Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

12/09/2011

Deviam respeitar um período de nojo (3)

Tal como Nicolau Santos, o pastorinho da economia dos amanhãs que cantavam e agora choram, lamenta no Expresso de sábado, também eu lamento ter o governo depenado «aos contribuintes e consumidores mais 1.500 milhões em 2011, além de tudo o que já estávamos a pagar.» A diferença é que não acho que tal «nos foi imposto pelos troikanos». Não. Tal foi-nos imposto por um governo liderado pelo anterior primeiro-ministro coadjuvado pelo seu ministro das Finanças, cujas botas o pastorinho poliu com zelo, em resultado das políticas adoptadas com a sua benção durante 6 longos anos. Acresce ser a «imposição troikana» um conjunto de medidas acordadas e subscritas por aquelas duas personagens.

Mais triste do que a falta de memória ou de vergonha, escolhei o que vos aprouver, é a falta de discernimento ao concluir as lamentações pela venda de participações do Estado, tornada necessária pelas políticas que abençoou, recorde-se, com um desabafo dilacerante: se a «economia portuguesa já ia em má direcção, agora vai ficar sem os comandos». A criatura não explica como tais comandos a actuarem pelo menos há 36 anos consecutivos não impediram a economia de ir em má direcção e nem uma ténue dúvida perpassa nos seus neurónios sobre se a má direcção não terá resultado precisamente de tais comandos terem estado na mão visível de quem estiveram.

11/09/2011

Soares, o arrependido

Depois de 37 anos de festim despesista e práticas falimentares do Estado perpetradas por políticos incompetentes, o Dr. Mário Soares, não tendo entendido o discurso do ministro das Finanças - não admira, porque ele nunca distinguiu os milhões dos biliões, arrumou o assunto rotulando depreciativamente o «contabilista» de «político ocasional». O desgosto pela contabilidade deve ser de família, porque também o seu filho João durante a campanha eleitoral, tentou diminuir Cavaco na SIC, clamando não se ter feito com contabilistas a gloriosa história portuguesa.

O pai Soares deve ter-se arrependido por ter metido no princípio dos anos 80 «o socialismo na gaveta», segundo as palavras que lhe atribuídas, e ter mobilizado o «político ocasional» Ernâni Lopes para lhe endireitar as contas, entortadas por 9 anos de desvarios. Tudo sob o olhar atento de Teresa Ter-Minassian do FMI, enquanto a esquerdalhada pintava nas paredes o seu nome ao lado do FMI, mandando ambos sair de Portugal.

Dez anos depois, um mundo menos perigoso

Por muito se questione, e por vezes com razão, a legitimidade e a prioridade estratégica da intervenção liderada pelos americanos no Iraque como resposta ao atentado de 11 de Setembro 2001, por muito se questione, em certos casos acertadamente, a condução político-militar dessa intervenção, é preciso reconhecer 10 anos depois que o mundo ficou melhor sem Saddam, o mundo árabe ganhou uma democracia frágil e problemática mas democracia, e a Qaida sofreu um pesada derrota e não produziu nenhum atentado dessa envergadura depois do de Atocha.

É igualmente preciso reconhecer que sem a reacção dos EU e as suas consequências geopolíticas dificilmente a influência totalitária e fundamentalista da Jihad daria lugar a um levantamento de inspiração secular e democrática da rua árabe a destronar os títeres em exercício.

É também preciso reconhecer, por muitas asneiras que Bush tenha cometido, e cometeu, nem o seu antecessor Clinton (que meteu o rabo entre as pernas com a morte de 18 americanos na Somália) nem o seu sucessor Obama teriam guts para reagir como George W. o fez. Obrigado George W.

Impertinente                Pertinente

10/09/2011

DIÁRIO DE BORDO: Parques nacionais americanos vistos do espaço (1)

Hawai'i Volcanoes National Park (Fonte: Wired)

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Alcança o máximo, só não sei de quê

Secção Com a verdade me enganas

Não fora o passado, presente e provável futuro da Ongoing recomendarem a maior desconfiança em relação ao discurso do seu presidente, as declarações de Nuno Vasconcelos à Lusa a respeito da RTP estariam surpreendentemente à altura de uma visão liberal.

Em primeiro lugar, depois de ter sido dado como interessadíssimo e com os contactos certos, o homem garante que não participará na privatização da RTP e está concentradíssimo, diria Futre, na salvação da Impresa (ó Dr. Balsemão, watch your back).

Em segundo lugar, diz que não concorda com a falta de espaço para um terceiro canal e considera: «o mercado é que deve decidir (...) o que não se pode é pedir ao Estado que continue a gastar 365 milhões de euros por ano com a RTP para favorecer dois privados». Sendo a Ongoing o 2.º accionista da Imprensa, um dos dois privados, esta declaração seria uma declaração de fé, não fossem as dúvidas.

