«O texto em inglês enviado por José Sócrates a Luís Arouca, que serviu de elemento de avaliação à cadeira de Inglês Técnico na Universidade Independente (UnI), foi discutido pelos dois num almoço no restaurante Pap’Açorda, no Bairro Alto, em Lisboa. Quem o diz é Rui Verde, ex-vice-reitor da Unir, que requereu na semana passada ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo de Lisboa a Nulidade da licenciatura em Engenharia Civil de Sócrates, lembrando o caso de Miguel Relvas.
“Sei que foi no Pap’Açorda porque fui eu quem levou Luís Arouca ao restaurante para se encontrar com José Sócrates”, revelou Rui Verde ao CM.» (CM)
Onde estão os indignados com as equivalências de Miguel Relvas?
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
30/04/2013
Pro memoria (112) – Sarko volta. Estás perdoado.
Segundo uma sondagem CSA da semana passada, se as eleições presidenciais em França tivessem sido no domingo os resultados da primeira volta seriam:
Se tivesse sido a segunda volta, os cenários seriam :
Aditamento
A propósito da citada coligação informal, já depois de ter publicado este post, li o que escreveu hoje no DN Mário Soares que deve saber do que fala quando incita Portas a sair do comboio do PSD em andamento e entrar no do PS:
«Enquanto Portas tinha alguma esperança de se associar ao PS, o que seria um conforto para ele, foi deixando andar. ...
Assim sendo, Paulo Portas não pode continuar, no contexto atual - e sem se desacreditar totalmente - a dar uma no cravo e outra na ferradura, sem destruir o seu partido. No interior do CDS/PP há quem pense assim e queira deixar cair o PP e fique só o CDS.»
- Nicolas Sarkozy 34%
- Marine Le Pen 23%
- François Hollande 19%
Se tivesse sido a segunda volta, os cenários seriam :
- Nicolas Sarkozy 61% x François Hollande 39% ou
- Nicolas Sarkozy 67% x Marine Le Pen 33%
Aditamento
A propósito da citada coligação informal, já depois de ter publicado este post, li o que escreveu hoje no DN Mário Soares que deve saber do que fala quando incita Portas a sair do comboio do PSD em andamento e entrar no do PS:
«Enquanto Portas tinha alguma esperança de se associar ao PS, o que seria um conforto para ele, foi deixando andar. ...
Assim sendo, Paulo Portas não pode continuar, no contexto atual - e sem se desacreditar totalmente - a dar uma no cravo e outra na ferradura, sem destruir o seu partido. No interior do CDS/PP há quem pense assim e queira deixar cair o PP e fique só o CDS.»
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@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (1)
«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações começa hoje a ser publicada. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.
(Continua)
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| Veados de Neve |
(Continua)
29/04/2013
Pro memoria (111) – Tomemos nota do que nos pode esperar
O congresso do PS deste fim-de-semana bem poderia ter sido organizado pelos piadistas das Produções Fictícias. Durante mais de um ano António José Seguro fez um discurso de líder da oposição de um país do terceiro mundo (talvez seja o discurso apropriado), como se, gostando-se ou não, não existisse uma maioria no parlamento e como se o PS pudesse falar em nome de uma putativa futura vitória numas talvez longínquas eleições, depois de ter visto as intenções de voto descer de 36,7% em Março para 28,6% em Abril, apesar da mais descarada demagogia.
A mesma criatura que irresponsavelmente prometeu facilidades no resgate do país da situação onde o seu partido o deixou, garante no discurso de encerramento do congresso «ter os pés bem assentes na terra» e que não se importa de «perder votos, mas não vendemos ilusões». Depois ter fugido de negociar com o governo, como o diabo fugiu da cruz, reconheça-se que estribado nos alibis que Passos Coelho lhe deu de mão-beijada, AJS jura que «o estado de emergência do país não dispensa ninguém» e garante não descartar «coligações, mesmo com maioria absoluta».
E ainda teve tempo de enumerar «propostas concretas» que O Insurgente classificou apropriadamente como «Um Novo Rumo Ao Segundo Resgate» e comentou aqui. Se tenho fundadas reservas sobre a governação da coligação PSD-CDS, o que deverei ter sobre uma hipotética governação de um PS com tanta experiência de arruinar o país com um líder que não mostra ter aprendido alguma coisa?
