Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
06/04/2017
05/04/2017
Uma hipótese desalinhada e politicamente incorrecta
«Os economistas Mark Aguiar e Erik Hurst mostram de forma convincente que a melhoria da qualidade do lazer tem tido o efeito de diminuir a oferta de trabalho, isto é, dão razão à hipótese de que os jogos de computador são um dos factores que explicam a baixa taxa de emprego nos Estados Unidos.
Embora não disponha de dados para Portugal, suspeito que os resultados seriam semelhantes. O problema do desemprego jovem não é somente um problema de falta de empregos; é também o facto de que não trabalhar nunca foi tão atractivo.»
Excerto de «Desemprego jovem» um artigo de Luís Cabral, economista e professor da Universidade de Nova Iorque e da AESE, publicado no Expresso do dia 1 de Abril (não parece mentira)
Embora não disponha de dados para Portugal, suspeito que os resultados seriam semelhantes. O problema do desemprego jovem não é somente um problema de falta de empregos; é também o facto de que não trabalhar nunca foi tão atractivo.»
Excerto de «Desemprego jovem» um artigo de Luís Cabral, economista e professor da Universidade de Nova Iorque e da AESE, publicado no Expresso do dia 1 de Abril (não parece mentira)
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Desconformidades,
encalhados,
se non è vero,
unintended consequences
Mitos (249) - O contrário do dogma do aquecimento global (XIV)
Outros posts desta série.
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
Se dúvidas houvesse sobre a natureza ideológica do debate sobre as mudanças climáticas, os habituais títulos bombásticos e catastrofistas eliminariam as dúvidas. Leia-se, por exemplo, o do diário da manhã DN:
Não é preciso ser-se um cientista para se saber que o clima na terra já mudou profundamente por diversas vezes e essas mudanças não poderiam por razões óbvias ser atribuídas a acções humanas. Se os jornalistas das causas climáticas escrevessem nos jornais há uns 110 mil anos talvez pudessem ter escrito um dislate semelhante, uns tempos antes do início do último período glaciar que perdurou até há cerca de 10 mil anos. No máximo do período glaciar a cobertura de gelo teria o aspecto da recriação aqui ao lado, onde é possível perceber que a Gronelândia está totalmente encapsulada pela cobertura do gelo polar.
Ou, mais recentemente, imagine-se um jornalista holandês (eventualmente um antepassado de Jeroen Dijsselbloem) a escrever no «Nieuwe Tijdinghen», surgido no princípio do século XVII em Antuérpia e considerado um dos primeiros jornais publicado regularmente no Ocidente. E imagine-se que esse imaginário jornalista, depois de um verão tórrido nos Países Baixos, tivesse escrito qualquer coisa sobre glaciares pedidos para sempre, isto em meados do século XVII uns anos antes da Pequena Idade Glaciar, durante a qual foi possível patinar no Tamisa.
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
Se dúvidas houvesse sobre a natureza ideológica do debate sobre as mudanças climáticas, os habituais títulos bombásticos e catastrofistas eliminariam as dúvidas. Leia-se, por exemplo, o do diário da manhã DN:
«Alguns dos glaciares da costa da Gronelândia estarão pedidos para sempre»Perdidos para sempre? Verdade seja que do paper «A tipping point in refreezing accelerates mass loss of Greenland’s glaciers and ice caps» citado pelo DN e outros jornais não se pode concluir que «alguns dos glaciares da costa da Gronelândia estarão pedidos para sempre» mas apenas que está a acelerar-se a perda de massa dos glaciares e das calotas polares.
Não é preciso ser-se um cientista para se saber que o clima na terra já mudou profundamente por diversas vezes e essas mudanças não poderiam por razões óbvias ser atribuídas a acções humanas. Se os jornalistas das causas climáticas escrevessem nos jornais há uns 110 mil anos talvez pudessem ter escrito um dislate semelhante, uns tempos antes do início do último período glaciar que perdurou até há cerca de 10 mil anos. No máximo do período glaciar a cobertura de gelo teria o aspecto da recriação aqui ao lado, onde é possível perceber que a Gronelândia está totalmente encapsulada pela cobertura do gelo polar.
