Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
03/10/2018
Ainda não será desta, mas está tudo preso por cordéis
Juros da dívida italiana dispararam para o nível mais alto em quatro anos e meio. Exposição dos principais bancos portugueses ronda os 1900 milhões.»
A mentira como política oficial (44) - Verdades alternativas
«SNS precisa de mais 600 enfermeiros para sustentar passagem às 35 horas»? Isso é hoje. Há três anos a reposição das 35 horas não tinha impacto orçamental e há dois anos Centeno garantia que o «Governo vai recorrer a funcionários em mobilidade para responder às 35 horas».
02/10/2018
Senhor Feliz, Senhor Contente, um par analgésico
Tive ontem uma espécie de epifania onde, por razões que não carecem de explicação para quem não esteja totalmente alienado e tenha visto o programa Senhor Feliz, Senhor Contente, Marcelo e Costa me surgiram como o Nicolau e o Herman que deram vida a esses personagens. Por prudência, googlei a coisa e poupei uma acusação de plágio. Aqui vai um excerto do escrito de José António Saraiva de há dois anos (que não me lembro de ter lido).
«Em 1975, Nicolau Breyner lançou um famoso programa televisivo, Nicolau no País das Maravilhas, que incluía uma rábula política que se tornou muito popular, interpretada pelo próprio Nicolau e por Herman José.
A rábula, que dava pelo nome de Senhor Feliz, Senhor Contente, era cantada a duas vozes e começava sempre assim:
Como passa, Senhor Contente?
Como está, Senhor Feliz?
Diga à gente, diga à gente
Como vai este país.
A seguir, ambos iam comentando, sempre em verso, a atualidade política.
Ora, esta rábula não podia estar mais adequada aos tempos atuais.
Marcelo Rebelo de Sousa faz de Senhor Feliz, António Costa faz de Senhor Contente.»
Pensamento do dia: saí da manada e sede vós próprios
«Se queres ser tratado como um indivíduo, e não como um mero membro de um grupo, então deves tratar-te a ti próprio como um indivíduo e renunciar a tentar obter vantagem social da pertença a um grupo. Não tentes ter as duas coisas. Em particular, se queres ser julgado pelas tuas qualidades, e não pela cor da tua pele, não tentes obter benefícios de ter uma certa cor da pele.»
Pensamento de um eremita filósofo que citei aqui há 14 anos.
Onde está cor da pele podemos substituir por sexo, preferências sexuais, religião, partido, estatuto social ou qualquer outro atributo que nos identifique com uma manada.
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Quem fala assim não é gago
01/10/2018
Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (155)
Outras avarias da geringonça e do país.
As últimas semanas foram pródigas em espectáculos. Com a preciosa ajuda de Marcelo, que nos serviu outra vichyssoise, assistimos a semana passada ao desenlace da peça de teatro da recondução/nomeação da PGR, cuja acção mais importante se desenrolou nos bastidores ao abrigo dos olhares do público. Peça iniciada há longos meses com uma deixa («mandato longo e único») de uma personagem entrada em palco pela esquerda baixa, que foi repetida como um mantra por todos os protagonistas, incluindo Marcelo se desdisse ainda mais do que o habitual.
Se o primeiro foi uma farsa, o outro espectáculo foi a comédia da «suspensão da decisão» de mudar o Infarmed para o Porto, cinco vezes garantida por Costa, decisão que já se sabia e agora se confirmou ter sido apenas mais um coelho tirado da cartola por Costa para entreter o prefeito do Porto.
A quem pense que a capacidade do governo de Costa para montar espectáculos se esgota nesses sucessos, recomenda-se que veja o êxito ininterrupto há mais de um ano no palco de Tancos, animado por um ministro que desafia qualquer comediante em exercício, com novos desenvolvimentos todas as semanas. No último desenvolvimento, imaginativamente baptizado «Operação Húbris» (soberba) pela Judite, os polícias e confundiram-se com os ladrões.
As últimas semanas foram pródigas em espectáculos. Com a preciosa ajuda de Marcelo, que nos serviu outra vichyssoise, assistimos a semana passada ao desenlace da peça de teatro da recondução/nomeação da PGR, cuja acção mais importante se desenrolou nos bastidores ao abrigo dos olhares do público. Peça iniciada há longos meses com uma deixa («mandato longo e único») de uma personagem entrada em palco pela esquerda baixa, que foi repetida como um mantra por todos os protagonistas, incluindo Marcelo se desdisse ainda mais do que o habitual.Se o primeiro foi uma farsa, o outro espectáculo foi a comédia da «suspensão da decisão» de mudar o Infarmed para o Porto, cinco vezes garantida por Costa, decisão que já se sabia e agora se confirmou ter sido apenas mais um coelho tirado da cartola por Costa para entreter o prefeito do Porto.
