![]() |
| Alain Resnais, um revolucionário discreto da memória (alguém disse e parece-me justo) |
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
02/03/2014
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: De boas intenções está o inferno socialista cheio
«J. M Keynes, que entendia de Finanças mas também de Humanidades, percebeu que na civilização capitalista as más e egoístas intenções levaram a bons resultados. E que, no socialismo, as boas intenções levavam a maus ou péssimos resultados.»
Jaime Nogueira Pinto, no jornal SOL, a propósito do filme de Scorsese «Lobo de Wall Street»
Nogueira Pinto esqueceu que quase dois séculos antes de Keynes ter percebido isso, Adam Smith e vários outros depois dele, perceberam que adviriam resultados socialmente benéficos da procura do próprio interesse, mais do que do egoísmo que é uma exacerbação dessa procura.
Jaime Nogueira Pinto, no jornal SOL, a propósito do filme de Scorsese «Lobo de Wall Street»
Nogueira Pinto esqueceu que quase dois séculos antes de Keynes ter percebido isso, Adam Smith e vários outros depois dele, perceberam que adviriam resultados socialmente benéficos da procura do próprio interesse, mais do que do egoísmo que é uma exacerbação dessa procura.
01/03/2014
Exemplos do costume (19) - A fábrica de presidenciáveis já começou a trabalhar (III)
O professor António Sampaio da Nóvoa, a última invenção do Dr. Mário Soares para ocupar o palácio de Belém, levou-se a sério e aproveita todas as oportunidades (e cria algumas) para mostrar a sua disponibilidade, coloca-se em bicos de pés para sobressair na já longa fila dos proto candidatos à presidência e titila carinhosamente as meninges da esquerdalhada tentando criar a «vaga de fundo».
Na sua última prestação, a pretexto da aceitação das «insígnias de reitor honorário» que lhe foram atribuídas pelo seu sucessor a pedido de várias famílias (como se nota, a fábrica de presidenciáveis ou, se preferirem, de pastéis de Belém, trabalha a todo o vapor), Sampaio da Nóvoa usou a paleta completa do ideário dos amanhãs que cantam.
Ele lá aviou o seu discurso: a crise como «instrumento de dominação», «recuperar a energia de Abril», a «guerra - sim, a guerra - contra as artes, humanidades e ciências sociais», a universidade «liberta das amarras». Discurso ouvido com devoção por uma assistência que incluiu a ala sampaísta do PS - Jorge Sampaio, Ferro Rodrigues e João Cravinho - que se junta assim aos soaristas e (talvez) aos socratistas, deixando o Tozé dependente da disposição de Guterres para se candidatar.
Na sua última prestação, a pretexto da aceitação das «insígnias de reitor honorário» que lhe foram atribuídas pelo seu sucessor a pedido de várias famílias (como se nota, a fábrica de presidenciáveis ou, se preferirem, de pastéis de Belém, trabalha a todo o vapor), Sampaio da Nóvoa usou a paleta completa do ideário dos amanhãs que cantam.
Ele lá aviou o seu discurso: a crise como «instrumento de dominação», «recuperar a energia de Abril», a «guerra - sim, a guerra - contra as artes, humanidades e ciências sociais», a universidade «liberta das amarras». Discurso ouvido com devoção por uma assistência que incluiu a ala sampaísta do PS - Jorge Sampaio, Ferro Rodrigues e João Cravinho - que se junta assim aos soaristas e (talvez) aos socratistas, deixando o Tozé dependente da disposição de Guterres para se candidatar.
28/02/2014
Pro memoria (162) – Pérolas do pensamento de um socialista revolucionário
“Youth should learn to think and act as a mass. It is criminal to think as individuals!”
“The victory of Socialism is well worth millions of atomic victims!”
“We must do away with all newspapers. A revolution cannot be accomplished with freedom of the press.”
“To send men to the firing squad, judicial proof is unnecessary. These procedures are an archaic bourgeois detail. This is a revolution! And a revolutionary must become a cold killing machine motivated by pure hate.”
“Hatred is the central element of our struggle! Hatred so violent that it propels a human being beyond his natural limitations, making him a violent and cold-blooded killing machine. Our soldiers must be thus.”
“I fired a .32 caliber bullet into the right hemisphere of his brain which came out through his left temple. He moaned for a few moments, then died.”
“I’d like to confess, Papa, at that moment I discovered that I really like killing.”
Ernesto «Che» Guevara
Dedicatória: a todos os patetas com uma T-shirt com a efígie do querido Ernesto.
“The victory of Socialism is well worth millions of atomic victims!”
“We must do away with all newspapers. A revolution cannot be accomplished with freedom of the press.”
