Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/12/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (188) - Juntando hipocrisia à desvergonha

Primeiro, disse uma verdade inconveniente, com grande desvergonha, vinda dele: as empresas portuguesas sofrem de «fraquíssima qualidade da sua gestão» e são incapazes de trazer inovação. Santos Silva também disse que as empresas não serão capazes «de perceber a vantagem em contratar pós-graduados e doutorados», um equívoco conveniente para passar graxa à audiência.

Confrontado com reacção inesperadamente firme da CIP, que lhe lembrou «o Estado da falência em que a fraquíssima administração política de sucessivos governos nos deixaram…. alguns de que o próprio Augusto Santos Silva fez parte», o ex-trotskista juntou à desvergonha a hipocrisia. «Não quis ofender, se o efeito foi esse só tenho que me penitenciar», disse.

Mais um exemplo de que um apparatchik instalado no Estado Sucial nunca desce tão baixo que não possa descer ainda mais.

A elites merdosas do Portugal dos Pequeninos acusam-se mutuamente de fazerem do país o Portugal dos Pequeninos

Tudo começou quando Augusto Santos Silva, ministro em exercício dos Negócios Estrangeiros, trotskista juvenil com passagem pelo MES e entrada no PS com saída do anonimato de uma carreira de professor de escola secundária para uma carreira de deputado e ministro sucessivamente de Guterres, Sócrates e Costa, na sessão de encerramento do Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro em Coimbra, considerou que as empresas portuguesas sofrem de «fraquíssima qualidade da sua gestão» e que não serão capazes «de perceber a vantagem em trazer inovação para o seu seio e a vantagem em contratar pós-graduados e doutorados».

Em resposta, António Saraiva, o presidente da CIP, que vergava a mola na Lisnave na época em que Santos Silva frequentava as catacumbas do trotskismo, puxou o lustro à classe empresarial e deu o troco na mesma moeda ao ex-trotskista: «as afirmações proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros só podem ser entendidas por terem sido ditas por alguém que, vivendo fechado em ambientes palacianos, há muito que não sai à rua para ver como o mundo lá fora gira e avança».

Ambos puxam a brasa à sardinha rançosa das suas respectivas classes, passando ao lado de que, sendo certa a fraquíssima qualidade da gestão da maioria das empresas portuguesas, enfiar-lhe dentro manadas de pós-graduados e doutorados em sociologia, sexologia e matérias afins por universidades da treta geralmente incapazes de inovar seja o que for, só baixaria mais a qualidade da gestão, e ainda passando ao lado de que um membro de uma classe política medíocre e infestada de corruptos com o passado de serventuário que ele tem deveria guardar de Conrado o prudente silêncio a respeito da fraquíssima qualidade seja do que for.

30/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (12)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O estado do Estado Sucial administrado pelos socialistas

Primeiro o governo socialista cancela em 2016 a construção da barragem de Girabolhos que, segundo a Ordem dos Engenheiros, se tivesse sido construída teria limitado a extensão das cheias do rio Mondego. No ano seguinte, em 2017, após o desastre do combate aos incêndios florestais o governo gasta com alarido quase um milhão de euros para criar um sistema de avisos por SMS.

Decorridos dois anos, há duas semanas, com o rio Mondego a ameaçar cheias, a Protecção Civil não envia mensagens de alerta por «falta de pessoal para dar resposta». Falta de pessoal para usar um sistema de envio automático de mensagens? Falta de pessoal depois de durante o primeiro mandato o governo do Dr. Costa ter contratado mais 40 mil novos funcionários públicos para fortalecer a sua clientela eleitoral?

Também a ADSE se queixa de falta de pessoal para tratar 650 mil reembolsos pendentes.

Falta de pessoal que não foi sentida para enviar uma esquadra de apparatchiks para "inspeccionar" as zonas atingidas pelas cheias. A esquadra foi comandada pelo palhaço que ocupa o ministério do Ambiente que no decurso da "inspecção" avisou as «aldeias (que) vão ter de ir pensando em mudar de sítio», enquanto garantia que os diques que ruíram serão «completamente concluídos no prazo de dois meses», garantia que vale o que costumam valer as garantias dos palhaços.

