Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

30/06/2004

DIÁRIO DE BORDO: A batalha de Alvalade (EPÍLOGO).

Nem a descarada ajuda da bicha árbitra, nem a ajuda desinteressada do Jorge Andrade, nada impediu os nossos rapazes de vencer aquele grupo de maricas, todos de branquinho, como se fosse um desfile de LBGTs.

Não fosse o pé desaparafusado do Pauleta, os branquinhos tinham saído de Alvalade com 4 secos.

Parabéns rapazes. Continuem assim (se não puderem ficar melhor).

DIÁRIO DE BORDO: A batalha de Alvalade - outra vez.

Depois da batalha da Luz, a batalha de Alvalade - outra vez.

Derrotadas as hostes castelhanas, humilhados os antigos aliados (será preciso lembrar o penalti do Postiga, tipo Autumn Leaves? ou o do Ricardo, tipo toma e embrulha?). É a vez daquelas tulipas saltitantes, vestidas com aqueles equipamentos amaricados, ainda a cheirarem a cânhamo, serem colhidas pelos nossos rapazes. Barba por fazer, perna peluda, ar másculo, ajeitando a ferramenta dentro dos calções cada vez que erram um passe (muitas vezes), os nossos rapazes não falharão.

Se falharem será culpa do árbitro - uma bicha chamada de Frisk que não engana ninguém, a não ser a doutora Charlotte.

DIÁRIO DE BORDO: Cherne grelhado ou Filet de Mérou à la crème d'ail? (2)

(Continuação)

Alguns leitores do Impertinências comentaram que o doutor Durão Barroso é livre de escolher e não tem que ser penalizado por essa escolha. Concordo que é livre de escolher. Os eleitores são livres de o penalizar por ter violado um compromisso eleitoral, não apenas tácito, mas explícito, por declarações suas ao propor-se para um segundo mandato.

Haveria uma circunstância em que a sua escolha deveria ser aceite pelos eleitores: se o benefício político previsível para Portugal, resultante do seu desempenho futuro como presidente da CE, fosse inquestionavelmente superior ao custo político visível de deixar encalhado um governo que já estava à deriva, sem a garantia duma solução credível de sucessão. É um SE demasiado grande. E não vale o argumento da supracional. Mesmos os federalistas concordarão que será mais fácil em 25 países encontrar um presidente aceitável para a CE, do que a qualquer maioria encontrar um primeiro-ministro decente para Portugal.

Chegado aqui, faço a agulha para os outros ângulos de análise.

Do ponto de vista institucional, creio que a questão é pacífica. É difícil não concordar com o professor Jorge Miranda, que tive o privilégio de ter como professor (não de direito constitucional) quando estudante da dismal science. Disse ele ao Público «Haja ou não eleições, o Presidente da República terá de nomear um novo Governo ... logo que se formalize a demissão de Durão Barroso o presidente tem de nomear um novo primeiro-ministro», que não pode ser «uma pessoa à margem da escolha de um partido com maioria relativa». «Deve-se evitar a antecipação das eleições ... porque as legislaturas devem ir até ao fim. A não ser que o nome escolhido para primeiro-ministro seja pouco consensual e que provoque instabilidade na maioria». Crystal clear.

No mesmo sentido, a doutora Assunção Esteves disse ao Público que «o Presidente tem hipótese sempre de convocar eleições, mas não tem de o fazer necessariamente. Mas a primeira alternativa é nomear alguém da maioria. Se achar que as condições não são as melhores, se não houver um projecto de governabilidade, então convoca eleições. Mas a legislatura é de quatro anos e tem base partidária».

Não vale a pena mandar mais poeira para os olhos da opinião pública, como faz o professor Freitas do Amaral na sua carta aberta ao PR, misturando, no seu caldeirão de intelectual do albergue espanhol, direito constitucional e ciência política temperados com as suas preferências, obsessões, opiniões avulsas e apelos convulsivos.

Em conclusão, do ponto de vista institucional, o PR não pode (não deve) dissolver a AR sem o partido maioritário lhe apresentar uma alternativa de governo. Compete-lhe decidir então se essa alternativa tem ou não legitimidade e apresenta garantias de estabilidade suficientes para evitar a convocação de novas eleições, a dois anos de vista do termo da legislatura. Compete-lhe decidir e assumir as suas responsabilidade. É para isso que foi eleito. Não foi eleito para brincar às presidências abertas, inventadas pelo doutor Soares para fornicar a governação do professor Cavaco.