“To send men to the firing squad, judicial proof is unnecessary. These procedures are an archaic bourgeois detail. This is a revolution! And a revolutionary must become a cold killing machine motivated by pure hate.”
“Hatred is the central element of our struggle! Hatred so violent that it propels a human being beyond his natural limitations, making him a violent and cold-blooded killing machine. Our soldiers must be thus.”
“I fired a .32 caliber bullet into the right hemisphere of his brain which came out through his left temple. He moaned for a few moments, then died.”
“I’d like to confess, Papa, at that moment I discovered that I really like killing.”
Ernesto «Che» Guevara
Dedicatória: a todos os patetas com uma T-shirt com a efígie do querido Ernesto.
27/02/2014
ACREDITE SE QUISER: Eurocéptico? Moi?
Do orçamento a longo prazo da União Europeia para 2014-2020 de quase um bilião (um milhão de milhões), Portugal durante 7 anos receberá uma média de 10 milhões de euros por dia, incluindo domingos, feriados e dias santos, ou mais de 2% do PIB em cada ano.
Pro memoria (161) – O Dr. Soares é um grande pândego
Se Portugal não fosse, como é, um país que toma a sério o que seria para brincar, brincando com coisas sérias, e os portugueses fossem servidos por um sentido de humor que infelizmente não faz parte da portugalidade, as intervenções "cívicas" do Dr. Soares, o papa do socialismo reviralhista, seriam tomadas como divertidos delírios e os seus artigos publicados não no DN, onde costumam sê-lo, mas no Público – no caderno Inimigo Público, entenda-se.
O último desses artigos intitulado «O Governo, as ondas e a nossa costa» é um bom exemplo. Nele o Dr. Soares lastima que «o ministro Pires de Lima, nunca se ocupou das ondas gigantes que arrasaram a costa portuguesa», acusa o governo «de ter destruído o Estado social, o Serviço Nacional de Saúde e grande parte das nossas universidades e tribunais», de fazer desaparecer «cientistas, escritores, poetas, artistas plásticos, etc.», de desejar «um novo 28 de Maio», de obrigar a sair de Portugal «um grande cantor, Fernando Tordo, tão popular e inteligente para poder ganhar a vida no Brasil» (uma subtil ironia aos ajustes directos que os governos socialistas fizeram para lhe pagar as cantorias).
Louva Sá Carneiro, «um homem de esquerda e só não entrou na Internacional Socialista porque o PS já lá estava» (esta piada é particularmente boa), Capucho, Mota Pinto (o seu companheiro de bunga-bunga), Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira ou «bastantes outros».
Até acusa «a própria ONU (por) ignorar esta situação (mudanças climáticas). Por causa dos mercados e da globalização economicistas», depois de durante anos a ter louvaminhado.
Porém, talvez a sua mais conseguida piada tenha sido pôr na boca do governo de Passos Coelho, a propósito do seu alegado desinteresse pela cóltura, a frase «quando oiço falar de cultura, puxo logo da pistola» de Paul Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do III Reich, que o azougado Dr. Soares atribui a «um dos apaniguados de Franco, em Saragoça, crítico e inimigo do grande Unamuno». Apaniguado (José Millán-Astray, um dos falangistas mais tesos da guerra civil espanhola) que teve com Miguel de Unamuno em 1936, na Universidade de Salamanca e não em Saragoça, uma conhecida discussão onde não puxou da pistola, nem tão pouco gritou a sua conhecida divisa «Viva la muerte!» que já tinha inventado na década anterior para o «Tercio de Extranjeros» que comandou.
Há quem diga que o Dr. Soares sofre de esquerdismo senil, ou é inimputável ou está a ser usado como uma espécie de canhão sem mira por uma facção do PS, ou, pelo contrário, é um político maquiavélico com uma agenda escondida. Não acho nada disso. Para mim, o Dr. Soares é um grande pândego. Cada vez mais, o maior de todos.
O último desses artigos intitulado «O Governo, as ondas e a nossa costa» é um bom exemplo. Nele o Dr. Soares lastima que «o ministro Pires de Lima, nunca se ocupou das ondas gigantes que arrasaram a costa portuguesa», acusa o governo «de ter destruído o Estado social, o Serviço Nacional de Saúde e grande parte das nossas universidades e tribunais», de fazer desaparecer «cientistas, escritores, poetas, artistas plásticos, etc.», de desejar «um novo 28 de Maio», de obrigar a sair de Portugal «um grande cantor, Fernando Tordo, tão popular e inteligente para poder ganhar a vida no Brasil» (uma subtil ironia aos ajustes directos que os governos socialistas fizeram para lhe pagar as cantorias).
Louva Sá Carneiro, «um homem de esquerda e só não entrou na Internacional Socialista porque o PS já lá estava» (esta piada é particularmente boa), Capucho, Mota Pinto (o seu companheiro de bunga-bunga), Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira ou «bastantes outros».