A quem pense que a capacidade do governo de Costa para montar espectáculos se esgota nesses sucessos, recomenda-se que veja o êxito ininterrupto há mais de um ano no palco de Tancos, animado por um ministro que desafia qualquer comediante em exercício, com novos desenvolvimentos todas as semanas. No último desenvolvimento, imaginativamente baptizado «Operação Húbris» (soberba) pela Judite, os polícias e confundiram-se com os ladrões.
30/09/2018
Bons exemplos (127) - Talvez ele não queira ser sócio de um clube com tais sócios (alguns deles deviam estar presos)
| Em cem anos, já foi pendurada quase 500 vezes em peitos republicanos, fascistas, socialistas, comunistas e até alguns democratas |
29/09/2018
Mitos (281) - O contrário do dogma do aquecimento global (XIX)
Outros posts desta série
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
Se o aquecimento global e a consequente fusão das calores polares e aumento do nível dos oceanos resulta exclusiva ou predominantemente das emissões de dióxido de carbono e de outros gases resultantes da acção humana (ou, para apontar o dedo ao "verdadeiro" culpado, resulta do capitalismo que só cá anda há 200 anos), como explicar a seguinte conclusão do estudo «Response of the Great Barrier Reef to sea-level and environmental changes over the past 30,000 years» publicado na Nature?
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
Se o aquecimento global e a consequente fusão das calores polares e aumento do nível dos oceanos resulta exclusiva ou predominantemente das emissões de dióxido de carbono e de outros gases resultantes da acção humana (ou, para apontar o dedo ao "verdadeiro" culpado, resulta do capitalismo que só cá anda há 200 anos), como explicar a seguinte conclusão do estudo «Response of the Great Barrier Reef to sea-level and environmental changes over the past 30,000 years» publicado na Nature?
O nível dos oceanos depois de ter descido 40 metros há 30 mil anos e se ter mantido estável durante os 8 mil anos seguintes, voltou a descer 20 metros e desde então subiu lentamente até há 17 mil anos, para em seguida subir mais rapidamente durante os 10 mil anos seguintes, reduzindo novamente há 7 mil anos e desde então vir subindo lentamente.E quanto à eficácia das medidas propostas pelos ambientalistas, atente-se nas seguintes estimativas (Economist):
«What is the single most effective way to reduce greenhouse-gas emissions? Go vegetarian? Replant the Amazon? Cycle to work? None of the above. The answer is: make air-conditioners radically better. On one calculation, replacing refrigerants that damage the atmosphere would reduce total greenhouse gases by the equivalent of 90bn tonnes of CO2 by 2050. Making the units more energy-efficient could double that. By contrast, if half the world’s population were to give up meat, it would save 66bn tonnes of CO2. Replanting two-thirds of degraded tropical forests would save 61bn tonnes. A one-third increase in global bicycle journeys would save just 2.3bn tonnes.»Dando de barato as conclusões que a ciência de causas ambientais nos impinge, em alternativa a convencer-nos a plantar arvorezinhas, a comer só couves e a andar de bicicleta deveria concentrar-se em melhorar o rendimento dos aparelhos de ar condicionado.
28/09/2018
O triunfo do Estado Corporativo
As Ordens profissionais com seu quadro estritamente regulado na lei são uma espécie de reminiscência das guildas medievais. Na maioria delas, o acesso à profissão está limitado aos membros da ordem. A este respeito continuamos a viver numa espécie de sequela do Estado Novo.
Como se fosse pouco, em 2013, em pleno mandato de um governo "neoliberal", foi aprovado o regime jurídico de criação, organização e funcionamento das Associações Públicas Profissionais, isto é das Ordens, que autorizou a cobrança das quotas dos membros através do processo tributário.
Mais tarde, em 2015, o mesmo governo "neoliberal" tornou «possível a cobrança de receitas das Ordens Profissionais (quotas e taxas por prestação de serviços) através de processo de execução fiscal, a instaurar pelos serviços competentes da AT». As Ordens aplaudiram e alteraram os seus estatutos nesse sentido e os profissionais ditos liberais saltaram mais uma vez para o colo do Estado. É o triunfo do Estado Corporativo. Se os profissionais liberais não defendem o Estado Liberal, quem deverá fazê-lo?