Ou, mais recentemente, imagine-se um jornalista holandês (eventualmente um antepassado de Jeroen Dijsselbloem) a escrever no «Nieuwe Tijdinghen», surgido no princípio do século XVII em Antuérpia e considerado um dos primeiros jornais publicado regularmente no Ocidente. E imagine-se que esse imaginário jornalista, depois de um verão tórrido nos Países Baixos, tivesse escrito qualquer coisa sobre glaciares pedidos para sempre, isto em meados do século XVII uns anos antes da Pequena Idade Glaciar, durante a qual foi possível patinar no Tamisa.
04/04/2017
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Imaginem
«Imaginem que um governo baixava o défice com medidas extraordinárias.
Imaginem que um governo aumentava as cativações e cortava o investimento do Estado, de modo a manter os maiores salários da função pública e as pensões mais elevadas.
Imaginem que um governo tentava primeiro privatizar a administração da CGD, e depois arranjava investidores estrangeiros caríssimos, ao mesmo tempo que anunciava ir encerrar balcões e despedir trabalhadores.
Imaginem que um governo, para arranjar receita fiscal, dava um perdão às maiores empresas portuguesas, que assim poupavam milhões de euros.
Imaginem que um governo se propunha aumentar o poder dos serviços de informações para recolher dados de comunicações privadas, numa iniciativa outrora chumbada pelo Tribunal Constitucional.
Imaginem que um governo vendia um banco a custo zero e com garantia à Lone Star, entidade há muito classificada pelo BE como “fundo abutre”, consagrando o controle estrangeiro dos quatro maiores bancos privados em Portugal.
E agora, imaginem que esse governo era um governo chefiado por Pedro Passos Coelho.
Estão a ver?
Era a austeridade. Era o neo-liberalismo. Era a crise social. Era o fim de Abril. Era o fascismo. E, claro, eram greves, eram manifestações, eram aulas magnas, eram apelos ao tribunal constitucional, era Vasco Lourenço, era Manuel Alegre, era a revolução.
Mas como esse governo é de António Costa, derrotado nas eleições de Outubro de 2015, mas amparado pelo PCP e pelo BE, eis o país, segundo o presidente da república, embalado pela mais perfeita paz social.»
«Sim, dá muito jeito ter António Costa no governo», Rui Ramos no Observador
Imaginem que um governo aumentava as cativações e cortava o investimento do Estado, de modo a manter os maiores salários da função pública e as pensões mais elevadas.
Imaginem que um governo tentava primeiro privatizar a administração da CGD, e depois arranjava investidores estrangeiros caríssimos, ao mesmo tempo que anunciava ir encerrar balcões e despedir trabalhadores.
Imaginem que um governo, para arranjar receita fiscal, dava um perdão às maiores empresas portuguesas, que assim poupavam milhões de euros.
Imaginem que um governo se propunha aumentar o poder dos serviços de informações para recolher dados de comunicações privadas, numa iniciativa outrora chumbada pelo Tribunal Constitucional.
Imaginem que um governo vendia um banco a custo zero e com garantia à Lone Star, entidade há muito classificada pelo BE como “fundo abutre”, consagrando o controle estrangeiro dos quatro maiores bancos privados em Portugal.
E agora, imaginem que esse governo era um governo chefiado por Pedro Passos Coelho.
Estão a ver?
Era a austeridade. Era o neo-liberalismo. Era a crise social. Era o fim de Abril. Era o fascismo. E, claro, eram greves, eram manifestações, eram aulas magnas, eram apelos ao tribunal constitucional, era Vasco Lourenço, era Manuel Alegre, era a revolução.
Mas como esse governo é de António Costa, derrotado nas eleições de Outubro de 2015, mas amparado pelo PCP e pelo BE, eis o país, segundo o presidente da república, embalado pela mais perfeita paz social.»
