Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/10/2012

Mitos (88) - O governo está a atacar o Estado Social

É preciso escolher: ou bem se responsabiliza o governo por atacar o Estado Social ou bem por não atacar a despesa pública. Não é possível responsabilizá-lo por ambas as coisas, porque para atacar o Estado Social tem que atacar a despesa pública. Ora vejam-se estes gráficos de O Insurgente com o somatório das despesas com educação, saúde e segurança social em valor absoluto (à esquerda) e em percentagem do PIB (à direita).


«Quando somadas, a despesa nestas três funções sociais do estado está, em termos nominais, ao nível de 2008. Em termos de peso no PIB, o orçamento para 2013 terá o quarto maior valor de sempre, mesmo superior aos primeiros anos de governo de Sócrates. Se existisse de facto um recuo de décadas, por exemplo aos tempos de governação de Vasco Gonçalves, teríamos um excedente orçamental de 15% do PIB no próximo ano

Eu acrescentaria que com o aumento do desemprego e dos subsídios de desemprego os pesos absoluto e relativo do Estado Social na economia ainda aumentarão mais.

DIÁRIO DE BORDO: Caught in the Act (9)

Rolling Stones

30/10/2012

E eu a pensar que havia um direito a emigrar

«Bento XVI defende o "direito de não emigrar"»

Interesse nacional segundo António José Seguro

António José Seguro frisou depois que o «aceno ao PS» vem tarde, alegando que o seu partido há mais de um ano vem alertando o Governo para o caminho errado do executivo, e frisou que a refundação do programa de ajustamento «responsabilizará apenas o senhor primeiro-ministro, o dr. Paulo Portas, o PSD e o CDS».(Diário Digital)

Serviço público segundo a Lusa

O discurso do ministro da Defesa no Dia do Exército:

«O discurso da inutilidade das Forças Armadas é, assim, o nosso maior adversário. Um adversário que ministro, generais e soldados têm de tomar como seu. Porque este adversário é tão corrosivo, tão arriscado e tão perigoso para a segurança nacional como qualquer outra ameaça externa.»

O título do Público (serviço da Agência Lusa):

«Aguiar-Branco: comentadores são tão perigosos como qualquer ameaça externa»

[Lido em O Insurgente]

Serviço público segundo a RTP

No domingo passado às 17H, a RTP1 ofereceu-nos na sua matinée um filme para maiores de 12 anos com diálogos de filme porno. [Lido aqui]

É caro mas vale a pena

Pro memoria (77) – O défice de memória da classe política

Em complemento das retrospectivas publicadas recentemente no (Im)pertinências, nomeadamente:

29/10/2012

CASE STUDY: O multiplicador orçamental (1)

Com a recente publicação do World Economic Outlook - Coping with High Debt and Sluggish Growth, o FMI reconheceu que os multiplicadores orçamentais não se situariam no intervalo 0,4-1,2 como vinha sendo assumido mas, em vez disso, poderiam ser mais altos e situar-se no intervalo 0,9-1,7 (ver especialmente Box 1.1. Are We Underestimating Short-Term Fiscal Multipliers?, páginas 41 a 44 do Outlook).

DIÁRIO DE BORDO: a passarada que me visita (17)

Tordo-zornal? (Turdus pilaris)

28/10/2012

O transtorno bipolar do jornalismo de causas

Com a mesma intensidade dos episódios de exaltação das «folgas» e das «almofadas» do orçamento, a imprensa do regime (o Expresso faz a 1.ª página do caderno de Economia e dedica-lhe 2 outras páginas), fascinada pelas análises da Economist Intelligence Unit, passa agora à fase depressiva e descobre a crescente inevitabilidade da reestruturação da dívida, isto é a negociação de uma combinação de haircut da dívida com reescalonamento das maturidades e redução dos juros. Que tal descoberta signifique o oposto das putativas «folgas» e «almofadas» que o jornalismo de causas promoveu com afinco não parece constituir nenhum problema para esse jornalismo. Talvez porque as causas sejam as mesmas.

ARTIGO DEFUNTO: «A versão dos vencidos»

Na sua coluna habitual no Expresso, Nicolau Santos não se cansa, semana após semana, de tentar reescrever a história da última década e das políticas públicas dominantes, branqueando-as do seu papel de génese da crise que hoje vivemos. Desta vez é a propósito de um «livro imperioso» - «a versão dos vencidos» de Emanuel dos Santos, secretário de estado do Orçamento do governo de Sócrates, que em finais de 2010 garantia que as contas eram fidedignas.