Até acusa «a própria ONU (por) ignorar esta situação (mudanças climáticas). Por causa dos mercados e da globalização economicistas», depois de durante anos a ter louvaminhado.
Porém, talvez a sua mais conseguida piada tenha sido pôr na boca do governo de Passos Coelho, a propósito do seu alegado desinteresse pela cóltura, a frase «quando oiço falar de cultura, puxo logo da pistola» de Paul Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do III Reich, que o azougado Dr. Soares atribui a «um dos apaniguados de Franco, em Saragoça, crítico e inimigo do grande Unamuno». Apaniguado (José Millán-Astray, um dos falangistas mais tesos da guerra civil espanhola) que teve com Miguel de Unamuno em 1936, na Universidade de Salamanca e não em Saragoça, uma conhecida discussão onde não puxou da pistola, nem tão pouco gritou a sua conhecida divisa «Viva la muerte!» que já tinha inventado na década anterior para o «Tercio de Extranjeros» que comandou.
Há quem diga que o Dr. Soares sofre de esquerdismo senil, ou é inimputável ou está a ser usado como uma espécie de canhão sem mira por uma facção do PS, ou, pelo contrário, é um político maquiavélico com uma agenda escondida. Não acho nada disso. Para mim, o Dr. Soares é um grande pândego. Cada vez mais, o maior de todos.
26/02/2014
Títulos inspirados (23) - «Cofina implementa “lei seca” para todos os trabalhadores»
| Best seller |
«Os trabalhadores do grupo Cofina, detentora dos títulos Correio da Manhã, Record e Jornal de Negócios, que apresentem sinais exteriores que indiciem notório estado de embriaguez terão de se submeter a um teste de alcoolemia.» (Económico)
O jornalismo de copos é uma subespécie particular benigna e muito antiga do jornalismo de causas. Pode coexistir no mesmo jornalista com o jornalismo de causas vulgaris.
Etiquetas:
artigo defunto,
jornalismo de causas
CASE STUDY: António Champalimaud revolve-se na tumba (8)
[Outras revoltas na tumba: (1),
(2), (3), (4), (5), (6) e (7)]
Há cerca de um ano, perante os números de 2010 e 2011, interrogava-me sobre o que anda a ser feito com o legado do de cujus, ao saber que a presidente Leonor Beleza andava por essa altura à procura de apoios financeiros e de mais doações explicando em linguagem cifrada: «vamos fazê-lo, não porque temos dificuldades agora, mas porque queremos fazer mais».
Um ano depois, conhecidos com grande atraso e enorme opacidade os resultados da gestão no relatório de de 2012 (com 3 magras páginas dedicadas às contas), verificam-se uma vez mais os prejuízos de exploração que vêm delapidando o legado de 500 milhões, reduzido a 358 milhões em 2011 e com um pequeno aumento para 368 milhões em 2012, devido presumivelmente a uma operação de cosmética contabilística, já que o passivo aumentou 301 milhões de de 288 para 589 milhões empurrado por empréstimos bancários e de sócios (?).
É só uma questão de tempo e a fundação desmorona-se, a menos que o OE cubra perdas de exploração de uma dezena de milhões de euros por ano.
Há cerca de um ano, perante os números de 2010 e 2011, interrogava-me sobre o que anda a ser feito com o legado do de cujus, ao saber que a presidente Leonor Beleza andava por essa altura à procura de apoios financeiros e de mais doações explicando em linguagem cifrada: «vamos fazê-lo, não porque temos dificuldades agora, mas porque queremos fazer mais».
Um ano depois, conhecidos com grande atraso e enorme opacidade os resultados da gestão no relatório de de 2012 (com 3 magras páginas dedicadas às contas), verificam-se uma vez mais os prejuízos de exploração que vêm delapidando o legado de 500 milhões, reduzido a 358 milhões em 2011 e com um pequeno aumento para 368 milhões em 2012, devido presumivelmente a uma operação de cosmética contabilística, já que o passivo aumentou 301 milhões de de 288 para 589 milhões empurrado por empréstimos bancários e de sócios (?).
![]() |
| Clicar para ampliar |
25/02/2014
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A fábula do surto inventivo que nos assola (5)
[Outros posts sobre a mesma fábula: 08-08-2010; 28-11-2010;28-11-2012; 08-12-2013; 16-12-2013; 26-12-2013; 17-01-2014].
Vai para 4 anos iniciou-se no (Im)pertinências a saga da desmistificação desta fábula. Na continuação, justificada com as últimas indignações sobre a política de ciência e tecnologia e, mais concretamente, com as movimentações das corporações directamente afectadas pelos cortes dos subsídios, vou citar o artigo do professor Avelino de Jesus, ontem publicado, que, com rigor e contenção, contrastando com a histeria e a manipulação, deita por terra o agitprop lobista e confirma as conclusões da saga impertinente.
