Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

07/08/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (77a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Milagre. A JMJ não foi um desastre

Apesar da procrastinação e do improviso que caracterizam a alma lusitana potenciados pela incompetência do governo socialista, e graças à vitalidade e alegria de muitas centenas de milhares de jovens crentes e ao carisma de Francisco (declaração de interesse: ver esta série de posts), o evento lá se salvou manchado com a nódoa da falta de vergonha da chusma de políticos que foram procurar a bênção papal.

CP, a TAP sem asas

É a empresa pública emblemática do socialismo: 15 sindicatos fazem o impossível para tornar mais branco o elefante branco, como suprimir 26 mil comboios só no primeiro semestre, em que dois terços dos dias tiveram greves, e dezenas de milhões de euros de prejuízo, apesar dos generosos subsídios do governo.

«A educação é a nossa paixão». Quanto mais, menos

No seu relatório de auditoria ao Plano Integrado para a Recuperação das Aprendizagens 21|23 Escola+ o Tribunal de Contas concluiu com palavras cuidadosamente escolhidas («ainda não estão reunidas condições para a sua execução com eficácia») o que um cidadão comum diria que o “Escola +” foi um falhanço.

Marinha a afundar. Será também uma paixão socialista?

Pelo menos parece, já que, como na educação, o governo do Dr. Costa parece determinado em afundá-la tal como fez com as caravelas da TAP. Um breve ponto de situação: a Marinha perde um efectivo em média por dia; das cinco fragatas só três estão operacionais e dessas três só há pessoal disponível para uma e meia; das dez corvetas sobram duas; o período de manutenção é o dobro do recomendado; não há um navio de reabastecimento; etc.

Choque da realidade com as políticas de habitação do Dr. Costa. Quanto mais, menos

Com a limitação das rendas nos novos arrendamentos que ficam dependentes da última renda nos últimos 5 anos, mesmo que a habitação não esteja arrendada, o Dr. Costa enfiou mais um prego no caixão do Mais Habitação. O algodão não engana: no primeiro semestre a reabilitação urbana caiu 7,4% e as novas rendas aumentaram em Lisboa 46% e 35% em média no país.

O anúncio pelo Dr. Medina do fim das cativações foi como o anúncio da morte de Samuel Langhorne Clemens

Depois de oito anos em que três ministros das Finanças recorreram ao expediente de apresentar um orçamento apenas para efeitos de propaganda, orçamento que depois não é executado, o Dr. Medina anunciou o fim do expediente das cativações a partir de 2024. Vendo a coisa mais de perto, este ano até Maio mantinham-se 80% das cativações e em 2024 ainda vai haver cativações correspondentes a 2,5% da despesa orçamentada.

Se não há “precários” suficientes, o governo inventa-os

O mês passado a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) começou a notificar 80 mil empresas (quase 9% do número de empresas activas) para converter 350 mil trabalhadores “precários” em permanentes. Duas semanas depois começa a constatar-se que um certo número de empresas notificadas não tem trabalhadores em situação irregular.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

A venda da EFACEC foi anunciada durante seis anos dezenas de vezes pelo antigo ministro da Economia. O ministro actual quase todas as semanas a anuncia, a última vez foi para Setembro depois da assembleia de obrigacionistas aos quais o Dr. Costa Silva vai pedir para perdoarem 50%. Aos bancos será pedido um perdão de 80% e aos contribuintes será pedido que aceitem perder 113 milhões, perdão que o Dr. Costa dará sem dificuldade em nome deles. (fonte)

Talvez seja oportuno lembrar a génese da crise do subprime


O BdP tem intenção de reduzir de 3% para 1,5% o teste de stresse aos créditos à habitação com maturidades superiores a dez anos, ou seja, pretende que os bancos aprovem os créditos desde que as taxas de esforço não sejam ultrapassadas com um aumento de 1,5 pontos percentuais (pp) na taxa de juro. Não parece uma boa ideia, sabendo-se que (1) desde 1999 o Euribor 3 meses, o indexante mais usado no crédito à habitação, teve um aumento de 3,2 pp no intervalo de 4 anos, de 4,2 pp no intervalo de 10 meses e aumentou mais de 1,5 pp por cinco vezes em períodos que vão desde 7 meses até aos 20 meses; (2) a crise de 2008 iniciada pela chamada crise do subprime, resultante do disparar do crédito malparado devido ao afrouxamento dos critérios do crédito para a habitação nos EU.

(Continua)

06/08/2023

Dúvidas (364) - Há solução para reciclar os plásticos ou estamos condenados a encher o planeta desde as profundezas da fossa das Marianas até à Mesosfera?

