Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

01/09/2017

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (44)

Outras preces.

«Não faço comentários sobre os meus antecessores. E quando deixar de ser Presidente não farei comentários sobre os meus sucessores» disse Marcelo Rebelo de Sousa, comentando o que o Cavaco Silva, a quem sucedeu em Belém, disse enaltecendo a ausência de verborreia de Macron, chapéu que ele entendeu lhe serviria.

Como já tinha enfiado o chapéu de ser um «um catavento de opiniões erráticas» que Passos Coelho colocou à sua disposição.

Para quem se espante de MRS ter feito o contrário do que disse publicamente antes, recorde-se que é o mesmo Marcelo que uns meses antes de ser entronizado presidente do PSD também garantiu que «só se Cristo descer à terra» se candidataria. O mesmo Marcelo que garantiu ter havido o célebre jantar com Paulo Portas com vichyssoise de entrada. O mesmo que implicitou no início do mandato que só cumpriria o primeiro e está a fazer tudo para assegurar o segundo. O mesmo que garantiu a Isabel II que, com oito anos de idade, filho de um ministro de Salazar, estava na primeira fila da plebe que na Praça do Comércio a viu passar na visita a Lisboa em 1957. O mesmo que ainda garantiu a Isabel II ter-se encontrado com ela em 1985 como «líder da oposição». O mesmo a quem o «Presidente da República Federativa do Brasil, (...) pediu para ser recebido» mas não apareceu. O mesmo que em pleno incêndio de Pedrógão Grande garantiu que «tudo está a ser feito com critério e organização», para poucos dias depois garantir que se iria «apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar». Ainda o mesmo Marcelo que depois de ter minimizado o desaparecimento de munições em Tancos, veio dias depois defender «uma investigação que apure tudo, factos e responsabilidades». Ah!, já quase esquecia, o mesmo que garante que «não haverá razões institucionais que limitem a capacidade de crescimento».

Não há, portanto, razões para espanto. A não ser talvez desta vez tudo se ter passado de um só fôlego.

CASE STUDY: Perguntas politicamente incorrectas podem ter respostas politicamente incorrectas

Tentando explorar respostas (politicamente incorrectas) a estas perguntas (politicamente incorrectas), em particular porque são mais pobres as zonas com maiores representações de negros e hispânicos (sendo que a resposta mais óbvia, mas não necessariamente certa, é que são mais pobres porque têm mais negros e hispânicos) e, nesse caso, porque são mais pobres negros e hispânicos?

Tentando explorar respostas, cheguei ao paper «Racial/Ethnic Differences in Non-Work at Work» de Daniel Hamermesh, Katie Genadek e Michael Burda publicado no início deste ano que, repare-se no pormenor, apesar de um tema e de conclusões politicamente incorrectas, tem uma mulher, perdão um ser humano do género feminino, entre os autores.

Seguindo, uma vez mais, o conselho de Confúcio, aqui fica um diagrama da Economist, por via da qual lá cheguei.


Para que não haja dúvidas, cito também o abstract do paper que diz o essencial:

«Evidence from the American Time Use Survey 2003-12 suggests the existence of small but statistically significant racial/ethnic differences in time spent not working at the workplace. Minorities, especially men, spend a greater fraction of their workdays not working than do white non-Hispanics. These differences are robust to the inclusion of large numbers of demographic, industry, occupation, time and geographic controls. They do not vary by union status, public-private sector attachment, pay method or age; nor do they arise from the effects of equal-employment enforcement or geographic differences in racial/ethnic representation. The findings imply that measures of the adjusted wage disadvantages of minority employees are overstated by about 10 percent.»

31/08/2017

ARTIGO DEFUNTO: A lista de Salgado (4) - Quem tem telhados de vidro não deve andar à pedrada

Continuação de (1), (2) e (3)


«Quando ainda se aguarda a divulgação da lista dos jornalistas e dos políticos avençados pelo GES, está em curso a caça às viagens pagas aos políticos e aos dirigentes dos serviços públicos. Mandará o rigor que o esforço de transparência e escrutínio seja extensível aos jornalistas que aos longo destes anos viajaram a expensas de empresas e depois publicaram peças jornalísticas. Isso é que era transparência a sério.»

António Galamba, um socialista transviado, no jornal i

Recordando:

Em Abril do ano passado o Expresso e a TVI divulgaram as primeiras informações sobre os Papéis do Panamá e na mesma ocasião foi referida a existência de uma lista de avenças e compensações pagas pelo GES a mais de uma centena de pessoas, incluindo políticos, gestores e jornalistas.