A mesma criatura que irresponsavelmente prometeu facilidades no resgate do país da situação onde o seu partido o deixou, garante no discurso de encerramento do congresso «ter os pés bem assentes na terra» e que não se importa de «perder votos, mas não vendemos ilusões». Depois ter fugido de negociar com o governo, como o diabo fugiu da cruz, reconheça-se que estribado nos alibis que Passos Coelho lhe deu de mão-beijada, AJS jura que «o estado de emergência do país não dispensa ninguém» e garante não descartar «coligações, mesmo com maioria absoluta».
E ainda teve tempo de enumerar «propostas concretas» que O Insurgente classificou apropriadamente como «Um Novo Rumo Ao Segundo Resgate» e comentou aqui. Se tenho fundadas reservas sobre a governação da coligação PSD-CDS, o que deverei ter sobre uma hipotética governação de um PS com tanta experiência de arruinar o país com um líder que não mostra ter aprendido alguma coisa?
Bons exemplos (57) - Um regulador que não jogou golfe com os regulados
«I didn’t know the bank CEOs. I didn’t play golf with them. I just thought I’d call it as I saw it», disse ao Financial Times em Janeiro Matthew Elderfield, um inglês nomeado em 2010 pelo governo irlandês como regulador bancário. Fez um excelente trabalho para combater o compadrio na banca irlandesa e vai agora ser nomeado responsável de «compliance» do Lloyds Banking Group, liderado por António Horta-Osório. (Fonte: Financial Times)
Nós por cá teríamos ficado felizes mesmo se Constâncio, o ministro anexo, tivesse jogado golfe com os Espíritos e Ulrich ou mesmo tivesse ido à missa com Jardim Gonçalves, desde que ao menos tivesse mantido algumas distâncias do governo e do PS a quem serviu. Distâncias que, reconheça-se, não teria sido fácil manter para quem foi o seu secretário-geral de 1986 a 1989.
Nós por cá teríamos ficado felizes mesmo se Constâncio, o ministro anexo, tivesse jogado golfe com os Espíritos e Ulrich ou mesmo tivesse ido à missa com Jardim Gonçalves, desde que ao menos tivesse mantido algumas distâncias do governo e do PS a quem serviu. Distâncias que, reconheça-se, não teria sido fácil manter para quem foi o seu secretário-geral de 1986 a 1989.
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DIÁRIO DE BORDO: Reflexões avulsas a propósito do desvelo das luminárias domésticas pelo Estado (1)
Tal como a democracia produz frequentemente escolhas que se vêm a revelar a posteriori desastrosas – por vezes até a priori se pode antecipar o desastre – também os mercados, que são uma espécie de democracia das escolhas económicas, produzem igualmente desastres.
Há quem não aceite nem a democracia política nem a democracia económica, como os comunistas confessos – hoje uma espécie, se não em extinção, pelo menos clandestina.
E há quem aceite a democracia política e, veladamente, se oponha à democracia económica com os mais variados argumentos. Veladamente porque em geral só durante as crises é que as críticas mais ferozes emergem à luz do dia, ou melhor sob o foco mediático. É a economia de casino, é a ditadura da economia ou dos mercados, é o ultra ou neoliberalismo, é simplesmente o capitalismo, que segundo estes detractores está na origem das misérias que ciclicamente nos afligem.
(Continua, espero)
E há quem aceite a democracia política e, veladamente, se oponha à democracia económica com os mais variados argumentos. Veladamente porque em geral só durante as crises é que as críticas mais ferozes emergem à luz do dia, ou melhor sob o foco mediático. É a economia de casino, é a ditadura da economia ou dos mercados, é o ultra ou neoliberalismo, é simplesmente o capitalismo, que segundo estes detractores está na origem das misérias que ciclicamente nos afligem.
(Continua, espero)
28/04/2013
O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: As coisas que o amofinam – O princípio da incerteza
[Publicada a «Teoria Geral da História de Portus Cale e Arredores à luz do Axioma de Sócrates-Passos» e «As coisas que me amofinam – As teorias da conspiração», Pai Silva, o Autor, produziu mais um texto, desta vez sobre a política como instância da mecânica quântica.]
O princípio da incerteza vem da Mecânica Quântica e é aquilo a que poderíamos chamar uma doçura, um bombom.
Graças a ele não sabemos para onde vamos se soubermos onde estamos e não temos a mínima ideia de onde estamos se soubermos para onde vamos.
Paradoxalmente, é possível construir uma ciência exacta, a tal Mecânica Quântica, com base nesta incerteza sobre o passado, o presente e o futuro, ou seja, sobre tudo.
