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Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
06/06/2016
ACREDITE SE QUISER: Em breve os trabalhadores de seguros chineses serão mais do que todos os portugueses
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o saber ocupa lugar,
perigo amarelo
05/06/2016
BREQUINGUE NIUZ: A notícia do desastre pode ser um pouco exagerada. Mas só a parte da iminência
«Portugal is Europe's next looming economic disaster»
Os espanhóis e os angolanos sabem muito bem como funciona a geringonça e o Portugal dos Pequeninos. E os socialistas portugueses sabem ainda melhor
Em retrospectiva:
«António Vitorino e Campos e Cunha vão para a administração do Santander Totta»
Um ex-ministro de Guterres, ex-eurodeputado, ex-futuro candidato a qualquer coisa, actual advogado de negócios e sócio da Cuatrecasas e membro dos órgãos sociais de mais de uma dezena de empresas e um ex-ministro das Finanças de José Sócrates que saltou do comboio em andamento vão ser uma espécie de seguro All Risks do Santander.
Lá se vai arriar a bandeira da espanholização da banca.
«Banco de Portugal chumbou administradores do BIC»
«BdP arrasa gestão do BIC»
Os administradores do banco de Isabel dos Santos foram julgados não idóneos e o controlo de risco do BIC foi considerado inadequado.
«Teixeira dos Santos confirmado na presidência do BIC Portugal»
Teixeira dos Santos vai ser uma espécie de seguro All Risks do BIC.
Lá se vai arriar a bandeira da banca nas mãos da cleptocracia da família Santos.
Últimos desenvolvimentos:
«Leonor Beleza e Rui Vilar vão ser vices da Caixa»
A experiência de Leonor Beleza na banca passa por já ter aberto várias contas. A experiência de Rui Vilar na banca não carece de demonstração mas a criatura já tem 77 primaveras. Para fazer companhia a estes dois e compor uma administração com 19-almas-19, vão ainda ser nomeados Pedro Norton (andou pelas telecomunicações, pelos mídia e tem contas bancárias) e Bernardo Trindade (andou pelo parlamento, pelo governo de Sócrates e pelo turismo e também tem contas bancárias).
Lá se vão criar as condições para blindar a administração da Caixa de quaisquer responsabilidades em esturricar os 4 mil milhões que a geringonça lá irá sepultar com os cobres dos sujeitos passivos para o financiamento das empresas do regime e de negócios inviáveis do complexo político-empresarial socialista e na criação de tenças filantrópicas para os amigos do regime.
«António Vitorino e Campos e Cunha vão para a administração do Santander Totta»
Um ex-ministro de Guterres, ex-eurodeputado, ex-futuro candidato a qualquer coisa, actual advogado de negócios e sócio da Cuatrecasas e membro dos órgãos sociais de mais de uma dezena de empresas e um ex-ministro das Finanças de José Sócrates que saltou do comboio em andamento vão ser uma espécie de seguro All Risks do Santander.
Lá se vai arriar a bandeira da espanholização da banca.
«Banco de Portugal chumbou administradores do BIC»
«BdP arrasa gestão do BIC»
Os administradores do banco de Isabel dos Santos foram julgados não idóneos e o controlo de risco do BIC foi considerado inadequado.
«Teixeira dos Santos confirmado na presidência do BIC Portugal»
Teixeira dos Santos vai ser uma espécie de seguro All Risks do BIC.
Lá se vai arriar a bandeira da banca nas mãos da cleptocracia da família Santos.
Últimos desenvolvimentos:
«Leonor Beleza e Rui Vilar vão ser vices da Caixa»
A experiência de Leonor Beleza na banca passa por já ter aberto várias contas. A experiência de Rui Vilar na banca não carece de demonstração mas a criatura já tem 77 primaveras. Para fazer companhia a estes dois e compor uma administração com 19-almas-19, vão ainda ser nomeados Pedro Norton (andou pelas telecomunicações, pelos mídia e tem contas bancárias) e Bernardo Trindade (andou pelo parlamento, pelo governo de Sócrates e pelo turismo e também tem contas bancárias).