«Nas últimas semanas temos assistido a uma notável proliferação de pronunciamentos de personalidades acerca da política de ciência e tecnologia, quase todas fortemente críticas mas também assaz superficiais e meramente reaccionárias à mudança.
Seria útil elevar o debate, procurando fundamentos empíricos para a análise.
Uma primeira aproximação obriga a tomar, à partida, os dados básicos sobre a produtividade e a organização dos recursos do sistema de I&D. Por economia de espaço, proponho na tabela anexa seis indicadores, dos quais três de produtividade e três de organização dos recursos.
A ideia dominante, mas não demonstrada da excelência da política científica e tecnológica dos últimos 20 anos - que parece justificar a reacção à mudança - deve ser confrontado com estes indicadores.
Sobre os recursos não se pode deixar de destacar os seguintes factos:
- Temos um número de investigador elevado, de crescimento; muito recente e rápido.
- A totalidade dos recursos humanos na I&D cresceu 155% entre 2005 e 2011. O segmento central, os investigadores, aumentou naquele período 170%.
- Os investigadores representavam, em 2005, 0,74% do emprego total do país, mas em 2012 já eram 2,1%. Na Europa naquele ano só a Finlândia nos superava com 2,3%.
- Os recursos foram mal alocados, com um excesso de investigadores para os recursos financeiros e por pessoal auxiliar da investigação a eles afectos.
- Para manter o actual número de investigadores com a atribuição de recursos médios necessários para uma eficácia normal do sistema, deveríamos mais do que triplicar os recursos financeiros e o número do pessoal auxiliar da investigação.
- Em resumo: um corpo de investigador numeroso, mas mal pago, desenquadrado, desinserido do mundo económico e sem meios materiais e humanos de apoio adequados ao processo de investigação socialmente útil.
Acerca da produtividade do sistema notamos:
- Baixa produtividade, qualquer que seja o indicador relevante que se considere.
- Comparando com a média da Europa, temos: menos de 1/5 do número de patentes por bilião de euros de despesa em I&D, representando o mais baixo valor de todos os países; cerca de 1/20 do número de patentes por 1.000 investigadores; menos de 1/10 do número de patentes por milhão de habitantes.
- Há uma informação não sistematizada na tabela, mas que deve ser aqui referida: as exportações de produtos de alta tecnologia representavam em 2012 apenas 3,2% das exportações; este valor, em quebra acentuada desde 2007, é o mais baixo da Europa (média de 15,6%). Em valor absoluto a quebra destas exportações foi de 43%: passou de €2,6 biliões em 2007 para €1,5 biliões em 2012.
Os recursos que a sociedade põe à disposição dos sistemas de I&D deverão gerar retorno para a mesma sociedade pelo menos nos termos médios observáveis entre os nossos parceiros europeus. Quando tal não acontece durante um período suficiente para se tirarem conclusões - como é manifestamente o caso português - é não só legítimo, mas mesmo exigível a alteração do rumo da política científica.»
«A produtividade do aparelho de I&D», Avelino de Jesus, Economista e professor do ISEG, no Jornal de Negócios
Vai para 4 anos iniciou-se no (Im)pertinências a saga da desmistificação desta fábula. Na continuação, justificada com as últimas indignações sobre a política de ciência e tecnologia e, mais concretamente, com as movimentações das corporações directamente afectadas pelos cortes dos subsídios, vou citar o artigo do professor Avelino de Jesus, ontem publicado, que, com rigor e contenção, contrastando com a histeria e a manipulação, deita por terra o agitprop lobista e confirma as conclusões da saga impertinente.
«Nas últimas semanas temos assistido a uma notável proliferação de pronunciamentos de personalidades acerca da política de ciência e tecnologia, quase todas fortemente críticas mas também assaz superficiais e meramente reaccionárias à mudança.
Seria útil elevar o debate, procurando fundamentos empíricos para a análise.
Uma primeira aproximação obriga a tomar, à partida, os dados básicos sobre a produtividade e a organização dos recursos do sistema de I&D. Por economia de espaço, proponho na tabela anexa seis indicadores, dos quais três de produtividade e três de organização dos recursos.
A ideia dominante, mas não demonstrada da excelência da política científica e tecnológica dos últimos 20 anos - que parece justificar a reacção à mudança - deve ser confrontado com estes indicadores.
Sobre os recursos não se pode deixar de destacar os seguintes factos:
- Temos um número de investigador elevado, de crescimento; muito recente e rápido.
- A totalidade dos recursos humanos na I&D cresceu 155% entre 2005 e 2011. O segmento central, os investigadores, aumentou naquele período 170%.