«Em defesa do SNS, sempre»

A mensagem de Natal, com o SNS como tema único, foi uma demonstração da completa falta de decoro do Dr. Costa n.º 2 que se apresentou virgem de quatro anos da inacção do Dr. Costa n.º 1.

A DGS lá se baralhou nas estatísticas de mulheres mortas devido a complicações na gravidez, Afinal os números do ano passado são mais baixos e são mais altos em 2017 e em 2016 são o dobro! No total dos 3 anos passaram de 32, que já eram muito maiores do que a média, para 36. Por curiosidade. registe-se que o semanário de reverência Expresso, uma espécie de Acção Socialista, escreveu na última página do seu número de sábado que «o que parecia ser um abrupto aumento do número de mortes (...) na verdade, o total do ano passado foi de 15». O jornalista de serviço a esta "notícia" deve ser mais uma daquelas bactérias diligentes da fossa séptica socialista de que o exemplo mor é o daquele rapaz ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar.

29/12/2019

Mitos (300) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (9) - Os 257 anos que faltam para a "paridade"

Outros mitos: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)

O pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem nascidos e mal nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 "géneros" identificados pelo Tumblr.

Na verdade, como procurei mostrar nos oito posts anteriores as diferenças salariais entre sexos, que, sublinho, se existissem seriam actualmente ilegais em quase todo o mundo, resultam de diferenças no acesso a certas profissões ou funções, consequência de mais de uma centena de milhar de anos de divisão do trabalho por sexos. Por memória volto a publicar o diagrama seguinte.

Retorno a este tema a pretexto de mais uma treta destinada a produzir sound bites e a ser propagada pelo jornalismo de causas identitárias. Desta vez, foi o Fórum Económico Mundial que concluiu que «ao ritmo atual, as desigualdades entre homens e mulheres no acesso ao emprego, oportunidades de carreira e igualdade salarial levarão 257 anos a corrigir».

Uma simples consulta da lista de países permitiria a uma mente com meia dúzia de neurónios activos colocar o desconfiómetro no vermelho. Alguns países mais "paritários" do que Portugal são: Burundi, Cuba, Bielorrússia, México, Trinidade e Tobago e Moldávia. 

De modo que, no ponto em que as coisas estão, fico com um impulso irresistível de avacalhar a conversa, aconselhando as carpideiras identitárias a não se preocuparem porque, muito antes dos 257 anos que nos separam da "paridade", já as mudanças climáticas previstas pelas respectivas carpideiras, que em grande parte coincidem com as identitárias, terão tornado inabitável o planeta.

Em particular para as luso-carpideiras identitárias, acrescentaria que a falência do sistema de segurança social acontecerá aqui neste Portugal dos Pequeninos ainda antes da inabitabilidade do planeta tornando "paritárias" as pensões.

Um dia como os outros na vida do estado sucial (40) - Frequentemente ineficaz e geralmente ineficiente

Eficácia é fazer as coisas certas e eficiência é fazer as coisas bem, ou, dito de outra maneira, fazer as coisas que temos de fazer usando o mínimo de recursos. Idealmente deveríamos tentar ser eficazes e eficientes. O Estado sucial português, agora ocupado pelo PS, consegue o prodígio de ser frequentemente ineficaz e fazê-lo de forma geralmente ineficiente.

Ocorreu-me isso ao ler esta notícia que nos dá conta que para assistir um homem que tinha sido atropelado na IC2 e teve morte imediata foram enviados 8-veículos-8 dos bombeiros, GNR e INEM com 23-"operacionais"-23. Neste exemplo, a eficácia era simples porque se tratava apenas de retirar um cadáver, o que foi feito, usando recursos absurdamente exagerados.

Todos os dias temos exemplos de ineficácia e ineficiência do Estado sucial português. Ocorre-me um episódio anedótico passado há um par de meses a menos de 100 metros de minha casa. Um pequeno gato vadio introduziu-se debaixo de um carro e depois no compartimento do motor. A proprietária do carro e a sua filha tentaram extrair o gato sem sucesso e acabaram a chamar os bombeiros que chegaram com grande aparato num camião e num jeep com quatro "operacionais". Passado um bom quarto de hora, com duas dúzias de mirones a dar palpites, os "operacionais" ainda não tinham conseguido extrair o gato. Talvez cansado de tanta agitação o gato resolver finalmente pisgar-se e desaparecer.