Mostrando que o Portugal dos Pequeninos é um país sui generis, a "defesa" do Estado Liberal ficou a cargo do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, que repudiou a transformação do fisco «num cobrador do fraque». «As máquinas fiscais existem para cobrar impostos em prol dos cidadãos, não existem para fazer de cobrador de fraque de quem quer que seja».
Como se fosse pouco, em 2013, em pleno mandato de um governo "neoliberal", foi aprovado o regime jurídico de criação, organização e funcionamento das Associações Públicas Profissionais, isto é das Ordens, que autorizou a cobrança das quotas dos membros através do processo tributário.
Mais tarde, em 2015, o mesmo governo "neoliberal" tornou «possível a cobrança de receitas das Ordens Profissionais (quotas e taxas por prestação de serviços) através de processo de execução fiscal, a instaurar pelos serviços competentes da AT». As Ordens aplaudiram e alteraram os seus estatutos nesse sentido e os profissionais ditos liberais saltaram mais uma vez para o colo do Estado. É o triunfo do Estado Corporativo. Se os profissionais liberais não defendem o Estado Liberal, quem deverá fazê-lo?
Mostrando que o Portugal dos Pequeninos é um país sui generis, a "defesa" do Estado Liberal ficou a cargo do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, que repudiou a transformação do fisco «num cobrador do fraque». «As máquinas fiscais existem para cobrar impostos em prol dos cidadãos, não existem para fazer de cobrador de fraque de quem quer que seja».
27/09/2018
CASE STUDY: A indignação artística acerca da alegada censura de pilas e cus vista à luz da teoria do caos (2)
De volta ao furacão das Caraíbas, que, como vimos, não é uma furacão, e começou por ser uma manifestação de quatrocentas personalidades indignadas contra a alegada censura da obra de Mapplethorpe, artista que, desconfio, não teria despertado este culto se não fosse a temática provocatória, a obsessão transgressiva e a legenda que lhe colaram de herói-vítima das suas preferências sexuais (e de uma mãe castradora, acrescento).
À carta aberta das quatrocentas personalidades sucedeu uma imensa diarreia que se derramou pelas colunas e écrans dos mídia ameaçando submergir a administração da Fundação Serralves. Valeu-lhe o facto de Pacheco Pereira dela fazer parte, como reconhecimento de serviços prestados - para não citar outros, recorde-se a presença de Costa durante 6 anos no programa Quadratura do Círculo na qualidade equívoca de candidato in waiting à liderança do PS.
Puxando dos seus pergaminhos em matéria de censura e do seu estatuto de pensador do regime, Pacheco certificou as decisões da administração perante a indignação ululante e poupou-a, até ver, à crucificação pelo cada vez mais numeroso exército do politicamente correcto.
À carta aberta das quatrocentas personalidades sucedeu uma imensa diarreia que se derramou pelas colunas e écrans dos mídia ameaçando submergir a administração da Fundação Serralves. Valeu-lhe o facto de Pacheco Pereira dela fazer parte, como reconhecimento de serviços prestados - para não citar outros, recorde-se a presença de Costa durante 6 anos no programa Quadratura do Círculo na qualidade equívoca de candidato in waiting à liderança do PS.
Puxando dos seus pergaminhos em matéria de censura e do seu estatuto de pensador do regime, Pacheco certificou as decisões da administração perante a indignação ululante e poupou-a, até ver, à crucificação pelo cada vez mais numeroso exército do politicamente correcto.
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DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (62) - Infantilizando plateias
Outras preces
«Voltemos a nós: Marcelo que é o combustível de si mesmo, impede permanentemente o mínimo de distância e o quanto baste de reserva que tem de haver entre ele e o mundo, comentando até ao limite, promovendo abracinhos compulsivos, infantilizando plateias, enquanto incansavelmente aplaude, amplia e concorda a eito com tudo o resto – sempre o conheci a preferir concordar do que a ser capaz de enfrentar. A verdade é que é difícil descortinar o que de facto – e de sério – determina o Chefe de Estado para além da distribuição do afecto ao domicílio (com o olhar posto numa urna de voto).
Estando em “todas” omnipresentemente, sem que se alcance o critério ou a escala de prioridades com que o faz; beijando com o mesmíssimo afã uma idosa a quem roubaram o cão ou alguém que perdeu os seus num incêndio, tendo intervenção comentada em tudo e sobre tudo, o Presidente sinaliza-nos que fora do palco e da sua estonteante mediatização, as coisas da vida do país talvez não sejam a maior prioridade. (...)