- Os investigadores representavam, em 2005, 0,74% do emprego total do país, mas em 2012 já eram 2,1%. Na Europa naquele ano só a Finlândia nos superava com 2,3%.
- Os recursos foram mal alocados, com um excesso de investigadores para os recursos financeiros e por pessoal auxiliar da investigação a eles afectos.
- Para manter o actual número de investigadores com a atribuição de recursos médios necessários para uma eficácia normal do sistema, deveríamos mais do que triplicar os recursos financeiros e o número do pessoal auxiliar da investigação.
- Em resumo: um corpo de investigador numeroso, mas mal pago, desenquadrado, desinserido do mundo económico e sem meios materiais e humanos de apoio adequados ao processo de investigação socialmente útil.
Acerca da produtividade do sistema notamos:
- Baixa produtividade, qualquer que seja o indicador relevante que se considere.
- Comparando com a média da Europa, temos: menos de 1/5 do número de patentes por bilião de euros de despesa em I&D, representando o mais baixo valor de todos os países; cerca de 1/20 do número de patentes por 1.000 investigadores; menos de 1/10 do número de patentes por milhão de habitantes.
- Há uma informação não sistematizada na tabela, mas que deve ser aqui referida: as exportações de produtos de alta tecnologia representavam em 2012 apenas 3,2% das exportações; este valor, em quebra acentuada desde 2007, é o mais baixo da Europa (média de 15,6%). Em valor absoluto a quebra destas exportações foi de 43%: passou de €2,6 biliões em 2007 para €1,5 biliões em 2012.
Os recursos que a sociedade põe à disposição dos sistemas de I&D deverão gerar retorno para a mesma sociedade pelo menos nos termos médios observáveis entre os nossos parceiros europeus. Quando tal não acontece durante um período suficiente para se tirarem conclusões - como é manifestamente o caso português - é não só legítimo, mas mesmo exigível a alteração do rumo da política científica.»
«A produtividade do aparelho de I&D», Avelino de Jesus, Economista e professor do ISEG, no Jornal de Negócios
24/02/2014
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (15) – Ensino de arte a preto e branco
«Nesta escola nunca tive mais do que 13 valores e não cheguei a pôr pés numa aula de pintura, porque só no 3.º ano se tinha acesso a uma coisa chamada… cor.»
Júlio Pomar, comentário ao Expresso sobre a escola antecessora da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa que frequentou em 1942.
Júlio Pomar, comentário ao Expresso sobre a escola antecessora da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa que frequentou em 1942.
Etiquetas:
artistas convidados,
encalhados,
pesada herança
23/02/2014
SERVIÇO PÚBLICO: Se um historiador percebe...
«O crédito "neoliberal" possibilitado pelo euro passou a ser a primeira ferramenta dos governos socialistas, do keynesianismo alcatroado e do Estado social. Guterres e Sócrates não reduziram a função pública e também recusaram qualquer reforma no sistema de pensões, porque tinham à mão o tal crédito "neoliberal". É por isso que é tão absurda a falácia dos últimos anos. Não, não há um abismo entre Estado social e mercados, porque o Estado social é o maior cliente das praças financeiras; sem os mercados, os salários da função pública seriam infinitamente mais pequenos porque dependeriam apenas da nossa receita fiscal. Neste momento, os cortes austeros são necessários porque são a única forma de travarmos esta dependência extrema dos merca- dos e a perpetuação-do endividamento. É assim tão difícil compreender isto? A austeridade não é a defesa dos merca- dos, é o oposto, é a negação do Estado viciado no crédito. Por outras palavras, Sócrates e Guterres, e não Gaspar, é que são os verdadeiros "neoliberais" desta história. Aqueles que gritam "queremos as nossas vidas de volta" é que são os principais aliados do "capitalismo de casino".
Mas, como relembra Vítor Gaspar, a governação não foi a única culpada. As famílias começaram a consumir importações com dinheiro que não tinham, isto é, pediram crédito aos bancos portugueses, que, por sua vez, pediram crédito aos bancos estrangeiros porque a taxa de poupança de Portugal desceu para os 10% negativos ao ano. Resultado? Numa década, a dívida externa passou de 64% para 230% do PIB. A ausência do mercado de arrendamento e a inevitável compra de casa através do banco só reforçou esta tendência suicida. E as empresas? Viciaram-se no consumo interno e no keynesianismo alcatroado, deixando de lado as exportações. Em consequência, acumulámos um défice externo brutal. Tendo em conta este cenário, Vítor Gaspar relembra que Portugal só tinha dois caminhos em 2011: ou fazíamos um ajustamento em câmara lenta com a troika ou tínhamos uma bancarrota abrupta; ou empobrecíamos uns pontos percentuais dentro do euro ou conhecíamos o terror argentino no regresso ao escudo.»
