Outras preces.
Prosseguindo a sua missão de grossista de afectos e evaporador de crises, o presidente Marcelo fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala em qualquer altura e em qualquer sítio sobre qualquer assunto. Desta vez foi na Festa do Livro de Belém onde partilhou com o povo os seus pensamentos profundos acerca da economia e, ao mesmo tempo que nos tranquilizou sobre outra crise evaporada - a da nossa querida Caixa que tem a caminho mais uns milhares de milhões para juntar aos outros que já torrou -, iluminou-nos com as seguintes palavras mágicas e proféticas:
«Quanto ao PIB, a previsão do INE era de 0,2 para o segundo trimestre, que agora corrigiu para 0,3, o que aponta para a possibilidade de no final do ano (se os indicadores que existem se confirmarem), de poder estar no 1% ou acima do 1% (mais perto de 1,4, que é o que diz a Comissão Europeia) em vez de 0,8 ou 0,9 como se admitia.»
Sabemos da sua costela de «catavento de opiniões erráticas», ainda assim, que diacho, pode não ser fácil até para o presidente Marcelo descalçar a bota quando tiver de explicar o falhanço das suas profecias, mesmo levando a seu crédito que «serão sempre mais as pessoas que preferirão mentiras».
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
02/09/2016
ESTÓRIA E MORAL: As consequências indesejadas do politicamente correcto
Estória
O governo americano e alguns governos europeus estão a tentar reduzir as populações prisionais libertando a um ritmo superior ao dos novos encarceramentos. Com esse propósito, lançaram programas para ajudar os ex-presidiários a encontrar trabalho, aumentando assim as possibilidades de não voltarem a ser presos.
Para evitar discriminação e com o propósito de melhor as possibilidades de obter emprego, activistas de todo o mundo pressionaram para ser proibido os empregadores questionarem os ex-presidiários sobre os seus antecedentes criminais nas entrevistas de emprego, impedindo os empregadores de os seleccionarem com base no seu passado. Tiveram sucesso, porque em 24 estados americanos os empregadores foram proibidos de fazer essas perguntas aos candidatos.
Jennifer Doleac da Universidade de Virginia e Benjamin Hansen da Universidade de Oregon, num estudo publicado no princípio de Agosto concluíram que essa prática incentivou os empregadores, impedidos de conhecer o registo criminal dos candidatos, a tratarem as minorias com sendo mais prováveis de terem antecedentes criminais, reduzindo a probabilidade de jovens negros e hispânicos conseguirem emprego. Estas conclusões forem confirmadas por outro estudo de Amanda Agan da Universidade de Princeton e Sonja Starr da Universidade de Michigan.
Moral
O inferno está cheio de boas intenções.
O governo americano e alguns governos europeus estão a tentar reduzir as populações prisionais libertando a um ritmo superior ao dos novos encarceramentos. Com esse propósito, lançaram programas para ajudar os ex-presidiários a encontrar trabalho, aumentando assim as possibilidades de não voltarem a ser presos.
Para evitar discriminação e com o propósito de melhor as possibilidades de obter emprego, activistas de todo o mundo pressionaram para ser proibido os empregadores questionarem os ex-presidiários sobre os seus antecedentes criminais nas entrevistas de emprego, impedindo os empregadores de os seleccionarem com base no seu passado. Tiveram sucesso, porque em 24 estados americanos os empregadores foram proibidos de fazer essas perguntas aos candidatos.
Jennifer Doleac da Universidade de Virginia e Benjamin Hansen da Universidade de Oregon, num estudo publicado no princípio de Agosto concluíram que essa prática incentivou os empregadores, impedidos de conhecer o registo criminal dos candidatos, a tratarem as minorias com sendo mais prováveis de terem antecedentes criminais, reduzindo a probabilidade de jovens negros e hispânicos conseguirem emprego. Estas conclusões forem confirmadas por outro estudo de Amanda Agan da Universidade de Princeton e Sonja Starr da Universidade de Michigan.
Moral
O inferno está cheio de boas intenções.
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Desfazendo ideias feitas,
unintended consequences
Um governo à deriva (25) - O crescimento segundo a geringonça
«Os números são teimosos em mostrar que não é com esta política que vamos crescer. Aliás os números mostram a desgraça que nos envolve. O consumo privado, que devia estar a crescer 2,4%, só sobe 1,7%. O investimento está a cair 3,1°/o quando devia estar a crescer, pelas contas iniciai: do Governo, 4,9%. As exportações sobem 1,5%, abaixo da meta de 4,%. As importações cresceram 0,9%, contra os 5,% estimados pelo executivo. O que até é bom pois esta quebra ajuda a melhorar os dados do crescimento. Só o consumo público está em linha com o projetado.»
Este flash de João Vieira Pereira é um retrato do estado em que as políticas da Mouse School of Economic aplicadas por este governo estão a deixar o país. É caso para perguntar: não ficaríamos melhor se, como os espanhóis, não tivéssemos governo?
