, entre 2003 e 2007 esgota-se a capacidade do actual aeroporto. É evidente que é possível, com alguns investimentos complementares, aumentar a vida útil deste aeroporto por mais dois ou três anos. Eu diria que, em 2007 ou 2008, a capacidade do actual aeroporto estará esgotada.» (Guilhermino Rodrigues, secretário de estado dos Transportes, 29-05-1998)

«O aeroporto da Portela deverá começar a enfrentar dificuldades a partir de 2020, altura em que possivelmente ultrapassará os 18 milhões de passageiros para os quais ficou dimensionado com o plano de expansão da infra-estrutura.» (Negócios, 18-04-2010)

«... a ANAC admite que o Aeroporto da Portela atinja 24,8 milhões de passageiros este ano, o que representaria uma subida de 16%! Quando nos lembramos que muitos estudos garantiam que o aeroporto não aguentava mais de quinze milhões de passageiros...» (Expresso Diário, 10-05-2016)

Actualização:

Em 2017 passaram pelo Aeroporto da Portela um novo recorde de 28,7 milhões de passageiros e há planos para poderem ser movimentados 49 milhões.

A Portela aguenta? Ai aguenta, aguenta.

CASE STUDY: Trumpologia (41) - Deplorables do Donald em África

Mais trumpologia.

Economist
Já sabíamos que Trump é popular entre a classe operária americana (os deplorables de Hillary Clinton). Ficámos a saber que também é popular em África, apesar de pensar que "Nambia" é um país africano. Porquê? E porque não? Afinal, possivelmente a maioria dos africanos estará mais próxima dos deplorables americanos do que da bem-pensância que se consome no ódio ao Donaldo.

Entretanto, prossegue o tiro ao Donaldo como desporto favorito da esquerdalhada. A propósito das bombas entregues em casa de luminárias progressistas, a paranóia esquerdista atribui-lhe a responsabilidade, se não de ter ordenado a sua colocação, ao menos de a ter incitado. Leia-se, por exemplo, o que ontem a jornalista de serviço escreveu no email Expresso Curto: «todos alvos recorrentes das críticas de Donald Trump e dos seus apoiantes - receberam ameaças de bomba, sob a forma de pacotes contendo explosivos enviados pelo correio.»

Em geral um bom guia para encontrar os responsáveis por estes atentados é perceber quem ganha com isso, neste caso quem ganha com entregar bombas em casa de políticos retirados como os antigos presidentes Clinton e Obama ou o vice-presidente Biden, ou a candidata Hillary, ou actores como De Niro? Cabe no bestunto de alguém com juízo que o Donaldo ou a sua base de deplorables ganhariam alguma coisa com tais atentados? Faria mais sentido procurar agentes destacados da Federal'naya Sluzhba Bezopasnosti Rossiyskoi Federatsii ou do Glavnoye Razvedyvatel'noye Upravleniye ao serviço do czar Vladimir cuja ferramenta principal na política externa da Rússia é, como se viu e vê, a subversão dos países democráticos.

25/10/2018

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE / CONDIÇÃO MASCULINA: Por cada dois homens poderosos derrubados há só quase uma mulher


«The #MeToo movement brought down 201 powerful men, a Times analysis found. Nearly half of their replacements are women.»

Ciência de causas ao serviço do politicamente correcto. Exemplos recentes

Uma vez ou outra, vou dando exemplos das fraudes intelectuais de que vou tendo conhecimento produzidas pela "ciência" ao serviço de causas. Acrescento agora mais alguns, por coincidência publicados pelo Observador no mesmo dia sobre temas completamente diferentes.

Uns quantos exemplos, citados num artigo de Luís Aguiar-Conraria, titulado com uma certa piada «Desconstruir a heteronormatividade pela porta dos fundos», são na verdade farsas escritas usando o jargão e os códigos pseudo-científicos sob a forma de papers em revistas científicas que se reclamam de credibilidade. Farsas que ao serem aceites para publicação puseram a nu os processos de peer review dessas revistas nas áreas do "género", ao apresentarem deliberadamente tretas que só mentes encharcadas com ideologia poderiam considerar credíveis, como a paródia de um desses papers que concluía deverem os homens heterossexuais estimular os seus ânus com vibradores para aumentar a sua sensibilidade à multiplicidade de "géneros", desde os 10 de LGBTQQIAAP até aos 71 do Facebook no Reino Unido, .

