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10/02/2026

Um vencedor e vários derrotados

[ADVERTÊNCIA: Este post não é leitura recomendável aos espíritos providos de um cérebro ideológico e é absolutamente desaconselhável às mentes desprovidas de senso de humor. A todos recomenda-se ler este post Cum grano salis.] 

O Dr. Seguro que multiplicou as intenções de voto por dez, duplicando o número de votos da 1.ª volta e obtendo mais de 3,4 milhões de votos na 2.ª volta, incluindo mais de três quartos dos eleitores com mais escolaridade, passando a ser o político mais votado de sempre, é incontestavelmente o vencedor das eleições presidenciais.

Entre os candidatos derrotados, que são todos os outros, destaca-se o mais derrotado de todos, o Dr. Ventura, porque perdeu as eleições, apesar de ter obtido mais 400 mil votos da 1.ª para a 2.ª volta, e principalmente porque lhe faltaram mais de 300 mil votos para realizar o seu propósito de ter mais votos do que AD o que, segundo ele, o transformaria no novo líder da direita. Em vez disso, teve de contentar-se com 1.ª posição na demagogia e no número de entrevistas - en passant, deveria reconhecer que o seu discurso de vítima da imprensa "do sistema" só reforça a sua 1.ª posição no ranking da demagogia.

Além dos candidatos, devemos adicionar aos derrotados o Dr. Montenegro que colocou todas as fichas no cavalo errado e tentou esconder-se em S. Bento. 

Quanto aos partidos, todos foram derrotados. Em primeiro lugar, principal e obviamente, a AD porque o seu candidato não chegou à 2.ª Volta. O PS porque a vitória do Dr. Seguro foi contra as principais facções socialistas, desde o costismo e o socratismo (parcialmente sobrepostos) até ao berloquismo e geringoncismo (parcialmente sobrepostos). O Chega porque foi humilhantemente derrotado pelo seu presidente que teve mais 340 mil votos que o seu partido.

E agora? Agora, reconheça-se que ter uma criatura cinzenta, pouco afirmativa e ideologicamente incaracterística, não será o melhor dos resultados. Em todo o caso, foi o único candidato que percebeu a diferença entre ser PR e ser primeiro-ministro e reconheça-se também que é menos mau fazer de Belém um local desinteressante do que fazer de Belém um centro de manobras e de conspiração, como nos últimos dez anos, ou fazer dos próximos cinco anos um centro de comícios, de ruído, demagogia e agitprop. Otto Eduard Leopold von Bismarck-Schönhausen, se por cá andasse, lembrar-nos-ia que «a política é a arte do possível, a ciência do relativo, a arte da aproximação».

2 comentários:

Afonso de Portugal disse...

«O Chega porque foi humilhantemente derrotado pelo seu presidente que teve mais 340 mil votos que o seu partido.»

Curiosamente, nunca ninguém faz esta "reflexão" a propósito da Iniciativazinha Libertina, cujo líder, Cotroso Figueiredo, obteve mais 564 mil votos na primeira volta destas Presidenciais do que a IL nas últimas legislativas.

E o que dizer do PS do xuxa Carneiro? Aí foram só 2 milhões de votos de diferença! Mas não conta, porque as pessoas não votaram no banan... eeer... perdão, no Tozéro... ai... perdão, no moderadinho Seguro pelo moderadinho Seguro, mas sim para combater o danado do fascismo!!!

É "quase como se" houvesse um critério para o Chega e outro critério para os restantes partidos. Fidelidade abrileira, a quanto obrigas!😏

Anónimo disse...

O homem teve visão. Desaparecido desde 2014. Aproveitou o vazio e chega justamente à presidência. "O mais alto cargo da nação"