Da extrema dificuldade de decompor os plásticos de polietileno, cujo exemplo mais corrente é o vulgar saco de plástico, resulta que a reciclagem produz uma sopa de polímeros que só serve para fabricar produtos de baixo valor e isso é um dos obstáculos à reciclagem economicamente sustentável ou seja, a adoptar a "economia circular", para usar o chavão que faz salivar as almas sensíveis. 

Um novo processo (Catalytic deconstruction of waste polyethylene with ethylene to form propylene) desenvolvido o ano passado por uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia e do Berkeley Lab, num projecto financiado pelo departamento de Energia dos EU, usa catalisadores para decompor os polímeros longos de polietileno em propileno a partir do qual se pode fabricar plástico de alto valor, como o polipropileno, talvez possa superar essa dificuldade. 

Ao contrário dos processos em uso que exigem altas temperaturas e produzem componentes de pouca procura e baixo valor, o novo processo poderá reduzir a necessidade de produção de propileno a partir de em combustíveis fósseis. É um processo de upcycling que permite transformar resíduos praticamente inúteis em produtos de alto valor ao mesmo tempo, que reduz o uso de combustíveis fósseis. 

É um exemplo de como se é verdade que a ciência e a tecnologia permitem desenvolver produtos e processos industriais que criam novos problemas, como a poluição, é igualmente verdade que também podem ajudar a resolvê-los, desde que existam soluções económicas viáveis. E é também um exemplo de como um governo pode incentivar e apoiar a investigação e o desenvolvimento destas soluções em vez de incentivar e apoiar grupos de lunáticos que querem fazer do combate às mudanças climáticas e à poluição uma arma para acabar o "capitalismo". 

05/08/2023

Com estas elites, o Portugal dos Pequeninos, que tem algum passado e pouco presente, dificilmente terá um futuro diferente

«Em boa verdade, as supostas elites do país, em particular as de Lisboa, tirando os seus chefes, encarnam em larga medida uma tristonha mediocridade, sendo, em grande parte, caracterizadas por uma trupe parasitária, parola, larápia e oportunista, que subsiste, como lembrava Antero, de mãos estendidas pelas secretarias dos ministérios, das administrações e das amizades mais felizes, à procura do negócio de ocasião, do subsídio, da concessão, da colocação, bem como da posição ou de um lugar para o filho, ou para o sobrinho, assim trocando favores, conhecimentos e gerindo “influências”.

Pelo meio, na modernidade caracterizada pela sempre presente necessidade da “comunicação” e das relações públicas, precisamente aquelas que garantem o posto na oligarquia, gere-se e fomenta-se todo um sistema de comunicação social que, subserviente, presta-se ao serviço de mandar, receber e publicar os providenciais “recados” que compõem o paupérrimo panorama público e publicado português. Desde o presidente da república até ao primeiro-ministro, sempre por entrepostas pessoas, quando não anónimas “fontes”, passando pelos gestores e administradores — hoje, em cheios de chique importado “lá de fora”, transformados oportunamente em “CEO”, “CFO” e demais siglas anglo-saxónicas —, todos tratam de publicar, através da respectiva agência e do jornalista mais amigo, a “notícia” que, por entre portas, faz chegar a picardia a quem de direito. Ainda assim, no final, todos se entendem — enquanto o povoléu, cada vez mais à rasca, paga a conta.

No entanto, e esta é a tragédia pátria, não existe uma verdadeira solução instantânea para este parasitismo oportunista. Muito pelo contrário, nele se revela uma característica fundamental do modo de existir português, ainda para mais uma que conta já com mais de quinhentos anos.»

Excerto à laia de teaser de A elite e o povo, Nuno Lebreiro no Observador

[Assinaria por baixo sem o "supostas" elites, porque estas são as elites efectivas e isso explica muito, mas não tudo. Falta explicar porque temos estas e não outras elites.] 

04/08/2023

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (59) - Já não somos campeões da síndrome de Peter Pan (III)

Outros portugueses no topo do mundo. Sequela de Campeões da síndrome de Peter Pan (I) e (II) 

Um estudo da Pordata divulgado há dias concluiu que o ano passado 95% (o quarto valor mais elevado da UE) dos jovens entre os 15 e os 24 viviam com os pais, contra 86% em 2004. (fonte)

Por falar nisso, aproveitei para actualizar no quadro seguinte os valores do estudo do Eurostat que já tinha citado aqui.
Comparativamente com 2021, a percentagem de Peter Pans baixou de 33,6% para 29,7%, valor mais próximo dos valores de antes da pandemia que situaram ao redor do 29%. Talvez o valor discrepante de 2021 fosse resultante de um erro estatístico, o que no Portugal dos Pequeninos se pode considerar normal (afinal sofremos da maldição da tabuada). Seja como for, já não somos os campeões, o que neste caso devemos celebrar.