Henrique Raposo, «Gaspar tem razão», no Expresso
Se um historiador percebe, porque não perceberão os economistas mediáticos?
Mas, como relembra Vítor Gaspar, a governação não foi a única culpada. As famílias começaram a consumir importações com dinheiro que não tinham, isto é, pediram crédito aos bancos portugueses, que, por sua vez, pediram crédito aos bancos estrangeiros porque a taxa de poupança de Portugal desceu para os 10% negativos ao ano. Resultado? Numa década, a dívida externa passou de 64% para 230% do PIB. A ausência do mercado de arrendamento e a inevitável compra de casa através do banco só reforçou esta tendência suicida. E as empresas? Viciaram-se no consumo interno e no keynesianismo alcatroado, deixando de lado as exportações. Em consequência, acumulámos um défice externo brutal. Tendo em conta este cenário, Vítor Gaspar relembra que Portugal só tinha dois caminhos em 2011: ou fazíamos um ajustamento em câmara lenta com a troika ou tínhamos uma bancarrota abrupta; ou empobrecíamos uns pontos percentuais dentro do euro ou conhecíamos o terror argentino no regresso ao escudo.»
Henrique Raposo, «Gaspar tem razão», no Expresso
Se um historiador percebe, porque não perceberão os economistas mediáticos?
22/02/2014
ESTÓRIAS E MORAIS: Era uma vez um partido chamado de liberal…
Estória
Era uma vez um partido chamado de liberal pelos seus adversários socialistas, comunistas e esquerdistas de diversos paladares. Não só os adversários, também os inimigos (Churchill dixit) que ainda militavam no partido, confiantes que a «verdadeira matriz» do partido haveria de emergir, e os aliados, apesar de no mundo enganador das aparências se situarem mais à direita, bramavam traição e ansiavam pelo regresso da «verdadeira matriz».
Pois bem, ela chegou. «PSD tira social-democracia da gaveta - Bernstein, Olof Palm e até Soares. Tudo serviu para o PSD provar que é social-democrata. Passos não quer o rótulo de liberal», garante o jornal Expresso igualmente ansioso.
Morais
Era uma vez um partido chamado de liberal pelos seus adversários socialistas, comunistas e esquerdistas de diversos paladares. Não só os adversários, também os inimigos (Churchill dixit) que ainda militavam no partido, confiantes que a «verdadeira matriz» do partido haveria de emergir, e os aliados, apesar de no mundo enganador das aparências se situarem mais à direita, bramavam traição e ansiavam pelo regresso da «verdadeira matriz».
Pois bem, ela chegou. «PSD tira social-democracia da gaveta - Bernstein, Olof Palm e até Soares. Tudo serviu para o PSD provar que é social-democrata. Passos não quer o rótulo de liberal», garante o jornal Expresso igualmente ansioso.
Morais
- É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um liberal entrar no reino da social-democracia.
- Se Soares meteu o socialismo na gaveta e hoje é social-reviralhista, Passos Coelho também pode ter metido a social-democracia na gaveta e ter entalado a mão.
Pro memoria (160) – O presente é feito do passado
Para se perceber o que se passou recentemente na Praça da Independência em Kiev é indispensável saber que a Ucrânia foi uma das Repúblicas Socialistas Soviéticas durante 70 anos, que em 1932 e 1933 foi objecto das políticas estalinistas de exterminação pela fome (Holodomor), em 1941 recebeu as tropas nazis da Operação Barbarossa como um exército de libertação (pudera!) e hoje os seus dirigentes massacram o povo ucraniano nos intervalos de tentarem extorquir dinheiro alternadamente ao Czar Putin e a Angela Merkel.
| Praça da Independência, Kiev (Fonte WSJ) Clicar para ampliar |
Etiquetas:
a memória dos povos é curta,
comunismo,
Óropa,
verdade inconveniente
21/02/2014
CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Sochi, «1984» trinta anos depois
George Orwell teria sorrido sarcasticamente no além se soubesse que na inauguração dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi uma falha da transformação de um dos 5 flocos de neve em anéis olímpicos foi resolvida em segundos pela RTP putiniana, substituindo as imagens ao vivo por imagens dos ensaios. Como escreveu a Economist, «this substitution of reality is just one measure that gives the Russian media a whiff of Orwell’s “1984”».É apenas um exemplo da persistência da negação da realidade e da construção de universos paralelos, 25 anos depois do colapso do império soviético. Nada que nos deva surpreender. Afinal, entre nós, apesar de só termos tido um ano e meio da «democracia popular» da aliança PCP-MFA, as sequelas nas meninges esquerdistas persistem 40 anos depois.
