Oremos para que o Dr. Neves não tenha sido escolhido pelo princípio de Peter nem venha a ser mais uma vítima do efeito de halo
O Dr. Neves foi escolhido para substituir no MAI a Dr.ª Maria Lúcia Amara. Os 30 anos que esteve pela Judite, onde parece ter tido um bom desempenho (escrevo parece porque a imagem pública das figuras públicas é muitas vezes soprada aos ouvidos dos jornalistas de causas pelos Public Relations), dão-lhe a priori uma melhor preparação para o cargo do que a longa e bem-sucedida carreira docente e os cargos anteriores de juíza do Tribunal Constitucional e de Provedora de Justiça da sua antecessora.
Nesta altura já a presunção de inocência começa a ser substituída pela presunção de culpa
Não é impossível que a escolha da mulher do chefe de gabinete do ministro das Infraestruturas para administradora dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde tenha sido a melhor solução ou, vá lá, uma das melhores escolhas. Contudo, dado o historial dos governos desde Dona Maria II e o deste em particular, a Dr.ª Ana Paula Martins, o Dr. Pinto Luz e o seu chefe de gabinete têm o ónus da prova.
Oremos para que o choque fiscal estimule a oferta de habitação
Com os votos do Chega e do IL, irá ser aprovada a redução de IRS para rendas até €2300 e a redução do IVA para obras até € 660.980 (nestas coisas, o rigor é de rigor). Mal não fará, como diz a Bíblia (Marcos 16:18). Que seja suficiente com a burocracia que impregna a administração pública, isso é outra coisa.
O socialismo é uma atitude
Segundo o semanário de reverência o Dr. Carneiro, que está a preparar a sua recandidatura à liderança do PS, incluirá na sua moção, além das platitudes em voga ( “Sociedade 5.0”), colocar o salário médio nacional ao nível da UE em dez anos. O Dr. Carneiro que estudou economia na Mouse School of Economics propõe-se elevar aos píncaros o salário médio, que nesta altura é o 10.º mais baixo da UE, sem nos esclarecer como irá fazer isso com uma produtividade por pessoa empregada que nesta altura é a 6.ª mais baixa.
Canários na mina de carvão
É certo que a Posição de investimento internacional de Portugal é um indicador crítico para medir o risco da dívida e tem nesta altura melhor rácio das últimas décadas, como se pode ver no gráfico.
| Banco de Portugal |
Ainda assim, com a volatilidade que a administração trumpiana injecta na economia internacional e com os efeitos devastadores para as PME (que representam quase 2/3 do VAB português) resultantes da passagem do comboio de tempestades, dedicar mais atenção ao aumento de 2,5 pontos base nos yields das últimas emissões da dívida.
(Continua)

2 comentários:
2,5 pontos base é 0,025%. O juro aumentar nesse valor parece-me despiciendo.
Além disso, "o custo suportado por Portugal neste leilão [de dívida] está em linha com as taxas do mercado secundário, evidenciando uma ligeira subida, à semelhança do que se tem verificado no mercado monetário." Ou seja, Portugal vai pagar mais juro, não porque seja considerado um devedor mais arriscado, mas sim porque os juros estão a subir em geral no mercado monetário.
propõe-se elevar aos píncaros o salário médio [...] sem nos esclarecer como irá fazer isso com uma produtividade por pessoa empregada que nesta altura é a 6.ª mais baixa
Os salários não dependem somente da produtividade. Dependem também da divisão dos proventos da atividade económica entre o capital e o trabalho. Essa divisão depende, por sua vez, da escassez relativa dos dois fatores. Se o trabalho é mais escasso do que o capital, então os salários tendem a subir - mesmo que a produtividade não aumente. É isso que se tem passado de forma muito clara na economia portuguesa nos últimos 2 ou 3 anos, em que os salários têm subido a cerca de 5% ao ano, bem acima da inflação.
Por exemplo: é bem sabido que, depois da Peste Negra na Europa, os salários subiram bastante - apesar de a produtividade se ter mantido mais ou menos inalterada - pois o número de trabalhadores disponíveis tornou-se escasso.
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