02/08/2023

Imagino a inveja e o despeito de uma esquerdalhada incapaz de mobilizar mais do que uns quantos ressabiados

enviado pelo ZA

Dúvidas (363) - O que está por detrás da decisão de continuar a usar a bitola ibérica?

«Governo planeia gastar milhares de milhões de euros em três parcerias público privadas para a construção da linha férrea de passageiros entre Lisboa e o Porto que serão pagos por nós, em vez da União Europeia (UE) se a bitola utilizada fosse europeia em vez da bitola ibérica. Resta saber o que está por detrás de tão estranha decisão.

A UE planeou uma rede ferroviária normalizada em toda a Europa com a mesma bitola, o mesmo sistema elétrico e as mesmas normas de segurança, de forma a permitir o livre acesso das diferentes empresas ao transporte de passageiros e de mercadorias a preços baixos, com maior eficiência e rapidez e com menor poluição. Dessa rede faz parte o Corredor Atlântico pensado para servir a Espanha e Portugal, em via dupla com entrada a norte em direção a Aveiro, depois Lisboa e entrada novamente em Espanha por Badajoz. O que deu origem ao acordo luso/espanhol que sobreviveu até 2016, quando o Governo do PS decidiu manter a bitola ibérica e transformar Portugal numa ilha ferroviária. Enquanto isso Espanha construiu a mais moderna rede ferroviária da Europa com a ajuda dos fundos europeus e em Portugal nem um único quilómetro foi construído em bitola europeia, com a perda de milhares de milhões de euros de fundos de Bruxelas.

A única razão apresentada para tão estranha decisão foi a de evitar a concorrência das empresas europeias. Concorrência que Espanha aceitou de bom grado e hoje circulam em Espanha comboios de passageiros franceses e em França comboios espanhóis. Com o resultado dos preços terem caído, as viagens internas de avião terem praticamente desaparecido e com uma redução dos índices de poluição. Além dos ganhos para a economia espanhola no desenvolvimento de uma forte indústria ferroviária hoje exportadora e da capacidade de atração do investimento industrial estrangeiro, dadas as novas condições logísticas oferecidas através da combinação dos transportes ferroviário e marítimo.»

Excerto de Ferrovia: um crime económico, Henrique Neto no Expresso

Tentativa de resposta à pergunta retórica do título:

Uma vez que não há nenhum racional económico nem nenhuma vantagem visível para a trupe socialista que resulte desta decisão insensata, resta atribuí-la, na melhor hipótese, à ignorância, estupidez ou incompetência que infectam a agremiação ou, na pior, à tentativa de evitar o investimento na adopção da bitola europeia em toda a rede ferroviária portuguesa, investimento que na óptica socialista é provavelmente inútil e exigiria serem desviados fundos do dinheiro de helicóptero que faz ganhar eleições.

Keep Mr. Trump out of prison is a more realistic goal than make America great again, indeed


01/08/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (76b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 76a)

Job for the girls

Primeiro, constatou-se que a CReSAP, criada pelo governo PSD-CDS para fazer escolhas de quadros directivos com base na competência, tem falta de candidatos à altura, apesar dos bons salários e da pouca exigência. Havendo que nomear um presidente para a Agência para o Desenvolvimento e Coesão e na falta de candidatos com competência, a nomeação de uma antiga secretária de Estado do Orçamento tornou-se incontornável.

Take Another Plan. Take 1 - A TAP em primeiro lugar à frente do FCP e do SCP

O Dr. Pedro Nuno, agora em pousio a preparar a sua ascensão a secretário-geral da agremiação, disse um dia que poria as pernas dos banqueiros alemães a tremer, o que nunca aconteceu, desde logo porque os banqueiros alemães só ouviram falar dele quando a criatura foi brincar aos empresários na TAP. Os banqueiros a quem as pernas tremem são os portugueses que só emprestam dinheiro à TAP a taxas mais altas do que as dos clubes de futebol e a 2,3 vezes mais altas do que as da Iberia.

Take Another Plan. Take 2 - Parece mentira, mas poderia ser verdade

«Os resultados que nós falamos relativamente ao crescimento do PIB português não seriam os mesmos se não tivéssemos a TAP», garantiu o Dr. Medina. Claro que não. A começar porque poderíamos ter aplicado os 3.200 milhões lá torrados em investimento produtivo e a acabar porque os turistas que estão a ajudar a adiar o próximo resgate teriam de continuar a viajar na Easyjet que não tem o hábito de «deitar dinheiro para a sanita».