Tudo isto que é pesado, passou porém a ser um pouco mais pesado nos últimos dias, quando subitamente alguma coisa mudou: o Presidente da República saiu-se mal desta história da substituição das senhoras procuradoras. Duplamente: tornou verosímeis algumas dúvidas (reparem que não digo suspeitas mas sim dúvidas) de que poderia estar a acautelar interesses ou circunstâncias pessoais. E saiu-se mal porque tudo, desde o estranhíssimo processo que antecedeu a sua decisão até ao seu “sim”, foi indisfarçável: ficou impresso no país.»
Contribuintes com número, Maria João Avillez no Observador, dando conta com bastante elegância de juízos que aqui no (Im)pertinências costumamos dar conta com alguma brutidão
26/09/2018
CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (12.º capítulo) - Duas vezes um terço não são dois terços
Outras doenças a que resistimos heroicamente.
Sem esquecer as inúmeras outras maleitas que atacam os portugueses (ver link acima), já sabíamos que «um terço da população sofre de ansiedade ou depressão» e «dois terços dos médicos em Portugal estão em situação de exaustão». Ficámos também a saber através de um estudo da Deco (uma entidade creditadíssima para este tipo de estudos) que «um em cada três trabalhadores está em risco de 'burnout'». Fica a dúvida este último terço faz parte do primeiro que sofre de ansiedade ou depressão ou se devemos somá-los e fica outra dúvida ainda mais angustiante: para tratar o primeiro e o terceiro terços será suficiente o terço de médicos que ainda não estão exaustos?
Dúvidas (234) - A nanny estava de folga?
Uma mãe preocupada e atenta pouparia o seu filho à bagunça de uma assembleia, sobretudo uma assembleia onde a maioria dos membros representam regimes autocráticos. Por isso, levá-lo como uma bandeira a tal evento parece mais um abuso para demonstrar uma qualquer tese.
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25/09/2018
SERVIÇO PÚBLICO: Leituras recomendadas
«Os táxis e a essência reaccionária do regime», Rui Ramos no Observador, onde se explica porque, surpreendentemente, os poderes do regime, que habitualmente se dedicam a defender as corporações instaladas, não o fazem neste caso.
«A minha intolerável arrogância moral», João Miguel Tavares no Público, onde se explica porque a renovação do mandato de Joana Marques Vidal não era uma questão do foro jurídico-constitucional.
«A minha intolerável arrogância moral», João Miguel Tavares no Público, onde se explica porque a renovação do mandato de Joana Marques Vidal não era uma questão do foro jurídico-constitucional.
CASE STUDY: A indignação artística acerca da alegada censura de pilas e cus vista à luz da teoria do caos
A teoria do caos
A teoria do caos tenta descrever os sistema caóticos. Um sistema caótico, segundo Gollub & Solomon, é definido como um sistema sensível às condições iniciais. Isto é, qualquer incerteza, por menor que seja, no estado inicial de um sistema conduzirá rapidamente a erros cada vez maiores na previsão do seu comportamento futuro. O seu comportamento só pode ser previsto se as condições iniciais foram conhecidas com grau infinito de precisão, o que é impossível.
Entre os exemplos mais óbvios de sistemas caóticos podemos apontar a meteorologia (não por acaso, chove 9 em cada 10 vezes que saímos sem chapéu de chuva), e as sociedades humanas (não carece de explicação).
Como a teoria do caos só é inteligível por mentes superiores, os cientistas do caos inventaram uma vulgata para a tornar acessível a nós, os seres humanos comuns. De acordo com essa vulgata, os sistemas caóticos são caracterizados por pequenas causas poderem dar lugar a grandes efeitos, sendo o exemplo mais comum o do bater de asas duma borboleta em Pequim poder desencadear uma furacão nas Caraíbas, através duma sequência causal e de interacções complexas no sistema atmosférico.
O estado inicial do sistema
Era uma vez um rapaz nova-iorquino com um certo talento gráfico, uma mente perversa e uma mãe castradora que quis fazer dele um padre. Ainda bem que a mãe não teve sucesso porque provavelmente seria mais uma preocupação para o papa Francisco.
