Já sabíamos que os especuladores, os analistas anglo-saxónicos e as agências de rating conspiram para solapar as bases do sistema monetário e financeiro europeu. Faltava saber que os bandidos, traficantes de droga e branqueadores de capitais estão a contribuir para a estabilidade financeira com a procura de notas de 200 e 500 euros emitidas pelo BCE com grande satisfação e lucro, contribuindo para ajudar o euro a tornar-se a moeda preferida da economia subterrânea do crime e da economia paralela.
Devemos, pois, distinguir os vulgares maus do género mau destes bons do género mau ou, dependendo das opiniões, destes maus do género bom. Em tempo de grandes apertos financeiros, os bandidos, traficantes de droga e branqueadores de capitais nossos amigos escrevem direito por linhas tortas. Bem hajam.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
31/07/2010
30/07/2010
ESTADO DE SÍTIO: a justiça não é cega mas é coxa (3)
[Sequela daqui e daqui]
23-01-2009
O PGR confirma ter pedido à responsável do DCIAP, Cândida Almeida, que tomasse medidas para resolver o processo “o mais depressa possível”
19-02-2009
Cândida Almeida confirma existirem arguidos no caso Freeport
16-04-2009
Caso Freeport: Cândida Almeida espera que processo esteja resolvido antes do fim do ano
07-09-2009
Freeport: eventual suspensão será conhecida dentro de dias, diz Pinto Monteiro
16-12-2009
Investigação ao caso Freeport está “na parte final”
15-01-2010
Acusações do Freeport até ao Verão
25-01-2010
Cândida Almeida continua à frente do DCIAP e promete conclusão do Freeport para Março
25-02-2010
Freeport: Cândida Almeida aponta abril como "teto temporal"
08-04-2010
Freeport: Cândida Almeida promete resolução rápida
26-07-2010
«O processo Freeport está dado como concluído e amanhã será divulgada uma nota»
29-07-2010 «Os procuradores - que receberam o relatório final da Polícia Judiciária no dia 21 de Junho - explicam que o vice-procurador-geral da República proferiu um despacho, no dia 4 do mês passado, em que fixou o dia 25 de Julho como o do fim do prazo para o encerramento do inquérito. "Tendo em atenção este facto", e o disposto na lei do Conselho de Estado quanto à obrigatoriedade de obter autorização daquele órgão para ouvir o primeiro-ministro, os titulares do inquérito concluem que "mostra-se, por ora, inviabilizada" a inquirição de José Sócrates e a realização das restantes diligências referidas, deduzindo-se assim o despacho final.»
E assim termina com umas vagas acusações de tentativa de extorsão para pagamento de luvas, meia dúzia de anos depois, um processo recheado de factos que o ligam a José Sócrates, família, amigos e correligionários, conduzido por uma procuradora que, por acaso, é uma conhecida figura notoriamente ligada ao PS. Pelo caminho perde-se o rasto a milhões de euro. Compreende-se que quem esteja em estado de necessidade, sob ameaça de perder uma tença, ou quem esteja privado de um lampejo de inteligência ou de um módico de independência de espírito possa acreditar nestas tretas. Mas quem mais?
23-01-2009
O PGR confirma ter pedido à responsável do DCIAP, Cândida Almeida, que tomasse medidas para resolver o processo “o mais depressa possível”
19-02-2009
Cândida Almeida confirma existirem arguidos no caso Freeport
16-04-2009
Caso Freeport: Cândida Almeida espera que processo esteja resolvido antes do fim do ano
07-09-2009
Freeport: eventual suspensão será conhecida dentro de dias, diz Pinto Monteiro
16-12-2009
Investigação ao caso Freeport está “na parte final”
15-01-2010
Acusações do Freeport até ao Verão
25-01-2010
Cândida Almeida continua à frente do DCIAP e promete conclusão do Freeport para Março
25-02-2010
Freeport: Cândida Almeida aponta abril como "teto temporal"
08-04-2010
Freeport: Cândida Almeida promete resolução rápida
26-07-2010
«O processo Freeport está dado como concluído e amanhã será divulgada uma nota»
29-07-2010 «Os procuradores - que receberam o relatório final da Polícia Judiciária no dia 21 de Junho - explicam que o vice-procurador-geral da República proferiu um despacho, no dia 4 do mês passado, em que fixou o dia 25 de Julho como o do fim do prazo para o encerramento do inquérito. "Tendo em atenção este facto", e o disposto na lei do Conselho de Estado quanto à obrigatoriedade de obter autorização daquele órgão para ouvir o primeiro-ministro, os titulares do inquérito concluem que "mostra-se, por ora, inviabilizada" a inquirição de José Sócrates e a realização das restantes diligências referidas, deduzindo-se assim o despacho final.»