28/12/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (94) - Vai fazer-se de morto? Permita-se-me a dúvida

Outras preces

Segundo fontes que circulam aos círculos no círculo do poder político, a jornalista Ângela Silva é, pelas palavras do outro contribuinte do (Im)pertinências, uma espécie de porta-voz do PR que escreve como se fosse o travesseiro da criatura. 

Por essa razão, deveríamos dar algum crédito à jornalista quando escreve na edição diária do semanário de reverência que «Marcelo prepara-se para viver 2020 como um ano de passagem, se não a fazer de morto, pelo menos num estilo mais contido e próprio de um ano pré-eleitoral, em que já todos o olharão, para além de Presidente, como, de novo, candidato a Belém.»

Ainda assim, exortando embora o anunciado propósito de fazer de morto, permitam-me a dúvida se S. Exª. será capaz de suspender o papagaio mor do reino que habita em si. Se o conseguir até ao final do mandato, prometo, sem nada garantir, que ponderarei votar no seu nome nas próximas eleições presidenciais.

26/12/2019

Dúvidas (283) - Onde mete o frango os quatro mil litros de água?

Hydrologic Cycle
Segundo o Water Foot Print (WFT), citado pelo Jornal de Negócios, «um frango de um quilo bebe mais de quatro mil litros de água». Dando de barato que esse número tem alguma base científica, como um frango com 1 kg costuma ser abatido entre os 28 e os 42 dias de idade e obviamente não conseguirá beber 100 litros de água por dia, os quatro mil litros serão usados principalmente para produzir as rações que o bicho come.

E, nesse caso, para onde vão os quatro mil litros de água? Como não vão para Marte, para a Lua ou  para o espaço, ficarão a fazer o que a água costuma fazer - circular. E, sendo assim, porque nos havemos de preocupar com a «pegada de água», nós que já temos que nos preocupar com as resmas de outras pegadas?

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (187) - A pesada herança do polvo socialista (II)


Uma estória socialista resumida (já aqui contada):

João Conceição, actualmente administrador da REN, nomeado pelo governo socialista de José Sócrates em 2009, foi contratado em 2008 pelo BCP por Paulo Macedo, actualmente presidente da Caixa nomeado pelo actual governo socialista, na época membro da administração do BCP de que era então presidente Santos Ferreira, um amigo do peito de Guterres, antigo líder do PS e primeiro-ministro de dois governos socialistas. Santos Ferreira, desde sempre um homem às ordens do PS, que tinha transitado directamente para o BCP vindo da presidência da Caixa, para onde fora nomeado pelo governo socialista de Sócrates, Caixa onde autorizou empréstimos a Berardo e outros para comprarem acções do BCP, empréstimos que hoje fazem parte do malparado da Caixa que Você, leitor, e eu pagámos com os aumentos de capital para tapar os buracos.

Voltando a João Conceição, foi contratado pelo BCP ao mesmo tempo que nomeado assessor de Manuel Pinho, ministro da Economia de Sócrates e homem de confiança e às ordens de Ricardo Salgado, o DDT, presidente do BES cuja falência Você, leitor, e eu pagamos e vamos continuar a pagar. No BCP João Conceição foi contratado por 10 mil euros por mês que recebeu até Maio de 2009, totalizando 153 mil euros, agora reclamados pelo BCP com o fundamento de João Conceição não ter prestados quaisquer serviços, ao que este argumenta que fez tudo o que lhe mandaram fazer (para mais pormenores ler aqui).

Perdido? É natural, é o labirinto habitado pelo polvo socialista.

Actualização desta estória socialista:

«O Ministério Público entende que João Conceição, o ex-consultor de Manuel Pinho e atual administrador da empresa REN – Redes Energéticas Nacionais, “aderiu” em janeiro de 2007 ao “pacto” acordado originalmente entre o ex-ministro da Economia, António Mexia e João Manso Neto para conceder alegados benefícios de 1,2 mil milhões de euros à EDP. Daí ter-lhe imputado dois crimes de corrupção passiva para ato ilícito no interrogatório que decorreu a 28 de novembro.» (Estória completa)

25/12/2019

Prenda de Natal para a Protecção Civil: ideias para combater as inundações


Segundo a Water Foot Print (WFT), citada pelo Jornal de Negócios:
  • São necessários seis mil litros de água para a criação de um porco de um quilo
  • Para a produção de um quilo de um vaca são necessários 15,400 mil litros
  • Um frango de um quilo bebe mais de quatro mil litros de água.
Porque não soltar nas zonas atingidas pela Elsa umas varas de porcos, umas manadas de vacas e uns bandos de frangos?