Take Another Plan. Take 3 - A privatização será quando for

Segundo o Dr. Medina, o processo de privatização da TAP avança «nas próximas semanas», durará «vários meses», «não estará concluído» este ano, «só estará concluído em 2024». Segundo o Dr. Mendes, secretário do Dr. Medina, TAP será vendida no primeiro semestre de 2024

«A educação é a nossa paixão»

A ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior anunciou a um novo modelo de financiamento das universidades em que deixaram de contar a investigação científica produzida e o grau de desenvolvimento científico do corpo docente e o financiamento passará a depender quase em exclusivo do número de alunos de cada universidade.

Com a inevitável baixa da qualidade que resultará a prazo de tal medida, talvez o governo consiga reduzir o número de jovens licenciados (nos últimos anos, metade do número total de licenciados) que encontram oportunidades de trabalho no estrangeiro e emigram.

Se a melhoria da economia se deve ao seu governo, como diz o Dr. Costa, a quem se deverá a sua pioria?

No segundo trimestre as exportações registaram uma queda homóloga de 5,2% o que só não teve impacto no défice comercial, que está de volta, porque as importações caíram 6,2%.


Como o crescimento da procura interna não foi suficiente para compensar a desaceleração das exportações, o PIB estagnou no segundo trimestre. 

«Pagar a dívida é ideia de criança»

Enquanto o Dr. Medina e o seu ajudante Dr. Mendes vão anunciando a imparável redução da dívida pública no futuro (menos de 100% do PIB em 2024), no presente o endividamento da economia, isto é, o somatório das dívidas das famílias, das empresas não financeiras e do Estado continua a aumentar e atingiu 804,4 mil milhões de euros, um novo recorde.

31/07/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (76a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

A visita do Papa Francisco é uma bênção para a procrastinação e a adjudicação directa

Metade dos contratos para a logística da JMJ, um evento anunciado há 4 (quatro) anos, só foram adjudicados no último mês e três quartos tiveram ajuste directo (fonte).

Já virámos a página da austeridade (outra vez) ou como anunciar o fim de algo que nunca tinha começado

Este é o oitavo ano em que o governo do Dr. Costa, pela mão de três ministros das Finanças, recorre às cativações, um expediente que consiste em apresentar um orçamento, que não tem qualquer intenção de executar, para efeitos de agitprop e de amansar a geringonça ou o que resta dela. Até agora o governo sempre negou a existência desse expediente até que o Dr. Medina anunciou o seu fim a partir de 2024. Sobretudo vindo da parte de um político com o perfil do Dr. Medina é um notável descaramento.

Por trás do manto da ilusão socialista, a luz crua da realidade

mais liberdade

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

Para manter o SNS a flutuar, o governo socialista quer contratar 300 médicos cubanos a quem o governo comunista de Cuba confisca 80% do salário.

Boa Nova

Diz-se que o grupo Air-France-KLM está interessado na TAP e até admite ficar minoritário.

O governo anunciou que está a colocar “adidos do trabalho” em Marrocos, Timor-Leste, Índia e Cabo Verde para atrair talento.

Choque da realidade com a Boa Nova

O interesse do grupo Air-France-KLM tem como condição controlar a estratégia comercial da TAP, ou seja, prosseguir os seus objectivos sem necessidade de gastar dinheiro a comprar a posição do governo.

Um módico de realismo leva a antecipar que o talento que os “adidos do trabalho” poderá recrutar será nas áreas de mão de obra indiferenciada já que outros talentos preferirão outros destinos mais atractivos.

A independência Comissão Técnica Independente para o novo aeroporto

Pelo menos seis dos sete membros da CTI estão publicamente ligados à defesa da solução Alcochete. Olha que grande admiração, pois se a presidente se chama Partidário e foi ela que escolheu os outros membros…

O que foi irrevogável em 2019 é hoje perfeitamente aceitável

Criticam injustamente o Dr. Costa porque não “descongela” totalmente a contagem do tempo de serviço dos professores. Injustamente porque em 2019 o Dr. Costa ameaçou demitir-se se o parlamento aprovasse o descongelamento total.

No topo da Óropa

Segundo o estudo «Quantificação dos impactos da guerra da Ucrânia em Portugal» do GPEARI do Ministério das Finanças, o investimento em Portugal caiu três mais do que a média da Zona Euro face à tendência pré-pandemia.

(Continua)

30/07/2023

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (58) - De vez em quando, alguém percebe o trauma lusitano

Outros portugueses no topo do mundo.