Outro exemplo são as teses populares entre o esquerdismo e nos nossos sindicatos de professores da inutilidade da avaliação escolar através de exames, ou, mais exactamente, da nocividade dessa avaliação. Nuno Crato cita no seu artigo «Afinal, avaliar não faz mal» um novo estudo da CESifo,  um centro de investigação internacional em Munique, com uma base estatística de grande dimensão,  que demonstra à saciedade que os exames melhoraram o desempenho escolar, uma conclusão óbvia para pais de família com as meninges em bom estado.

24/10/2018

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (64) - Nem que Cristo desça à terra ou me sirvam uma vichyssoise

Outras preces

Em retrospectiva:

Falamos de uma criatura que uns meses antes de ser entronizado presidente do PSD garantiu que «só se Cristo descer à terra» se candidataria; que garantiu ter havido um jantar, que nunca existiu, com vichyssoise de entrada; que garantiu a Isabel II que, com oito anos de idade, filho de um ministro de Salazar, estava na primeira fila da plebe que na Praça do Comércio a viu passar na visita a Lisboa em 1957 e que voltou a encontrar-se com ela em 1985 como «líder da oposição» (*). A mesma criatura a quem o «Presidente da República Federativa do Brasil, (...) pediu para ser recebido» mas não apareceu. A mesma que em pleno incêndio de Pedrógão Grande garantiu que «tudo está a ser feito com critério e organização», para poucos dias depois garantir que se iria «apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar». Ainda a mesma criatura que depois de ter minimizado o desaparecimento de munições em Tancos, veio dias depois defender «uma investigação que apure tudo, factos e responsabilidades». Ou a mesma criatura que garantiu «não faço comentários sobre os meus antecessores» enquanto comentava o que Cavaco Silva, seu antecessor em Belém, disse enaltecendo a ausência de verborreia de Macron, chapéu que Marcelo enfiou pressurosamente na cabeça.

(*) Isabel II visitou Portugal de 25 a 29 de Março de 1985; nessa época Rui Machete era presidente do PSD e vice-primeiro ministro de um governo de coligação do PS-PSD, sendo primeiro-ministro Mário Soares; a oposição era constituída pelo PRD, CDS e PCP. Por isso, nessa época, ou bem Marcelo estava no lugar de Hermínio Loureiro, Lucas Pires ou de Álvaro Cunhal ou bem Marcelo liderava a oposição a partir das colunas do jornal Semanário.

Actualização:

«Não comento, não comento, não comento. Não comento por uma questão de princípio. Não comento agora e não comentarei até ao fim da minha vida ex-primeiros-ministros, ex-Presidentes, futuros Presidentes, futuros primeiros-ministros»

Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas a propósito da publicação das memórias de Cavaco Silva (Público)

Taxistas, políticos e jornalistas não gostam de concorrência


«No caso das Fake News (...) as mentiras podem ser produzidas por plataformas sem necessidade de intermediação de partidos ou meios de comunicação e agenciamento tradicionais. Não admira que políticos e jornalistas olhem para essas plataformas como um taxista olha para um motorista da Uber: uma ameaça poderosa de concorrência num espaço que acreditavam ser só seu.»

(Lido no Blasfémias)

23/10/2018

SERVIÇO PÚBLICO: Índice de Capital Humano do Banco Mundial

Integrado no Human Capital Project, o Banco Mundial acabou de publicar o Índice de Capital Humano para 157 países cobrindo seis factores: (1) Probabilidade de sobrevivência aos 5 anos; (2) Anos de escolaridade; (3) Resultados nos testes escolares harmonizados; (4)  Anos de escolaridade ajustados ao desempenho; (5) Crianças de menos de 5 anos com desenvolvimento normal; (6) Taxa de sobrevivência dos adultos.


Portugal surge em 17.º lugar, bem classificado em todos os seis factores do capital humano, à frente de uma dezena de países economicamente mais desenvolvidos, sendo mais fraco o factor Resultados nos testes escolares harmonizados em que surge em 25.º lugar.

Em conclusão: os portugueses estão bem, quem não está grande coisa é o país, com um stock de capital físico insuficiente, por falta de investimento e este por falta de poupança (e/ou falta de investimento estrangeiro) e esta por excesso relativo de consumo (e/ou falta de atractividade do capital estrangeiro).

EU DIRIA MESMO MAIS: Costa, mestre a empurrar com a barriga

«Um homem de sorriso fácil, um político hábil e um artista da arte de nunca dizer não.»

«Poucos meses depois de terminar o meu mandato, ganhei a convicção de que o primeiro-ministro (...) era mestre em gerir a conjuntura política, em capitalizar uma aparência de ‘paz social’ e em empurrar para a frente os problemas de fundo da economia portuguesa.»

Cavaco Silva sobre António Costa, nas suas memórias da coabitação com a geringonça.