Lá se vão criar as condições para blindar a administração da Caixa de quaisquer responsabilidades em esturricar os 4 mil milhões que a geringonça lá irá sepultar com os cobres dos sujeitos passivos para o financiamento das empresas do regime e de negócios inviáveis do complexo político-empresarial socialista e na criação de tenças filantrópicas para os amigos do regime.
Estado assistencialista falhado (15) – Se «o bom senso não é transversal», a falta dele é vertical…
… e aumenta à medida em que se sob a escadaria do Estado Sucial. É o que se pode concluir da justificação para legislar sobre a prioridade nas filas dada por Ana Sofia Antunes, a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência: «acontece que o bom senso não é algo transversal e isso exigiu esta definição em decreto-lei».
Como é que este país pode viver 873 anos desde o tratado de Zamora sem a Ana Sofia para nos instruir sobre a formação de bichas? Exortemos a geringonça a criar mais secretarias de Estado para a Inclusão com mais Anas Sofias a legislar decretos-lei e portarias. Que mil diários da república floresçam prenhes de regras sobre as inclusões!
Como é que este país pode viver 873 anos desde o tratado de Zamora sem a Ana Sofia para nos instruir sobre a formação de bichas? Exortemos a geringonça a criar mais secretarias de Estado para a Inclusão com mais Anas Sofias a legislar decretos-lei e portarias. Que mil diários da república floresçam prenhes de regras sobre as inclusões!
04/06/2016
DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.
Muhammad Ali-Haj, nasceu como Cassius Marcellus Clay Jr, foi um dos maiores atletas
de todos os tempos e morreu ontem 3 de Junho.
DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (8)
Outras preces.
Na sua coluna «Chamem-me o que quiserem» no Expresso Diário, numa peça intitulada «Marcelo, como quem não ‘marcela’», Henrique Monteiro escalpeliza várias iniciativas, movimentações e comentários do presidente Marcelo e conclui que «doce, suave, ardilosa, inteligente e divertidamente, destrói a confiança no governo.» Ficando implícito que MRC tem um propósito e uma estratégia deliberada, como que maquiavélica.
Reconhecendo que Henrique Monteiro pratica um jornalismo profissional independente e de qualidade e, por isso, é um dos poucos que me inspira confiança, aceitando que a sua análise das movimentações do catavento é sedutora e até parece explicar os seus ziguezagues, mantenho as minhas dúvidas de que MRS seja mais do «uma das barrigas de aluguer da política portuguesa, [que] acredita no que tiver de acreditar num dado momento tático para depois esquecer facilmente esses credos, crenças ou causas» e que tenha mais do que uma causa: «o próprio Marcelo», como sobre ele escreveu Henrique Raposo. Em minha opinião, MRS não é um político maquiavélico, é um político manhoso, nem mesmo é um político florentino, é um político vaidoso.
Na sua coluna «Chamem-me o que quiserem» no Expresso Diário, numa peça intitulada «Marcelo, como quem não ‘marcela’», Henrique Monteiro escalpeliza várias iniciativas, movimentações e comentários do presidente Marcelo e conclui que «doce, suave, ardilosa, inteligente e divertidamente, destrói a confiança no governo.» Ficando implícito que MRC tem um propósito e uma estratégia deliberada, como que maquiavélica.
Reconhecendo que Henrique Monteiro pratica um jornalismo profissional independente e de qualidade e, por isso, é um dos poucos que me inspira confiança, aceitando que a sua análise das movimentações do catavento é sedutora e até parece explicar os seus ziguezagues, mantenho as minhas dúvidas de que MRS seja mais do «uma das barrigas de aluguer da política portuguesa, [que] acredita no que tiver de acreditar num dado momento tático para depois esquecer facilmente esses credos, crenças ou causas» e que tenha mais do que uma causa: «o próprio Marcelo», como sobre ele escreveu Henrique Raposo. Em minha opinião, MRS não é um político maquiavélico, é um político manhoso, nem mesmo é um político florentino, é um político vaidoso.