«Sim, dá muito jeito ter António Costa no governo», Rui Ramos no Observador
Pro memoria (342) - As epifanias chegaram ao Berloque de Esquerda
Depois de Porfírio Silva, ideólogo do Costismo exaltando a austeridade, de Teixeira dos Santos que deixou de acreditar na nacionalização para melhor vender um banco, logo ele que nacionalizou o BPN, chegou a vez de Catarina Martins, a presidente do BE, concluir que a geringonça ainda não acabou com a austeridade. Pois não, mas ó Catarina, filha, vai lá dizer ó Costa!
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antes isso que outra coisa,
até vi estrelas,
eu diria mesmo mais
ACREDITE SE QUISER: «Portugueses confiam mais no Governo que a média da Europa»
Pelo menos é o que diz o jornal Eco, citando o Público (o Jornal Oficial, como lhe chama Pedro Arroja), que por sua vez cita um estudo de «acesso condicionado», estudo que também se espera seja publicado por um outro Jornal Oficial, talvez o semanário Expresso.
É difícil de acreditar? Menos difícil do que a sondagem a Centeno para a presidência do Eurogrupo. Sobretudo se tentarmos encontrar explicações para o facto de um país tão disposto a confiar neste governo andar a marcar passo há várias décadas e a ser ultrapassado por países que, se calhar, não confiam tanto nos seus governos como Irlanda, Malta, República Checa, Eslovénia, Chipre, Eslováquia, a que se seguirão em breve outras vítimas do colapso do comunismo como Lituânia, Estónia, Polónia e Hungria.
É difícil de acreditar? Menos difícil do que a sondagem a Centeno para a presidência do Eurogrupo. Sobretudo se tentarmos encontrar explicações para o facto de um país tão disposto a confiar neste governo andar a marcar passo há várias décadas e a ser ultrapassado por países que, se calhar, não confiam tanto nos seus governos como Irlanda, Malta, República Checa, Eslovénia, Chipre, Eslováquia, a que se seguirão em breve outras vítimas do colapso do comunismo como Lituânia, Estónia, Polónia e Hungria.
03/04/2017
Lost in translation (288) - Tomar o todo pelas partes
«Portugal já gastou 13 mil milhões de euros a salvar bancos», titulou o Jornal de Notícias que ao fim de três décadas ainda não percebeu por que precisaram os bancos de ser salvos. Também não percebeu que não foi Portugal que «já gastou» - foi a maioria dos contribuintes com os seus impostos e a maioria dos accionistas com os aumentos de capital. E ainda menos percebeu onde foram parar os milhares de milhões de euros que contribuintes e accionistas «já gastaram». Sugestão: peçam as listas dos créditos malparados e não é preciso listar todos, basta os superiores a um milhão de euros.
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (77)
Outras avarias da geringonça.
Começo por aquilo que tudo indica é mais uma fabricação plantada no Expresso e logo espalhada por todas as câmaras de eco da imprensa amiga: a "notícia" com direito a chamada na 1.ª página ocupando 1/8 da broadshit tem o título «Centeno sondado para substituir Dijsselbloem». Podia ser uma paródia do primeiro de Abril, mas pelos vistos só é do primeiro de Abril porque este ano calhou ser sábado.
No que respeita à dívida, as coisas começarão a ficar pretas mais a partir de agora com as compras pelo BCE a abrandarem, também por estar cada vez mais perto o máximo que o BCE pode deter que já atinge 35,5 mil milhões.
Começo por aquilo que tudo indica é mais uma fabricação plantada no Expresso e logo espalhada por todas as câmaras de eco da imprensa amiga: a "notícia" com direito a chamada na 1.ª página ocupando 1/8 da broadshit tem o título «Centeno sondado para substituir Dijsselbloem». Podia ser uma paródia do primeiro de Abril, mas pelos vistos só é do primeiro de Abril porque este ano calhou ser sábado.No que respeita à dívida, as coisas começarão a ficar pretas mais a partir de agora com as compras pelo BCE a abrandarem, também por estar cada vez mais perto o máximo que o BCE pode deter que já atinge 35,5 mil milhões.