A evolução do sistema
O rapaz foi crescendo confirmando o seu talento para fotografia e o seu gosto pela perversão materializada em práticas bissexuais e numa obsessão pela transgressão dos padrões morais da época. Como seria de esperar, Robert Mapplethorpe, assim se chamava o rapaz, projectou a sua obsessão pela transgressão na sua obra fotográfica que polvilhou abundantemente de pilas e cus. Também sem surpresa, contraiu SIDA e morreu precocemente com 42 anos, juntando-se à colecção de heróis e role models da comunidade gay, gradualmente alargada à comunicada queer, ela própria instrumentalizada pela corrente do marxismo cultural conhecida como politicamente correcto.
O comportamento futuro
Ninguém sabe se, não fosse a temática e a morte sacrificial, a obra de Mapplethorpe despertaria no movimento queer e, por indução, no politicamente correcto, a veneração de que desfruta. Seja como for, no estado actual do sistema, a veneração é real.
O furacão das Caraíbas
Não é uma furacão, é apenas uma manifestação verbosa, sob a forma clássica de carta aberta, de resmas de artistas e outros profissionais da indignação contra uma imaginada censura da obra de Mapplethorpe pelo facto das pilas erectas e os cus estarem expostos numa sala separada da Fundação de Serralves acessível apenas a maiores de 18 anos.
A borboleta
Afinal, neste caso, qual é a borboleta? Se me pedirem para apontar uma, aponto a mãe castradora. Não fora ela e o rapaz não teria tido necessidade de gastar a sua curta vida a épater le bourgeois e logo, entre outras coisas, em vez de pilas e cus nas fotos do rapaz haveria naturezas mortas, por exemplo.
A teoria do caos tenta descrever os sistema caóticos. Um sistema caótico, segundo Gollub & Solomon, é definido como um sistema sensível às condições iniciais. Isto é, qualquer incerteza, por menor que seja, no estado inicial de um sistema conduzirá rapidamente a erros cada vez maiores na previsão do seu comportamento futuro. O seu comportamento só pode ser previsto se as condições iniciais foram conhecidas com grau infinito de precisão, o que é impossível.
Entre os exemplos mais óbvios de sistemas caóticos podemos apontar a meteorologia (não por acaso, chove 9 em cada 10 vezes que saímos sem chapéu de chuva), e as sociedades humanas (não carece de explicação).
Como a teoria do caos só é inteligível por mentes superiores, os cientistas do caos inventaram uma vulgata para a tornar acessível a nós, os seres humanos comuns. De acordo com essa vulgata, os sistemas caóticos são caracterizados por pequenas causas poderem dar lugar a grandes efeitos, sendo o exemplo mais comum o do bater de asas duma borboleta em Pequim poder desencadear uma furacão nas Caraíbas, através duma sequência causal e de interacções complexas no sistema atmosférico.
O estado inicial do sistema
Era uma vez um rapaz nova-iorquino com um certo talento gráfico, uma mente perversa e uma mãe castradora que quis fazer dele um padre. Ainda bem que a mãe não teve sucesso porque provavelmente seria mais uma preocupação para o papa Francisco.
A evolução do sistema
O rapaz foi crescendo confirmando o seu talento para fotografia e o seu gosto pela perversão materializada em práticas bissexuais e numa obsessão pela transgressão dos padrões morais da época. Como seria de esperar, Robert Mapplethorpe, assim se chamava o rapaz, projectou a sua obsessão pela transgressão na sua obra fotográfica que polvilhou abundantemente de pilas e cus. Também sem surpresa, contraiu SIDA e morreu precocemente com 42 anos, juntando-se à colecção de heróis e role models da comunidade gay, gradualmente alargada à comunicada queer, ela própria instrumentalizada pela corrente do marxismo cultural conhecida como politicamente correcto.
O comportamento futuro
Ninguém sabe se, não fosse a temática e a morte sacrificial, a obra de Mapplethorpe despertaria no movimento queer e, por indução, no politicamente correcto, a veneração de que desfruta. Seja como for, no estado actual do sistema, a veneração é real.
O furacão das Caraíbas
Não é uma furacão, é apenas uma manifestação verbosa, sob a forma clássica de carta aberta, de resmas de artistas e outros profissionais da indignação contra uma imaginada censura da obra de Mapplethorpe pelo facto das pilas erectas e os cus estarem expostos numa sala separada da Fundação de Serralves acessível apenas a maiores de 18 anos.
A borboleta
Afinal, neste caso, qual é a borboleta? Se me pedirem para apontar uma, aponto a mãe castradora. Não fora ela e o rapaz não teria tido necessidade de gastar a sua curta vida a épater le bourgeois e logo, entre outras coisas, em vez de pilas e cus nas fotos do rapaz haveria naturezas mortas, por exemplo.