Este flash de João Vieira Pereira é um retrato do estado em que as políticas da Mouse School of Economic aplicadas por este governo estão a deixar o país. É caso para perguntar: não ficaríamos melhor se, como os espanhóis, não tivéssemos governo?
01/09/2016
Dúvidas (171) - Se é indispensável como podem viver sem ele?
Há quase nove meses que os espanhóis têm um «governo de gestão» sem apoio parlamentar maioritário, o que face ao cânone prevalecente é como se não tivessem governo. E, contudo, a economia cresce e o país vive sem problemas de maior. Talvez por ser um governo mínimo.
CASE STUDY: Um imenso Portugal (35)
[Outros imensos Portugais]
«Senado aprova impeachment, Dilma perde mandato e Temer assume. Presidente afastada perdeu mandato por 61 votos favoráveis e 20 contrários. Senadores rejeitaram pena de inabilitação da petista para funções públicas.»
Ricardo Costa, a respeito do qual escrevi em tempo que é um jornalista bom no género mau que pode vir a fazer o upgrade para o género bom, ex-director do Expresso, onde continua a fazer editoriais com outro nome, escreveu a respeito do impeachment de Dilma Rousseff, um artigo cuja síntese está no título «Brasil, não é um golpe mas também não sei bem o que é». Transcrevo o excerto seguinte que põe em causa a tese do golpe e denuncia a habitual duplicidade moral da esquerdalhada (a duplicidade moral da direita, evidentemente existente, neste caso não se aplica):
«É muito difícil qualificar de golpe algo que tem legitimidade legal e constitucional. Quando os partidos de esquerda e de direita franceses alteram a lei eleitoral para impedir que a Frente Nacional tenha poder executivo isso é o quê? Um golpe? Ou é legítimo porque impede um partido xenófobo de ter poder? Quando, por exemplo, Matteo Renzi convoca um referendo para alterar a Constituição e retirar poder a uma das câmaras eleitorais e ameaça demitir-se se perder, é exatamente o quê? Quando o sistema eleitoral britânico impede o UKIP de eleger deputados, isso está certo? Mas quando impede os verdes ou os liberais já está errado?
O outro argumento é menos sólido, porque assenta numa avaliação política e moral. Parte da óbvia falência do governo PT e da sua gravíssima erosão moral para concluir que um partido tão descredibilizado já não conseguia governar, muito menos endireitar uma economia em queda livre. Mas foi um argumento sublinhado pelo próprio PT em grande estilo, começando no caso Mensalão e acabando no Lava Jato, que fazem corar de vergonha qualquer pessoa que agora grita que há golpe. O Mensalão é, isso sim, um verdadeiro golpe. Um sistema de pagamento contínuo de "luvas", enganando eleitores e contribuintes e transformando a câmara de deputados numa espécie de bordel onde tudo se compra.»
«Senado aprova impeachment, Dilma perde mandato e Temer assume. Presidente afastada perdeu mandato por 61 votos favoráveis e 20 contrários. Senadores rejeitaram pena de inabilitação da petista para funções públicas.»
Ricardo Costa, a respeito do qual escrevi em tempo que é um jornalista bom no género mau que pode vir a fazer o upgrade para o género bom, ex-director do Expresso, onde continua a fazer editoriais com outro nome, escreveu a respeito do impeachment de Dilma Rousseff, um artigo cuja síntese está no título «Brasil, não é um golpe mas também não sei bem o que é». Transcrevo o excerto seguinte que põe em causa a tese do golpe e denuncia a habitual duplicidade moral da esquerdalhada (a duplicidade moral da direita, evidentemente existente, neste caso não se aplica):
«É muito difícil qualificar de golpe algo que tem legitimidade legal e constitucional. Quando os partidos de esquerda e de direita franceses alteram a lei eleitoral para impedir que a Frente Nacional tenha poder executivo isso é o quê? Um golpe? Ou é legítimo porque impede um partido xenófobo de ter poder? Quando, por exemplo, Matteo Renzi convoca um referendo para alterar a Constituição e retirar poder a uma das câmaras eleitorais e ameaça demitir-se se perder, é exatamente o quê? Quando o sistema eleitoral britânico impede o UKIP de eleger deputados, isso está certo? Mas quando impede os verdes ou os liberais já está errado?
O outro argumento é menos sólido, porque assenta numa avaliação política e moral. Parte da óbvia falência do governo PT e da sua gravíssima erosão moral para concluir que um partido tão descredibilizado já não conseguia governar, muito menos endireitar uma economia em queda livre. Mas foi um argumento sublinhado pelo próprio PT em grande estilo, começando no caso Mensalão e acabando no Lava Jato, que fazem corar de vergonha qualquer pessoa que agora grita que há golpe. O Mensalão é, isso sim, um verdadeiro golpe. Um sistema de pagamento contínuo de "luvas", enganando eleitores e contribuintes e transformando a câmara de deputados numa espécie de bordel onde tudo se compra.»
31/08/2016
QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (44) O clube dos incréus reforçou-se (IX)
Outras marteladas.