02/04/2017
ACREDITE SE QUISER: O semanário de referência, o primeiro de Abril, os factos alternativos e o poeta Aleixo
Com origem no
«Other socialist finance ministers who could be considered instead of Dijsselbloem are Slovakia’s Peter Kazimir, Malta’s Edward Scicluna and Portugal’s Mario Centeno, but officials said for now none of them had backing as strong as the Dutchman.»Depois de constatar isto, já não me surpreendeu o outro título do mesmo semanário de referência («Chefe de Estado quer Centeno em Portugal em vez de ir para o Eurogrupo»), afinal está a ser citada a criatura do jantar de vichyssoise e de várias outras originalidades.
Devemos então concluir que não houve nenhum socialista europeu que tivesse sondado Centeno para presidente do Eurogrupo? Não necessariamente. Não deve ser difícil encontrar entre os milhares de apparatchiks socialistas em Bruxelas uma alma excêntrica que se tenha lembrado de tal coisa e, para citar uma vez mais o poeta popular António Aleixo
P'ra a mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade
ESTÓRIA E MORAL: «Há quem goste de adormecer embalado por belos contos sobre défices»
Estória
«Em 2016, o Estado português incorreu num défice de €3807 milhões. No mesmo ano, a dívida bruta do mesmo Estado agravou-se em €9590 milhões. O défice resulta de uma série de convenções (o que conta e o que não conta para o efeito). A dívida é o que é: dos €9590 milhões em que se agravou, em 2016, €3807 milhões contaram para o défice e €5783 milhões não contaram.
Um dos fatores que torna a Humanidade de uma beleza incomparáv.el é a extrema diversidade dos seres humanos: sexo, cor, raça, religião, ideologia, cultura, idiossincrasias e o mais que queiramos considerar. Há quem goste de adormecer embalado por belos contos sobre défices; e há quem não consiga adormecer só de pensar em dívidas.»
Daniel Bessa, ministro da Economia de Guterres, durante 5 (cinco) meses, excerto do artigo «Défice e dívida» no caderno de economia do Expresso
Moral
A bom entendedor, meia palavra basta.
«Em 2016, o Estado português incorreu num défice de €3807 milhões. No mesmo ano, a dívida bruta do mesmo Estado agravou-se em €9590 milhões. O défice resulta de uma série de convenções (o que conta e o que não conta para o efeito). A dívida é o que é: dos €9590 milhões em que se agravou, em 2016, €3807 milhões contaram para o défice e €5783 milhões não contaram.
Um dos fatores que torna a Humanidade de uma beleza incomparáv.el é a extrema diversidade dos seres humanos: sexo, cor, raça, religião, ideologia, cultura, idiossincrasias e o mais que queiramos considerar. Há quem goste de adormecer embalado por belos contos sobre défices; e há quem não consiga adormecer só de pensar em dívidas.»
Daniel Bessa, ministro da Economia de Guterres, durante 5 (cinco) meses, excerto do artigo «Défice e dívida» no caderno de economia do Expresso
Moral
A bom entendedor, meia palavra basta.
01/04/2017
ACREDITE SE QUISER: Nem Jesus agrada a toda a gente
Às luminárias indignadas com o nome do aeroporto do Funchal, recordo que o proprietário do nome é o profissional português com maior sucesso e, justamente por isso, com maior notoriedade desde pelo menos Dona Maria II. Nos confins da Ásia, contaram-me há tempos, na tasca onde almoçavam uns tugas ninguém conhecia Portugal, até que alguém se lembrou de Cristiano Ronaldo: ah! é a terra dele?