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teorias da conspiração
03/06/2016
CASE STUDY: Um imenso Portugal (32)
[Outros imensos Portugais]
Escrevi aqui que o Brasil com Temer pior não fica. Exactamente duas semanas depois, tenho agora as maiores dúvidas. Confirmaram-se os piores receios que, só por si, inspirava a presença de 7 ministros investigados no Lava Jato, receio confirmado pela queda de dois ministros e ainda a procissão vai no adro.
No meio de toda a desbunda em que se encontra o Brasil, até no melhor pano cai a pior nódoa. Desbunda? Não será excessivo? Parece que não, quando o ministro da Transparência é «gravado a dar conselhos sobre como escapar às investigações da justiça»
Sabe-se agora a razão porque mudou de campo Aécio Neves, o candidato presidencial do PSDB, o partido de Fernando Henrique Cardoso e o melhor pano que se pode encontrar no Brasil, que teria preferido que à destituição de Dilma se seguissem eleições, a solução que também me parecia melhor.
A explicação está na escuta da conversa de Romero Jucá do PMDB (o mesmo Jucá que já tinha sido escutado a defender um pacto para «estancar a sangria» do Lava Jato e por isso teve de se demitir de ministro do Planeamento) com Sérgio Machado, o tal com um acordo de delação, em que o primeiro diz ao segundo:
Escrevi aqui que o Brasil com Temer pior não fica. Exactamente duas semanas depois, tenho agora as maiores dúvidas. Confirmaram-se os piores receios que, só por si, inspirava a presença de 7 ministros investigados no Lava Jato, receio confirmado pela queda de dois ministros e ainda a procissão vai no adro.
No meio de toda a desbunda em que se encontra o Brasil, até no melhor pano cai a pior nódoa. Desbunda? Não será excessivo? Parece que não, quando o ministro da Transparência é «gravado a dar conselhos sobre como escapar às investigações da justiça»
Sabe-se agora a razão porque mudou de campo Aécio Neves, o candidato presidencial do PSDB, o partido de Fernando Henrique Cardoso e o melhor pano que se pode encontrar no Brasil, que teria preferido que à destituição de Dilma se seguissem eleições, a solução que também me parecia melhor.
A explicação está na escuta da conversa de Romero Jucá do PMDB (o mesmo Jucá que já tinha sido escutado a defender um pacto para «estancar a sangria» do Lava Jato e por isso teve de se demitir de ministro do Planeamento) com Sérgio Machado, o tal com um acordo de delação, em que o primeiro diz ao segundo:
«Eu disse a Aécio, se tiver outra eleição, nem Serra nem nenhum político tradicional ganha essa eleição. ( ... ) Na hora dos debates vão perguntar: 'Você vai fazer reforma da previdência?' O que tu vai responder? Que vou! Tu acha que ganha eleição dizendo que vai reduzir aposentadoria das pessoas?».E o pior é que Jucá tem toda a razão. No Brasil - e em Portugal - não se ganham eleições a anunciar as medidas que as circunstâncias exigem. Aqui está o nó da questão. É uma fatalidade os políticos não conseguirem dizer a verdade aos eleitores? Não necessariamente. Leiam-se aqui excertos da entrevista à McKinsey Quarterly de Göran Persson, ministro das Finanças a partir de 1994 e primeiro-ministro do partido Social-Democrata sueco a partir de 1996, e da sua resposta à crise que então a Suécia atravessava. Destaco a seguinte passagem:
«My party was elected in 1994 because we promised to carry out the harshest program with the deepest budget cuts and the sharpest tax increases.»
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (LIV) – É possível enganar toda a gente...
Outros purgatórios a caminho dos infernos.