Na subsérie de posts «O clube dos incréus reforçou-se» tenho vindo a dar conta do número crescente de cépticos que estão a romper o aparente consenso sobre as medidas não convencionais que nos últimos anos alguns bancos centrais (nomeadamente Fed, BOE, ECB e BOJ) adoptaram, consistindo em taxas de juro negativas, nulas ou próximas de zero e alívio quantitativo, isto é injecções maciças de liquidez através da compra de dívida pública e privada.
Entre os cépticos mais recentes, começo por citar Robert Skidelsky, membro da British House of Lord, professor emérito de Política Económica na Warwick University e, nas suas próprias palavras, biógrafo e aficionado de John Maynard Keynes, que mantendo-se fiel às soluções de Keynes e concedendo um papel primordial ao investimento público conclui num artigo recente: «as taxas de juro negativas são simplesmente uma distracção do que deveria ser uma análise mais profunda do que deu errado - e que continua a dar errado.»
Também John Cryan, CEO do Deutsche Bank, declarou há dias «a actual política monetária está a comprometer os objectivos de reforçar a economia e tornar o sistema bancário europeu mais seguro».
James Grant, um guru de Wall Street, aponta o risco, muitas vezes referido nesta série de posts, das «taxas de juro muito baixas induzirem especulação e investimento imprudente e má alocação de capital» e considera o mercado de dívida soberana como o mais sobrevalorizado em todo o mundo, «onde não se ganha nada ou menos do que nada para ter o privilégio de emprestar dinheiro a um governo que se comprometeu a depreciar a moeda em que estamos a investir».
A descrença atinge até a Bloomberg, cujos analistas foram até recentemente adeptos fervorosos do QE e das taxas evanescentes. Num artigo recente, transcrito no Público, dois deles põem a tónica nas limitações das políticas monetárias apontando o risco de «os bancos centrais continuarem fechados num ciclo de estímulos que não conseguem quebrar».
A falta de fé vai para além das políticas monetárias não convencionais e chega até a pôr em causa os supostos poderes miraculosos dos bancos centrais que, segundo um estudo recente de Elroy Dimson, Paul Marsh e Mike Staunton da London Business School, compreendendo o período de mais de um século, historicamente parecem estar a ser manipulados pelos investidores. Usando as palavras da Economist num artigo significativamente intitulado «Slaves of the markets», «os investidores podem, assim, ter aprendido que, se eles fizerem as suas birras como as crianças, os bancos centrais no final virão em seu socorro. A longo prazo isto pode ter encorajado o comportamento de risco do tipo que era comum no período que antecedeu à crise de 2007-08».
Na subsérie de posts «O clube dos incréus reforçou-se» tenho vindo a dar conta do número crescente de cépticos que estão a romper o aparente consenso sobre as medidas não convencionais que nos últimos anos alguns bancos centrais (nomeadamente Fed, BOE, ECB e BOJ) adoptaram, consistindo em taxas de juro negativas, nulas ou próximas de zero e alívio quantitativo, isto é injecções maciças de liquidez através da compra de dívida pública e privada.
Entre os cépticos mais recentes, começo por citar Robert Skidelsky, membro da British House of Lord, professor emérito de Política Económica na Warwick University e, nas suas próprias palavras, biógrafo e aficionado de John Maynard Keynes, que mantendo-se fiel às soluções de Keynes e concedendo um papel primordial ao investimento público conclui num artigo recente: «as taxas de juro negativas são simplesmente uma distracção do que deveria ser uma análise mais profunda do que deu errado - e que continua a dar errado.»
Também John Cryan, CEO do Deutsche Bank, declarou há dias «a actual política monetária está a comprometer os objectivos de reforçar a economia e tornar o sistema bancário europeu mais seguro».
James Grant, um guru de Wall Street, aponta o risco, muitas vezes referido nesta série de posts, das «taxas de juro muito baixas induzirem especulação e investimento imprudente e má alocação de capital» e considera o mercado de dívida soberana como o mais sobrevalorizado em todo o mundo, «onde não se ganha nada ou menos do que nada para ter o privilégio de emprestar dinheiro a um governo que se comprometeu a depreciar a moeda em que estamos a investir».
A descrença atinge até a Bloomberg, cujos analistas foram até recentemente adeptos fervorosos do QE e das taxas evanescentes. Num artigo recente, transcrito no Público, dois deles põem a tónica nas limitações das políticas monetárias apontando o risco de «os bancos centrais continuarem fechados num ciclo de estímulos que não conseguem quebrar».
A falta de fé vai para além das políticas monetárias não convencionais e chega até a pôr em causa os supostos poderes miraculosos dos bancos centrais que, segundo um estudo recente de Elroy Dimson, Paul Marsh e Mike Staunton da London Business School, compreendendo o período de mais de um século, historicamente parecem estar a ser manipulados pelos investidores. Usando as palavras da Economist num artigo significativamente intitulado «Slaves of the markets», «os investidores podem, assim, ter aprendido que, se eles fizerem as suas birras como as crianças, os bancos centrais no final virão em seu socorro. A longo prazo isto pode ter encorajado o comportamento de risco do tipo que era comum no período que antecedeu à crise de 2007-08».