A política, pelo menos aqui a do burgo (sobre a de outros burgos não me posso pronunciar por óbvio paroquialismo de que congenitamente sofro ou até por piores razões), tudo o leva a crer, é a coisa mais parecida com a Mecânica Quântica: não há ou não se conhece político que saiba onde está e muito menos para onde quer ir.
Todavia o que governa a política, quer para os eleitos, democraticamente ou não, quer para os eleitores democráticos ou não, é, curiosamente, um princípio anti-quântico: o princípio da certeza.
Não há, nem se conhece, um único político que não saiba onde está, nem, muito menos, para onde queira ir.
A conclusão mais notória é a de que sobre este princípio da certeza não foi possível e, tudo leva a crer, não será possível construir uma ciência exacta, ou mais rigorosamente, ciência nenhuma.
As coisas que me amofinam – O princípio da incerteza
O princípio da incerteza vem da Mecânica Quântica e é aquilo a que poderíamos chamar uma doçura, um bombom.
Graças a ele não sabemos para onde vamos se soubermos onde estamos e não temos a mínima ideia de onde estamos se soubermos para onde vamos.
Paradoxalmente, é possível construir uma ciência exacta, a tal Mecânica Quântica, com base nesta incerteza sobre o passado, o presente e o futuro, ou seja, sobre tudo.
A política, pelo menos aqui a do burgo (sobre a de outros burgos não me posso pronunciar por óbvio paroquialismo de que congenitamente sofro ou até por piores razões), tudo o leva a crer, é a coisa mais parecida com a Mecânica Quântica: não há ou não se conhece político que saiba onde está e muito menos para onde quer ir.
Todavia o que governa a política, quer para os eleitos, democraticamente ou não, quer para os eleitores democráticos ou não, é, curiosamente, um princípio anti-quântico: o princípio da certeza.
Não há, nem se conhece, um único político que não saiba onde está, nem, muito menos, para onde queira ir.
A conclusão mais notória é a de que sobre este princípio da certeza não foi possível e, tudo leva a crer, não será possível construir uma ciência exacta, ou mais rigorosamente, ciência nenhuma.
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27/04/2013
LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: Para tirar os trapinhos qualquer causa é boa (9)
Outros trapinhos tirados:
(1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8).
Desta vez o mulherio assanhado da Femen atacou a conferência «Blasfémia. Ofensa ou liberdade de expressão?» em Ixelles, na Bélgica. Quando o Arcebispo Andre Leonard começou a falar 4 sapatões de Femen trataram logo de tirar os trapinhos, dando assim a sua resposta à pergunta.
Desta vez o mulherio assanhado da Femen atacou a conferência «Blasfémia. Ofensa ou liberdade de expressão?» em Ixelles, na Bélgica. Quando o Arcebispo Andre Leonard começou a falar 4 sapatões de Femen trataram logo de tirar os trapinhos, dando assim a sua resposta à pergunta.
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| [Fontes: daqui, via O Insurgente] |
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26/04/2013
Mitos (108) – Os causadores da nossa desgraça foram eles
A propósito da mitologia sobre as causas da nossa desgraça, este post torna evidente que as finanças públicas estavam persistentemente descarriladas muito antes da crise financeira, como se vê no quadro abaixo extraído de O Insurgente. Nos 14 anos entre 1999 e 2012 o Estado português fez o pleno. Recorde-se também que, muito provavelmente, a maioria dos défices anteriores à intervenção da troika foi aldrabada com contabilidade criativa.
Por isso, é perfeita mitologia toda a lengalenga acerca dos sucessivos culpados da nossa desgraça: o capitalismo de casino, as agências de rating, a Alemanha, e até, por ironia, há quem acrescente à lista a troika que nos empresta dinheiro e nos evitou a falência. Por falar em agências de rating, momentaneamente obscurecidas pelos outros suspeitos do costume, ver a série de posts «as teorias da conspiração sobre as agências de rating».
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| Défices antes e depois da adesão à Zona Euro a amarelo e a vermelho, respectivamente; o défice de 2012 ficou em 6,6%. |
CONDIÇÃO MASCULINA: Minoria mentalmente diminuída (2)
[Na continuação de (1)]
A propósito desta entrevista e deste congresso promovido pela EASSE, sempre foi para mim um mistério a espantosa capacidade de o politicamente correcto condicionar as opiniões dominantes com preconceitos baseados num ideário, neste caso o da inexistência de diferenças de aprendizagem entre sexos, desmentido pela observação da realidade.