«Dizem que os pequenos gostam de se considerar grandes. É possível. Mas tal afirmação, mesmo se verdadeira, não chega para compreender a tendência de muitos portugueses para a fantasia narcisista. Sobretudo a imerecida. De presidentes a trabalhadores e estudantes, tantos comungam nesta atitude! Todos garantem que somos os melhores do mundo em qualquer coisa. Ou até em muitas coisas. No futebol, para lá vamos a passos largos, com os melhores treinadores e os melhores jogadores do mundo. No atletismo, na natação, no hóquei em patins, no ténis de mesa, no judo e no ciclismo, para lá caminhamos, se é que já não somos os melhores do mundo em várias modalidades. Na vela, no hipismo e na tourada, estivemos sempre entre os melhores do mundo, mesmo se éramos absolutamente de segunda ou terceira categoria.»

É difícil viver em Portugal, António Barreto no Público

Os “paraísos fiscais” fazem salivar a esquerdalhada e dão pretexto a um exercício de demagogia em que a AT de um inferno fiscal participa com grande entusiasmo

«No passado dia 10 de julho de 2023 a comunicação social andava ao rubro relativamente ao estudo divulgado pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), o qual contabilizava a transferência de cerca de 7.400 milhões de euros para contas sediadas em paraísos fiscais, através de cerca de 118 mil transações bancárias. Depois da manhã atribulada nos órgãos de comunicação social, seguiu-se o programa Antena Aberta na rádio Antena 1, no qual vários portugueses apregoavam os chavões da Esquerda sobre os 'paraísos fiscais' e assim anunciaram ao país a sua iliteracia financeira às custas dos demais contribuintes sobre um tema que não dominam. Convenientemente, a AT, enquanto arma do jogo sujo político da Esquerda e do Governo, apenas divulga as transferências feitas de portugueses (empresas e privados) para 'paraísos fiscais', mas não divulga as transferências de 'paraísos fiscais' para Portugal.

Convenientemente, a AT, (…)

 (…) continua a emitir estudos/ pareceres ao Ministério das Finanças por forma a manter uma lista de 'paraísos fiscais', cujos critérios fictícios para inclusão de jurisdições, muitas delas reconhecidas pela União Europeia como não sendo 'paraísos fiscais', são desconhecidos do mero contribuinte ou académico. 

(…) continua a classificar como 'paraísos fiscais', jurisdições com as quais a República portuguesa tem acordo de dupla tributação e/ ou acordo de troca de dados fiscais assinado. 

(…) tem ainda o desplante de estender o estatuto de 'paraíso fiscal' à Confederação Suíça (…)»

Miguel Pinto-Correia, no jornal Nascer do Sol

29/07/2023

ACREDITE SE QUISER: Para o Supremo Tribunal de Justiça o dever de honestidade não é compatível com a rejeição das "cunhas"

Sumário do Acórdão do STJ de 19-04-2023:

«I- O dever de lealdade inclui um dever de honestidade, que implica uma obrigação de abstenção por parte do trabalhador de qualquer comportamento suscetível de colocar em crise a relação de confiança que deve pautar as suas relações com o empregador, enquanto corolário da boa-fé contratual.

II- Dada a natureza fortemente fiduciária do contrato de trabalho, em regra assume especial significado a violação do dever laboral de lealdade.

III- Inscrever em parede das instalações interiores da empresa empregadora a expressão “abaixo as cunhas” viola, grave e culposamente, os deveres laborais de respeito, de lealdade e de conservar e bem utilizar os bens afetos à atividade laboral.

IV- Tendo em conta a imagem global dos factos, incluindo todas as suas circunstância e consequências, conclui-se – à luz de critérios de razoabilidade, exigibilidade e proporcionalidade – que com a sua conduta o A. tornou prática e imediatamente impossível a subsistência da relação laboral.»

28/07/2023

A política de imigração que a geringonça fabricou no Portugal dos Pequeninos. Rir, para não chorar


É claro que um vídeo provocador não é uma análise política nem uma tese ou um paper. É apenas um vídeo sarcástico que expõe a política de imigração fabricada pela geringonça, um dispositivo em que todos os participantes ganharam e o País perdeu. O BE e o PCP faziam passam as suas agendas pela barriga de aluguer do PS e o PS tinha o seu apoio explícito ou implícito sem despesas orçamentais e com um enorme custo para o País. 