De como um comendador pode entender melhor Mr Keynes do que os keynesianos
«Ele era assim um bocado como o Jesus, o Jorge Jesus:
arranjava respostas para tudo, mesmo quando as coisas pareciam correr mal.
Maynard, a quem os mais distantes chamavam Mr. Keynes, sabia de economia como ninguém.
Em Portugal eram todos, ou quase, seguidores de metade da sua teoria (aquela
parte que diz que o Estado deve gastar em contraciclo); a outra metade (aquela
que diz que o Estado deve poupar quando a economia cresce) só um ou outro
subscrevia. Por isso, mal rebentou a crise, formou-se em Portugal uma seleção
de keynesianos (nome dos seguidores do Maynard), absolutamente notável. Ia desde
os bloquistas, capitaneados por Louçã, a homens insuspeitos de simpatias com a
esquerda, como Bagão Félix ou Manuela Ferreira Leite. Passava por inúmeras
sumidades, entre as quais o Presidente da República e professor de Economia
Cavaco Silva, que sabiam precisamente o que fazer»
Comendador Marques de Correia, «Ai, meu Deus, a falta que o Maynard
faz nestas alturas em que tudo se baralha», na Revista do Expresso
30/08/2016
ACREDITE SE QUISER: O lugar do outro
Não é preciso ser piloto-aviador, nem mesmo ter estado na tropa para compreender que a Força Aérea, que nem tem os meios capazes e suficientes para defender o país dos inimigos externos e cumprir as obrigações que as nossas alianças requerem, muito menos dispõe das aeronaves, do know-how, dos pilotos e restante pessoal para andar a apagar fogos, fazer a manutenção da parafernália e tudo o mais necessário durante doze meses por ano para manter os aviões no ar três ou quatro semanas.
Deve haver algumas razões para mesmo em países que dispõe de Forças Aéreas incomensuravelmente melhor apetrechadas não se inclui o combate a incêndios nas suas missões.
Consigo perceber que um desempregado, residente em Odivelas ou em qualquer outro ponto do país, à falta do que fazer, torture as suas meninges e tenha tempo disponível para promover uma petição para pôr a FA a fazer de bombeiros. Com um pouco mais de dificuldade, ainda consigo perceber, que 32 mil outras criaturas se tivessem disposto a assinar a petição - afinal de contas são apenas 0,33% dos eleitores e se até o MRPP teve 60 mil votos.
Porém, está para além da minha compreensão que o ministro da Defesa, ainda que só depois de feito ministro tenha entrado num quartel, considere «inevitável que a FAP venha a ser dotada dessa capacidade» e fico ainda preocupado com o destino do país quando o ministro acrescenta que «o primeiro-ministro coincide nessa abordagem».
Deve haver algumas razões para mesmo em países que dispõe de Forças Aéreas incomensuravelmente melhor apetrechadas não se inclui o combate a incêndios nas suas missões.
Consigo perceber que um desempregado, residente em Odivelas ou em qualquer outro ponto do país, à falta do que fazer, torture as suas meninges e tenha tempo disponível para promover uma petição para pôr a FA a fazer de bombeiros. Com um pouco mais de dificuldade, ainda consigo perceber, que 32 mil outras criaturas se tivessem disposto a assinar a petição - afinal de contas são apenas 0,33% dos eleitores e se até o MRPP teve 60 mil votos.
Porém, está para além da minha compreensão que o ministro da Defesa, ainda que só depois de feito ministro tenha entrado num quartel, considere «inevitável que a FAP venha a ser dotada dessa capacidade» e fico ainda preocupado com o destino do país quando o ministro acrescenta que «o primeiro-ministro coincide nessa abordagem».
ESTADO DE SÍTIO: Estará Pedro Passos Coelho a fazer de Charles Erwin Wilson?
Durante o processo de nomeação como secretário da Defesa de Eisenhower em 1953, Charles Erwin Wilson, que tinha sido presidente executivo da General Motors e à data ainda detinha acções da GM, quando questionado pela comissão de Defesa do Senado sobre os potenciais conflitos de interesse, terá respondido com a maior ingenuidade «what was good for the country was good for General Motors and vice versa».
Ocorreu-me o episódio de Charles Erwin Wilson quando li a pergunta de Pedro Passos Coelho ao país: «Quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?». Pergunta que não sei se é boa para o maior partido da oposição mas estou certo que é péssima para o país que esse partido pretende governar.
Ocorreu-me o episódio de Charles Erwin Wilson quando li a pergunta de Pedro Passos Coelho ao país: «Quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?». Pergunta que não sei se é boa para o maior partido da oposição mas estou certo que é péssima para o país que esse partido pretende governar.