É possível enganar toda a gente durante algum tempo e é possível enganar alguns, toda a vida. Não é possível enganar todos toda a vida - ou pelo menos é muito difícil. O caso do demagogo Alexis Tsipras é mais um exemplo da validade deste aforismo. Os índices de aprovação do Syriza caíram de mais de 70% para um abismo em que, segundo a sondagem da Universidade de Macedonia, quase nove em cada dez gregos está insatisfeito com o governo Syriza-Anel. (Fonte)
Entretanto, continuam a ser discutidas com as instituições, anteriormente chamadas «troika», as condições para obter uma tranche dos 7,5 mil milhões indispensável para pagar a dívida que se vencerá nas próximas semanas, tranche sem o qual a Grécia entrará em incumprimento e sem acesso ao financiamento. Continuam igualmente as discussões com o BCE para os bancos gregos dispensarem o financiamento de emergência a taxas mais altas e terem acesso ao financiamento oferecendo como colateral dívida pública. (Fonte)
Repare-se que, depois dos primeiros meses de euforia, a esquerdalhada portuguesa apagou do seu discurso as referências à Grécia, ao Syriza e a Tsipras. Não fora a visita de Costa no final de Abril e a Grécia teria desaparecido completamente da política portuguesa.
É possível enganar toda a gente durante algum tempo e é possível enganar alguns, toda a vida. Não é possível enganar todos toda a vida - ou pelo menos é muito difícil. O caso do demagogo Alexis Tsipras é mais um exemplo da validade deste aforismo. Os índices de aprovação do Syriza caíram de mais de 70% para um abismo em que, segundo a sondagem da Universidade de Macedonia, quase nove em cada dez gregos está insatisfeito com o governo Syriza-Anel. (Fonte)
Entretanto, continuam a ser discutidas com as instituições, anteriormente chamadas «troika», as condições para obter uma tranche dos 7,5 mil milhões indispensável para pagar a dívida que se vencerá nas próximas semanas, tranche sem o qual a Grécia entrará em incumprimento e sem acesso ao financiamento. Continuam igualmente as discussões com o BCE para os bancos gregos dispensarem o financiamento de emergência a taxas mais altas e terem acesso ao financiamento oferecendo como colateral dívida pública. (Fonte)
Repare-se que, depois dos primeiros meses de euforia, a esquerdalhada portuguesa apagou do seu discurso as referências à Grécia, ao Syriza e a Tsipras. Não fora a visita de Costa no final de Abril e a Grécia teria desaparecido completamente da política portuguesa.
02/06/2016
Dúvidas (159) - Terá o fascismo raízes no marxismo?
Uma tese de José Rodrigues dos Santos («O fascismo tem origem no marxismo»), que me parece dever mais à ficção do que à história em geral e à história das ideologias em particular, suscitou uma onda de indignações por parte dos marxistas de serviço. Têm toda a razão os marxistas. As raízes do fascismo não são o marxismo. As raízes de fascismo são adjacentes às do marxismo e os respectivos troncos partilham várias características. E as copas também.
A copa do marxismo é bastante mais frondosa do que a do fascismo: dezenas de Estados controlados por partidos inspirados no marxismo produziram durante décadas muito mais miséria, violência, privação de liberdades, presos e mortos do que um número muito menor de Estados controlados por partidos inspirados no fascismo que estiveram no poder por um período também menor. Se nos cingirmos à contabilidade dos mortos, que, segundo Estaline, aos milhares não são uma tragédia, são apenas estatística, o número de mortes atribuíveis ao marxismo bateu as atribuíveis ao fascismo na proporção de dez para um.
A copa do marxismo é bastante mais frondosa do que a do fascismo: dezenas de Estados controlados por partidos inspirados no marxismo produziram durante décadas muito mais miséria, violência, privação de liberdades, presos e mortos do que um número muito menor de Estados controlados por partidos inspirados no fascismo que estiveram no poder por um período também menor. Se nos cingirmos à contabilidade dos mortos, que, segundo Estaline, aos milhares não são uma tragédia, são apenas estatística, o número de mortes atribuíveis ao marxismo bateu as atribuíveis ao fascismo na proporção de dez para um.