E assim termina com umas vagas acusações de tentativa de extorsão para pagamento de luvas, meia dúzia de anos depois, um processo recheado de factos que o ligam a José Sócrates, família, amigos e correligionários, conduzido por uma procuradora que, por acaso, é uma conhecida figura notoriamente ligada ao PS. Pelo caminho perde-se o rasto a milhões de euro. Compreende-se que quem esteja em estado de necessidade, sob ameaça de perder uma tença, ou quem esteja privado de um lampejo de inteligência ou de um módico de independência de espírito possa acreditar nestas tretas. Mas quem mais?
Etiquetas:
justiça de causas,
um país talvez normal mas rançoso
Much Ado About (almost) Nothing (2)
Ontem escrevi aqui distraidamente que «o interesse estratégico e o imperativo patriótico da participação da PT na Vivo valem para o governo apenas 350 milhões de euros ou menos de 5% do valor porque vai ser vendida». Segundo contas mais rigorosas, considerando as diferenças entre as propostas antes e depois do veto, isto é faseamento dos pagamentos e os dividendos de 2009 e 2010, a proposta que os accionistas e o governo aprovaram é praticamente igual à que o governo tinha vetado. A ser assim,
- O resultado da gritaria mediática de Sócrates foi ZERO;
- A profecia de 30 de Junho do Impertinente foi (quase) cumprida; assim se demonstra que, não sendo grande profeta, sempre é melhor nas profecias que o grande líder a negociar com os castelhanos.
Etiquetas:
central de manipulação,
Conto do vigário,
E agora José?
29/07/2010
CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Como o governo insulta a (pouca?) inteligência do povo português
«1. A Oi é um activo estratégico de grande importância, um pouco como a insubstituível Vivo o era ainda há 15 dias.
2. Vender a Vivo por 7,5 mil milhões é um grande negócio. Há quinze dias atrás a venda por 7,15 mil milhões era uma asneira tendo em conta o grande potencial da empresa.
3. A Oi é uma empresa de grande potencial. Há 15 dias atrás era uma empresa cheia de problemas cujo potencial não tinha qualquer comparação com o da Vivo.
4. A PT está a vender a Vivo na altura certa. O potencial de crescimento está esgotado. Esgotou-se nos últimos 15 dias.
5. Ser minoritário na Oi não é um problema. Há 15 dias uma posição de controlo da Vivo era essencial.
6. O governo fez muito bem em usar a Golden Share. Conseguiu-se subir o preço e os accionistas privados ganharam. Há 15 dias intervenção estatal era justificada pelo interesse nacional, hoje intervenção estatal é justificada como forma de reforçar o poder de barganha de privados.
7. Se não fosse o uso da Golden Share a PT não tinha entrado na Oi. Non sequitur óbvio. Mas pronto. Há quem acredite nisso.
8. Conseguiu-se vender a Vivo por bom preço e ficar no Brasil. (Falta dizer que a Oi foi cara, o que em parte anula o bom negócio que se fez com a Vivo).
9. Há 15 dias era inaceitável vender a Vivo porque se teria que sair do mercado brasileiro. Entrar noutra empresa seria muito difícil. Ou a Vivo ou o caos. Ao fim de 15 dias trocou-se uma posição de controlo na Vivo por uma minoritária na Oi.