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a nódoa cai em qualquer pano,
tiro no pé
29/08/2016
ESTADO DE SÍTIO: Habituem-se (5)
«Enfim, é expectável (e justo) que muitos assinalem, gozem ou se indignem com as incongruências, cada vez mais gritantes, do “Cenário Macroeconómico” do PS – e, até, que estas sirvam de arma retórica nos duelos parlamentares. Mas convém não esquecer que, na política portuguesa, os factos contam pouco. E que, por isso, o país se entusiasmará sempre mais a discutir as finanças públicas da perspectiva dos estados de espírito (o “pessimismo” de Passos contra o “optimismo” de Costa) do que recorrendo aos indicadores do INE. Em 2009, foi aliás o que aconteceu, quando o “optimista” Sócrates venceu a “bota-abaixista” Ferreira Leite, para dois anos depois entregar o país à troika. E, hoje, se a direita não aprender a lição, arrisca-se a brevemente repetir a derrota: denunciar contas falhadas não chega, é necessário oferecer uma ideia de futuro. Não basta ter os factos do seu lado. Porque, perante a mensagem certa, serão sempre mais as pessoas que preferirão mentiras. E o “Cenário Macroeconómico” prova que António Costa sabe isso muito bem.»
Estas palavras de Alexandre Homem Cristo no Observador identificam bem este facto elementar na política portuguesa, historicamente provado e evidentíssimo nos anos que antecedem as grandes crises (como o consolado de Sócrates): «serão sempre mais as pessoas que preferirão mentiras». A esse facto devemos adicionar um outro que é o enviesamento da maioria dos jornalistas - por isso os costumamos chamar jornalistas de causas. Tanto os de esquerda como os de direita, sendo que por cada 1 destes há n daqueles e por isso, subitamente, desde a ascensão da geringonça ao poder, todas desgraças, injustiças, desemprego, fome e miséria evaporaram-se, para usar as palavras do presidente Marcelo – o evaporador-mor do Reino de Pacheco.
É neste contexto que Passos Coelho tem de fazer oposição sem cair no «bota-abaixismo», que se revela contraproducente, nem no «optimismo» que seria uma mistificação e, de resto, nesse terreno, perderia em toda a linha para Costa. É uma saída muito estreita e certamente exige uma dose mínima de carisma (que não é abundante em PPC, to say the least) e, sobretudo, uma visão para o país, própria, realista, distinta e distinguível do social-corporativismo de quase toda a esquerda (que PPC ainda não mostrou) que mobilize aquela parte do eleitorado que não vive pendurada no Estado e que contenha a legião de apparatchiks que povoam o PSD, impacientes por recuperarem o estatuto de novos situacionistas.
É mais fácil de dizer do que de fazer e, se for possível, levará sempre um certo tempo e requer alguma paciência. Habituem-se.
Estas palavras de Alexandre Homem Cristo no Observador identificam bem este facto elementar na política portuguesa, historicamente provado e evidentíssimo nos anos que antecedem as grandes crises (como o consolado de Sócrates): «serão sempre mais as pessoas que preferirão mentiras». A esse facto devemos adicionar um outro que é o enviesamento da maioria dos jornalistas - por isso os costumamos chamar jornalistas de causas. Tanto os de esquerda como os de direita, sendo que por cada 1 destes há n daqueles e por isso, subitamente, desde a ascensão da geringonça ao poder, todas desgraças, injustiças, desemprego, fome e miséria evaporaram-se, para usar as palavras do presidente Marcelo – o evaporador-mor do Reino de Pacheco.
É neste contexto que Passos Coelho tem de fazer oposição sem cair no «bota-abaixismo», que se revela contraproducente, nem no «optimismo» que seria uma mistificação e, de resto, nesse terreno, perderia em toda a linha para Costa. É uma saída muito estreita e certamente exige uma dose mínima de carisma (que não é abundante em PPC, to say the least) e, sobretudo, uma visão para o país, própria, realista, distinta e distinguível do social-corporativismo de quase toda a esquerda (que PPC ainda não mostrou) que mobilize aquela parte do eleitorado que não vive pendurada no Estado e que contenha a legião de apparatchiks que povoam o PSD, impacientes por recuperarem o estatuto de novos situacionistas.
É mais fácil de dizer do que de fazer e, se for possível, levará sempre um certo tempo e requer alguma paciência. Habituem-se.
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (46)
Outras avarias da geringonça.
Se os caros leitores não suportarem mais o tema «Caixa» que, concedo, é demasiado mau até para a geringonça, sugiro que voltem à Crónica na próxima semana porque este é o prato de sustância no menu de hoje (recomendo a leitura deste artigo de Helena Garrido, um oásis no deserto da imprensa apologética).
Finalmente a CE aprovou a capitalização da Caixa com várias condições, umas humilhantes para o governo, outras simplesmente muito difíceis de realizar.
Se os caros leitores não suportarem mais o tema «Caixa» que, concedo, é demasiado mau até para a geringonça, sugiro que voltem à Crónica na próxima semana porque este é o prato de sustância no menu de hoje (recomendo a leitura deste artigo de Helena Garrido, um oásis no deserto da imprensa apologética).
Finalmente a CE aprovou a capitalização da Caixa com várias condições, umas humilhantes para o governo, outras simplesmente muito difíceis de realizar.