Por último, faz outra declaração de fé no interesse público: «não sei qual vai ser o modelo de privatização da RTP, mas não tem que ser necessariamente um mau negócio (para o Estado)». Considerando as minhas fundadas dúvidas, atribuo-lhe o score máximo e hesito entre afonsos e ignóbeis.

09/09/2011

CASE STUDY: Concorrência imperfeita

Mais operadores não é condição suficiente para garantir mais concorrência e preços mais baixos, como se pode constatar neste exemplo das tarifas dos telefones fixos para empresas (preços corrigidos pelas paridades de poder de compra). No caso português, a «concorrência» do operador incubente (PT) com os outros (Vodafone, Optimus e Zon) coloca-nos no pódio dos preços mais caros.

Uma tarifa mexicana

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Será do clima?

We are all allgarbios
«Soares dos Santos disse que, na abertura de uma loja (do Pingo Doce) no Algarve tinha 29 postos de trabalho e apenas quatro foram ocupados. Da mesma forma, disse que, no Algarve, os funcionários falham ao trabalho vários dias por mês. Não ouço ninguém a dizer porque é que não se trabalha mais horas.»

Entretanto, muito oportunamente, a CGTP, a central sindical do partido Comunista, vai lutar pela «redução progressiva do horário de trabalho, para as 35 horas para incentivar a criação de emprego e combater o desemprego».

Vou esperar mais algum tempo antes de me declarar admirador de António Mexia (6)

[Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)]

E se de repente o trio FMI/FEEF/BCE obrigar a cortar uma parte substancial dos chamados «custos de manutenção do equilíbrio contratual» destinados a compensar a EDP pela liberalização do mercado?

Baptizados como «Recebimentos Futuros da Actividade Regulada», com um saldo no final do 1.º semestre de 1,4 mil milhões o valor actual destes «futuros» representa mais de 1/3 da facturação anual. Imagine-se o impacto de um corte significativo nas contas da EDP que já não têm grande aspecto com uma dívida que não pára de crescer e já representa mais de 4 vezes o EBITDA e quase 10% do PIB.


E se a EDP em vez de enfrentar a concorrência em menos de 1/5 facturação tivesse que a sofrer em 80% ou 90%? Continuaria o Dr. Mexia a mostrar um ar energizante nos banhos na Comporta?

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Bring me sunshine

"Bring me sunshine" pelos Jive Aces

Na ressaca do século 21, uma ressurreição dos anos 50 pelos ouvidos dos anos 70 e as bocas e os instrumentos dos anos 90 (enviado por JARF).

08/09/2011

Estado empreendedor (53) – patrulhas, petroleiros e plataformas

Mais depressa aqui se escrevia sobre os negócios de José Sócrates com o chaço dos estaleiros de Viana, mais depressa novos delírios surgiriam. Desta vez para vender patrulhas à Marinha brasileira, ideia que ainda nasceu no falecido governo, sob a égide de Marcos Perestrello (com dois ‘l’), um discípulo do grande mestre José Sócrates, e está a renascer à volta de um «interesse» manifestado pelo presidente vitalício Lula da Silva. Se não forem navios patrulhas hão-de ser «navios petroleiros e plataformas». E assim, de navios patrulhas em navios patrulhas, de petroleiros em petroleiros e de plataformas em plataformas, se põem a jeito os estaleiros de Viana do Castelo para sofrerem o efeito Lockheed TriStar e torrarem muitas mais centenas de milhão para salvar algumas dezenas de milhão.

CASE STUDY: À primeira vista e à segunda vista

Já ouvi criticar a aplicação do Fundo de Compensação de Trabalho e da redução das indemnizações por despedimento de 30 para 20 dias por ano apenas aos novos contratos como mais uma manifestação dos famigerados direitos adquiridos (*). À primeira vista pareceria ser isso, se o propósito principal fosse facilitar os despedimentos.

À segunda vista, talvez não. Se o propósito principal for, como deve, aumentar o emprego total, reduzindo o risco do empresário e facilitando a criação de novos empregos estáveis, de nada serviria facilitar o despedimento de quem tem emprego. Fazê-lo seria trabalhar para as estatísticas, como o fizeram os governos de Sócrates, chegando à desvergonha de reinterpretar o seu programa transformando «recuperar postos de trabalho perdidos» em «postos de trabalho criados» e concluindo ter sido um sucesso criar uns milhares de postos de trabalho enquanto o desemprego aumentava em centenas de milhar.

(*) Assim definidos no Glossário: direitos que os seus detentores pretendem manter, essencialmente à custa dos que os não podem adquirir, por já terem sido adquiridos. Pertencem à categoria das chamadas conquistas de Abril e são as nossas vacas sagradas.