Para usar as palavras de Abigail Norfleet James ao Público:
«Assume [aquilo a que chamo o pensamento politicamente correcto] que as diferenças são determinadas pelos pais ou pela cultura. Eu penso que os pais e a cultura estão simplesmente a responder a comportamentos que vemos nas crianças. Os pais dão carros aos rapazes porque os seus olhos respondem bem ao movimento e dão bonecas às raparigas porque elas respondem bem aos rostos. Os pais não sabem isso, mas se dermos uma boneca a um rapaz ele vai virá-la de cabeça para baixo ou tratá-la como se fosse um jogo de construção; ao passo que as raparigas vão dar nomes aos carros e tratá-los como se fossem seres vivos. A ideia da cultura caça/recolha pode ter chegado a nós através do nosso ADN. Um novo campo de conhecimento, a epigenética, dedica-se a observar como é que o nosso comportamento muda as moléculas no nosso ADN e começa a compreender que essas mudanças podem passar para as crianças.»
Uma das consequências deste ideário que impregna o pensamento único é o handicap traduzido em taxas de sucesso escolar dos rapazes cada vez mais baixas que o sistema dominante de educação, com os seus métodos dirigidos a uma espécie de terceiro sexo existente só nas cabeças dos seus mentores.
A propósito desta entrevista e deste congresso promovido pela EASSE, sempre foi para mim um mistério a espantosa capacidade de o politicamente correcto condicionar as opiniões dominantes com preconceitos baseados num ideário, neste caso o da inexistência de diferenças de aprendizagem entre sexos, desmentido pela observação da realidade.
Para usar as palavras de Abigail Norfleet James ao Público:
«Assume [aquilo a que chamo o pensamento politicamente correcto] que as diferenças são determinadas pelos pais ou pela cultura. Eu penso que os pais e a cultura estão simplesmente a responder a comportamentos que vemos nas crianças. Os pais dão carros aos rapazes porque os seus olhos respondem bem ao movimento e dão bonecas às raparigas porque elas respondem bem aos rostos. Os pais não sabem isso, mas se dermos uma boneca a um rapaz ele vai virá-la de cabeça para baixo ou tratá-la como se fosse um jogo de construção; ao passo que as raparigas vão dar nomes aos carros e tratá-los como se fossem seres vivos. A ideia da cultura caça/recolha pode ter chegado a nós através do nosso ADN. Um novo campo de conhecimento, a epigenética, dedica-se a observar como é que o nosso comportamento muda as moléculas no nosso ADN e começa a compreender que essas mudanças podem passar para as crianças.»
Uma das consequências deste ideário que impregna o pensamento único é o handicap traduzido em taxas de sucesso escolar dos rapazes cada vez mais baixas que o sistema dominante de educação, com os seus métodos dirigidos a uma espécie de terceiro sexo existente só nas cabeças dos seus mentores.
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25/04/2013
DIÁRIO DE BORDO: Um 25 de Abril impertinente
O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser.
Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.
Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.
Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).
Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.
Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?
Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.
E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.
[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]
Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.
Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.
Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).
Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.
Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?
Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.
E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.
[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]
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24/04/2013
A maldição da tabuada (15) – Estará o fim da maldição à vista?
O tema da tabuada, ou melhor o tema da sua maldição, tem sido recorrente no (Im)pertinências, cujos contribuintes penaram na infância para conseguir fazer contas de cabeça, competência que ao longo da vida adulta nos tem dado muito jeito.
Se dúvidas tivesse, a observação da inumeracia reinante e a consequente dificuldade de distinguir milhões de biliões e de relacionar grandezas (a audição de praticamente todas as luminárias residentes na televisão e da maioria esmagadora dos jornalistas de causas fundamenta esta asserção) confirmaria a utilidade do domínio desta ferramenta mental.
Por essa razão, não espanta ter sido com grande alívio que fiquei a saber estar à vista o fim deste mito da inutilidade de saber a tabuada par cœur, criado por sucessivas gerações de filhos espirituais de Rousseau. E foi sem surpresa que também fiquei a saber que a Associação dos Professores de Matemática entende que a reintrodução da aprendizagem da tabuada significa «retroceder 40 anos o ensino em geral e, em particular, o da Matemática». Oposição que, considerando os resultados de 40 anos dos métodos preconizados pela bendita Associação, vem desvanecer as últimas dúvidas que poderia ter.