Mais tarde pressionado por o assunto ter sido morto (por causa dos jornalistas?) o Expresso publicou uma Nota Editorial onde esclareceu que «a lista de alegados pagamentos não está nos Panama Papers. Está no Ministério Público».

Seja lá onde estiver a lista de alegados pagamentos não seria possível os senhores jornalistas darem-nos a conhecer quais de entre eles estavam avençados pelo DDT?

ESTADO DE SÍTIO: Um país parasitado pelo Estado Sucial e governado por utentes da vaca marsupial pública

«Espreitando a biografias dos nossos governantes, constata-se que dos 18 ministros (incluindo o Primeiro), 12 são funcionários públicos, e aos restantes 6 pouca experiência empresarial se lhes conhece.

Convenhamos que é muito difícil para alguém a quem o emprego e o salário ao fim do mês foram sempre realidades imutáveis e sagradas perceber a ansiedade dos "portugueses", cuja vida depende em cada momento de um enorme conjunto de fatores que não controlam. (...)

Um governo insensível a esta realidade, porque a não conhece, entretém-se a impor normas e obrigações que exasperam quem as tem de cumprir e que minam a competitividade. (...)

E isto para já não falar dos poucos idiotas que um dia se lembram de fazer qualquer coisa, metendo o seu dinheirinho em qualquer negócio. O caso é logo configurado como um atentado pela miríade de "serviços públicos" (o nome só pode ser mesmo para gozar com o lorpa do cidadão) que acometem sobre o estúpido empreendedor todo o tipo de licenças, autorizações, inspeções, declarações, atestados e outra balística própria do léxico do funcionalismo.

O agravamento do fenómeno fica agora explicado ao escrutinar a origem profissional dos ministros.

Temos um Governo de funcionários públicos que derrota um país de "portugueses". Parabéns aos vencedores.»

«Portugueses, 0 - Funcionários públicos, 1», Isabel Stilwell no Negócios


Vaca marsupial pública
Tem mamas, mas não é um mamífero, muito menos uma vaca. É um gigantesco e dispendioso dispositivo de concessão de sinecuras, financiado pela extorsão duma classe de tansos chamados contribuintes. O marsúpio aloja no seu seio muitas dezenas de milhar de vitelos mamões, confortavelmente protegidos do estresse do mundo real, que produzem, com má cara e maus modos, uns vagos serviços caríssimos e de má qualidade.

30/08/2017

A maldição da tabuada (45) - O multiplicador dos alívios fiscais

Títulos do dnoticias.pt citando a agência do regime e do Observador  
Pedro Nuno Santos, aquele rapaz berloquista que entrou para o PS e é agora secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, o mesmo que in illo tempore (foi em Novembro de 2011, mas parece ter sido há décadas) se estava marimbando para os credores e faria tremer as pernas dos banqueiros alemães, esse mesmo, mostrou ser já um verdadeiro socialista, partilhando a fé no multiplicador que aplicou aos 1,6 milhões para transformar em 3,6 milhões e ao mesmo tempo evidenciando as dificuldades comuns da esquerdalhada com a aritmética elementar.

ESTÓRIA E MORAL: Quem não tem dinheiro não tem vícios nem delicatessen

Estória

Há décadas que os médicos e os dietistas vêm induzindo toda a gente, em particular os obesos e os com colesterol elevado e um risco elevado de doenças cardíacas, a adoptar uma dieta mediterrânea.

No entanto, as conclusões de um estudo da equipa italiana Moli-sani Study Investigators, baseado na análise de 18 mil indivíduos e publicado recentemente no International Journal of Epidemiology apontam noutro sentido:

«MD is associated with lower CVD risk but this relationship is confined to higher socioeconomic groups. In groups sharing similar scores of adherence to MD, diet-related disparities across socioeconomic groups persisted. These nutritional gaps may reasonably explain at least in part the socioeconomic pattern of CVD protection from the MD.»

Em suma, a dieta mediterrânica só funciona para quem tiver um alto rendimento ou uma elevada educação, isto é para quem não precisa muito dela porque não come habitualmente as comidas farta-brutos do povo ainda com memória geracional das fomes seculares.

Moral

Quem não tem dinheiro, além de não poder ter vícios (a menos que tenha crédito), também pouco lhe adiantariam as dietas saudáveis, se as adoptasse.