Até uma revista pretensiosa como a Ozi escreveu a esse respeito:
Até uma revista pretensiosa como a Ozi escreveu a esse respeito:
Portanto, ó luminárias indignadas ide catar-vos que é preciso ter imenso talento, uma vontade férrea e uma auto-confiança homérica para olhar para o horrendo busto e sorrir como ele fez.Ronaldo’s Unlikely Statue Sets Internet AblazeWell, this is a bust. Cristiano Ronaldo has one of the most recognizable, bankable faces in the world — except, it seems, to the artist tasked with sculpting it in bronze. The soccer superstar was honored Wednesday outside the newly renamed Cristiano Ronaldo Airport in Portugal. Yet stealing the show was his twisted, goofy bust, which immediately sent the internet into a frenzy, quickly becoming one of the most shared images of the week. Not to be outdone, sculptor Emmanuel Santos responded to the mockery with, “Nor did Jesus please everyone.”
31/03/2017
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Why did you leave us this way?»
Foi com o título em epígrafe que João Marques de Almeida escreveu este artigo do Observador, onde nos lembra que o excepcionalismo britânico faz mais falta à Europa do que a Europa faz aos britânicos, por muito que o colectivismo, o furor regulamentário e uniformizador e o pendor estatista predominante numa boa parte do continente europeu pensem o contrário e pretendam agora castigar o Reino Unido pela sua decisão e por muito que, como escreve Rui Ramos, «a classe política europeia (mostre) perante o Reino Unido uma coragem que muitas vezes lhe faltou perante a Rússia de Putin ou a Turquia de Erdogan.»
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Chávez & Chávez, Sucessores (55) – Esfumaram-se os últimos vestígios de democracia
Outras obras do chávismo.
O Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, um órgão do poder chávista controlado pelos seus fiéis, assumiu os poderes legislativos que retirou à Assembleia Nacional onde a oposição tem a maioria. Como escreve o NYT, «os últimos vestígios da democracia venezuelana foram derrubados».
Não será melhor, mas ao menos é mais claro: um regime autocrático puro e duro, sem disfarces. Vamos ouvir o que têm para nos dizer os admiradores domésticos da socialismo chávista, depois do silêncio sobre a nacionalização das padarias de portugueses.
O Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, um órgão do poder chávista controlado pelos seus fiéis, assumiu os poderes legislativos que retirou à Assembleia Nacional onde a oposição tem a maioria. Como escreve o NYT, «os últimos vestígios da democracia venezuelana foram derrubados».
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| Era mais o que os unia do que aquilo que os separava? |
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Pro memoria (341) - Ele deixou de acreditar nisso
Em entrevista ao Dinheiro Vivo/DN/TSF, uma criatura disse, a propósito da venda do Novo Banco:
Mais um que viu a luz e teve uma epifania?
« o banco vai ter de melhorar a sua eficiência, reduzir custos - fala-se em fechar balcões e reduzir pessoal -, e eu não acredito que se o banco ficasse na posse do Estado pudesse levar a cabo o plano de reestruturação e de ganho de eficiência que será necessário. Veja-se o que se está a passar com a CGD. Na Caixa, que, segundo foi anunciado, precisará de reduzir também pessoal e fechar balcões, há logo um processo político em torno deste tema. E veja-se a pressão que é feita para que a CGD de facto não melhore a eficiência da sua operação. Imagino também que o mesmo se passaria no Novo Banco (...) a ideia de que nacionalizando o banco permitiria preparar melhor o banco para o vender melhor mais tarde, eu não acredito nisso (...) Vamos todos pagar isto. ».Pode ser difícil de acreditar, mas quem disse isso foi Teixeira dos Santos, o ministro socialista das Finanças ou, talvez melhor, o ministro das Finanças Socialistas de Sócrates, que nacionalizou o BPN e a quem dediquei uma longa série de posts com o título «a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em...»
Mais um que viu a luz e teve uma epifania?
30/03/2017
ESTADO DE SÍTIO: Habituem-se (7)
Outros Habituem-se
Por muito que aqui no (Im)pertinências se prognostique o fim da geringonça (leia-se a série Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça que já vai em 76 episódios) e, para sermos sinceros, se deseje, para bem do país, isso não significa que ela faleça espontaneamente numa bela manhã de nevoeiro.