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: A ditadura do politicamente correcto já chegou a Moçambique

Porque será um «insulto» para o Forum Mulher de Moçambique este cartaz exaltando precisamente a mulher moçambicana e associando a sua imagem a uma (excelente) cerveja?


Pelo mesmo critério, julgaria o Forum ser este cartaz das cuecas «Chulo» um «insulto» ao homem moçambicano?

07/09/2011

Estado empreendedor (52) - sequelas do assalto ao Millenium bcp (II)

Este post é uma sequela deste outro.

Há pelo menos 2 anos era sabido já estar Joe Berardo encravado por ter participado no assalto ao BCP em má companhia. Desde então o seu encravanço só se agravou. Enquanto se mantiveram as suas dívidas à CGD (400 milhões), ao BES (200 milhões) e ao próprio BCP (400 milhões), a cujo Conselho de Remunerações e Previdência pertencia (não é extraordinário um banco emprestar dinheiro a um seu accionista e membro dos órgãos sociais para comprar as suas próprias acções?), a sua posição no BCP comprada por mil milhões vale hoje menos de cem milhões.

Lost in translation (121) – presidente da República critica (implicitamente) o silêncio da rainha Elisabete e do rei Dom Juan Carlos…

… sugerindo (implicitamente) o despedimento dos jogadores portugueses em Inglaterra e em Espanha.

De facto, durante um intervalo de confissões dos seus estados de alma no Twitter, na cerimónia da entrega das medalhinhas aos miúdos que conseguiram o segundo lugar no Mundial de sub-20, o presidente da República twittered gorjeou: «algo está errado no futebol português, quando mais de 50 por cento dos jogadores que actuam em Portugal são estrangeiros».

06/09/2011

CASE STUDY: A receita para sucesso

Qual o papel do Estado Assistencialista no sucesso da indústria portuguesa de calçado que até há poucos anos estava pelas ruas da amargura e actualmente representa 2% das exportações mundiais, tem o 3.º preço médio mais alto do mundo (7 vezes o da China), aumentou 13% os salários e tudo isto sem contar com o génio do Dr. António Mexia ou do Dr. Zeinal Bava, nem ter afilhados dos banqueiros do regime, nem enpresários mediáticos (os que o foram já faliram), mesmo empresários com MBAs?

Praticamente nenhum. E daí o sucesso.

05/09/2011

Estado empreendedor (51) – sequelas dos negócios de José Sócrates

Preparando a recepção do Atlântida
nas margens do rio Guaire 
Lembram-se de José Sócrates ter impingido aos portugueses a suposta realização de um magnífico negócio com o coronel Chávez impingindo-lhe um chaço flutuante por quase 50 milhões? O chaço, construído nos estaleiros de Viana, destinava-se originalmente a ferry para servir os Açores, fora recusado pelo vice-rei dessas ilhas (borrifando-se assim para a reciprocidade assistencialista que os incautos dele pudessem esperar) e encontrava-se então parqueado nos estaleiros.

Como todos os outros negócios envolvendo José Sócrates, este também meteu água. Se imaginais o Atlântida, assim foi baptizado o chaço, rumando a Caracas para ligar as duas margens do rio Guaire, pensai duas vezes. Ficou-se pelo Alfeite onde aguarda comprador que, espera-se, pague por ele metade do combinado entre o engenheiro e o coronel.

04/09/2011

Deviam respeitar um período de nojo (2)

"Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução."

"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."

"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."

"Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou."

"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."

"O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa."

"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."

"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."

"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."

"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."

"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."

"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."

"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."

"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."

"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."

"A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento."

"A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."

"Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota"

"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."

"Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."

"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"


Se tivesse pachorra, seria bem capaz de ir à conta de Twitter de Passos Coelho e coleccionar todas as suas promessas e garantias acima recordadas pela jornalista de causas Fernanda Câncio no DN, escritas entre Março de 2010 e Junho de 2011 com grande imprevisão e uma a uma desmentidas com um à-vontade próximo da falta de decoro.

Com a diferença de eu ter durante os últimos 6 anos feito o possível por demonstrar a total falta de credibilidade de José Sócrates. Ao mesmo tempo, Fernanda Câncio convivia alegremente e sem angústias com o político mais mentiroso desde pelo menos a implantação da república, enquanto lhe extraia o apoio às suas causas fracturantes, como o aborto como método anti-concepcional e o casamento entre homossexuais, entre outras.

Não tem moral. O decoro tê-la-ia obrigado a um período de nojo tão prolongado quando a duração dos governos por si apoiados pela palavra e pelo silêncio.