29/08/2017

CASE STUDY: Consequências indesejadas das políticas de affirmative action

A affirmative action foi o resultado das lutas contra discriminação racial nos Estados Unidos no início dos anos 60. Começou no domínio laboral, alargou-se à discriminação de sexos e mais recentemente ao ensino universitário com decisões dos tribunais autorizando as faculdades e universidades a considerar a raça ou etnia como um factor de admissão.

Há poucos dias o NYT publicou um estudo muito bem documentado cujo título sumariza as principais conclusões: «Even With Affirmative Action, Blacks and Hispanics Are More Underrepresented at Top Colleges Than 35 Years Ago». Segundo Confúcio (ou Mao Ze Dong para os seus seguidores que hoje se sujeitam à liderança dos trotskistas no BE, o que fará Mao e Estaline rebolarem de raiva nos seus mausoléus), uma imagem vale mais do que mil palavras. Aqui ficam alguns dos diagramas que confirmam as principais conclusões.



Em consequência da affirmative action a representação dos negros e dos hispânicos diminuiu no conjunto e em especial nas admissões às faculdades e universidades «altamente selectivas», apesar de ter aumentado nas «menos selectivas». De acordo com os especialistas consultados pelo NYT «a sub-representação persistente decorre geralmente de questões de equidade que começam anteriormente. As escolas primárias e secundárias com grande número de estudantes negros e hispânicos têm menos probabilidades de ter professores experientes, cursos avançados, materiais de instrução de alta qualidade e instalações adequadas».

Nem os especialistas nem o NYT explicam porque razão outras minorias, como a asiática que aumentou a sua representação, não são afligidas por este fenómeno. Nem explicam as razões dessas escolas com grande número de estudantes negros e hispânicos terem menos probabilidade de ter professores e condições adequadas, mas parece evidente isso resulta de se situarem em zonas mais pobres. E porque são mais pobres essas zonas com maiores representações de negros e hispânicos (mais dos primeiros do que dos segundos)? A resposta mais óbvia é que são mais pobres porque têm mais negros e hispânicos. E porque negros e hispânicos são mais pobres? Porque vivem em zonas mais pobres?

Deixando a circularidade argumentativa, o que me parece claro é que estes problemas de desigualdade não se resolvem com a engenharia social baseada em ciências ocultas e na vulgata do politicamente correcto.

SERVIÇO PÚBLICO: Da próxima vez também não vai ser diferente (10)

[Uma espécie de continuação de «Too big to fail» - another financial volcanic eruption in the making (1) e (2) e de «Da próxima vez também não vai ser diferente»]


No conjunto, os países da UE28, incluindo a Noruega, atravessaram 50 crises económicas desde 1970, com o máximo a ser atingido em 2009 quando 18 países simultaneamente tiveram crises sistémicas nos mercados bancário, soberano, monetário e de capitais.

Repare-se que a criação do euro, que se esperavam criasse maior estabilidade sistémica, pelo contrário amplificou a instabilidade - ainda que em boa verdade a crise internacional de 2008 a tivesse potenciado.

Da próxima vez vai ser diferente? Depois de vários anos de alívio quantitativo, com o BCE a despejar dinheiro na Zona Euro e a reduzir as taxas a zero, exponenciando a apetência pelo risco e o investimento em projectos que serão inviáveis quando as taxas voltarem à normalidade histórica, é caso para dizer que não só não vai ser diferente como será provavelmente pior.

28/08/2017

Pro memoria (354) - Liberdade de imprensa segundo os líderes socialistas

Por falar em Sócrates e no seu mundo putrefacto e no vício que partilha com o «merdas do Costa», como ele lhe chamou, de tentar controlar os mídia, coisa para a qual os mídia frequentemente se põem a jeito, evoco um episódio que diz muito sobre esse vício narrado por Henrique Monteiro a propósito de um artigo do animal feroz recentemente publicado pelo Público:

«É nesta frase "jornalismo decente e honesto" que me quero centrar. Eu sei bem o que Sócrates considera jornalismo decente e honesto. É, por exemplo (e isto passou-se comigo, quando era diretor do Expresso), telefonar fora de si a pedir - mais do que pedir, um misto de implorar e exigir com ameaças - que se retire da edição um artigo a seu respeito. Era um artigo a que não quis responder, desmentir ou outra coisa qualquer. Quis apenas que fosse retirado, como se tal ato de censura fosse normal, decente ou honesto.