O último Habituem-se de há quase três meses, foi a propósito do artigo do FT «Costa confounds critics as Portuguese economy holds course» que foi devidamente exaltado pela máquina agiprop da geringonça que controla quase todas as redacções. Este Habituem-se é a propósito de um outro artigo da imprensa inglesa, desta vez a Economist «Portugal cuts its fiscal deficit while raising pensions and wages» que tem como subtítulo «The Socialists say their Keynesian policies are working; others fret about Portugal’s debts». Preparai-vos para nos próximos dias a máquina de propaganda deturpar o artigo e alardear as grandes realizações da geringonça, alegadamente segundo uma revista de referência.
Não deixando de apontar os pés de barro da governação socialista, é certo que a Economist faz uma apreciação líquida positiva. E seria difícil não o fazer porque, na aparência, visto de St James's Street ou de Southwark Bridge, a 3 horas de voo de S. Bento, numa Europa em turbulenta decadência, os problemas portugueses face aos gregos, por exemplo, parecem insignificantes - e são-no para britânicos enrascados com o Brexit, holandeses a recuperar do susto, franceses que se sentem ameaçados por Le Pen, italianos sob influência do palhaço Grillo, alemães inquietos com o problema dos refugiados e todos a verem as rachas do edifício da construção europeia em risco de colapsar.
Para observadores informados e atentos à realidade portuguesa subterrânea, as canalizações e a infraestrutura da economia dão outros sinais. E não é só a dívida pública e privada e a dependência cada vez maior do BCE, é a enorme bomba do crédito malparado e sobretudo uma economia descapitalizada convivendo com produtividades baixíssimas que só poderiam aumentar com um investimento maciço que não existe, nem existem meios financeiros para o fazer, porque não existe poupança das famílias, nem investimento estrangeiro produtivo.
Entretanto, isso não significa que a geringonça não possa continuar a flutuar iludindo a realidade, sobretudo se ajudada por um clima económico internacional favorável, pelo aumento do turismo e, claro, por uma realidade paralela construída pelos mídia arregimentados por uma geringonça que atrela a esmagadora maioria dos jornalistas. Como também pode afundar-se rapidamente, por ocorrências aparentemente menores, como um outlook negativo (pouco provável) da DBRS, a única agência que mantém a notação acima do lixo.
Por muito que aqui no (Im)pertinências se prognostique o fim da geringonça (leia-se a série Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça que já vai em 76 episódios) e, para sermos sinceros, se deseje, para bem do país, isso não significa que ela faleça espontaneamente numa bela manhã de nevoeiro.
O último Habituem-se de há quase três meses, foi a propósito do artigo do FT «Costa confounds critics as Portuguese economy holds course» que foi devidamente exaltado pela máquina agiprop da geringonça que controla quase todas as redacções. Este Habituem-se é a propósito de um outro artigo da imprensa inglesa, desta vez a Economist «Portugal cuts its fiscal deficit while raising pensions and wages» que tem como subtítulo «The Socialists say their Keynesian policies are working; others fret about Portugal’s debts». Preparai-vos para nos próximos dias a máquina de propaganda deturpar o artigo e alardear as grandes realizações da geringonça, alegadamente segundo uma revista de referência.
Não deixando de apontar os pés de barro da governação socialista, é certo que a Economist faz uma apreciação líquida positiva. E seria difícil não o fazer porque, na aparência, visto de St James's Street ou de Southwark Bridge, a 3 horas de voo de S. Bento, numa Europa em turbulenta decadência, os problemas portugueses face aos gregos, por exemplo, parecem insignificantes - e são-no para britânicos enrascados com o Brexit, holandeses a recuperar do susto, franceses que se sentem ameaçados por Le Pen, italianos sob influência do palhaço Grillo, alemães inquietos com o problema dos refugiados e todos a verem as rachas do edifício da construção europeia em risco de colapsar.