O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O comunismo é o seu contrário

"Amante das viagens, da maquilhagem e da fotografia". A vida de luxo do filho do novo primeiro-ministro de Cuba

24/12/2019

Lost in translation (330) - Subida virtuosa dos impostos, disse ele

«O secretário do Estado dos Assuntos Fiscais considera que a subida da carga fiscal é “virtuosa” no atual contexto de Portugal. Isto porque o aumento das receitas fiscais resulta não do agravamento dos impostos mas antes do crescimento da economia e dos empregos, argumenta António Mendonça Mendes em entrevista ao Jornal de Negócios» (Eco)

Segundo a Deloitte, quem tiver um salário 1.000 euros e for aumentado em 10 euros (1%), pagará mais 30 euros de IRS.

"Eleições faz de conta" premeiam e punem

Sondagem da Intercampus vs resultados das legislativas
Uma vez que as sondagens são "eleições faz de conta", é possível que os ganhos dos pequenos partidos tenham pouco significado. Em todo o caso, PAN, Chega e IL têm ganhos relativos importantes, o que pode significar alguma coisa. No caso do Livre, que em condições normais beneficiaria do efeito "faz de conta", é claramente uma punição ao trio patético composto pelos Drs. Tavares, Katar Moreira e Assessor De Saias.

No caso do Chega, que multiplica por quatro as intenções de voto, o Dr. Ventura deveria mandar um generoso presente de Natal ao Dr. Ferro Estou-me C@g@ndo Rodrigues e uma lembrança a todos os outros patetas "anti-fascistas", nomeadamente à comentadoria radical chique que vê Hitlers em cada esquina (mas não vê Estalines).

23/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (11)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Costa, o Ilusionista Mor do Reino

Depois de declarar virada a página da austeridade, tirar da cartola um programa “neoliberal”, declarar que «não é de esquerda promover défices e aumento da dívida» e depois de quatro anos de governo surpreender-se por «ainda ninguém ter sido julgado no caso do BES», mostraria que Costa é um ilusionista de classe mundial, não fosse o caso de a audiência que o aplaude ser pouco exigente - já aplaudiu um Sócrates e outros artistas do mesmo calibre.

Errata: a prima não era prima, era filha do padrasto

Por devoção ao rigor, devo fazer uma correcção à crónica da semana passada onde, a propósito das intervenções no programa "Sexta às 9" no caso do lítio e no caso ISCEM (e, acrescento agora, no caso dos bónus da TAP) pela ex-directora da RTP Maria Flor Pedroso, a apelidei de «prima do Dr. Costa». Parece não ser verdade. Em vez disso, fontes geralmente bem informadas escreveram que ela é apenas filha do padrasto do Dr. Costa. Engano que, estou certo, é desculpável. Afinal a nódoa cai em qualquer pano, como se viu pelo exemplo do cento de jornalistas amigos da verdade que subscreveram o abaixo-assinado garantindo que a Senhora era uma jornalista sem mácula depois daqueles casos que seriam suficientes para manchar três carreiras.

«Temos resultados, temos contas certas».

Foi uma semana desoladora para o nosso antigo herói Centeno. Gralhas no orçamento, mentiras na carga fiscal, chutos para a frente na receita consignada ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social e erros materialmente relevantes na Conta Geral do Estado de 2018 apontados pelo Tribunal de Contas.

Talvez frustrado com as gralhas, o Ronaldo das Finanças em entrevista ao Expresso respondeu grosso ao Dr. Rio, depois deste ter confundido as despesas em contabilidade pública e em contabilidade nacional, com um «não sabe nada de economia – e muito menos Finanças públicas - ou nunca viu fazer um Orçamento do Estado» e insinuando que a oposição tem «um complexo de Pavlov». Não é que seja mentira, mas, dito assim, é um pouco violento e inesperado para um "técnico" que só está a fazer tempo para o sossego do BdP.