27/07/2023

Avante! da Sonae, um diário da manhã a fazer de Diário do Governo


O Dr. Medina, ministro das Finanças e sucessor en attendant do Dr. Costa, foi entrevistado pelo Público que prantou uma chamada na primeira página da edição impressa do dia 25 e, para o caso de os leitores online estarem distraídos, fez cinco destaques na página de Economia anunciando Boas Novas e, certamente por distração do jornalista de serviço, um destaque que poderia ser considerado uma fortíssima crítica ao Dr. Costa que anda há oito anos a atirar o dinheiro dos contribuintes europeus para cima dos problemas.

O Diário da Manhã fundado em 1931 e fechado em 1971, era uma espécie de porta-voz do Estado Novo. Um diário da manhã é um jornal publicado todos os dias de manhã, que se pode considerar um dos porta-vozes do Estado sucial. O Diário do Governo do Estado Novo era o Diário da República do Estado sucial.

26/07/2023

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (78) Unintended consequences (XXX)

 
Recapitulando: o intervencionismo dos bancos centrais (Fed e BoE, copiados pelo BCE), adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario de Julho de 2012 criou oceanos de liquidez que impulsionaram os mercados de capitais e incentivaram o investimento em activos de risco, criando as condições para um processo inflacionário que só esperava um trigger que surgiu com a invasão da Ucrânia.

A necessidade de aliviarem os seus balanços, secarem os oceanos de liquidez e conterem a inflação levou os bancos centrais a aumentarem as taxas de referência e passarem do quantitative easing para o quantitative tightening, que é como quem diz passaram da folga para o aperto.
State of Venture Q2’23 Report

Face ao aumento das taxas de juros e à secagem do excesso de liquidez, encolheu o dinheiro disponível para as aplicações especulativas, incluindo o capital de risco, que o diagrama acima mostra estar a escassear o que significa maior exigência dos venture capitalists. Ao que parece, esta constatação não chegou ainda ao Portugal dos Pequeninos onde se continua a agitar a bandeira das startups miraculosas que precisariam de nacional dinheiro abundante que não existe ou de dinheiro internacional estúpido que agora escasseia.

25/07/2023

Lost in translation (367) - Um Dr. Medina distraído critica duramente o seu chefe Dr. Costa

Público

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (75b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 75a)

Choque da realidade com as políticas de habitação do Dr. Costa

Simultaneamente com a aprovação do Mais Habitação, o governo anunciou o enésimo programa para promover o arrendamento, desta vez com o nome Programa Arrendar para Subarrendar (a ministra da Habitação, que ao menos podia ter bom aspecto, deveria usar os judites da PJ que inventam belos nomes para as suas operações – ver aqui alguns exemplos). Ao abrigo desse programa que envolve um investimento de 2,8 milhões (aproximadamente o preço de uma penthouse no Parque das Nações) o governo anunciou um acordo abrangendo 320 imóveis - número equivalente a menos de 0,3% dos novos arrendamentos em 2022 -, sendo 220 do Instituto Financeiro da Segurança Social e da Santa Casa da Misericórdia, estando os restantes 100 em mãos de privados.

Recorde-se que há oito meses o balanço feito pelo Expresso mostrava que de todos os projectos de habitação acessível geridos pelo IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) até então havia 71 (setenta e um) fogos arrendados. Do Programa de Arrendamento Acessível havia 900 contratos activos para dois mil alojamentos e 30 mil candidaturas.

Investimento público, a autoestrada mexicana do PS

Como resultado de quase 8 anos de malabarismos dos Drs. Centeno, Leão e Medina, com a incompetência dos jornalistas em geral e a complacência do comentariado do regime, a anunciar crescimentos miraculosos comparando o investimento orçamentado num ano com o executado no ano anterior, que por seu turno tinha sido muito inferior ao orçamentado, o stock de capital público em Portugal tem vindo a diminuir como se vê gráfico do Miguel Faria e Castro (apud Ferreira Machado), devendo acrescentar-se que o investimento líquido foi negativo em 2021 e 2022.


Vem a propósito acrescentar que se não fossem os fundos europeus, o stock de capital teria ainda caído mais, como resulta do gráfico seguinte (adaptado daqui)



O Estado sucial a trabalhar para o desemprego

A semana passada a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) começou a notificar 80 mil empresas (quase 9% do número de empresas activas) para converter 350 mil trabalhadores “precários” em permanentes. Esta medida, cujo efeito é muito provavelmente levar à destruição de postos de trabalho, parte de um princípio ensinado na Mouse School of Economics de que a “precariedade” laboral resulta da ganância e maldade dos empresários.

De volta ao velho normal

A compra de veículos no primeiro semestre cresceu 45,4% e foi a segunda maior da UE (cá está, outra vez no topo da Óropa) e o crédito ao consumo cresceu 23% em Maio e nos cinco primeiros meses do ano atingiu o valor mais elevado de sempre.