Do jornalismo "decente e honesto" de Sócrates faz parte, ainda, colocar condições para que se realize uma entrevista em vésperas de eleições legislativas nas quais se recandidatava a primeiro-ministro. Essa condição era uma: eu não estar presente, apesar de ser o diretor do jornal. Na verdade, sei algumas coisas sobre ele, incluindo como pessoas próximas do então chefe do governo arranjaram e-mails internos do 'Público' para tramarem Belém. 

Do jornalismo "decente e honesto" de Sócrates faz ainda parte mentir sobre o que este jornal escreveu (o que obrigou o jornal que engoliu a patranha, o 'JN', a publicar um desmentido que eu próptio enviei) e nunca se escusar por isso, não respondendo a uma carta que recebeu, apesar de enviada com protocolo que prova tê-la recebido.»

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (98)

Outras avarias da geringonça.

A semana que passou foi rica em episódios notáveis. Começo pela entrevista ao DN de uma secretária do Estado, até agora desconhecida, cujo passado se resume a colaboradora desse prodígio da sociologia marxista prof. Boaventura de Sousa Santos e a colaboradora de António Costa como MAI, como presidente da câmara de Lisboa e como chefe do governo. Em vez de falar sobre o seu pelouro, a modernização administrativa, à entrevistadora (por sinal uma ex-namorada de José Sócrates, especialista no coming out) , declarou-lhe com que sexo costuma partilhar os lençóis. O governo e a sua imprensa celebraram com brio a declaração que distraiu o povo dos incêndios, das armas de Tancos e das cativações. Por exemplo o semanário de reverência dedica toda uma página ao tema, página ilustrada com uma foto formato A4 da criatura encarnando o estereotipo andrógino característico das lésbicas.

O mesmo semanário de reverência tinha publicado uns dias antes uma outra entrevista àquele a quem José Sócrates chamava «o merdas do Costa que não tem tomates», onde o dito revelou a sua última epifania: um pacto de regime com o PSD em que nem ele próprio acredita.

27/08/2017

ACREDITE SE QUISER: Confundiram o Estado Islâmico com o Estado Espanhol

Não, os catalães não estão em guerra com a Espanha. É uma manif a pretexto dos atentados do Estado Islâmico
«Aconselho a que se revejam as fotos da manifestação de repúdio pelos atentados de Barcelona. Procurem um cartaz que condene os terroristas. Ou até o Estado Islâmico que reivindicou a autoria. Encontram-se cartazes contra Espanha, contra o Rei, contra o governo de Espanha que não tem competências sobre a segurança na Catalunha e contra a venda de armas, coisa assombrosa quando se sabe que os terroristas usaram facas, automóveis e botijas de gás. Também havia pelo menos um cartaz contra a islamofobia. Contra os terroristas eles mesmos e contra o terrorismo é que é difícil encontrar. E claro muitas papeletas a dizer que não têm medo. De facto não devem ter. O medo faz parte da sobrevivência.»

Um Post Scriptium em «O paradoxo» de Helena Matos no Observador

Lost in translation (297) - Ele queria dizer "austeridade alternativa"


Owen Jones, o comentador e activista político com um fácies de copinho-de-leite, adepto do «socialismo democrático» fabiano, que defende a convivência entre a democracia política e a propriedade social dos meios de produção, convivência cuja inviabilidade a história já mostrou abundantemente, escreveu no Guardian, um locus onde se podem encontrar muitos outros adeptos da mesma doutrina, um artigo sobre a experiência da geringonça lusitana onde tenta demonstrar a justeza do título.

Alguém deveria explicar ao jovem Jones que a alternativa de Costa à austeridade, com os seus aumentos de impostos, perdões fiscais, cativações, cortes do investimento e aldrabices no orçamento e nas contas, é mais exactamente uma «austeridade alternativa».

E se ele pensa que that lie has now been nailed deve ser porque só tem um martelo e vê tudo como pregos.

26/08/2017

Pro memoria (353) – Sócrates e o seu mundo putrefacto, o «merdas do Costa que não tem tomates», a amiga Clara que «fez o seu melhor», o mano Costa que achou um grande texto e o agente duplo Galamba

[Como que uma sequela daqui]

Saíste-me cá um merdas sem tomates... 
António Costa também não é esquecido na conversa. Guilherme Dray lamenta a sua ausência nas cadeiras da frente: «Foi pena o Costa. Parece que não conseguiu entrar... ». Mas o interlocutor, de ego insuflado, interrompe-o: «Ele é um m**das. Tinha lugar mesmo à minha frente, ainda o foram buscar à fila, mas ele não quis entrar. É porque já não ia com vontade...».

