Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

30/06/2013

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: «Deixem-me então recordar: Portugal faliu» (2)

Miguel Sousa Tavares, há duas semanas e ontem novamente no Expresso e também nos seus comentários tudológicos na SIC, meteu o pau no vespeiro dos professores. As vespas não se fizeram rogadas e picaram de diversas formas, como ele próprio já percebeu.

Ontem mesmo chegou-me um email que por aí anda a circular com «Equador», «Não te deixarei morrer» e «Rio das Flores» em anexos digitalizados e o seguinte texto:


29/06/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (18)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16) e (17)

Há pelo menos dois Portugais. Há o Portugal que faz greves, que resiste às mudanças inevitáveis, amarrado aos direitos adquiridos, que sai para as ruas a protestar, que vai às televisões perorar contra a austeridade. E há o Portugal que silenciosamente se adapta, trabalha e faz pela vida. Se avaliarmos os pesos de cada um deles pelo ruído mediático, o primeiro dos Portugais, à boleia do jornalismo de causas e das luminárias incompetentes e cobardes que dominam os mídia, esmaga a humildade do segundo. Quando saímos do mundo do espectáculo as coisas podem ser diferentes.

Como tem sido salientado aqui no (Im)pertinências, as contas externas têm vindo a melhorar significativamente nos dois últimos anos. Isso deve-se ao que este governo fez? Alguma coisa, mas deve-se sobretudo ao que fez o Portugal que não depende do Estado. As contas externas até Abril, divulgadas no Boletim Estatístico de Junho do BdeP, mostram claramente a continuação dessa melhoria. Pela primeira vez desde há muitas décadas, não estamos a ter saldos negativos na balança corrente, ou seja não estamos a aumentar o endividamento ao exterior.

28/06/2013

ARTIGO DEFUNTO: «Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...»

Que título deveria dar a um post onde discorro sobre as minhas dúvidas para explicar os porquês dos mesmos mídia que esgravatam o menor despautério de um membro do actual governo, terem ignorado a barbaridade da ideia apresentada por António José Seguro no Fórum dos Progressistas Europeus em Paris há duas semanas? Recordando: o líder socialista propôs «como objetivo para o ano 2020 que nenhum país (pudesse) ter uma taxa de desemprego superior à média europeia», sem perceber que, decorrente do que é uma média, isso significaria ficarem todos os países vinculados a ter exactamente a mesma taxa de desemprego.

Se a greve dos transportes geral teve «forte adesão»…

… em 308 concelhos, então o S. João em 34 municípios teve uma colossal adesão.

Fonte: Expresso
Acrescente-se que as temperaturas do dia 24 foram mais elevadas do que as de 27, pelo que os efeitos relativos da greve «da ordem dos 100%», como declarou o controleiro Arménio Carlos, com a maior das faltas de vergonha, foram ainda menores do que resultaria da simples comparação com o S. João.

27/06/2013

ESTADO DE SÍTIO: Too little, too late (2)

Como escrevi há tempos, manchado pelo pecado original de ter oferecido facilidades na campanha eleitoral quando devia ter anunciado dificuldades, depois de torrar ingloriamente quase dois anos, com uns 6 meses, estimo eu, de período de graça onde não fez uma reforma de fundo, o governo entrou definitivamente no período de desgraça por voltas de Setembro do ano passado e desde então nunca mais parou. Perdeu o tino e a bússola e começou a navegar não já à vista, como até então, mas à deriva.

Poderia relembrar inúmeros exemplos espalhados por este blogue, mas vou apenas referir dois dos últimos dias.

26/06/2013

SERVIÇO PÚBLICO: Se Michele Brito derrotou Maria Sharapova, tudo é possível (com bastante trabalho e alguma sorte)




Michele who?

SERVIÇO PÚBLICO: Um bálsamo de lucidez num deserto de ideias encharcado de oportunismo e cobardia

Vítor Bento é das poucas luminárias do regime com lucidez e coragem para dizer e escrever verdades impopulares que as outras luminárias omitem nos seus exercícios cobardes de dar graxa ao pior dos portugueses. Vale a pena ler o seu artigo de hoje «O desafio do regime» no Económico.

«Quando a reforma do Estado agita o espaço público, pode ser útil reflectir para além da espuma imediata e tentar perceber a margem de manobra do que, um pouco tecnocraticamente, se poderá apelidar de “o modelo de negócio” do actual regime político.
Quanto se iniciou o regime, em 1974, a dívida pública correspondia a cerca de 15% do PIB. Actualmente, os números oficiais situam-na acima dos 120%, o que já é suficiente para questionar a sua sustentabilidade. A diferença acumulada sugere o que tem sido o "modelo de negócio" do regime: a venda de promessas a crédito, ou, dito de outro modo, gastar por conta do futuro.