10. E já nem falo nos grandes nacionalistas portugueses, que se contentam com muito pouco. Basta a ilusão de que ser minoritário na Oi é tão bom como controlar a Vivo para os manter felizes. Ficam contentes por mandar menos em menos. Santana Lopes nem se vai lembrar do que disse.»
[Coisas giras que se começam a ouvir, João Miranda no Blasfémias]
2. Vender a Vivo por 7,5 mil milhões é um grande negócio. Há quinze dias atrás a venda por 7,15 mil milhões era uma asneira tendo em conta o grande potencial da empresa.
3. A Oi é uma empresa de grande potencial. Há 15 dias atrás era uma empresa cheia de problemas cujo potencial não tinha qualquer comparação com o da Vivo.
4. A PT está a vender a Vivo na altura certa. O potencial de crescimento está esgotado. Esgotou-se nos últimos 15 dias.
5. Ser minoritário na Oi não é um problema. Há 15 dias uma posição de controlo da Vivo era essencial.
6. O governo fez muito bem em usar a Golden Share. Conseguiu-se subir o preço e os accionistas privados ganharam. Há 15 dias intervenção estatal era justificada pelo interesse nacional, hoje intervenção estatal é justificada como forma de reforçar o poder de barganha de privados.
7. Se não fosse o uso da Golden Share a PT não tinha entrado na Oi. Non sequitur óbvio. Mas pronto. Há quem acredite nisso.
8. Conseguiu-se vender a Vivo por bom preço e ficar no Brasil. (Falta dizer que a Oi foi cara, o que em parte anula o bom negócio que se fez com a Vivo).
9. Há 15 dias era inaceitável vender a Vivo porque se teria que sair do mercado brasileiro. Entrar noutra empresa seria muito difícil. Ou a Vivo ou o caos. Ao fim de 15 dias trocou-se uma posição de controlo na Vivo por uma minoritária na Oi.
10. E já nem falo nos grandes nacionalistas portugueses, que se contentam com muito pouco. Basta a ilusão de que ser minoritário na Oi é tão bom como controlar a Vivo para os manter felizes. Ficam contentes por mandar menos em menos. Santana Lopes nem se vai lembrar do que disse.»
[Coisas giras que se começam a ouvir, João Miranda no Blasfémias]
28/07/2010
Much Ado About (almost) Nothing
Afinal parece que o interesse estratégico e o imperativo patriótico da participação da PT na Vivo valem para o governo apenas 350 milhões de euros ou menos de 5% do valor porque vai ser vendida, tanto quanto depois do veto do governo a Telefónica teve que adicionar à sua última proposta já aceite por Sócrates. Como é óbvio, a eventual entrada minoritária da PT na Oi nada tem a ver com a Telefónica a não ser o facto de disponibilizar dinheiro que a PT não teria para comprar essa participação.
Em resumo:
Em resumo:
- Já este ano a Telefónica nas conversas com a administração e/ou os accionistas aumentou a parada sucessivamente para 5, 5,7, 6,5 e 7,15 mil milhões;
- O governo vetou a proposta de 7,15 mil milhões, no meio de imensa manipulação mediática em que Sócrates se envolveu até às orelhas;
- Por último a Telefónica apresenta a proposta agora aceite de 7,5 mil milhões.
Em conclusão, os créditos pela melhoria de 2,5 mil milhões da proposta de 5 para 7,5 mil milhões devem-se:
- À administração e/ou accionistas 2,15 mil milhões ................... 86%
- À golden share e à gritaria mediática de Sócrates 350 milhões .... 14%
Etiquetas:
central de manipulação,
Conto do vigário,
E agora José?