CASE STUDY: Um imenso Portugal (9)
«No Brasil até o passado é imprevisível»
Pedro Malan, ministro da Fazenda (Finanças) nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e um dos responsáveis pelo Plano Real que tirou o Brasil de uma inflação endémica e estratosférica (6821% em 1990), a propósito de disputas com mais de 20 anos sobre as contas bancárias indexadas que somam 150 mil milhões de reais e aguardam decisão do Supremo Tribunal («The past is epilogue», Economist).20/02/2014
A maldição da tabuada (17) – A teoria dos números do emprego só tem números imaginários
A estória está toda contada em vários posts do (Im)pertinências. Começou com o XVII Governo de José Sócrates (para não recuar mais no tempo) cujo programa anunciava a recuperação de 150 mil postos de trabalho perdidos e o governo terminou com mais 150 mil desempregados. Afastou-se do seu próprio objectivo uns módicos 300 mil postos de trabalho ou -200%.
Passados alguns anos, Passos Coelho, cujo programa de governo não continha objectivos de criação de empregos, por razões compreensíveis, visto que até um cego veria que da execução do PAEF começaria por resultar inevitavelmente desemprego, lembrou-se de referir na mensagem de Natal de 2013 que teriam sido criados até ao 3.º trimestre 120 mil novos postos de trabalho.
O erro grosseiro/manipulação grosseira (cortar conforme o gosto) era tão óbvio que até o economista-filósofo político João Galamba lhe descobriu a careca em menos de 2 meses – um grande progresso em relação ao programa do XVII Governo que até hoje Galamba não teve tempo de desmontar. Constata-se, assim, que a criação de emprego se limitou a uns módicos 30 mil em vez dos 120 mil, ou seja um desvio de -90 mil ou -75%. É mau? Bastante, mas ainda assim um progresso face à aritmética socrática.
Porém, pior do que isso é que 30 mil empregos criados no total resultaram da criação de 100,7 mil empregos (1.058,4 mil – 957,7 mil) em 3 secções do CAE (letras O, P e Q, ver quadro neste post) em que só existem funcionários públicos (secção O) ou são claramente a grandíssima maioria (secções P e Q). Dito de outro modo, se foram criados 100 mil empregos nestas secções é porque foram perdidos 70 mil nas restantes onde quase só existem trabalhadores dos sectores privados.
O pior de tudo é que, se foram criados 100 mil empregos naquelas secções, então umas largas dezenas de milhar de funcionários públicos foram acrescentados ao stock. Assim chegamos ao seguinte trilema (será o trilema de Žižek?):
Percebe-se agora a razão por que aqui no (Im)pertinências temos dificuldades em acompanhar os excitados desejos do Dr. Portas e as exaltadas exigências do Dr. Tozé Seguro para fazermos à troika o que os conspiradores patrióticos fizeram ao Miguel de Vasconcelos e Brito no Terreiro do Paço em 1640?
Passados alguns anos, Passos Coelho, cujo programa de governo não continha objectivos de criação de empregos, por razões compreensíveis, visto que até um cego veria que da execução do PAEF começaria por resultar inevitavelmente desemprego, lembrou-se de referir na mensagem de Natal de 2013 que teriam sido criados até ao 3.º trimestre 120 mil novos postos de trabalho.
O erro grosseiro/manipulação grosseira (cortar conforme o gosto) era tão óbvio que até o economista-filósofo político João Galamba lhe descobriu a careca em menos de 2 meses – um grande progresso em relação ao programa do XVII Governo que até hoje Galamba não teve tempo de desmontar. Constata-se, assim, que a criação de emprego se limitou a uns módicos 30 mil em vez dos 120 mil, ou seja um desvio de -90 mil ou -75%. É mau? Bastante, mas ainda assim um progresso face à aritmética socrática.
Porém, pior do que isso é que 30 mil empregos criados no total resultaram da criação de 100,7 mil empregos (1.058,4 mil – 957,7 mil) em 3 secções do CAE (letras O, P e Q, ver quadro neste post) em que só existem funcionários públicos (secção O) ou são claramente a grandíssima maioria (secções P e Q). Dito de outro modo, se foram criados 100 mil empregos nestas secções é porque foram perdidos 70 mil nas restantes onde quase só existem trabalhadores dos sectores privados.
O pior de tudo é que, se foram criados 100 mil empregos naquelas secções, então umas largas dezenas de milhar de funcionários públicos foram acrescentados ao stock. Assim chegamos ao seguinte trilema (será o trilema de Žižek?):- As estatísticas do INE estão erradas (serão estatísticas de causas?);
- As estatísticas estão certas e a oposição está errada ao criticar o governo por destruir o estado social;
- As estatísticas e a oposição estão certas e o governo está errado porque não sabe a tabuada e está a fazer crescer aquilo que pretenderia minguar.