22/12/2019

SERVIÇO PÚBLICO: O que está em causa na "delação premiada" que não é delação nem é premiada? (2)

Uma espécie de continuação daqui.


Em resposta a António Campos, um dinossauro socialista que veio a público vociferar contra a "delação premiada", que na versão em cima da mesa não é delação nem é premiada - “o método fascista do bufo”, segundo ele -, Miguel Pinheiro desmistifica no Observador o caso do Brasil com o exemplo de António Palocci um homem do PT da máxima confiança de Lula e de Dilma cujas revelações provadas permitiram acusar o topo do PT.

E por falar em Lula, os últimos desenvolvimentos do Lava Jato permitiram incriminar ainda mais o ex-presidente através do seu filho Lulinha. Para citar a revista Veja «Lula ajudava a Oi-Telemar, que ajudava Suassuna, que ajudava Lulinha, que ajudava Bittar, e todos ajudavam o presidente.» Como no poema Quadrilha de Drummond de Andrade.

Condecorar Jesus é ridículo? Talvez, mas ridículo, mortalmente ridículo foi...

«O Presidente da República decidiu condecorar Jorge Jesus com a Ordem do Infante Dom Henrique, pelo prestígio que o seu trabalho como treinador lhe granjeou, bem como a Portugal. 

Depois de importantes vitórias em Portugal, Jorge Jesus afirmou-se também no estrangeiro e, em particular no Brasil e na América Latina, com a vitória do Flamengo no ‘Brasileirão’ e na Taça dos Libertadores.»

É ridículo condecorar com um Ordem do Infante Dom Henrique um treinador que se tornou uma das pessoas mais populares do Brasil, um país com 20 vezes a população e 90 vezes o tamanho de Portugal?

Talvez. Contudo, ridículo, mortalmente ridículo, foi ter condecorado com a Ordem Militar de Cristo Teixeira dos Santos, um ministro das Finanças, ajudante de José Sócrates e cúmplice da bancarrota que originou o maior resgate desde a batalha de Ourique. Por exemplo.

21/12/2019

Pro memoria (397) – a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em ? mil milhões (XIII)

Posts anteriores (I), (II), (III), (IV), (V), (VI), (VII), (VIII), (IX), (X), (XI) e (XII)

Em retrospectiva: Teixeira dos Santos, co-autor com José Sócrates do desastre da nacionalização de um banco que valia 2% do mercado, ainda em 2012, decorridos 4 anos da sua decisão fatídica, justificava a inevitabilidade da sua decisão porque não custaria nada e a falência do BNP, segundo ele, levaria à quebra do PIB em 4%.

Recordemos ainda que a nacionalização do BPN foi entusiasticamente apoiada pelo Berloque na pessoa do seu Querido Líder Louçã, agora semi-aposentado, o que não impediu sete anos depois a sua sucessora Querida Líder Catarina Martins dizer com grande descaro que o Novo Banco «é cada vez mais o novo buraco (...) e cada vez lembra mais o BPN».

De vez em quando, são tornadas públicas estimativas de quanto já custou e de quanto ainda vai custar a nacionalização do BPN. Nesta altura, estou a imaginar-vos a perguntar: quanto já custou? estimativas? Então as contas não são do passado e as estimativas para futuro? Sim, respondo, num país normal; num país que não sofresse da maldição da tabuada. Em Portugal fazem-se estimativas para o passado e palpites para o futuro.

Fast forward: segundo a aritmética do Tribunal de Contas no parecer à Conta Geral do Estado, o BPN custou aos contribuintes «4,9 mil milhões de euros entre 2011 e 2018» e no final este último ano «as garantias prestadas pelo Estado às sociedades veículo do ex-BPN totalizavam 1.377 milhões», significando 6,2 mil milhões de euros de perdas estão garantidas.

Não falando do Animal Feroz que é um caso patológico, se Teixeira dos Santos tivesse um pingo de vergonha, por esta e por muitas outras razões, teria recusado ser condecorado em 2015 ou, pelo menos, deveria fazer como o conde do poema de O'Neill «que cora ao ser condecorado».