27/07/2010
ESTADO DE SÍTIO: a justiça não é cega mas é coxa (2)
[Sequela daqui]
23-01-2009
O PGR confirma ter pedido à responsável do DCIAP, Cândida Almeida, que tomasse medidas para resolver o processo “o mais depressa possível”
19-02-2009
Cândida Almeida confirma existirem arguidos no caso Freeport
16-04-2009
Caso Freeport: Cândida Almeida espera que processo esteja resolvido antes do fim do ano
07-09-2009
Freeport: eventual suspensão será conhecida dentro de dias, diz Pinto Monteiro
16-12-2009
Investigação ao caso Freeport está “na parte final”
15-01-2010
Acusações do Freeport até ao Verão
25-01-2010
Cândida Almeida continua à frente do DCIAP e promete conclusão do Freeport para Março
25-02-2010
Freeport: Cândida Almeida aponta abril como "teto temporal"
08-04-2010
Freeport: Cândida Almeida promete resolução rápida
26-07-2010
«O processo Freeport está dado como concluído e amanhã será divulgada uma nota»
23-01-2009
O PGR confirma ter pedido à responsável do DCIAP, Cândida Almeida, que tomasse medidas para resolver o processo “o mais depressa possível”
19-02-2009
Cândida Almeida confirma existirem arguidos no caso Freeport
16-04-2009
Caso Freeport: Cândida Almeida espera que processo esteja resolvido antes do fim do ano
07-09-2009
Freeport: eventual suspensão será conhecida dentro de dias, diz Pinto Monteiro
16-12-2009
Investigação ao caso Freeport está “na parte final”
15-01-2010
Acusações do Freeport até ao Verão
25-01-2010
Cândida Almeida continua à frente do DCIAP e promete conclusão do Freeport para Março
25-02-2010
Freeport: Cândida Almeida aponta abril como "teto temporal"
08-04-2010
Freeport: Cândida Almeida promete resolução rápida
26-07-2010
«O processo Freeport está dado como concluído e amanhã será divulgada uma nota»
Etiquetas:
justiça de causas,
um país talvez normal mas rançoso
SERVIÇO PÚBLICO: Testes de (pouca) resistência (2)
Aparentemente os mercados europeus parecem estar a reagir positivamente aos resultados dos testes, com os principais índices a mostrar alguma euforia. Isso significa que aparentemente o que escrevi aqui ontem parece completamente infundado? Not so fast. Os mercados de capitais são como os pássaros. É preciso deixá-los pousar. Entretanto, as reacções dos analistas são frequentemente cépticas, to say the least.
Confirma-se que as insuficiências de capital detectadas (3,5 mil milhões) estão muito longe das estimativas: Nomura 30 mil milhões; Goldman Sachs 38 mil milhões, Barclays 85 mil milhões. Confirma-se que a maioria da dívida pública não foi considerada por estar classificada (arbitrariamente) como banking book – por exemplo a dívida grega foi assim classificada em 90% pelos bancos testados. Se os testes tivessem considerado a totalidade da dívida pública (e não apenas a banking book) teriam ficado 24 bancos abaixo de 6% do Tier 1.
Em resumo, os stress tests conduzidos pelo troika Comissão Europeia, BCE e Comité de Supervisores Bancários Europeus ficam a parecer-se bastante como uma operação de marketing para induzir confiança nos mercados. Vamos ver nos próximos dias como estes reagem a frio.
Algumas análises heterodoxas:
É claro que sempre podemos descartar as questões incómodas e imaginar mais uma teoria da conspiração, desta vez dos analistas anglo-saxónicos. Infelizmente a realidade expulsa pela porta da frente volta a entrar pela porta das trazeiras, mais tarde ou mais cedo.
Confirma-se que as insuficiências de capital detectadas (3,5 mil milhões) estão muito longe das estimativas: Nomura 30 mil milhões; Goldman Sachs 38 mil milhões, Barclays 85 mil milhões. Confirma-se que a maioria da dívida pública não foi considerada por estar classificada (arbitrariamente) como banking book – por exemplo a dívida grega foi assim classificada em 90% pelos bancos testados. Se os testes tivessem considerado a totalidade da dívida pública (e não apenas a banking book) teriam ficado 24 bancos abaixo de 6% do Tier 1.