Faço votos para que acabe por prevalecer o bom senso e o saber de experiência feito e só tenhamos que esperar outros 40 anos para desfazer os efeitos nefastos dos lunáticos dos últimos 40 anos.
[Para uma retrospectiva das consequências desta maldição, ver a etiqueta: «a tabuada faz muita falta»]
Se dúvidas tivesse, a observação da inumeracia reinante e a consequente dificuldade de distinguir milhões de biliões e de relacionar grandezas (a audição de praticamente todas as luminárias residentes na televisão e da maioria esmagadora dos jornalistas de causas fundamenta esta asserção) confirmaria a utilidade do domínio desta ferramenta mental.
Por essa razão, não espanta ter sido com grande alívio que fiquei a saber estar à vista o fim deste mito da inutilidade de saber a tabuada par cœur, criado por sucessivas gerações de filhos espirituais de Rousseau. E foi sem surpresa que também fiquei a saber que a Associação dos Professores de Matemática entende que a reintrodução da aprendizagem da tabuada significa «retroceder 40 anos o ensino em geral e, em particular, o da Matemática». Oposição que, considerando os resultados de 40 anos dos métodos preconizados pela bendita Associação, vem desvanecer as últimas dúvidas que poderia ter.
Faço votos para que acabe por prevalecer o bom senso e o saber de experiência feito e só tenhamos que esperar outros 40 anos para desfazer os efeitos nefastos dos lunáticos dos últimos 40 anos.
[Para uma retrospectiva das consequências desta maldição, ver a etiqueta: «a tabuada faz muita falta»]
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ESTADO DE SÍTIO: A suprema ejaculação dos órgãos legislativos
Tem circulado por aí um email, a que alguns jornais fizeram referência, sobre a lei n.º 23/2013 de 5 de Março que aprova o regime jurídico do processo de inventário e, para tal, altera o Código Civil, o Código do Registo Predial, o Código do Registo Civil e o Código de Processo Civil. Ora acontece que todos estes códigos foram por sua vez alterados no passado por mais de uma centena de decretos-leis e, à maneira complicativa habitual do juridiquês, todos estes decretos-leis foram citados no artigo 1.º da lei. O resultado é uma longa lista de 165 diplomas que parece ter servido como exemplo aos comentadores para sublinharem a monstruosidade da coisa, em parte confundindo a referência a antigos decretos que modificaram os referidos códigos como sendo a alteração dos próprios decretos.
Não é um bom exemplo. Se os indignados com a pletora legiferante querem bons exemplos, procurem-nos na regulamentação das actividades mais triviais, verbi gratia a caça. Sim a caça que, segundo a pesquisa do Diário da República Electrónico 1.ª Série, deu pretexto à publicação de quase 10.000-diplomas-10.000.
Não é um bom exemplo. Se os indignados com a pletora legiferante querem bons exemplos, procurem-nos na regulamentação das actividades mais triviais, verbi gratia a caça. Sim a caça que, segundo a pesquisa do Diário da República Electrónico 1.ª Série, deu pretexto à publicação de quase 10.000-diplomas-10.000.
23/04/2013
Bons exemplos (56) – Lá se fazem, cá se pagam
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| Tudo por junto são dois chumbos do TC (Infografia do Público). Clique para ampliar |
O bom exemplo é o governo ter «remodelado» dois secretários de Estado, Paulo Braga Lino e Juvenal Silva Peneda, ambos corresponsáveis por perdas potenciais de 830 milhões no Metro do Porto. Escaparam Marco António Costa, secretário de Estado da Segurança Social (administrador não executivo do Metro do Porto) e Maria Luís Albuquerque, secretária de Estado do Tesouro (à época directora financeira de Refer, com perdas potenciais de «apenas» 40 milhões).
A propósito, em governos anteriores, apesar de várias trapalhadas, não recordo «remodelados», com excepção do caso do amigo daquele por causa de quem os portugueses tanto devem - Armando Vara - levado a demitir-se de secretário de Estado da Juventude e Desportos, por pressão de Jorge Sampaio à época PR, devido às irregularidades da Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária.