28/08/2016
Pro memoria (316) - Mais ou menos «arrumada» a banca já está. Acabar a obra até ao fim do ano é um bocadinho ambicioso
"arrumar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
6. Deixar sem capacidade de agir ou de reagir. = ANIQUILAR, LIQUIDAR
7. Ficar em estado ou situação difícil ou negativa (ex.: não arrume mais confusão).
CASE STUDY: Se os industriais da cerâmica estrutural não se cuidarem podem vir a «fazer tijolo»
Uma das poucas indústrias que ainda restam em Portugal com produtos não transaccionáveis protegidos da concorrência externa é a indústria cerâmica estrutural cujos produtos (telha, tijolo e abobadilha), de alta densidade de peso e baixa densidade de valor, tornam economicamente inviável o comércio internacional. A indústria empregava em 2007 cerca de 2.600 trabalhadores e tinha um volume de negócios de 205 milhões de euros, com uma produtividade (medida em toneladas por trabalhador) 40% inferior à da Espanha. (Fonte: «Caracterização do subsector da Indústria cerâmica estrutural em Portugal», estudo promovido pelo COMPETE, QREN e outras instituições, Coimbra, Setembro de 2009)
Como noutros casos (recordemos o Acordo Multifibras que praticamente acabou com a produção têxtil e de vestuário em Portugal), o fim da protecção contra a concorrência internacional poderá não estar longe.
As telhas e os tijolos convencionais são muito densos, são fracos no isolamento de calor e a sua produção é carbono-intensiva. Que tal se estivessem para breve tijolos leves, bons isolantes de calor e fabricados com materiais reciclados e, portanto, de baixo teor de carbono e, cereja no topo do bolo, capazes de armazenar mais dióxido de carbono do que o necessário para a sua produção?
Ficção científica? Nem por isso a Wienerberger, o fabricante austríaco maior produtor mundial de tijolos, está a tratar disso. É bem possível que a indústria cerâmica estrutural portuguesa venha nos próximos anos a ter um destino semelhante ao da têxtil, com uma diferença apesar de tudo: ainda que a densidade de valor aumente pode continuar a não ser económico o comércio internacional, e nesse caso os fabricantes tecnologicamente mais avançados, como a Wienerberger, poderão optar pelo fabrico local. De um modo ou outro a indústria cerâmica estrutural portuguesa enfrentará o mesmo dilema dos dinossauros: ou muda ou é exterminada ou seja condena-se a fazer tijolo.
Para os mais novos: «Fazer tijolo» é uma expressão significando «morrer» surgida no período de reconstrução de Lisboa, após o sismo de 1755, em que foi usada argila proveniente de um «almacávar», um antigo cemitério mouro, para os lados da rua das Olarias para fabricar tijolos que por vezes tinham ossos no seu interior.
Como noutros casos (recordemos o Acordo Multifibras que praticamente acabou com a produção têxtil e de vestuário em Portugal), o fim da protecção contra a concorrência internacional poderá não estar longe.
As telhas e os tijolos convencionais são muito densos, são fracos no isolamento de calor e a sua produção é carbono-intensiva. Que tal se estivessem para breve tijolos leves, bons isolantes de calor e fabricados com materiais reciclados e, portanto, de baixo teor de carbono e, cereja no topo do bolo, capazes de armazenar mais dióxido de carbono do que o necessário para a sua produção?
Ficção científica? Nem por isso a Wienerberger, o fabricante austríaco maior produtor mundial de tijolos, está a tratar disso. É bem possível que a indústria cerâmica estrutural portuguesa venha nos próximos anos a ter um destino semelhante ao da têxtil, com uma diferença apesar de tudo: ainda que a densidade de valor aumente pode continuar a não ser económico o comércio internacional, e nesse caso os fabricantes tecnologicamente mais avançados, como a Wienerberger, poderão optar pelo fabrico local. De um modo ou outro a indústria cerâmica estrutural portuguesa enfrentará o mesmo dilema dos dinossauros: ou muda ou é exterminada ou seja condena-se a fazer tijolo.
Para os mais novos: «Fazer tijolo» é uma expressão significando «morrer» surgida no período de reconstrução de Lisboa, após o sismo de 1755, em que foi usada argila proveniente de um «almacávar», um antigo cemitério mouro, para os lados da rua das Olarias para fabricar tijolos que por vezes tinham ossos no seu interior.
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prognósticos só no fim do jogo,
verdade inconveniente
ACREDITE SE QUISER: Desperdício de comida
Em 2012 a Europa desperdiçou 88 milhões de toneladas de comida no valor de 143 mil milhões de euros, ou uma média por cada europeu de 173 kg num ano ou 474 g por dia, o equivalente entre 1/5 e 1/3 da quantidade média de comida ingerida pelos humanos. O total desperdiçado seria suficiente para alimentar uns 140 milhões de bocas- a Rússia, por exemplo.
Em parte este desperdício e a consequente poluição devem-se à regulamentação com prazos de validade ridiculamente curtos e às dificuldades kafkianas de doação de comida pelos restaurantes e supermercados. Ao que parece a CE está a tratar do assunto. Esperemos que não seja nomeado um comissário para o Desperdício de Comida e, se o criarem, oxalá seja português.