SERVIÇO PÚBLICO: Para memória futura (quando chegar a factura de Costa)
Excertos da entrevista ao jornal i de António Galamba, um socialista desalinhado:
«Julgo que há algum medo no Partido Socialista em se dizer o que se pensa. Entre os ex-dirigentes há três situações: os que foram integrados, os que estão resignados e aqueles que julgam que devem dizer aquilo que pensam. Eu incluo-me nesse grupo, que é um grupo muito restrito de pessoas que acha que deve dizer aquilo que pensa. Até por experiências anteriores: no passado, pelo facto do PS estar no governo, não dissemos aquilo que pensávamos e aconteceu o que aconteceu, nomeadamente a necessidade de haver um resgate.
(…)
Por variadíssimas razões há um conjunto de pessoas que, em surdina, e em conversas particulares, expressam-se em determinado sentido e depois quando chega ao momento da votação votam de acordo com a maioria. Fiquei sozinho, mas fiquei bem acompanhado pela minha consciência.
(…)
Têm medo de várias coisas. De perder aquilo que têm ou de não virem a ter aquilo que esperam em função do exercício do poder.
(…)
Quando se invoca que no passado não se defendia o património que existia, acaba-se agora por estar a fazer o mesmo. O que aliás em relação ao dr. António Costa não é nada de novo, porque são variadíssimas as situações em que ele diz uma coisa e o seu contrário. Esta é mais uma.
(…)
Olhamos para os dados da economia e há muita coisa que não bate certo. Foram divulgados os dados do primeiro semestre do anúncio de contratos de obras públicas onde se verifica que há um aumento de 27% e depois há uma diminuição de 28% das obras públicas que são contratadas. Há um conjunto de indicadores que são muito preocupantes. Apesar do discurso político, a economia não está a mexer o que devia.
(…)
Com a opção que o PS fez de ir para o governo estando totalmente dependente do PCP e Bloco de Esquerda colocou-se numa situação onde está em areias movediças. Pode-se mexer um bocadinho, mas não se pode mexer muito. Aliás, acho que a polémica dos colégios é para distrair de outro tipo de coisas, como a situação económica. O governo, em boa parte, passa os dias fechado em gabinetes, a responder a requerimentos do Bloco de Esquerda e do PS e esquece-se que tem um país para conhecer. Uma coisa é estar sentado num gabinete algures em Lisboa, outra coisa é conhecer o país.»
«Julgo que há algum medo no Partido Socialista em se dizer o que se pensa. Entre os ex-dirigentes há três situações: os que foram integrados, os que estão resignados e aqueles que julgam que devem dizer aquilo que pensam. Eu incluo-me nesse grupo, que é um grupo muito restrito de pessoas que acha que deve dizer aquilo que pensa. Até por experiências anteriores: no passado, pelo facto do PS estar no governo, não dissemos aquilo que pensávamos e aconteceu o que aconteceu, nomeadamente a necessidade de haver um resgate.
(…)
Por variadíssimas razões há um conjunto de pessoas que, em surdina, e em conversas particulares, expressam-se em determinado sentido e depois quando chega ao momento da votação votam de acordo com a maioria. Fiquei sozinho, mas fiquei bem acompanhado pela minha consciência.
(…)
Têm medo de várias coisas. De perder aquilo que têm ou de não virem a ter aquilo que esperam em função do exercício do poder.
(…)
Quando se invoca que no passado não se defendia o património que existia, acaba-se agora por estar a fazer o mesmo. O que aliás em relação ao dr. António Costa não é nada de novo, porque são variadíssimas as situações em que ele diz uma coisa e o seu contrário. Esta é mais uma.
(…)
Olhamos para os dados da economia e há muita coisa que não bate certo. Foram divulgados os dados do primeiro semestre do anúncio de contratos de obras públicas onde se verifica que há um aumento de 27% e depois há uma diminuição de 28% das obras públicas que são contratadas. Há um conjunto de indicadores que são muito preocupantes. Apesar do discurso político, a economia não está a mexer o que devia.