Dois dias depois, numa conversa com o amigo e deputado Renato Sampaio, José Sócrates volta à carga: «Os da direita estão cheios de medo [de mim] e o m**das do Costa está cheio de ciúmes». Voltar à liderança do partido e às rédeas do poder era para ele, mais do que uma prioridade, uma 'predestinação' de um homem criado na província. 

O chefe que a direita queria ter
Foi esta ideia, aliás, que fez passar numa entrevista ao Expresso, dias antes de o livro ser lançado. O jornal promoveu abundantemente a entrevista no seu site, destacando algumas frases. Numa delas, Sócrates afirmava ser «o chefe democrático que a direita sempre quis ter». A 'esquerda' do PS não gostou. E os comentários choveram nas redes sociais. (…)

E Peixoto receia que Clara Ferreira Alves, autora da entrevista, pregue alguma rasteira. Mas Sócrates prevenira-se: «Falei com o Mário Soares, que falou com a Clara, que lhe disse que eu não tinha de ficar preocupado porque ela fez o seu melhor. E o Ricardo Costa até me disse que estava um grande texto». (…)

Neste grupo, porém, havia agentes duplos. Galamba mantém relações com Sócrates mas também com Costa. Em março, por exemplo, António Peixoto reencaminha a Sócrates um sms enviado por João Galamba a António Costa, e transmite-lhe uma informação que Galamba lhe passara: «Disse-me que o Costa quer chegar a primeiro-ministro e não a Presidente da República».

E Sócrates, que não encontrava ninguém para esse cargo melhor do que ele próprio, conclui: «O Costa não tem 'tomates' para isso».

Excertos de um artigo do jornal SOL transcrevendo e comentando as escutas da Operação Marquês

Proposta de petição para demolição de um símbolo do fascismo


Quarenta e três anos depois da queda do fascismo ainda existem em Portugal monumentos glorificando o Estado Novo, insultando o Povo português e a memória de gerações de luta contra a ditadura e afrontando o espírito da democracia implantada pela Revolução do 25 Abril, obra do glorioso MFA em aliança com as Forças Democráticas e o Povo Português.

Comício na Fonte Luminosa no dia 19 de Julho de 1975 das forças da reacção em aliança com a Igreja
onde os líderes da Forças Progressistas foram chamados «paranóicos» e «dementados»
Nós os abaixo assinados, inspirados e identificados com a dinâmica progressista de remoção de símbolos do colonialismo, do supremacismo, da discriminação de géneros e de minorias, exigimos a demolição da Fonte Luminosa, símbolo do Estado Novo fascista, utilizado pelas forças anti-progressistas e reaccionárias para combater as conquistas do 25 de Abril.

DIÁRIO DE BORDO: O Céu visto da terra (16)

[Outros céus vistos de outras terras]

Foto "artística" da estrela gigante Antares da constelação Escorpião, a mais detalhada até hoje, tirada há poucos dias pelo Very Large Telescope Interferometer do European Southern Observatory

25/08/2017

SERVIÇO PÚBLICO: O politicamente correcto e o sexo dos anjos; perdão, o género dos anjos


«Há ainda um aspecto significativo: de todas as tendências ocidentais, esta é a única que não tem aspirações universais. Os seus defensores, que combatem a separação entre brinquedos para meninos e meninas, nada têm a dizer sobre a segregação dos sexos nas comunidades islâmicas. A barbie indigna-os, mas a burqa não lhes diz nada. O politicamente correcto é um sinal do que pode vir a ser um Ocidente em declínio: uma aglomeração paroquial de pequenos lóbis identitários, em disputas absurdas, sob a vigilância de um poder despótico. Parece que era assim Bizâncio antes da conquista muçulmana.»

«A lógica civilizacional do politicamente correcto», Rui Ramos no Observador

Nota (moi a mostrar erudição barata): «Discutir o sexo dos anjos» era o que faziam os teólogos em Bizâncio (Constantinopla) enquanto a cidade estava prestes a ser dominada pelos bárbaros. Bárbaros que na circunstância eram os turcos otomanos, referência que me condenaria pela tropa do politicamente correcto - se por acaso eles ousassem entrar nesta fortaleza do politicamente incorrecto.

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: News-speak, exemplos recentes


George Orwell no seu «1984» imaginou uma nova língua (newspeak) criada no estado totalitário Oceania (uma União Soviética ficcionada) para controlar o pensamento dos indivíduos prevenindo o crimethink - um pensamento desviante do Partido – e pastoreando-os para o goodthinkful.