Percebe-se agora a razão por que aqui no (Im)pertinências temos dificuldades em acompanhar os excitados desejos do Dr. Portas e as exaltadas exigências do Dr. Tozé Seguro para fazermos à troika o que os conspiradores patrióticos fizeram ao Miguel de Vasconcelos e Brito no Terreiro do Paço em 1640?
19/02/2014
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (14) – Dois países, a mesma luta
Ontem, em Castelo Branco, sindicalistas gritavam «está na hora, está na hora do governo ir embora» à chegada de Passos Coelho, numa manifestação patriótica de repúdio pelo povo de um governo neoliberal com tendências totalitárias.
Quase à mesma hora, a 5 mil km de distância, em Caracas, uns quantos reaccionários convocados por Leopoldo Lopez, um agitador a soldo do imperialismo ianque, felizmente já preso, tentavam intrometer-se no caminho para o socialismo que a revolução bolivariana está a percorrer sob a iluminada liderança do camarada Nicolás Maduro, o único legítimo herdeiro do grande comandante Hugo Chávez.
Resumindo: para a democracia popular portuguesa funcionar é preciso derrubar o governo neoliberal; para a democracia chávista funcionar é preciso engavetar os dissidentes a soldo do imperialismo.
![]() |
| Fonte: Rádio Cova da Beira |
![]() |
| Fonte: Revista Veja |
Etiquetas:
a memória dos povos é curta,
Chávez,
dois pesos,
encalhados,
incorrigível
18/02/2014
Mitos (157) - Os alemães são ricos e devem gastar mais dinheiro para ajudar os pobres dos PIGS (II)
[Continuação deste outro mito]
Enquanto nós por cá, enterrados até ao pescoço em dívidas públicas e privadas, vivíamos como se não houvesse amanhã - ou só houvesse amanhãs que cantariam - e escolhemos geralmente gente para nos governar que acabou a governar-se, enquanto acalentávamos com desvelo mitos para nos desresponsabilizarmos pelo nosso destino, como o de sermos explorados por pagarmos os juros - «usurários», segundo o tele-evangelista e o reviralhista-mór - mais baixos que alguma vez pagámos na nossa história, ao mesmo tempo que coleccionámos 6 milhões de casinhas, o que nos proporcionou um património médio superior ao dos alemães - ver aqui a demonstração. Património bruto, entenda-se, porque uma parte significativa das casinhas é «propriedade» dos bancos que as financiaram, e uma parte dessa parte é, por sua vez, «propriedade» dos credores que emprestaram dinheiro aos bancos.
E enquanto tudo isso, ficámos agora a saber pelo Spiegel que, diferentemente dos nossos políticos que exercem cargos públicos e recebem subsídios para alugarem casinhas perto do «local de trabalho», há vários ministros alemães, sim alemães, que dormem em espaços adjacentes aos seus gabinetes, como a charmosa balzaquiana Manuela Schwesig, ministra da Família pelo SPD, ou a não menos charmosa cinquentona Ursula von der Leyen, ministra da Defesa pelo CDU.
Enquanto nós por cá, enterrados até ao pescoço em dívidas públicas e privadas, vivíamos como se não houvesse amanhã - ou só houvesse amanhãs que cantariam - e escolhemos geralmente gente para nos governar que acabou a governar-se, enquanto acalentávamos com desvelo mitos para nos desresponsabilizarmos pelo nosso destino, como o de sermos explorados por pagarmos os juros - «usurários», segundo o tele-evangelista e o reviralhista-mór - mais baixos que alguma vez pagámos na nossa história, ao mesmo tempo que coleccionámos 6 milhões de casinhas, o que nos proporcionou um património médio superior ao dos alemães - ver aqui a demonstração. Património bruto, entenda-se, porque uma parte significativa das casinhas é «propriedade» dos bancos que as financiaram, e uma parte dessa parte é, por sua vez, «propriedade» dos credores que emprestaram dinheiro aos bancos.
E enquanto tudo isso, ficámos agora a saber pelo Spiegel que, diferentemente dos nossos políticos que exercem cargos públicos e recebem subsídios para alugarem casinhas perto do «local de trabalho», há vários ministros alemães, sim alemães, que dormem em espaços adjacentes aos seus gabinetes, como a charmosa balzaquiana Manuela Schwesig, ministra da Família pelo SPD, ou a não menos charmosa cinquentona Ursula von der Leyen, ministra da Defesa pelo CDU.
![]() |
| As charmosas ministras |
Etiquetas:
as aparências iludem,
Desfazendo ideias feitas,
Óropa
Subscrever:
Mensagens (Atom)