(…)
Com a opção que o PS fez de ir para o governo estando totalmente dependente do PCP e Bloco de Esquerda colocou-se numa situação onde está em areias movediças. Pode-se mexer um bocadinho, mas não se pode mexer muito. Aliás, acho que a polémica dos colégios é para distrair de outro tipo de coisas, como a situação económica. O governo, em boa parte, passa os dias fechado em gabinetes, a responder a requerimentos do Bloco de Esquerda e do PS e esquece-se que tem um país para conhecer. Uma coisa é estar sentado num gabinete algures em Lisboa, outra coisa é conhecer o país.»
NÓS VISTOS POR ELES: Pessoa na Ozy
A Ozy é uma revista online relativamente original. E o original é relativamente bom. Leia-se o que escreveram sobre Fernando Pessoa, sob um título que é sumário de vida: «81 PEN NAMES, A FAKED SUICIDE AND 25,000 UNPUBLISHED PAGES? OH, YES».
Aqui fica à guisa de aperitivo:
«Moreover, while the names changed, the prose and poems did not so much. They were uniformly brilliant and were often about nothing but that brilliance, as he could hold forth on a whole lot of nothing — life as an accountant, for example — so believably and so well that, yeah, people thought he had been one. Simple, direct and completely enveloping. Pessoa was a giant who was largely blind to being a giant, and while being politically inconsistent in a time when this could have been dangerous (he actively opposed Catholicism, communism, fascism and socialism while supporting military dictatorships before he stopped supporting them), it was clear that nothing interested him more than writing. Astrology came close. As did his more than serious flirtation with Aleister Crowley, whose presence in Lisbon at one point caused Pessoa to fake a suicide to avoid meeting him.»
Aqui fica à guisa de aperitivo:
01/06/2016
Anda um espectro pela Europa — o espectro dos Afectos
«Vejo com satisfação que a senhora Merkel confortou o senhor Presidente da República» disse o chefe da geringonça a respeito dos resultados da romagem de afectos do presidente Marcelo a Berlim,
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ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo oficioso
A peça do jornal oficioso Público tem o título «Taxa de desemprego diminui para 12% em Abril», apesar de no texto se escrever: «a descida da taxa de desemprego agora registada apenas se regista nos dados não ajustados de sazonalidade (aqueles que são usados no desemprego trimestral). Quando se olha para os valores ajustados de sazonalidade (que levam em conta efeitos positivos ou negativos que ocorrem nas diferentes alturas do ano), verifica-se que em Abril a taxa de desemprego se terá mantido estável, com os mesmos 12% que já se tinham verificado em Março.»
É claro que o sucesso destas pequenas manobras, resultante de muitos leitores lerem apenas os títulos das notícias económicas, pode ficar cada vez mais difícil à medida que a realidade se for impondo à ficção jornalística, como se viu nos anos finais de José Sócrates. E essa realidade, também no que respeita a desemprego, pode não ser agradável, como resulta das projecções da Bloomberg baseadas nos dados de pesquisas Google que sugerem uma tendência do crescimento do desemprego (linha azul) mesmo quando o desemprego efectivo ainda estava a descer (linha branca).
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ACREDITE SE QUISER: Eles são poucos e parecem mais porque se exibem muito
Anthony Bogaert, professor de psicologia na universidade Brock em Ontario, Canadá, e uma autoridade em matéria de sexualidade, estimou no seu paper «Asexuality: What It Is and Why It Matters» (apud Ozy) que a população «assexuada» (com falta de atracção sexual, segundo a definição de Bogaert) representa 1% da população total.
Comparativamente, segundo um estudo do governo americano, os gays e lésbicas representavam 1,6%, os bissexuais 0,7% e 1,1% não se conseguiam classificar. É razoável supor que estes 1,1% abrangem o 1% de assexuados, ficando assim 0,1% para os transexuais e intersexuais (seja lá o que isto for). Confronte-se estas estatísticas com as estatísticas de causas que os militantes do sexo vagabundo divulgam para efeitos promocionais, como esta que o Expresso um dia publicou sob o título espampanante «Um milhão de portugueses são homossexuais».