DIÁRIO DE BORDO: O limiar da legitimidade

Quantas manifestações, quantos manifestantes e quanto tempo são necessários para retirar a legitimidade a um governo maioritário? Bom, isso depende. Se for um governo de esquerda, no total muitas dezenas ou centenas, vários milhões e um tempo indeterminado, respectivamente, podem não ser suficientes. Se não for um governo de esquerda, qualquer meia dúzia, umas dezenas de milhar e uma ou duas semanas são suficientes. Se cantarem a Grândola, os números e o tempo podem ser encurtados.

De resto, as próprias manifestações podem ser legítimas ou ilegítimas, independentemente do número de manifestantes. E não se pense que a legitimidade depende da orquestração das manifestações, da arregimentação em transportes dos organizadores. Dependendo de quem orquestra, pode haver orquestrações legítimas e ilegítimas.

E quem tem legitimidade para determinar a ilegitimidade? A esquerda em geral, incluindo a que perdeu as últimas eleições e até aquela que nunca ganhou eleições. Alguma dúvida?

25/06/2013

É legítimo defender os interesses próprios. Não é legítimo fazer disso uma doutrina.

Com a adesão de João Salgueiro à militância da terceira-idade na defesa da imutabilidade das pensões, fundada na suposta contratualidade do sistema de Segurança Social, a acrescentar às adesões já conhecidas de Manuela Ferreira Leite, Luís Mira Amaral, Aníbal Cavaco Silva (militante recentemente na clandestinidade) e tantos outros, confirma-se Silva Lopes como a única voz dissonante entre as luminárias do regime.

Mais depressa se aceita a indignação da maioria anónima da legião dos 3,6 milhões de pensionistas, vivendo nas cavernas platónicas de alienação do Estado Social, do que os protestos por causa própria destas luminárias que tinham a obrigação de conhecer a insustentabilidade intrínseca deste esquema de Ponzi e, ainda para mais, porque participaram em governos que nos conduzirem com a maior das irresponsabilidades à situação em que nos encontramos de falência do Estado e do País - sim, do País; aliás, o País está mais falido do que o Estado.

Declaração de interesse: também não me convém nada o corte da pensão «adquirida» com mais de 40 anos de suadas contribuições.

CASE STUDY: A livre iniciativa dos desempregados

Desde há pelo menos há 9 anos que se vem insistindo no (Im)pertinências (por exemplo, aqui ou aqui, para citar apenas os posts mais antigos) que a Zona Euro não é uma zona monetária óptima e, por isso, só por milagre resistiria à primeira crise. Uma das peças que faltava (e falta) para a Zona Euro ser uma zona monetária óptima era (e é) o desmantelamento das barreiras à mobilidade da mão-de-obra e a criação de mecanismos facilitadores da mobilidade.

24/06/2013

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A diferença entre Estados democráticos e Estados totalitários (2)

Mais um exemplo dos tempos do PREC, oportunamente lembrado pelo Herdeiro de Aécio (via Blasfémias), de que, como justamente escreveu o Insurgente, «Estados totalitários não fecham televisões públicas. Fecham televisões privadas.» Ou rádios, se necessário à bomba. Salvo, evidentemente, se puderem ocupar os rádios ou os jornais e nomear uma direcção de confiança.

ARTIGO DEFUNTO: Paris já está a arder, segundo o jornalismo de causas

«Dezenas de montras de bancos e de comércios foram atacados, esta tarde, em Paris, quando milhares de pessoas desfilaram numa manifestação "anti-fascista", em memória de Clément Méric, jovem militante de extrema-esquerda morto há duas semanas depois de ter sido agredido, durante uma altercação, por um skinhead, membro de um grupo semi-clandestino da extrema-direita.

Os militantes de esquerda e extrema-esquerda, muitos vestidos de negro, atacaram com pedras montras de dezenas de bancos e de comércios ou vandalizaram-nos com slogans anti-capitalistas e anti-fascistas, mas a polícia não interveio e manteve-se à distância

23/06/2013

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Uma vergonha

«A leitura do documento (relatório parlamentar sobre as PPP) é uma descida aos infernos. Um verdadeiro retrato da nossa vergonha. Está lá tudo o que nos levou à falência. A incompetência, a irresponsabilidade, a fraude, o compadrio, o poder de quem manda sem atender aos verdadeiros interesses do país. É uma mistura de políticos sem carácter, autarcas sem vergonha, banqueiros gananciosos e empresários sem escrúpulos. Começou com a "política de betão" de Cavaco Silva e acabou com as loucuras de José Sócrates. Para trás fica um país com infraestruturas, mas sem economia para as utilizar, um país com estradas e pontes, mas sem dinheiro para as pagar, um país rico em cimento, mas pobre em conhecimento. Uma vergonha

«O retrato da nossa vergonha», Luís Marques no Expresso

Pro memoria (116) – Mário Soares talvez saiba do que está a falar

Mário Soares diz ao Público (ver excertos no Expresso) que «a democracia está em perigo» e que «somos uma pseudodemocracia». Pode ser chocante dito por um político e ex-presidente da República com enormes responsabilidades na «pseudodemocracia», mas não devemos excluir a razão de Soares.