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Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (84) - Nacional e socialista
![]() |
| Backward, comrades! |
‘And he wants to take control of businesses – so he’s a socialist.
‘Put that together and he’s a national socialist… I just hope he’s checked the Jewish community are OK with that.’
Dito por Matt Forde, um comediante, no Festival de Edinburgo em Agosto, citado pela Spectator
O mesmo poderia ser dito mutatis mutandis a respeito de qualquer das luminárias da extrema-esquerda doméstica, desde o camarada secretário-geral até ao tele-evangelista promovido a figura de cera do regime.
24/09/2018
Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (154)
Outras avarias da geringonça e do país.
Começo mais esta crónica citando Francisco Louçã que, com o seu conhecimento profundo da partidocracia doméstica, reconhece na sua coluna de 2/3 da broadsheet posta à sua disposição pelo semanário de reverência que o PS é o único partido em que a elite tão habituada aos carinho do Estado confia para a servir. Por uma vez, estou com o tele-evangelista.
Continuo, tirando o meu chapéu ao maquiavelismo de fancaria de António Costa na nomeação da nova PGR que apanhou o presidente dos Afectos com as calças na mão e o deixou irremediavelmente derrotado, ridicularizado pelo insucesso das suas manobras e exposto na sua duplicidade e pusilanimidade.
Os melhores professores do mundo, segundo o presidente da República, os que mais adoecem segundo a CE, dos melhores pagos segundo a OCDE, comandados pelos seus sindicatos (que por inerência devemos classificar também como os melhores do mundo), já anunciaram que vão continuar a sua greve em Outubro para tentar extorquir aos contribuintes o «descongelamento das carreiras». Já os taxistas, que aguardam ser promovidos pelo PR a melhores do mundo, garantem que «não saem das ruas», não para transportar a sua freguesia mas para protestar pela concorrência.
Começo mais esta crónica citando Francisco Louçã que, com o seu conhecimento profundo da partidocracia doméstica, reconhece na sua coluna de 2/3 da broadsheet posta à sua disposição pelo semanário de reverência que o PS é o único partido em que a elite tão habituada aos carinho do Estado confia para a servir. Por uma vez, estou com o tele-evangelista.Continuo, tirando o meu chapéu ao maquiavelismo de fancaria de António Costa na nomeação da nova PGR que apanhou o presidente dos Afectos com as calças na mão e o deixou irremediavelmente derrotado, ridicularizado pelo insucesso das suas manobras e exposto na sua duplicidade e pusilanimidade.
Os melhores professores do mundo, segundo o presidente da República, os que mais adoecem segundo a CE, dos melhores pagos segundo a OCDE, comandados pelos seus sindicatos (que por inerência devemos classificar também como os melhores do mundo), já anunciaram que vão continuar a sua greve em Outubro para tentar extorquir aos contribuintes o «descongelamento das carreiras». Já os taxistas, que aguardam ser promovidos pelo PR a melhores do mundo, garantem que «não saem das ruas», não para transportar a sua freguesia mas para protestar pela concorrência.
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Os portugueses têm os políticos que escolhem e a esquerda que preferem
Os políticos que escolhem
«É o mesmo erro da crise anterior, é espantoso, mas de facto não aprendemos. Mas se sobrevivemos à anterior, não vale a pena entrar agora em pânico. Da outra vez não foi o fim do mundo, também não vai ser na próxima. E em princípio a próxima crise não vai ser tão má como a anterior que foi a pior desde a Segunda Guerra Mundial. Nem no 25 de Abril caímos tanto como entre 2008 e 2013. E a culpa não é dos governos, é da sociedade portuguesa que quer ser enganada. Se algum político disser aquilo que estou a dizer nunca mais é eleito. Se algum político disser aquilo que estou a dizer nunca mais é eleito. Os políticos não são maus, quem são maus são os eleitores que gostam de ser enganados e quem lhes vende a ilusão eles compram. E não é por desconhecimento porque não só têm acesso aos dados estatísticos como passámos por uma situação semelhante há muito pouco tempo.»
A esquerda que preferem
«A esquerda, sobretudo a extrema-esquerda portuguesa está enfeudada a meia dúzia de corporações: sindicatos, setor público, pensionistas que são os seus eleitores e servem esses interesses. E até estão disponíveis a penalizar os pobres com impostos para poderem servir o aparelho estatal que é de facto a sua finalidade. Também é verdade que o aparelho estatal sempre foi de Esquerda. Os pobres não têm voz em Portugal porque são pobres e porque os partidos de Esquerda deixaram de lhes dar voz. E esse é um dos principais problemas da nossa democracia e quem diz os pobres, diz os imigrantes, ou seja, as classes desfavorecidas que não têm ninguém que fale deles porque a Esquerda que tradicionalmente falava é atualmente corporativa e está ligada aos aparelhos à volta do Estado. E a Igreja que também falava deles não tem grande voz em Portugal.»