Tudo o resto é contrabando de ideias. Também não gosto desta Constituição que temos. Mas é a que temos e devemos respeitá-la. A esquerdalhada tem deveres especiais de respeito, porque passa a vida a encher a boca com aquela tralha programático-social-comunista que encharca as duzentas e tantas páginas, que mais parecem um contrato colectivo de trabalho dos metalúrgicos, do que uma constituição.

Se ainda hoje tiver pachorra, abordarei o o ângulo político da questão. É um bom dia para isso, porque 90% da bloguilha vai estar a marimbar-se para tudo o que não seja o Portugal-Holanda.

Nova definição impertinente:
Carta Aberta
É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.

PUBLIC SERVICE: Island in a sea of delusion.

While half Portugal quarrels about prime minister resignation to go Brussels and other half dreams about Portuguese football team get a most wanted passport to semi-final of European cup, someone keeps his mind clear enough to quote Alexander Tyler:
«A democracy cannot exist as a permanent form of government. It can only exist until the voters discover that they can vote themselves money from the public treasury. From that moment on, the majority always votes for the candidates promising the most money from the public treasury, with the result that a democracy always collapses over loose fiscal policy followed by a dictatorship

Tyler's thought applies more than it appears to the Portuguese situation, after 6 years of socialist loose budgeting and 2 years of shy reforms.

29/06/2004

DIÁRIO DE BORDO: Cherne grelhado ou Filet de Mérou à la crème d'ail? (1)

Tenho estado tão entretido a ler as fratricidas blasfémias do Blasfémias que não tive tempo de escrever impertinências sobre o incontornável problema da sucessão do doutor Durão Barroso.

«Só há uma maneira de impedir o que parece um curso inexorável: que quem deve falar, fale. Que diga, alto e bom som, o que pensa e o que diz em privado. Que quem tem autoridade para falar, e muita gente a tem, fale» escreveu JPP no Abrupto. Muitos dos que deviam falar ficarão calados. E, dos que falarem, muitos não terão autoridade para falar. E, dos que falarem com autoridade, nenhum dirá impertinências.

Podemos olhar para o dilema do cherne de diferentes ângulos. Começo pelo que poderia ser o ponto de vista do próprio doutor Durão Barroso. Se tiver pachorra, continuarei com o ângulo institucional e o ângulo político.

Compreende-se perfeitamente que o ainda primeiro-ministro troque um desconsolado na periferia por um consolado no centro. Que troque a horda manhosa de pêessedês, sedenta de mordomias, por grupos selectos que já têm mordomias, ainda que não desdenhem aumentá-las, mas sem ânsias. Que esqueça os punhais da traição escondidos atrás de vibrantes declarações de apoio dos seus colegas de partido. Que deixe para trás a maçada de maninfestações contra a guerra, contra o desemprego, contra a globalização. Contra-contra, diria o Scolari, se fosse político. Que troque um salário merdoso de primeiro-ministro por um salário decente de presidente da CE. Que deixe de ter que responder às interpelações, comentários, pedidos de esclarecimento e outros expedientes parlamentares do tele-evangelista e dos radicais chic do BE, dos trogloditas do PCP, dos bloquistas do PS e as de outras luminárias parlamentares. Que deixe de se preocupar com os queques de direita com quem teve de se coligar. Que deixe para trás as eleições legislativas com as suas incontornáveis campanhas de peixarada, beijinhos e abraços, comícios de vendedores de banha da cobra.

É certo que terá que se ocupar a valorizar a contextualidade episódica. Mas é diferente. É outra coisa. Não é certo que tenha de se transformar num eurocrata. Um dos seus antecessores não o foi. Não é certo que Durão Barroso tenha a liderança e a visão dum Jacques Delors. Mas também não é certo que as não tenha.

Em resumo, do seu ponto de vista pessoal, compreendo perfeitamente que o doutor Durão Barroso troque o Portugal dos Pequeninos pela Órópa.

Sobra um pequeno pormenor. O doutor Durão Barroso foi eleito para governar por uma legislatura um país deixado de rastos pela incúria guterrista, num pântano de crise económica e orçamental. Anunciou intenções e iniciou tímidas reformas, cuja continuidade ele tem obrigação de perceber ficará seriamente comprometida. Não foi eleito para compor o seu currículo ou prosseguir uma carreira internacional.

O doutor Durão Barroso não deve, por isso, esperar que algum dia venha a merecer outra vez a confiança dos eleitores. Não a minha, pelo menos.

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (6º capítulo). A saga continua.