Para observadores informados e atentos à realidade portuguesa subterrânea, as canalizações e a infraestrutura da economia dão outros sinais. E não é só a dívida pública e privada e a dependência cada vez maior do BCE, é a enorme bomba do crédito malparado e sobretudo uma economia descapitalizada convivendo com produtividades baixíssimas que só poderiam aumentar com um investimento maciço que não existe, nem existem meios financeiros para o fazer, porque não existe poupança das famílias, nem investimento estrangeiro produtivo.
Entretanto, isso não significa que a geringonça não possa continuar a flutuar iludindo a realidade, sobretudo se ajudada por um clima económico internacional favorável, pelo aumento do turismo e, claro, por uma realidade paralela construída pelos mídia arregimentados por uma geringonça que atrela a esmagadora maioria dos jornalistas. Como também pode afundar-se rapidamente, por ocorrências aparentemente menores, como um outlook negativo (pouco provável) da DBRS, a única agência que mantém a notação acima do lixo.
29/03/2017
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (74)
As uniões de facto, que quase duplicaram em 10 anos, representavam no censo de 2011 aproximadamente 1 em cada 8 relações conjugais e nas regiões de Lisboa e Algarve 1 em cada 5, e estima-se que representem actualmente quase metade das novas relações conjugais. Quanto às gravidezes, cada vez mais raras com a taxa de fertilidade mais baixa da EU28, as que escapam à pílula do dia seguinte e ao aborto (ou, se preferirem, interrupção voluntária da gravidez, em politicamente correctês), são evidentemente conhecidas da mãe, como sempre foram, acompanhadas com ecografias e, nos tempos actuais, geralmente também conhecidas do pai que, em caso de dúvida, pode fazer o teste de paternidade ADN, hoje uma trivialidade, até nas farmácias.
É neste contexto que o socialismo serôdio do PS descobriu uma nova causa fracturante - desta vez fracturante apenas para a terceira idade - e apresentou um projecto de lei no parlamento para reduzir o chamado prazo de interdição do casamento de 180 para homens e 300 dias para mulheres (ou, se preferirem em politicamente correctês, para pessoas do género masculino e do género feminino, respectivamente) para um prazo único de 30 dias. O prazo de 300 dias para as mulheres foi introduzido em 1966 no Código Civil então aprovado, pela dificuldade à época de saber quem era o pai da criança.
Chegado a este ponto, pergunto-me porque razão, no contexto das práticas sociais actuais, as almas socialistas, e já agora as berloquistas, querem reduzir o prazo de interdição do casamento concedendo um certificado de menoridade mental aos cada vez menos nubentes, em vez de simplesmente o eliminarem? Isso sim, seria fracturante, mas teria o inconveniente para os amantes do Estado omnipresente de tirar o Estado de cima das relações conjugais.
28/03/2017
CASE STUDY: DGSS, uma aplicação prática da lei de Parkinson
Este é mais um post dedicado às aplicações práticas da lei de Parkinson nos órgãos da vaca marsupial pública.
Comecemos por recordar a lei de Parkinson que em rigor são duas leis: a lei da Multiplicação dos Subordinados e a lei da Multiplicação do Trabalho.
Continuemos com as premissas, confirmadas por anos de observação, que na administração pública portuguesa são aplicáveis variantes das leis de Parkinson: a lei da Multiplicação das Chefias, em vez da lei da Multiplicação dos Subordinados, e a lei da Multiplicação das Folgas, no lugar da lei da Multiplicação do Trabalho.
A esta luz, estamos agora em condições de compreender o caso da Direcção-Geral de Segurança Social (DGSS) tal como nos é descrito pelo DN, o diário da manhã do regime, a partir de uma auditoria da IGF aos recursos humanos da DGSS.
Citando o DN, podemos identificar a ocorrência das referidas leis na DGSS:
Comecemos por recordar a lei de Parkinson que em rigor são duas leis: a lei da Multiplicação dos Subordinados e a lei da Multiplicação do Trabalho.
Continuemos com as premissas, confirmadas por anos de observação, que na administração pública portuguesa são aplicáveis variantes das leis de Parkinson: a lei da Multiplicação das Chefias, em vez da lei da Multiplicação dos Subordinados, e a lei da Multiplicação das Folgas, no lugar da lei da Multiplicação do Trabalho.