Fonte

«Pagar a dívida é ideia de criança»

No último leilão de 1,25 mil milhões de Bilhetes do Tesouro de curto prazo as taxas chegaram aos 3,248% (6 meses) e 3,533% (12 meses). O facto de uma semana antes as BT a seis anos terem sido colocadas a uma taxa mais baixa (3,181%) dá uma boa indicação do que vem a seguir.


Para temperar os entusiasmos do Dr. Medina sobre a redução da dívida, convirá não esquecer que a dívida pública continua a ser a terceira mais elevada e a dívida externa líquida é a segunda mais elevada.

24/07/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (75a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O Dr. Costa, a corrupção e a mentira

«Não, não desvalorizo a corrupção, mas também não desvalorizo a mentira» garantiu ele num artigo de opinião. Não parece questionável que o Dr. Costa desvalorize a mentira, já que usa abundantemente uma modalidade que o poeta popular António Aleixo descreveu assim: «P'ra a mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade».

Já quanto à corrupção a coisa fia mais fino. O Avante! da Sonae escreveu há tempo que a «Entidade para a Transparência espera há “meses” por autorização de António Costa».

O Dr. Costa e o futebol

Se não fosse Helena Matos, tinha-me escapado o inusitado e patriótico interesse do Dr. Costa pelo futebol que o leva a estar presente em sítios improváveis onde decorrem cerimónias dessa religião, como a Hungria, onde foi para dar um abraço ao Sr. Mourinho, ou a Nova Zelândia para acompanhar as meninas da selecção, o que quase o fez faltar ao Conselho de Estado.

O Dr. Costa já tem o seu Dr. Goebbels (calma! Isto é só uma metáfora hiperbólica)

O Dr. Adão, ministro da Cultura, como o Dr. Goebbels (o ministério da Cultura do III Reich chamava-se da Propaganda, nome muito mais apropriado), multiplica-se em entrevistas a fazer declarações replicando as palavras do seu Fuehrer Dr. Costa (calma! Isto é só mais uma metáfora hiperbólica) sobre «as preocupações das pessoas», preocupações que ele conhece muito bem pelos artistas independentes que recebem subsídios do seu ministério.

Uma no cravo, outra no Dr. Cravinho que fumou, mas não inalou

O Dr. Cravinho, um exemplo do elevado nível de exigência ética do Dr. Costa, confrontado com a prova de que tinha tido conhecimento da intenção de ser contratado como consultor o Dr. Capitão, mais tarde Secretário de Estado demitido, garantiu na comissão Parlamentar de Defesa não ter tido nada a ver com a contratação.

Então não estamos a crescer mais do que a Óropa? O Dr. Costa deveria colocar uma vela a S. Cristóvão

Sim, estamos, basta ver, por exemplo, o semanário de reverência que celebra com o título galvanizante «economia portuguesa é a quarta que mais cresce na UE este ano», apesar do último valor de 16-07 do indicador diário de actividade económica do BdP ser negativo com uma queda de 4% e os últimos dados do turismo no Algarve não serem muito animadores.

Sabendo-se que o turismo representa cerca de 16% do PIB e tem registado este ano um crescimento na faixa dos 20-25% e que, portanto, o impacto esperado no PIB seria na ordem dos 3-4%, daqui decorre que os 2,4% de crescimento da economia previstos para 2023 significam que o resto da economia irá decrescer.

Sem o turismo, que registou um excedente de 2,7 mil milhões, o excedente externo de 704 milhões das contas externas até Maio teria sido um défice de 2 mil milhões.

Se não for no PIB, o Dr. Costa coloca-nos no topo da Óropa nos ansiolíticos

«Portugal é o segundo país da OCDE com maior utilização de antidepressivos. No caso dos ansiolíticos, é mesmo o primeiro», garante o semanário de reverência que nestas coisas nunca se engana.

«A educação é a nossa paixão». O elevador social socialista deixa os pobres no rés-do-chão

Continuando o caminho de dificultar a aquisição de conhecimentos e facilitar nos exames e, assim, avariar ainda mais o elevador social, o governo determinou o fim da obrigatoriedade do exame de Matemática para os alunos de Ciências. O próximo passo vai ser tornar obrigatório o exame da disciplina de Educação Sexual.

«Temos resultados, temos contas certas» (que o TdeC não consegue certificar)

Segundo as conclusões do relatório de auditoria do Tribunal de Contas ao processo de preparação da Conta Geral do Estado de 2023, existem constrangimentos que «são inultrapassáveis dentro do prazo estabelecido para a apresentação da CGE de 2023».