NÓS VISTOS POR ELES: Chronic underachievement and accidental bunga-bunga parties
«That Portugal has managed to stay out of sight for most of the time since it was bailed out in 2011 is an achievement in itself. Its sins were perhaps the least distasteful to creditors. Portugal broke fiscal rules like many others. But it was not mendacious and profligate like Greece; it did not recklessly run a low-tax economic model off the rails like Ireland; it has not lived off dodgy Russian money like Cyprus; and it did not permit a runaway property boom like Spain. Instead Portugal was a chronic underachiever, suffering from years of low growth. It was a bit like Italy, minus the self-indulgent public debt and bunga-bunga parties.»
«Euro wobbles - Portugal’s constitutional court creates new problems for the euro», Economist, April 13th
Rectificação: Diferentemente do que a Economist escreve, não existe assim tanta diferença entre Portugal e Itália no que respeita ao bunga-bunga. Segundo Joaquim Vieira afirmou em entrevista ao ionline, durante a segunda intervenção do FMI em 1983-4 com o governo do Bloco Central, o Dr. Soares, nos intervalos das suas exaltadas justificações da mesma austeridade que hoje condena, e o Dr. Mota Pinto praticavam em conjunto uma espécie de bunga-bunga avant la lettre.
«Euro wobbles - Portugal’s constitutional court creates new problems for the euro», Economist, April 13th
Rectificação: Diferentemente do que a Economist escreve, não existe assim tanta diferença entre Portugal e Itália no que respeita ao bunga-bunga. Segundo Joaquim Vieira afirmou em entrevista ao ionline, durante a segunda intervenção do FMI em 1983-4 com o governo do Bloco Central, o Dr. Soares, nos intervalos das suas exaltadas justificações da mesma austeridade que hoje condena, e o Dr. Mota Pinto praticavam em conjunto uma espécie de bunga-bunga avant la lettre.
22/04/2013
Exemplos do costume (12) – O partido da carta aberta
É costume dizer-se fulano é uma carta aberta significando não ter a a criatura em causa nada a esconder. Na política, e especialmente no PS, uma carta aberta significa que o militante ou o dirigente em causa tem tudo a esconder.
O exemplo mais recente foi o do secretário-geral António José Seguro, divulgando uma carta à troika já conhecida de Portugal inteiro ainda sem ter sido colocada no correio. Aliás já cognominei AJS de «O Epistológrafo» pelas suas inúmeras cartas desde a sua elevação a líder.
O seu exemplo frutificou e agora chegou a vez de um grupo de socialistas eméritos onde parece proliferar a tralha socrática, preocupados com a «crescente falta de confiança dos cidadãos nos partidos» (palavras da jornalista de causas do Expresso que está a transmitir o recado), dirigir uma carta aberta ao líder, reeleito há dias, propondo várias medidas à cabeça das quais encontramos a realização de «eleições primárias abertas a simpatizantes na eleição para secretário-geral do PS». É mais um exemplo de carta aberta onde se tem tudo a esconder, mas à vista de todos.
O exemplo mais recente foi o do secretário-geral António José Seguro, divulgando uma carta à troika já conhecida de Portugal inteiro ainda sem ter sido colocada no correio. Aliás já cognominei AJS de «O Epistológrafo» pelas suas inúmeras cartas desde a sua elevação a líder.
O seu exemplo frutificou e agora chegou a vez de um grupo de socialistas eméritos onde parece proliferar a tralha socrática, preocupados com a «crescente falta de confiança dos cidadãos nos partidos» (palavras da jornalista de causas do Expresso que está a transmitir o recado), dirigir uma carta aberta ao líder, reeleito há dias, propondo várias medidas à cabeça das quais encontramos a realização de «eleições primárias abertas a simpatizantes na eleição para secretário-geral do PS». É mais um exemplo de carta aberta onde se tem tudo a esconder, mas à vista de todos.
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21/04/2013
O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: As coisas que o amofinam – As teorias da conspiração
[Depois de publicado em 10 fascículos a «Teoria Geral da História de Portus Cale e Arredores à luz do Axioma de Sócrates-Passos» do detractor e amigo Pai Silva, o Autor, a atravessar um período de exaltante criatividade, produziu hoje mesmo o texto que em exclusivo aqui se publica.]
O senhor Kim Jong-un é uma ternura.
As coisas que me amofinam – As teorias da conspiração
O senhor Kim Jong-un é uma ternura.
20/04/2013
BREIQUINGUE NIUZ: Pancadaria na Assembleia Nacional Francesa
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| Pancadaria na Assembleia Nacional Francesa a propósito do casamento homossexual. Foto tirada por um deputado do PS (Fonte: Slate.fr) |
Imagens censuradas na TV
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