A esta luz, estamos agora em condições de compreender o caso da Direcção-Geral de Segurança Social (DGSS) tal como nos é descrito pelo DN, o diário da manhã do regime, a partir de uma auditoria da IGF aos recursos humanos da DGSS.
Citando o DN, podemos identificar a ocorrência das referidas leis na DGSS:
- Lei da Multiplicação das Chefias - «em setembro de 2015, o rácio era de um chefe para 4,5 funcionários, quando em 2009 a média era de 6,5 por dirigente (...) existirem duas coordenadoras técnicas a chefiarem um e três trabalhadores, respectivamente»;
- Lei da Multiplicação das Folgas - «esta situação traduz-se no benefício adicional de mais 12 dias anuais de não trabalho (que acrescem aos dias de férias).»
ACREDITE SE QUISER: Aleluia! O Senhor seja louvado! Eles tiveram uma epifania e viram a Luz?
Ainda estou aturdido. Na visita ao Insurgente este vosso escriba deparou-se com a reprodução de um surpreendente, inacreditável e esotérico post de Porfírio Simões de Carvalho e Silva, Doutor em Epistemologia E Filosofia Das Ciências e emérito ideólogo do Costismo, louvando a contenção orçamental, reprovando os défices e demonizando a dívida, numa palavra, exaltando a austeridade.
Podemos, com boa vontade, reconhecer alguma razão ao Doutor Centeno quando contestou a classificação de Teodora Cardoso, presidente do CFP, do défice de 2,1% como milagre. Milagre, verdadeiro milagre, é o que escreveu o Doutor em Epistemologia E Filosofia Das Ciências. O défice de 2,1% (ou 2,06%, se quisermos ser rigorosos) é apenas prodigioso.
27/03/2017
ACREDITE SE QUISER: A geringonça nossa amiga...
... vai generosamente permitir que os contribuintes a autorizem a debitar directamente os impostos nas suas contas bancárias. Resmas e remas de contribuintes mal podem esperar pelo Simplex + até ao fim do ano para correr para os seus bancos dando autorizações de débito directo e cantando em coro: debitem-nos! obrigado geringonça!
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (76)
Outras avarias da geringonça.
A valorização do euro face ao dólar é mais um indicador de que os mercados estão a antecipar o fim da era dos juros negativos do BCE, de que depende a sobrevivência da geringonça para aguentar uma dívida pantagruélica a crescer e com um mercado secundário cada vez menos profundo porque um dos efeitos da compra de dívida pelo BCE é de o secar e torná-lo menos líquido - mais um factor a puxar pelos yields.
A isso devemos juntar o aviso do BCE no seu boletim de Março de que poderá ser iniciado o procedimento de desequilíbrio macroeconómico excessivo em relação à Itália, a Chipre e a Portugal se não apresentarem políticas correctivas até Abril. Para se ter uma ideia do que implicaria este procedimento leia-se esta síntese. O quadro começa a ficar escuro, por muito que o presidente Marcelo invoque o ministro-anexo que agora reside em Frankfurt.
A valorização do euro face ao dólar é mais um indicador de que os mercados estão a antecipar o fim da era dos juros negativos do BCE, de que depende a sobrevivência da geringonça para aguentar uma dívida pantagruélica a crescer e com um mercado secundário cada vez menos profundo porque um dos efeitos da compra de dívida pelo BCE é de o secar e torná-lo menos líquido - mais um factor a puxar pelos yields.A isso devemos juntar o aviso do BCE no seu boletim de Março de que poderá ser iniciado o procedimento de desequilíbrio macroeconómico excessivo em relação à Itália, a Chipre e a Portugal se não apresentarem políticas correctivas até Abril. Para se ter uma ideia do que implicaria este procedimento leia-se esta síntese. O quadro começa a ficar escuro, por muito que o presidente Marcelo invoque o ministro-anexo que agora reside em Frankfurt.
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