Seja como for, antecipo que a dinamização da construção civil passe por aqui. Imagine-se o governo da geringonça a legislar a obrigatoriedade de um WC para cadasexo género. Teríamos o mínimo de 6 WC para a panóplia LBGTIA, o que daria centenas de milhar de WC a construir por esse país.
Comparativamente, segundo um estudo do governo americano, os gays e lésbicas representavam 1,6%, os bissexuais 0,7% e 1,1% não se conseguiam classificar. É razoável supor que estes 1,1% abrangem o 1% de assexuados, ficando assim 0,1% para os transexuais e intersexuais (seja lá o que isto for). Confronte-se estas estatísticas com as estatísticas de causas que os militantes do sexo vagabundo divulgam para efeitos promocionais, como esta que o Expresso um dia publicou sob o título espampanante «Um milhão de portugueses são homossexuais».
Seja como for, antecipo que a dinamização da construção civil passe por aqui. Imagine-se o governo da geringonça a legislar a obrigatoriedade de um WC para cada
31/05/2016
SERVIÇO PÚBLICO: Todos os americanos têm uma costela libertária nos seus corpos democratas ou republicanos
«O terceiro maior partido político da América termina a sua convenção em Orlando hoje (2.ª feira). Gary Johnson, o porta-estandarte em 2012, é novamente o candidato. Johnson é um ex-governador do estado estimado, ao contrário de Hillary Clinton e Donald Trump que têm taxas de aprovação mais baixas do que a Fossa das Marianas. Podem os libertários estar à beira de um avanço? Dez por cento dos norte-americanos descrevem-se como libertários, mas podem não ser nada libertários. Os democratas descontentes podem compartilhar posições anti-establishment com os libertários, mas não a vontade de abolir o Estado Social. Os republicanos anti-Trump podem sonhar com abolir os impostos, mas não deitarem para o lixo as restrições ao aborto. Por alguma razão os dois grandes partidos tem mantido as suas estranhas coligações de ideias e interesses. O duopólio que desfrutam não será quebrado este ano, mas os libertários poderiam conseguir os melhores resultados de sempre, ficando mais perto de 10% dos votos do que dos 0,99% que tiveram em 2012.»
The Economist Espresso
Para saber mais sobre o Libertarian Party, que tem como lema «Governo Mínimo, Máxima Liberdade», ver o seu site.
The Economist Espresso
Para saber mais sobre o Libertarian Party, que tem como lema «Governo Mínimo, Máxima Liberdade», ver o seu site.
30/05/2016
Lost in translation (270) – O alemão é uma língua muito difícil
Cenário: visita do presidente da República Portuguesa à Alemanha
Fala de Joachim Gauck, presidente da Alemanha:
«Não quero imiscuir-me nos assuntos do governo e parlamento (federais) e muito menos dar conselhos ao Conselho Europeu e instituições europeias. Vou respeitar os limites do meu cargo e não vou tomar posição em relação a essas questões.» (Fonte)
Fala de Angela Merkel, primeira-ministra:
Não fala.
Fala do presidente Marcelo:
«Vou satisfeito com aquilo que senti e que ouvi da parte da chanceler Angela Merkel, e portanto acho que valeu a pena a visita, valeu muito a pena a visita. (…) é que correu muitíssimo bem, em particular a conversa com a chanceler Angela Merkel, melhor do que teria esperado.» (Fonte)
Fala de Joachim Gauck, presidente da Alemanha:
«Não quero imiscuir-me nos assuntos do governo e parlamento (federais) e muito menos dar conselhos ao Conselho Europeu e instituições europeias. Vou respeitar os limites do meu cargo e não vou tomar posição em relação a essas questões.» (Fonte)
Fala de Angela Merkel, primeira-ministra:
Não fala.
Fala do presidente Marcelo:
«Vou satisfeito com aquilo que senti e que ouvi da parte da chanceler Angela Merkel, e portanto acho que valeu a pena a visita, valeu muito a pena a visita. (…) é que correu muitíssimo bem, em particular a conversa com a chanceler Angela Merkel, melhor do que teria esperado.» (Fonte)
Estado empreendedor (101) – Controlo público, disse ele (continuação da continuação)
Continuação deste e deste posts.