Agora que os portugueses ainda estão na fase eufórica do campeonato da Órópa, sob influência do síndrome do rectângulo de Alvalade, é bom lembrar que, ao virar duma qualquer esquina, uma doença espera por nós.

Ponto de situação (ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui): 4 milhões hipertensos, 38% com reumatismo ou artrite, 15 a 20.000 com parkinsonismo, 130 mil homens com cancro na próstata, 200.000 fibromiálgicos e milhão e duzentos mil com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), 4.000 electricistas com doenças profissionais, 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos, 14 milhões de dias de baixa por ano devido a problemas respiratórios, 15 a 20% da população com prurido, vermelhidão e lacrimejo na primavera, 4.000 (1 em cada 2.500 pessoas) que sofrem duma das mais de 40 doenças neuromusculares e 1.500 crianças com doenças reumáticas de causa desconhecida, 44.000 dias de falta por doença (15 dias por ano e alma) dos funcionários da Judite.

Segundo as últimas informações da preciosa fonte dos cadernos de saúde dos semanários, podemos adicionar 1 em cada 4.000 recém nascidos que sofre de fibrose quística, mais de um mi1hão de mulheres (1 em cada 5) e cerca de 300.000 homens (1 em cada 15) que sofrem de varizes, 5% das mulheres que sofrem da síndrome dos ovários poliquísticos, meio milhão de portuguesas e portugueses que sofrem de apneia do sono e 1 em 200 que sofrem de epilepsia.

Duas notas finais, como diz o professor Marcelo: registo com preocupação mais duas doenças sexistas (as varizes e os ovários poliquísticos) e, com surpresa acrescida, o fracasso eleitoral do Movimento pelo Doente, talvez só compreensível por estarem de baixa a maioria dos seus eleitores.

Post scriptum:
«Embora muitos médicos se mostrem preocupados com o palato, com a úvula e respectivas dimensões, muitas vezes negligenciam a língua», lembra-nos sensatamente o 17º caderno (Saúde Pública) do saco de plástico, a propósito da apneia ou doutra coisa qualquer. É um bom conselho que aqui acolho: blogonautas de todos os azimutes não negligenciem a língua.

28/06/2004

CASE STUDY: Descentralização da reforma administrativa.

Para quem tenha dúvidas que a regionalização, ou a descentralização, como lhe quizerem chamar, é uma boa medida para melhor a eficiência da vaca marsupial pública, veja-se o frémito inovador que, desde a câmara mais importante do país, finalmente liderada por alguém genuinamente da Kapital, até à mais modesta junta de freguesia, atravessa a administração local.

Um só exemplo. A câmara de Fafe impõe, desde o princípio do ano, a todos os seus funcionários (funcionários não é adjectivo é substantivo, lembre-se) a marcação do ponto hora a hora. Impõe e impõe bem. Para os que tinham por costume deixar o casaco nas costas da cadeira, dizer até logo e voltar no dia seguinte, esta medida vai obrigá-los a dizer até já. Para os outros, conformados, que ficavam polindo o tampo da cadeira e puindo os fundos das calças, dormitando, por vezes em posições pouco ergonómicas, isso vai obrigá-los a um módico de exercício que em muito vem melhorar a sua qualidade de vida.

27/06/2004

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: As impertinências do Feio.

Secção Assaults of thoughts
«Se há dez anos, eu falasse em teatro comercial caía-me tudo em cima. Só interessava o teatro independente. Independente em quê? Nem monetariamente é independente. Se não for o estadinho a dizer-lhes «toma lá dinheiro e faz qualquer coisa» nem existe.

Três afonsos para o António Feio por estas impertinências, ditas ao repositório de vacuidades do saco de plástico - a revista Única. O Feio só não faz o pleno dos afonsos por ter usado a expressão «há dez anos».

Nova entrada para o Glossário das Impertinências:

Teatro independente, Arte independente
O teatro que depende do estado; o teatro a quem o estado diz «toma lá dinheiro e faz qualquer coisa» (A. Feio). Por extensão, o conceito pode aplicar-se a qualquer outra arte «independente» cujo público é um qualquer júri a quem pagam para dar pareceres.

PUBLIC SERVICE: Why Europe is so irresolute against terrorism?

«For a decade or so, Europe had more terrorist attacks than the Mideast. Will it happen again?
Between 1991 and 2000, the world witnessed 3.810 terrorist attacks. And nearly a third of them - 31% - occurred right here in Europe


[European Security Advocacy Group]

26/06/2004

DIÁRIO DE BORDO: Reaganomics. A pesada herança.