22/06/2013

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Nós fazemos as dívidas e eles pagam os juros e as amortizações. That’s it! Voilà! Da ist!

«"As eurobonds (euro-obrigações) são uma ideia estúpida que, felizmente, nunca será implementada", diz-nos cruamente o italiano Roberto Perotti, doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e professor de Economia na Universidade Bocconi, em Milão.

Acho incrível que muita gente no Sul da Europa continue a propor versões desta ideia. A Alemanha não pode assumir os riscos de todos os países da periferia (da zona euro) e se, por acaso, as euro-obrigações fossem concretizadas gerariam um tal ressentimento na opinião pública alemã que isso selaria a morte da zona euro, explica Perotti que considera um aventureirismo político essa proposta que tem corrido entre políticos europeus e economistas ocidentais de renome.» (Expresso)

Lost in translation (178) – O nosso problema não é o denominador é o numerador, disse ele

«Seguramente que o nosso problema principal em matéria de competitividade não será a dimensão dos salários. O nosso problema principal situa-se muito mais no processo de criação de valor e nas posições que ocupamos nas cadeias de valor globalizadas», disse o economista Augusto Mateus na Católica Porto Business School falando sobre «O campeonato da competitividade: O caso de Portugal». Para arrumar o assunto também disse, por estas palavras que o jornalista pôs na boca dele, que «o nível salarial português, nas empresas na indústria dos serviços com mais de 10 trabalhadores, é 55% do nível médio da União Europeia, enquanto em Espanha e Grécia é de 85 e 83%». Esqueceu-se porém de acrescentar ser a produtividade do trabalho por hora em Portugal pouco mais de metade da média EU27.

É um grande contributo para a teoria económica, semelhante ao de um matemático que concluísse que o importante para determinar o valor de uma fracção não é o denominador é o numerador.

21/06/2013

Mitos (114) - Protestos contra as despesas com a «Copa do Mundo»? Só contaram pra vocês...

Desculpem lá mas não compro essa estória dos protestos contra as despesas com a «Copa do Mundo». Seria a primeira vez que um povo protestaria contra os gastos sumptuários. Os povos gostam de circo, desde que não lhes falte o pão e, como disse o Joãozinho Trinta há quase quarenta anos, pobre gosta de luxo, quem não gosta de luxo é intelectual.

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Além de gostarem de luxo (Joãozinho referia-se ao luxo das escolas de samba. Sim, luxo, é isso mesmo!), os pobres raramente se manifestam e só o fazem quanto têm fome e com a Bolsa Família os que têm fome não chegam para uma manif. Vejam-se aqui as fotos. Entre centenas de milhares de estudantes e jovens da classe média em geral quanto pobres se conseguem contar?

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (24)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (13), (14), (15), (16), (17),  (18),  (19), (20), (21), (22) e (23)

Com este post termina a exposição impertinente de 24 efabulações da série «O que tu quiseres». O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas continuar a poder ser visto no sítio do costume.

Voltas ao Mundo
(Terminou)

20/06/2013

Exemplos do costume (13) - A fábrica de presidenciáveis já começou a trabalhar

Depois de ter discursado no 10 de Junho do ano passado e ter debutado na Aula Magna num comício de uma espécie de Frente Popular promovida pelo Dr. Soares no princípio deste mês, Sampaio da Nóvoa, o ainda reitor da universidade de Lisboa, começou, sem surpresa, a ser soprado aos ouvidos do jornalismo de causas como uma espécie de sucessor de Fernando Nobre, isto é uma espécie de machina do deus Soares ou, se preferirem, uma espécie de cordeiro sacrificial desse deus. Por agora na reserva, não vá aparecer um Alegre, o próprio ou outro novo. Além disso, no caminho para o altar do sacrifício, Sampaio da Nóvoa ainda poderá alimentar ilusões aos órfãos de partido que pairam no limbo frentista e que circunstancialmente fazem de compagnons de route do Dr. Soares.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O contorcionista do Caldas

«Além de ter transformado o CDS em PP e voltado agora a utilizar praticamente só a sigla inicial, no próprio discurso, Portas fez ziguezagues e flic-flacs políticos como muito bem entendeu.

Teve a fase pura e dura liberal (PP), teve a época nacionalista (a da lavoura), teve o combate da justiça social (o defensor do contribuinte) e agora está de regresso à democracia cristã (marcando distâncias em relação ao próprio governo, neoliberal, que sustém contraditoriamente).