Fiz notar que a melhoria dos resultados de 2015 da Caixa se ficou a dever ao acréscimo no exercício do montante das provisões e imparidades se ter reduzido em mais de 700 milhões, milagre de que seria prudente duvidar, recomendei.
Confirmei (jornal SOL) que o crédito de risco da Caixa (soma do crédito malparado com mais de 90 dias com dívidas renegociadas ou com evidências de risco, como falência do devedor) atinge 11,5% do crédito total concedido, ou seja 8,2 mil milhões do total de 71 mil milhões. Ora acontece que a Caixa registou imparidades de apenas cerca de 64% do montante dos créditos em risco. Agora fica patente o que o abrandamento das imparidades em 2015 foi o tal milagre que antevi.
Moral da estória: em apenas 6 meses a geringonça conseguiu contaminar a Caixa e induzi-la à batota nas contas. Com este know-how, se o Eurostat se distrai lá teremos outra vez contabilidade criativa.
Fiz notar que a melhoria dos resultados de 2015 da Caixa se ficou a dever ao acréscimo no exercício do montante das provisões e imparidades se ter reduzido em mais de 700 milhões, milagre de que seria prudente duvidar, recomendei.
Confirmei (jornal SOL) que o crédito de risco da Caixa (soma do crédito malparado com mais de 90 dias com dívidas renegociadas ou com evidências de risco, como falência do devedor) atinge 11,5% do crédito total concedido, ou seja 8,2 mil milhões do total de 71 mil milhões. Ora acontece que a Caixa registou imparidades de apenas cerca de 64% do montante dos créditos em risco. Agora fica patente o que o abrandamento das imparidades em 2015 foi o tal milagre que antevi.
Moral da estória: em apenas 6 meses a geringonça conseguiu contaminar a Caixa e induzi-la à batota nas contas. Com este know-how, se o Eurostat se distrai lá teremos outra vez contabilidade criativa.
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (33)
Outras avarias da geringonça.
Se há coisas que estão a crescer, uma delas é a dívida pública (ver este post de ontem). A outra poderá ser a dívida privada de empresas e particulares que deixou de descer. Quanto à dívida pública directa do Estado voltou a aumentar em Abril para 230,3 mil milhões.
Qual físico medieval que insiste em sangrar o doente com anemia, o governo da geringonça insiste que do aumento do consumo nascerá o crescimento da economia. Porém, o que nasce é o fim do equilíbrio das contas externas com o superávite de quase 300 milhões da balança de comércio e serviços no 1.º trimestre de 2015 a dar lugar um défice de mais de 100 milhões no 1.º trimestre deste ano. Na verdade, o consumo aditivado pelo crédito (aumento homólogo de mais de 20% e 35% no crédito automóvel em Março) está a fazer crescer a economia dos países que exportam para Portugal. Nada novo, portanto, tem sido isso que se tem verificado nas últimas décadas.
Se há coisas que estão a crescer, uma delas é a dívida pública (ver este post de ontem). A outra poderá ser a dívida privada de empresas e particulares que deixou de descer. Quanto à dívida pública directa do Estado voltou a aumentar em Abril para 230,3 mil milhões.
Qual físico medieval que insiste em sangrar o doente com anemia, o governo da geringonça insiste que do aumento do consumo nascerá o crescimento da economia. Porém, o que nasce é o fim do equilíbrio das contas externas com o superávite de quase 300 milhões da balança de comércio e serviços no 1.º trimestre de 2015 a dar lugar um défice de mais de 100 milhões no 1.º trimestre deste ano. Na verdade, o consumo aditivado pelo crédito (aumento homólogo de mais de 20% e 35% no crédito automóvel em Março) está a fazer crescer a economia dos países que exportam para Portugal. Nada novo, portanto, tem sido isso que se tem verificado nas últimas décadas.
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