Em parte este desperdício e a consequente poluição devem-se à regulamentação com prazos de validade ridiculamente curtos e às dificuldades kafkianas de doação de comida pelos restaurantes e supermercados. Ao que parece a CE está a tratar do assunto. Esperemos que não seja nomeado um comissário para o Desperdício de Comida e, se o criarem, oxalá seja português.
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até vi estrelas,
delírios pontuais,
Óropa
27/08/2016
A metalúrgica do regime afunda-se com ele (9)
Actualização de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)
Recordando: A Martifer, dos irmãos Martins, em tempos um dos exemplos de sucesso de José Sócrates e uma das meninas dos olhos do jornalismo promocional (uma variante do jornalismo de causas), mesmo depois de ter sido acolhida em 2007 pela Mota-Engil, a construtora mais emblemática do regime, de que foi presidente executivo Jorge Coelho, teve mais 137 milhões de euros de prejuízos em 2014 e estava desde Abril do ano passado a tentar vender 55% da Martifer Solar que contribuiu com metade dos prejuízos do grupo.
Foi agora alcançado o acordo de venda de 55% da Martifer Solar à francesa Voltalia. A Martifer Solar foi avaliada em de nove milhões de euros, uma fracção do que lá foi torrado.
Assim continua a purga dos 6 anos do festim socrático e se consuma mais um episódio da defesa dos centros de decisão nacional.
Recordando: A Martifer, dos irmãos Martins, em tempos um dos exemplos de sucesso de José Sócrates e uma das meninas dos olhos do jornalismo promocional (uma variante do jornalismo de causas), mesmo depois de ter sido acolhida em 2007 pela Mota-Engil, a construtora mais emblemática do regime, de que foi presidente executivo Jorge Coelho, teve mais 137 milhões de euros de prejuízos em 2014 e estava desde Abril do ano passado a tentar vender 55% da Martifer Solar que contribuiu com metade dos prejuízos do grupo.
Foi agora alcançado o acordo de venda de 55% da Martifer Solar à francesa Voltalia. A Martifer Solar foi avaliada em de nove milhões de euros, uma fracção do que lá foi torrado.
Assim continua a purga dos 6 anos do festim socrático e se consuma mais um episódio da defesa dos centros de decisão nacional.
ARTIGO DEFUNTO: A arte de bem titular (9)
Factos:
- O défice até Julho diminuiu 543 milhões de euros em relação ao mesmo período do ano passado, devido ao aumento maior da receita (2,8%) do que o aumento da despesa (1,3%), em contabilidade pública;
- As cativações e outros expedientes estão a ser usados para minimizar a despesa em contabilidade pública;
- As receitas, despesas e défice que interessam para Bruxelas (e para Lisboa, não fosse a manipulação das mentes levada a cabo pela geringonça) são em contabilidade nacional para a qual os expedientes são neutros;
- A maioria dos impactos resultantes da re-governação da geringonça é no 2.º semestre, por exemplo IVA da restauração, reposição de cortes de salários, novas contratações e horas extra para compensar a redução do horário para 35h, etc. (*)
- «Défice encolhe mais de 500 milhões mas receita com impostos abranda» - Público
- «Défice caiu 543 milhões de euros» - Económico
- «Retenção na despesa mais do que compensa desaire nos impostos» - Diário de Notícias
- «Marcelo considera "boa notícia" redução do défice orçamental» - Negócios
- «Défice diminui até Julho» - Jornal i
(*) No «etc.» podemos encontrar uma profusão de receitas sobre-orçamentadas e despesas sub-orçamentadas como, por exemplo, entre as primeiras, a receita do ISP como muito bem se faz notar neste comentário.
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26/08/2016
NÓS VISTOS POR ELES: Visto de fora, sem o nevoeiro da imprensa amiga, vê-se melhor
Why Portugal could be Europe’s next economic disaster
“A major bond selloff upon a downgrade could force Lisbon to apply for help again” Holger Schmieding, Berenberg
Spanish success, Portuguese risk
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (68) - Saudades do regime corporativo (II)
Continuação de (I)
«Médicos recusam dezenas de vagas no interior e no Algarve, titula o JN. Nos Hospitais da Guarda, Covilhã e Castelo Branco só apareceram 9 candidatos para 61 vagas de especialistas. No Algarve ficaram por preencher 31 dos 73 lugares. Um caso que mostra bem o problema das assimetrias geográficas de um país tão pequeno.» (Expresso)
«Os responsáveis do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) acreditam que o reforço remuneratório na Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi uma das 'terapêuticas' adequadas para evitar a 'sangria' de funcionários para os concorrentes privados e reclamam que o tratamento seja administrado também ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), a padecer da mesma maleita.» (Expresso)
Quando leio estas histórias, recordo aquele responsável pelo plano quinquenal soviético que numa visita a Londres se manifestou surpreendido pelo facto das padarias londrinas não parecerem ter dificuldade em abastecer de pão os londrinos e estes não pareciam ter dificuldades em abastecer-se, e quis conhecer o departamento do planeamento inglês que fazia um trabalho tão bom.