João César das Neves em entrevista ao jornal SOL.
«É o mesmo erro da crise anterior, é espantoso, mas de facto não aprendemos. Mas se sobrevivemos à anterior, não vale a pena entrar agora em pânico. Da outra vez não foi o fim do mundo, também não vai ser na próxima. E em princípio a próxima crise não vai ser tão má como a anterior que foi a pior desde a Segunda Guerra Mundial. Nem no 25 de Abril caímos tanto como entre 2008 e 2013. E a culpa não é dos governos, é da sociedade portuguesa que quer ser enganada. Se algum político disser aquilo que estou a dizer nunca mais é eleito. Se algum político disser aquilo que estou a dizer nunca mais é eleito. Os políticos não são maus, quem são maus são os eleitores que gostam de ser enganados e quem lhes vende a ilusão eles compram. E não é por desconhecimento porque não só têm acesso aos dados estatísticos como passámos por uma situação semelhante há muito pouco tempo.»
A esquerda que preferem
«A esquerda, sobretudo a extrema-esquerda portuguesa está enfeudada a meia dúzia de corporações: sindicatos, setor público, pensionistas que são os seus eleitores e servem esses interesses. E até estão disponíveis a penalizar os pobres com impostos para poderem servir o aparelho estatal que é de facto a sua finalidade. Também é verdade que o aparelho estatal sempre foi de Esquerda. Os pobres não têm voz em Portugal porque são pobres e porque os partidos de Esquerda deixaram de lhes dar voz. E esse é um dos principais problemas da nossa democracia e quem diz os pobres, diz os imigrantes, ou seja, as classes desfavorecidas que não têm ninguém que fale deles porque a Esquerda que tradicionalmente falava é atualmente corporativa e está ligada aos aparelhos à volta do Estado. E a Igreja que também falava deles não tem grande voz em Portugal.»
João César das Neves em entrevista ao jornal SOL.
23/09/2018
CASE STUDY: Quem manda na câmara de Lisboa (4)
Nota prévia: nos posts anteriores citaram-se fragmentos da entrevista do jornal SOL a Fernando Nunes da Silva, antigo vereador e neste citam-se dois artigos do Expresso sobre o mesmo tema; esta série pode ser lida como sequência de uma outra série Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson,
Empresa municipal oferece mais 40% a altos quadros da Câmara
«Os trabalhadores do município de Lisboa que transitem para a unidade da autarquia que terá nas mãos as novas obras e empreitadas na cidade — a Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), já existente mas agora dotada de novos poderes — terão um acréscimo salarial que em alguns casos chega a 40% da sua remuneração atual. (...)
“A sensação que temos na Câmara é que estão a ser convidados os quadros de confiança pessoal do vereador Manuel Salgado e dos seus colaboradores próximos”, acrescenta. Salgado acumulará o cargo no executivo camarário com a presidência da SRU. (...)
Salgado leva para aquela Sociedade pessoas da sua equipa que já o acompanham em lugares de liderança nos serviços da Câmara. (...)
... uma “câmara paralela que se exime ao controlo dos vereadores” (Carlos Moura, CDU) ou “uma espécie de Parque Escolar”, em que “as obras deixam de ter qualquer escrutínio” (João Gonçalves Pereira, CDS). Com efeito, absorvendo praticamente todas as obras e projetos atribuídos até agora a estruturas municipais (a autarquia no futuro só ficará com os trabalhos de conservação), as decisões da SRU deixam de ter o escrutínio dos órgãos municipais, nomeadamente das forças da oposição, ou ele mantém-se unicamente na fase inicial de qualquer obra.»
Obra quase pronta, investigação do MP em curso
«Quem se detém uns instantes na Avenida Fontes Pereira de Melo, uns metros acima do antigo Fórum Picoas (agora Altice), (...)
O volume do edifício (com 17 andares a cima do solo e quase 68 metros de altura de fachada), dando ares de ter já a parte estrutural terminada, é a expressão mais evidente de um processo controverso. (...)