Foi por isso que no Glossário das Impertinências inserimos o termo news-speak hifenizando a palavra inventada por Orwell porque hoje é nos newspapers que se acolhe o jornalismo de causas e se amplifica a voz dos que fazem o papel dos censores da Oceania.

Alguns exemplos recentes fora da jangada de pedra (um destes dias adiciono à lista exemplos domésticos):

Em Charlottesville um «afro-americano» estudante de liceu promoveu uma petição para retirar do Emancipation Park uma estátua de Robert Lee, um herói da Guerra de Secessão, general do exército dos Estados Confederados sobre o qual Dwight D. Eisenhower, presidente dos EU e herói da II Guerra Mundial, disse o que disse. O Conselho Municipal de Charlottesville votou por maioria a favor da venda da estátua e um juiz embargou-a. O episódio deu um pretexto à alt-right para fazer o que fez, o que, por sua vez, deu um pretexto à alt-left de fazer o que fez. Tudo isto deu ondas de indignação convenientemente espalhadas pelo jornalismo de causas.

Chico Buarque, um conhecido autor e cantor brasileiro, publicou um novo álbum incluindo a canção «Tua Cantiga» com os versos «Quando teu coração suplicar / Ou quando teu capricho exigir / Largo mulher e filhos / E de joelhos / Vou te seguir». Foi suficiente para ser acusado de machismo pelo politicamente correcto tropical, apesar dos seus pergaminhos de adepto de Lula e do PT.

O engenheiro de software James Damore foi despedido depois de escrever um memo onde expunha a sua visão das diferenças entre os sexos e criticava o ambiente interno da Google adverso às ideias desalinhadas com os estereótipos do «género» adoptados pelos dirigentes da Google.

A direcção da universidade de Yale, uma das oito da Ivy League, censurou uma escultura no campus representando um índio armado e um puritano por ter sido considerada uma imagem "hostil" pela revista dos alunos da Ivy League.

24/08/2017

BREIQUINGUE NIUZ: Talaq, talaq, talaq? I'm no more fired, darling!

O triplo talaq (palavra árabe derivada de ṭalaqa "repudiar") é uma prática antiga de divórcio do islamismo indiano, que esteve em discussão no Supremo Tribunal da Índia, com a oposição dos clérigos muçulmanos que entendem que uma tradição religiosa islâmica que não pode ser modificada ou proibida por leis seculares.

Alegre-se o mulherio indiano, perdão as criaturas indianas do sexo género feminino, o Supremo Tribunal da Índia acaba de decretar inconstitucional o triplo talaq, abrindo caminho a uns belos acordos de divórcio com os homens a ter de pôr o dinheiro onde antes punham a boca, isto é o triplo talaq.

Mitos (261) – O terrorismo resulta das políticas de direita (2)

Na verdade, o mito completo é: resultam das políticas de direita «o terrorismo, a pobreza, a fome, o desemprego, os baixos salários, a criminalidade, a guerra, a degradação cultural, artística, social e ambiental». Fiquemo-nos, por agora, pelo terrorismo e vejamos mais um exemplo de terroristas indignados com as políticas de direita a acrescentar aos anteriores.

Quem é Adbelbaki Es Satty, o imã da mesquita de Ripoll desde 2015 e principal responsável pela radicalização dos autores dos atentados em Barcelona e Cambrils que causaram 15 mortos? Es Satty é um marroquino com cadastro, detido em 2010 em Ceuta com 12 quilos de haxixe e preso durante quatro anos durante os quais conheceu Rachid Aglif, condenado a 18 anos pelos atentados à bomba em Madrid em 2004 onde morreram 191 pessoas. (fonte BBC)

Mais uma alma perdida atingida por uma epifania que lhes mostrou o caminho para a redenção. É esse o padrão mais comum no terrorismo islâmico. (fonte «Profiles of terrorists» na entrada «Islamic terrorismo» da Wikipedia)

23/08/2017

DIÁRIO DE BORDO: Diferentes nos fins, iguais nos meios



Dia que o parlamento europeu escolheu para recordar as vítimas do estalinismo e do nazismo, muito bem lembrado por O Insurgente.

Procurei em vão referências ao Black Ribbon Day nos mídia portugueses infestados pelo jornalismo de causas para quem as atrocidades, os genocídios, a tirania, dependem de quem as faz - se forem os nazis (ou os supremacistas brancos, ou os racistas, etc.) são condenáveis; se forem os comunistas, essas atrocidades não existiram, ou foram por uma boa causa, ou foram um "erro".