DIÁRIO DE BORDO: Caught in the Act (8)

Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

27/10/2012

Pro memoria (76) – O arrependido

Durante vários anos em que conviveu com os sucessivos governos e em particular com o de José Sócrates, não se ouviu a José Miguel Júdice um protesto, um queixume, um reparo, sobre a engorda do Estado e os negócios que à sua sombra se fizeram e o inevitável caminho em direcção à insolvência que se percorria. Durante esses anos, a sua sociedade de advogados facturou milhões de euros em pareceres, assessorias, projectos de legislação, etc. a esse Estado e ao círculo de interesses que dele vive.

Pro memoria (75) – Aonde nos conduziram os carros eléctricos de José Sócrates

Há 3 anos o governo de José Sócrates lançou a rede nacional de mobilidade eléctrica que previa 320 locais de carregamento e 1.300 em 2012. Em 2020, segundo os planos socráticos, deveria haver 180 mil carros eléctricos e 25 mil locais de carregamento.

Deixando esta ficção socrática, que com as outras nos custou uma pré-falência, três anos depois existem 270 carros eléctricos e este ano apenas foram vendidos 44. Para carregar as baterias dos 270 carros existem mais de mil postos de carregamento que custaram 3 mil euros por posto e os de carregamento rápido custaram dez vezes mais. Existem, pois, quase 4 postos por cada carro eléctrico um investimento equivalente ao custo do próprio carro.

Por isso, meus amigos, antes de irdes às manifs chamar «gatunos» a estes tristes que estão no governo, lembrai-vos que são apenas os cobradores das facturas dos desvarios a que assististes – eventualmente, alguns de vós, com devoção.

(Retrospectiva impertinente dos carros eléctricos socráticos)

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Terapêutica para o «burnout» estudantil

Segundo o estudo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada «Burnout em Estudantes Universitários: Determinantes e Consequências», estes «vivem angustiados … e o rendimento académico está a baixar, levando-os por vezes a recorrer a drogas e álcool ... apresentam níveis elevados de exaustão física e emocional e estão também desmotivados

Baseado numa longínqua experiência universitária, minha e de amigos e colegas, alinhei uns quantos conselhos aos estudantes universitários angustiados, exaustos e desmotivados:
  • Começar por apagar das tenras meninges o termo burnout - sem um nome a coisa perde logo importância;
  • Levantar todos os dias às 6:30 horas;
  • Frequentar apenas aulas das 8 às 10H;
  • Trabalhar das 10:30 às 18:30 com um intervalo de 30 m para morder uma bucha;
  • Estudar umas 2 ou 3 horas por noite;
  • Usar as férias no emprego para preparar os exames.
Se no final do 1.º período persistirem os sintomas, aumentar gradualmente as horas de trabalho e de estudo.

26/10/2012

Conversa fiada (10) – Os papagaios (parte II)

O papagaio do meu amigo fugiu da gaiola e, segundo a sondagem do ionline, contaminou 8 em cada 10 portugueses com o vírus «corta a despesa». E onde cortariam os contaminados a despesa pública? Ora, evidentemente uma parte substancial na metade da despesa corrente correspondente a despesas com saúde e educação. Certo? Errado. Dessa maioria colossal disposta a cortar a despesa, apenas 1 em cada 100 aceitam cortes nessa metade. Estamos conversados.

Aditamento:

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Por falar em «folga» e «almofada»… e o colchão?

Gaspar admitiu há dias usar o ouro como colateral de empréstimos. Espera-se a todo o momento que um qualquer apparatchik socialista venha falar não já da «folga» ou da «almofada» mas do colchão.

Diagrama do WSJ anotado pelo (Im)pertinências

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: A contabilidade socialista - depois das «folgas», as «almofadas».

No passado houve as «folgas» de Sócrates e Seguro, a saber:
  • Janeiro de 2011, a 4 meses da bancarrota: «Portugal tem uma folga orçamental de 800 milhões», garantiu Sócrates
  • Novembro de 2011: há uma «folga orçamental» de €900 milhões, jurou Seguro.

25/10/2012

Será que vou ter que mudar de casa outra vez?

«Estarei na cidade com os cidadãos a combater este OE de massacre fiscal» garantiu Francisco Louçã a anunciar a sua renúncia ao parlamento. Se não pedir for muito, posso saber qual é a cidade onde vai pregar combater ?

CASE STUDY: A pátria do capitalismo é o inferno dos capitalistas (8)

Anjos caídos recentemente: (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7).

Rajat K. Gupta é um dos líderes empresariais mais admirados dos EU. Foi até 2003 managing director da McKinsey, a quinta-essência da consultoria de gestão mundial, e depois disso foi presidente ou consultor estratégico de vários grupos que são la crème de la crème, tais como Goldman Sachs, Procter and Gamble e American Airlines, e de organizações não-lucrativas como a Fundação Gates, o Global Fund e Câmara Internacional de Comércio.