Moral da estória que não tem moral, como diz o lema de estimação do (Im)pertinências:
Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.

20/12/2019

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de factos alternativos

«Alunos portugueses são caso de sucesso na OCDE» titula o Jornal Económico, explicando que «os resultados estão aí. No geral, mostram que os alunos portugueses estão ligeiramente melhor do que a média da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) e continuam a ser dos que protagonizam maior evolução.»

Na verdade, os alunos portugueses de 2015 e 2018 decaíram em duas áreas e mantiveram a pontuação na terceira:

  • Leitura desceu de 498 para 492
  • Ciências de 501 para 492
  • Matemática manteve-se em 492

Sendo certo que os alunos portugueses estão ligeiramente melhor do que a média da OCDE essa melhoria não se deve a um desempenho melhor, é até ligeiramente pior, como se vê. Em termos de ranking em Leitura e Ciências, Portugal desceu três lugares entre os 78 países participantes e continua atrás de entre 12 e 15 países da UE28.

Então porque estamos ligeiramente melhor do que a média da OCDE? Porque as pontuações médias desceram com o aumento do número dos países participantes de 72 para 76 e os novos países (Kazakhstan, Baku (Azerbaijan), North Macedonia, Saudi Arabia, Bosnia and Herzegovina, Brunei Darussalam) tiveram todos pontuações muito abaixo da média. Voilà!

19/12/2019

SERVIÇO PÚBLICO: O que está em causa na "delação premiada" que não é delação nem é premiada?

Confesso, tenho a maior desconfiança da invocação de grandes princípios a propósito de pequenos fins. É o caso da reacção de alguns políticos, juízes e juristas às reformas apresentadas pela ministra da Justiça para combater a corrupção, uma praga endémica neste país, potenciada pelo colectivismo que caracteriza a ética frouxa dominante cá do burgo.

Acresce que a corrupção é uma prática profundamente classista: é mais raro ver um pé-descalço envolvido em actividades de corrupção do que ver um lince da serra da Malcata e, se essa raridade ocorre, já alguém viu algum advogado dos que costumam defender as elites merdosas representar um arguido teso e usar as emperradas engrenagens judiciais com recursos até ao Supremo?

Não vou escalpelizar o assunto, que é tema que não domino. Vou remeter para dois artigos de Luís Rosa, um que explica as reformas propostas e outro que desmonta os argumentos para as recusar.

18/12/2019

A reforma da missa do galo vista pelos partidos

Anda por aí uma mensagem sobre a missa do galo que me parece incompleta.

«O BE quer que a missa do galo passe a chamar-se missa do galo e da galinha; o PAN diz que vai interpor uma providência cautelar para acabar com ela; o LIVRE exige que o galo seja preto e venha duma capoeira da Cova da Moura; a IL acha que o pato, o pombo e o peru também devem poder concorrer à missa e o CHEGA diz que é uma vergonha o galo não ter colete à prova de bala. O Ferro Rodrigues, em jeito de cacarejo, já avisou que não tarda nada, lhes corta o pio.»

Falta o PSD que quer que o galo seja do Norte; o PCP que o galo tenha certificado anti-fascista; o PS que o galo leve consigo à missa todo o galinheiro.

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O Estado Sucial como alfa e ómega do Portugal dos Pequeninos. Não há vida para além do orçamento


As pesquisas equivalentes para outros países dão os seguintes resultados:
  • Espanha «"pressupuesto general 2020" site:es» - 1 640 
  • França «"budget de l'État 2020" site:fr» - 640
  • Escócia «"scottish budget 2019" site:.scot» - 410
O que significa esta obsessão com orçamento? Significa que o Estado Sucial português engoliu a sociedade civil que não existe fora dele e os portugueses e as organizações de todas naturezas em Portugal estão penduradas na toalha da mesa do orçamento.

E poderia ser de outro modo? Na Europa os partidos comunistas desapareceram, os radicais resumem-se praticamente aos partidos Verdes, os socialistas estão fora dos governos europeus e por cá tivemos um governo de socialistas que perderam as eleições, apoiado por comunistas e esquerdistas, e agora temos outro que governa sem maioria e vai tratando da mercearia com os mesmos.