Choque da realidade com as políticas de habitação do Dr. Costa

Simultaneamente com a aprovação do Mais Habitação, o governo anunciou o enésimo programa para promover o arrendamento, desta vez com o nome Programa Arrendar para Subarrendar (a ministra da Habitação, que ao menos podia ter bom aspecto, deveria usar os judites da PJ que inventam belos nomes para as suas operações – ver aqui alguns exemplos). Ao abrigo desse programa que envolve um investimento de 2,8 milhões (aproximadamente o preço de uma penthouse no Parque das Nações) o governo anunciou acordo para 320 imóveis, sendo 220 do Instituto Financeiro da Segurança Social e da Santa Casa da Misericórdia, estando os restantes 100 em mãos de privados.

Recorde-se que há oito meses o balanço feito pelo Expresso mostrava que de todos os projectos de habitação acessível geridos pelo IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) até então havia 71 (setenta e um) fogos arrendados. Do Programa de Arrendamento Acessível havia 900 contratos activos para dois mil alojamentos e 30 mil candidaturas. 

(Continua)

23/07/2023

Tal como a democracia é o pior dos regimes à excepção dos outros, também a família é a pior instituição para criar filhos à excepção das outras

Confesso que não me apercebi do incêndio que se propagou nas redes sociais (que não frequento) a pretexto de uma "influencer" que reconheceu ter dado um banho de água fria ao seu rebento para acabar uma birra. Não vou discutir o mérito do método da "influencer" - no meu caso talvez tivesse optado por um método de pediatria moderna (*) - vou apenas aproveitar o caso para citar Henrique Pereira dos Santos (HPS) que a propósito da solução da retirada da criança à mãe para entregá-la aos cuidados do Estado, proposta por inúmeros imbecis (que HPS, com infinita indulgência, concede poderem ser «pessoas razoáveis e aparentemente sensatas»), escreveu umas linhas sobre o papel das famílias na educação que não resisto a transcrever.

«As famílias são uma coisa péssima: é onde se verifica a esmagadora maioria dos abusos sexuais, é o único sítio onde existe violência doméstica, é onde as tensões entre as pessoas podem ter raízes mais profundas e explosões mais perigosas e muitas e muitas outras coisas que se poderiam dizer sobre as famílias.

O problema é que para educar, socializar crianças, cuidar de bebés - esquecemo-nos frequentemente de como as nossas crias são incompetentes, ao contrário de um potro que corre num prado ao fim de umas horas do seu nascimento, as nossas crias são praticamente "fetos externos", não vêem grande coisa, não se aguentam nas canetas durante um ano, ouvem mal, não sabem procurar comida, meses depois do nascimento não sabem rigorosamente nada do que sabe a generalidade das crias das outras espécies ao fim de umas horas de vida - ainda não encontrámos mecanismo social mais eficiente que este de nos juntarmos em famílias.

Mesmo sabendo que sendo as pessoas imperfeitas, é difícil que sejam capazes de fazer famílias perfeitas, juntando pessoas não só imperfeitas, mas com imperfeições diferentes entre si.

Com séculos, milénios de demonstração, fico estupefacto com a facilidade com que vejo gente, ao mínimo percalço de educação de uns pais, defender que a solução é entregar as crianças ao Estado, essa entidade carinhosa, próxima, razoável, justa, sensata, atenta, serena e etc., que sem dúvida consegue garantir que nenhuma criança a seu cargo alguma vez toma um banho forçado a temperaturas abaixo de 35 graus centígrados.»

(*) Faz muitos anos, quando se começaram a divulgar os "ensinamentos" da pediatria moderna (os meus filhos foram da geração Dr. Spock, não o da Star Trek, mas o pediatra Benjamin McLane Spock), contava-se a estória de uma criança que fazia uma birra imensa junto à montra de uma loja de brinquedos exigindo à mãe, que mal tinha dinheiro para comer, que lhe comprasse um brinquedo caríssimo. Quando alguém se aproximou da mãe, lhe disse que era um pediatra moderno e lhe perguntou se queria que falasse com o birrento, ela deu graças ao Senhor pela inesperada ajuda e aceitou. O pediatra moderno disse meia dúzia de coisas ao ouvido da criança e esta imediatamente se voltou para a mãe dizendo-lhe que já não queria o brinquedo. A mãe curiosa, deixou que o pediatra moderno se afastasse e perguntou ao rebento o que ele lhe tinha dito, ao que o rebento respondeu: «para já com essa birra, ou dou-te uma valente nalgada».