Aconteceu em 2011, quando se discutia a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) que viria a permitir um aumento de construção no local. Ao proprietário de então, a Câmara fixou em junho desse ano a edificabilidade permitida pelo plano em vigor. Impedido de construir mais do que pretendia, e a braços com uma hipoteca, o dono do imóvel teve de entregá-lo ao banco (o BES) para liquidar a obrigação.
Pouco depois, com o novo PDM, aos novos proprietários viria a ser permitido aumentar consideravelmente a volumetria. A torre de Picoas é um dos três casos de grandes obras em Lisboa que se mantêm sob investigação do Ministério Público (MP), como confirmou nesta semana ao Expresso fonte oficial da PGR. As outras duas são o alargamento do Hospital da Luz e as obras, entretanto suspensas, na segunda circular.
Quando vê os seus poderes reforçados, com a presidência da SRU, o homem que há mais de uma década giza a política de Urbanismo em Lisboa vê intensificar o escrutínio sobre algumas das suas decisões.»
DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (61) - Um adereço do regime para selfies, beijinhos e abraços?
Outras preces
Desta vez foi demasiado, até para Marcelo. As suas falhas de carácter como pessoa e as suas fraquezas como político ficaram patentes na comédia da nomeação do PGR.
Mentira e duplicidade: depois de vir soprando para os mídia durante semanas a sua pretensa opção pela recondução de Joana Marques Vidal, de ter encomendado através da sua porta-voz Ângela Silva um título de primeira página do Expresso («Acordo à vista para manter a PGR»), Marcelo acabou a dizer que a sua opção pelo «mandato único» estava escrita há anos, uma mentira tão óbvia que até a sua porta-voz se viu forçada a desmenti-la lembrando que Marcelo chegou a subscrever em 1997 com Guterres um documento sobre a revisão constitucional onde se referia o mandato do PGR «de seis anos, sem limite de renovação». Depois de soprar que teria já convencido uma hesitante JMV a aceitar renovar o mandato, a própria veio dizer publicamente a questão nunca lhe tinha sido colocada.
Pusilanimidade e falta de coragem: tentando encostar Costa à parede, Marcelo acabou ele próprio encostado por Costa, e acobardou-se. A sua porta-voz explica no semanário de reverência que «uma vez criado um clima de braço de ferro em torno deste dossiê, poderia penalizar o Presidente se vingasse a vontade do PS».
Com este desfecho e uma subida do PS nas sondagens, Marcelo condena-se à irrelevância gradual. Se o PS tiver a maioria nas próximas eleições Marcelo transformar-se-à num adereço do regime para selfies, beijinhos e abraços.
Em suma, assenta-lhe bem o chapéu que Passos Coelho mencionou e que Marcelo de pronto enfiou na sua cabeça, estamos perante um «catavento de opiniões mediáticas», que mudou o palco dos estúdios de televisão para Belém.
Desta vez foi demasiado, até para Marcelo. As suas falhas de carácter como pessoa e as suas fraquezas como político ficaram patentes na comédia da nomeação do PGR.
Mentira e duplicidade: depois de vir soprando para os mídia durante semanas a sua pretensa opção pela recondução de Joana Marques Vidal, de ter encomendado através da sua porta-voz Ângela Silva um título de primeira página do Expresso («Acordo à vista para manter a PGR»), Marcelo acabou a dizer que a sua opção pelo «mandato único» estava escrita há anos, uma mentira tão óbvia que até a sua porta-voz se viu forçada a desmenti-la lembrando que Marcelo chegou a subscrever em 1997 com Guterres um documento sobre a revisão constitucional onde se referia o mandato do PGR «de seis anos, sem limite de renovação». Depois de soprar que teria já convencido uma hesitante JMV a aceitar renovar o mandato, a própria veio dizer publicamente a questão nunca lhe tinha sido colocada.
Pusilanimidade e falta de coragem: tentando encostar Costa à parede, Marcelo acabou ele próprio encostado por Costa, e acobardou-se. A sua porta-voz explica no semanário de reverência que «uma vez criado um clima de braço de ferro em torno deste dossiê, poderia penalizar o Presidente se vingasse a vontade do PS».
Com este desfecho e uma subida do PS nas sondagens, Marcelo condena-se à irrelevância gradual. Se o PS tiver a maioria nas próximas eleições Marcelo transformar-se-à num adereço do regime para selfies, beijinhos e abraços.
Em suma, assenta-lhe bem o chapéu que Passos Coelho mencionou e que Marcelo de pronto enfiou na sua cabeça, estamos perante um «catavento de opiniões mediáticas», que mudou o palco dos estúdios de televisão para Belém.
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