A citação que comentei aqui do A Praia, incluía a seguinte frase: «As consequências mais notórias das suas políticas são sentidas até hoje: aumento das desigualdades sociais, aumento do número de pessoas a viver em situação de pobreza, crescimento extraordinário do número de pessoas a viver na rua.»

Qual foi a pesada herança da Reaganomics?

«In 1999 a quarter of US households were poor (with less than $25,000 pa). By this standard 40 percent of Swedish households would be considered poor. Of course, some prefer to measure poverty relatively. In this context of US poor households, 45.9 percent own their own home, 72.8 percent have a car, and 77 percent have air conditioning. Their average living space is 1,200 sq ft per household. The European average including both rich and poor is 1,000 sq ft.»
[Ver aqui - via Dissecting Leftism]

25/06/2004

DIÁRIO DE BORDO: Há grunhos em todo o lado.

Inglaterra: desacatos com portugueses após o jogo

Que isto possa acontecer na mais antiga democracia do mundo, é mais uma demonstração de que a grunhice é patologia que ataca em todo o lado, apesar das boas condições sanitárias.

DIÁRIO DE BORDO: A quadratura do rectângulo da Luz.

Antes de continuar a gastar estupidamente gasolina e a buzinar alarvemente, contribuindo para lixar a retoma, venho a casa, num pulo, escrever uma impertinência.

Também não era preciso ter tantas contemplações com aqueles grunhos, só por nos terem ajudado há 200 anos a expulsar a pior corja do mundo - a corja francesa.

Rendo-me. A defesa daquele guarda-redes piolhoso, que está a tomar o lugar do Baía, no último penalti dos grunhos e, acima de tudo, aquele penalti marcado ao grunho keeper foi um absurdo, como disse o Mourinho da exibição do Ricardo Carvalho contra o inimigo castelhano.

Que se lixe. Se não tínhamos retoma, também não é por isso que passamos a ter. Mas sempre é melhor, já que não temos, cobrarmos dos gajos que não precisam de retoma, porque estão há anos na toma.

Até amanhã. Vou gastar mais gasolina e buzina.

24/06/2004

DIÁRIO DE BORDO: Depois do rectângulo de Alvalade, o rectângulo da Luz.

aqui evoquei a importância do quadrado para afastar a ameaça castelhana no século XIV. Para vencer o inimigo, contámos então com o génio táctico do Scolari da época (não se pode falar propriamente de génio, no caso do Scolari contemporâneo) e com a preciosa ajuda dos arqueiros ingleses, nossos aliados.

Como acontece frequentemente no mundo real, também na realidade virtual do futebol, os aliados de ontem podem ser os inimigos de hoje. Vencida a batalha de Alvalade, temos hoje a batalha da Luz. Será mais um passo no caminho da reconquista da auto-estima e, em consequência, no início duma retoma sustentada.

Deixem-se de tretas. Ganhar ou perder este jogo é igual ao litro, quer para a auto-estima, quer para a retoma. Em relação à primeira, já aqui escrevi que o problema dos portugueses não é a falta, é o excesso. Em relação à segunda, para sermos rigorosos, deveríamos concluir que a eliminação, tornando-nos disponíveis para recomeçar a trabalhar, apressaria a retoma,

O que está em causa é APENAS futebol. E daí? E daí, VAMOS A ELES, antes que eles venham a nós. PERDER, NEM A FEIJÕES.

CASE STUDY: Discriminação positiva nos passes sociais.

O governo anunciou a «discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente».

O emplastro porta-voz do MUSP-Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (um apêndice do PCP?) insurgiu-se contra esta anunciada medida com o incrível argumento «o passe social é um direito adquirido»

O emplastro porta-voz da Deco (um apêndice do PS?) declarou-se «claramente favorável à existência de passes sociais para as classes desfavorecidas».

Estamos a falar de quê? De um passe válido apenas na região da Grande Lisboa e actualmente apenas usado pelos tesos e alguns diletantes, como o Impertinências (que é um teso, mas com classe).

Estamos a falar de quê? Discriminação positiva? Positiva não sei, mas sem dúvida discriminação. Qualquer indígena, que ganhe mais do que 2 salários mínimos, endivida-se na primeira oportunidade para comprar um chaço com rodas. Qualquer indígena, que não ganha a ponta dum corno, mas tem um patrocinador, crava-lhe um chaço na primeira oportunidade (caso típico dum estudante universitário que more a 1.235 metros da escola). Dotados de chaços, os pelintras e os patrocinados, passam a usufruir do privilégio de ficar 2 horas por dia entalados no trânsito ou à procura dum cais para ancorar o chaço e sair de 4 em 4 horas para carregar moedinhas, ou, o mais provável, por fundear o chaço em cima do passeio, atrapalhando os pedestres aos saltinhos entre os cócós dos lulus.

