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26/02/2026

Pro memoria (144) - O que a "operação especial" putinesca nos ensina sobre a diferença entre democracia e autocracia

Concluíram-se há dias quatro anos da invasão da Ucrânia pelo exército russo ou, na versão de Vladimir Putin, da "operação militar especial" que era para terminar nessa semana ou, na versão de Donald Trump, 24 horas depois da sua tomada de posse.

Durante esses quatro anos as baixas estimadas sofridas pela Rússia ultrapassaram 1,2 milhões.

 Aproximadamente o dobro das baixas ucranianas.

Enquanto isso, os ganhos territoriais do exército russo foram pouco significativos. 

Até mesmo os idiotas úteis que dão o seu melhor para justificar a invasão enfrentam cada vez mais dificuldade em criar factos alterntativos e torturar os dados para esconder o gigantesco falhanço de Putin. 

Não é preciso invocar o exemplo de Winston Churchill na Primeira Guerra Mundial, à época Primeiro Lorde do Almirantado, considerado o primeiro responsável pelo desastre de Galípoli, demitido do governo em novembro de 1915, foi combater nas trincheiras em França, para concluir que numa sociedade democrática Vladimir Putin teria há muito sido afastado do poder. Em vez disso, aumentou o seu controlo sobre a cleptocracia russa enquanto caíam das janelas os seus detractores.

3 comentários:

Luís Lavoura disse...

Este post é um disparate completo. Ninguém sabe minimamente qantas baixas a Ucrânia e a Rússia sofreram até agora; todas as "estimativas" são feitas por fontes politicamente engajadas e não têm um mínimo de fiabilidade.
Também é um disparate que a "operação militar especial" fosse suposta durar uma semana. Quem disse tal coisa? A Rússia não foi, certamente. Se a Rússia não disse quanto tempo esperava que a "OME" durasse, como é que alguém sabe?

Luís Lavoura disse...

Além do comentário anterior, também é irrelevante que "os ganhos territoriais do exército russo [tenham sido] pouco significativos". Uma guerra de desgaste, como esta é, não se ganha mediante ganhos territoriais. Numa guerra o que é preciso é submeter o inimigo à nossa vontade, o que não é necessariamente feito mediante ganhos territoriais. A Grande Guerra (1914-1918) foi ganha pelos Aliados sem que a Alemanha tivesse perdido território nenhum. A Guerra Civil americana foi ganha pelo Norte sem que o Sul tivesse sofrido grandes perdas territoriais. Uma guerra de desgaste ganha-se quando o inimigo já está demasiadamente exaurido para continuar a lutar - tenha ou não tenha sofrido perdas territoriais.

Luís Lavoura disse...

A última figura do post poderia muito bem ilustrar a extensão territorial da Alemanha e da França ao longo da Grande Guerra. Após algumas movimentações iniciais, durante as quais a Alemanha conquistou bastante território (a Bélgica), a situação estabilizou e manteve-se grosso modo inalterada até 1918. Depois, no final de 1918 - a Alemanha colapsou.
Ou seja, a guerra teve um vencedor muito claro, claríssimo mesmo, apesar de durante a imensa maior parte do seu decurso o território conquistado tenha sido muito pouco.