03/09/2011

NÓS VISTOS POR ELES: «não gostamos de trabalho»

… são justamente os ricos que têm dinheiro para criar emprego. Estou farto desta demagogia, os ricos não são o problema, os pobres é que são o problema! É com os pobres e com a pobreza que temos de acabar, não é com os ricos!
…
Nós, por questões religiosas, não gostamos de trabalho. O trabalho foi o castigo por Adão e Eva terem cometido o pecado original. Hoje, o discurso extremou-se e o castigo tem que ser redimido com direitos e regalias sociais. Mas existe numa grande parte da nossa sociedade a ideia de que trabalhar, o menos possível! Safar-me ao trabalho, sempre que possa. O trabalho liberta-nos da pobreza!
…
Ganhamos pouco como povo. E temos que ganhar mais. Temos que abandonar o discurso de salários baixos, estamos todos fartos de salários baixos em Portugal. Mas temos que produzir mais.
Mudando o discurso dos empresários e dizendo que a forma e o raciocínio dos sindicatos é totalmente anacrónica. Temos que valorizar o trabalho, não o ócio.
O empresário está extraordinariamente ligado ao lucro. E o lucro, em Portugal, é muito mal visto. Para mim, o lucro é a medida da saúde do negócio.
…
Portugal convive mal com questões de riqueza. Quando as nossas publicações falam sobre as pessoas mais ricas do país é para mostrar que os índices de desigualdade são cada vez maiores. O que é verdade, e é um problema que temos que atacar. Mas não é pelos ricos serem mais ricos, é por os pobres não enriquecerem.
…
Temos uma economia baseada sobre o conhecimento. Pertencemos a um país moderno e sofisticado. Portugal é um país da linha da frente. É! Não somos um país do terceiro mundo. Se olharmos para os rankings mundiais, estamos no fim do primeiro terço, mas estamos no primeiro terço.
…
E nós temos torpedeado o ensino em Portugal nos últimos 20 anos. O nosso sistema de ensino, ensino público, é o meio mais importante para enriquecer o país. E nós temos dito ao povo e aos seus filhos: não se preocupem com os exames, nós passamos por si. O resultado está à vista.
Temos um país mais ignorante do que há 20 ou 30 anos e o potencial de enriquecimento foi enfraquecido. Eu vejo isto: há 20 anos eu recrutava uma secretária com o 12.º ano, neste momento tenho que a recrutar com uma licenciatura, porque quem me aparece com o 12.º ano, infelizmente, já não está ao nível das necessidades. E isto acontece com várias pessoas que conheço.
...
O empresário português é um privilegiado, porque a sociedade exige-lhe muito pouco. Exige-lhe só, e cada vez mais, que pague os seus impostos, mas não lhe exige que gere riqueza. Portanto, está sobretudo preocupado com um retorno muito rápido do seu capital.

Excertos da entrevista do ionline a Peter Villax, vice-presidente da Hovione

02/09/2011

Deviam respeitar um período de nojo

Eu também duvido que vão existir «as tão anunciadas medidas de corte nas gorduras do Estado e nos famosos consumos intermédios que ouvimos ao longo de meses». Contudo, um módico de vergonha deveria levar o deputado Eduardo Cabrita ou qualquer outro sujeito falando em nome do PS a não se pronunciar sobre estas matérias pelo menos durante o ano subsequente ao termo duma experiência governativa que conduziu ao maior desemprego dos últimos 90 anos, à maior dívida pública dos últimos 160 anos, ao mais baixo crescimento económico dos últimos 90 anos, à maior dívida externa dos últimos 120 anos, à mais baixa taxa de poupança dos últimos 50 anos e à segunda maior taxa de emigração dos últimos 160 anos.

01/09/2011

ESTADO DE SÍTIO: Um estado capturado (2)

Continuando a tratar de capturas e, em particular, da chantagem velha de décadas do Bokassa das Ilhas, é indispensável constatar ter o desaforo da criatura dobrado o Cabo Bojador da extorsão, produzindo mais um «deslize» de quase 300 milhões, a adicionar aos deslizes já identificados de mais de 200 milhões. O deslize total fica até ver em 500 milhões. Por incrível que pareça, este deslize passou ao lado da legião de controladores orçamentais nativos e foi identificado pela CE a 4 mil km de distância, em Bruxelas.

Para uma população residente de 250 mil súbditos, o reino de Bokassa equivale a 2/3 do concelho de Sintra e atinge um deslize per capita recorde de 2 mil euros. Se os cubanos do contenente tivessem um índice semelhante o deslize da nação ultrapassaria 10% do PIB. É obra.

A reacção do governo Passos Coelho a mais esta extorsão em preparação vai ser uma pedra de toque da sua governação. Aguardo ansiosamente.