Estamos a falar de quê? Estamos a falar de pedir a declaração de IRS (versão do governo)? Estamos a falar dos «recibos de água, electricidade ou telefone» (versão Deco)? A burocracia necessária para controlar uma redução de meia dúzia ou mesmo uma dúzia de euros no preço do passe, que não dá nem para carregar o telemóvel do utente, terá um custo incomensurável com qualquer módico de acréscimo da justiça social, seja lá o que isso for.

Estamos a falar de quê? O passe social não passa dum mecanismo de transferência de rendimentos para alguns pelintras da região de Lisboa, rendimentos extorquidos pelo estado aos outros pelintras espalhados pelo país e aos indígenas possidentes. Os cobres extorquidos são, de seguida, derramados sob a forma de subsídios pelas goelas dos insaciáveis buracos dos gigantescos défices de exploração das empresas públicas de transporte (a maior parte) ou para ajudar à festa nalgumas empresas privadas.

Estamos a falar de quê? Estamos a falar de distorção dos preços. Estamos a falar de sinais errados para as escolhas económicas. Estamos a falar de tornar mais acessível viver cada vez mais longe do trabalho. Estamos a falar de ineficiências.

Qualquer mente sofrivelmente liberal arrepia-se só de ouvir falar disto. Mas quais mentes? É mais fácil encontrar as caganitas do lince da Serra da Malcata em S. Bento, do que um liberal na Grande Lisboa ou noutras paragens.

Discriminação positiva? Duvido. Demagogia em movimento? Talvez.

23/06/2004

PUBLIC SERVICE: Another liar?

«I can confirm that after the events of September 11, 2001, and up to the military operation in Iraq, Russian special services and Russian intelligence several times received .?.?. information that official organs of Saddam's regime were preparing terrorist acts on the territory of the United States and beyond its borders, at U.S. military and civilian locations

Who said that? Bush. Right? Wrong. Vladimir Putin said.

[Via Dissecting Leftism]

DIÁRIO DE BORDO: Reaganomics.

A propósito da morte de Reagan foram escritas imensas asneiras, muitas manipulações e algumas imprecisões sobre a reaganomics. Esquecendo o resto, falando destas últimas, retenho apenas uma, por provir das Espécies ameaçadas do Impertinências. Escreveu o A Praia, na ocasíão, mas que só li aqui e agora:

«Reagan deixou ao seu sucessor um défice orçamental gigantesco, alicerçado no aumento massivo dos investimentos militares e na redução sem precedentes dos impostos dos mais ricos. (Ao tomar posse como Presidente, havia prometido equilibrar o orçamento; em oito anos, triplicou o défice.) As consequências mais notórias das suas políticas são sentidas até hoje: aumento das desigualdades sociais, aumento do número de pessoas a viver em situação de pobreza, crescimento extraordinário do número de pessoas a viver na rua

O que efectivamente se passou?

Reaganomics at work

22/06/2004

TRIVIALIDADES: Estão a ficar parecidos.

«Andrade engañó a los españoles al asegurar que Rusia iba ganando 3-1» escreveu ontem a Marca, a bíblia castelhano do fútbol.

Quem é que costuma inventar desculpas mal amanhadas?

CASE STUDY: Os criativos da IKEA desvendam-nos a alma.

Há dias puseram-me na caixa do correio um folheto da IKEA - affordable solutions for better living - multinacional sueca que abriu recentemente uma loja em Alfragide.

Não sei quem são os criativos que inventaram a campanha de abertura, mas os slogans são um retrato perfeito da alma nacional.

Alguns exemplos:
«Tome o pequeno-almoço nas calmas e ponha as culpas no trânsito»
«Finja que tem uma reunião fora e vá para casa fazer sala»
«Feche-se no WC e ligue a dizer que está preso no elevador»
«Passe a manhã na cama e diga que o despertador avariou»

21/06/2004

PUBLIC SERVICE: Private goes Heaven.

The first time a civilian pilot at the controls of a privately financed aircraft had crossed the threshold of space.

LOG BOOK: For a Fistfull of Dollars.

Could a young Fidel in his 12's have started 19 years later a long career as communist and anti-american because president Roosevelt didn't answer his demand for «a $10 bill green American»?


[Young Fidel's letter «embellished with an elaborate signature»]