«Médicos recusam dezenas de vagas no interior e no Algarve, titula o JN. Nos Hospitais da Guarda, Covilhã e Castelo Branco só apareceram 9 candidatos para 61 vagas de especialistas. No Algarve ficaram por preencher 31 dos 73 lugares. Um caso que mostra bem o problema das assimetrias geográficas de um país tão pequeno.» (Expresso)
«Os responsáveis do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) acreditam que o reforço remuneratório na Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi uma das 'terapêuticas' adequadas para evitar a 'sangria' de funcionários para os concorrentes privados e reclamam que o tratamento seja administrado também ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), a padecer da mesma maleita.» (Expresso)
Quando leio estas histórias, recordo aquele responsável pelo plano quinquenal soviético que numa visita a Londres se manifestou surpreendido pelo facto das padarias londrinas não parecerem ter dificuldade em abastecer de pão os londrinos e estes não pareciam ter dificuldades em abastecer-se, e quis conhecer o departamento do planeamento inglês que fazia um trabalho tão bom.
ACREDITE SE QUISER: Trump & Sócrates terão coisas em comum?
Terão mais coisas, mas uma é indiscutível: ambos gostam tanto dos livros por si escritos mandados escrever que os compram às resmas.
Com uma diferença, Sócrates, proprietário de umas casinhas e com umas contas na Suíça (diz serem do amigo), gastou 170 mil euros para comprar metade dos 20 mil exemplares, ou seja 8,5 euros por peça. Trump, proprietário de casinos e torres, mais dotado, digamos assim, gastou 55 mil dólares para comprar cerca de 4 mil a $13,75 cada.
Em conclusão, se é verdade o que dizem os boatos sobre os problemas de tamanho de Trump e se, como disse Ortega y Gasset, o homem é o homem e a circunstância, e, digo eu, se a circunstância não ajuda, o homem tem de empertigar-se, então Sócrates precisou mais de empertigar-se do que Trump.
Para quem pretender aprofundar o assunto remeto para este case study.
Com uma diferença, Sócrates, proprietário de umas casinhas e com umas contas na Suíça (diz serem do amigo), gastou 170 mil euros para comprar metade dos 20 mil exemplares, ou seja 8,5 euros por peça. Trump, proprietário de casinos e torres, mais dotado, digamos assim, gastou 55 mil dólares para comprar cerca de 4 mil a $13,75 cada.
Em conclusão, se é verdade o que dizem os boatos sobre os problemas de tamanho de Trump e se, como disse Ortega y Gasset, o homem é o homem e a circunstância, e, digo eu, se a circunstância não ajuda, o homem tem de empertigar-se, então Sócrates precisou mais de empertigar-se do que Trump.
Para quem pretender aprofundar o assunto remeto para este case study.
25/08/2016
Chávez & Chávez, Sucessores (51) – Maduro, o herdeiro de Chavéz, & Erdogan, diferentes mas iguais
Outras obras do chávismo.
Termina hoje o prazo que Nicolás Maduro fixou à administração pública e às empresas estatais para demitir todos os gestores que assinaram uma petição para um referendo para o demitir. A oposição, que está a pressionar para o referendo ter lugar até o final deste ano, diz que alguns trabalhadores já foram despedidos. Este tipo de assédio dos funcionários públicos faz lembrar os tempos de Hugo Chávez, o antecessor do Maduro. Em 2004 ele aprovou a publicação de uma lista de 2,4 m pessoas que assinaram uma petição para um referendo contra ele; muitas dessas pessoas perderam os seus empregos. Numa altura em que a inflação está descontrolada, é uma tentativa desajeitada de um presidente impopular para imitar a táctica que pode não funcionar. Perder um salário público miserável é hoje muito menos importante do que nos tempos de Chávez. (Fonte: The Economist Espresso)
Note-se como regimes autocráticos aparentemente tão diferentes como o socialismo bolivariano e o estado muçulmano de Erdogan, usam o aparelho de estado como instrumento de opressão dos seus opositores.
Termina hoje o prazo que Nicolás Maduro fixou à administração pública e às empresas estatais para demitir todos os gestores que assinaram uma petição para um referendo para o demitir. A oposição, que está a pressionar para o referendo ter lugar até o final deste ano, diz que alguns trabalhadores já foram despedidos. Este tipo de assédio dos funcionários públicos faz lembrar os tempos de Hugo Chávez, o antecessor do Maduro. Em 2004 ele aprovou a publicação de uma lista de 2,4 m pessoas que assinaram uma petição para um referendo contra ele; muitas dessas pessoas perderam os seus empregos. Numa altura em que a inflação está descontrolada, é uma tentativa desajeitada de um presidente impopular para imitar a táctica que pode não funcionar. Perder um salário público miserável é hoje muito menos importante do que nos tempos de Chávez. (Fonte: The Economist Espresso)
Note-se como regimes autocráticos aparentemente tão diferentes como o socialismo bolivariano e o estado muçulmano de Erdogan, usam o aparelho de estado como instrumento de opressão dos seus opositores.
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