Em resumo, os stress tests conduzidos pelo troika Comissão Europeia, BCE e Comité de Supervisores Bancários Europeus ficam a parecer-se bastante como uma operação de marketing para induzir confiança nos mercados. Vamos ver nos próximos dias como estes reagem a frio.
Algumas análises heterodoxas:
É claro que sempre podemos descartar as questões incómodas e imaginar mais uma teoria da conspiração, desta vez dos analistas anglo-saxónicos. Infelizmente a realidade expulsa pela porta da frente volta a entrar pela porta das trazeiras, mais tarde ou mais cedo.
26/07/2010
BREIQUINGUE NIUZ: As portagens nas SCUT vão ser introduzidas «o mais depressa possível» (6)
Actualizando a primeira, a segunda, a terceira, a quarta e a quinta retrospectivas e confirmando a espantosa incapacidade de realização dos governos de José Sócrates que constantemente se empluma precisamente com a sua alegada capacidade de realização.
- 06-11-2004 Mário Lino revela que portagens nas Scut irão financiar todas as estradas
- 20-05-2005 Mário Lino, ministro das Obras Públicas, admitiu que em breve se tenha que proceder à cobrança de portagens nas Scut
- 07-11-2005 Mário Lino está já a desenvolver um novo modelo geral de financiamento da rede rodoviária nacional, que inclui as Scut, e que deverá ficar concluído em 2006.
- 19-01-2006 Mário Lino revela que portagens nas Scut irão financiar todas as estradas
- 18-10-2006, pouco depois das 11h, Mário Lino tornava-se o quarto ministro consecutivo a anunciar o fim das chamadas auto-estradas Scut
- 30-08-2007 portagens pagas nas ... Scut, anunciada pelo ministro Mário Lino em Outubro do ano passado, só será concretizada, na melhor das hipóteses, em 2008
- 02-05-2007 negociações para introdução de portagens nas Scut retomadas há um mês
- 10-10-2007 Mário Lino: Governo vai introduzir portagens nas Scut até ao final do ano
- 13-11-2007 a implementação de portagens nas três Scuts - até ao fim deste ano - poderá ser adiada para o primeiro trimestre de 2008.
- 15-01-2008 o processo está «bastante avançado», devendo «estar concluído brevemente»
- 27-02-2008 Negociações para introdução de portagens «bem encaminhadas», garante Mário Lino
- 01-03-2008 as negociações com as concessionárias estão bem encaminhadas.
- 27-05-2008 entrarão em funcionamento «o mais depressa possível».
- 30-06-2008 «Se pudesse ter amanhã portagens nas SCUT eu fazia»
- 06-07-2007 «o Governo está a implementar a introdução das portagens nas três SCUT já referidas»
- 02-10-2008 as portagens nas chamadas SCUT`s vão ser introduzidas «o mais depressa possível»
- 27-01-2010 «Há condições para introduzir portagens nas SCUT no 1º semestre»
- 22-04-2010 «serão introduzidas portagens nas Scut já a partir do próximo dia 1 de Julho» disse Teixeira dos Santos.
- 29-06-2010 «O Governo tomou a decisão de adiar por trinta dias, até 1 de Agosto, a introdução de portagens nas SCUT Costa de Prata, Norte Litoral e Grande Porto»
- 24-07-2010 O Governo «não pode aplicar as portagens nas SCUT a 1 de Agosto»
Etiquetas:
CCUT,
Conto do vigário,
gestão pública
SERVIÇO PÚBLICO: Testes de (pouca) resistência
Já aqui confessei a minha pouca fé a priori nos testes de resistência dos bancos europeus cujos resultados foram divulgados na passada sexta-feira. Fé a posteriori ainda enfraquecida pelas seguintes razões:
- Multiplicação das declarações antecipadas de regozijo e confiança de dirigentes políticos e do FMI sobre os putativos resultados dos testes ainda em curso;
- Falta de garantias de independência do pool de entidades que organizou os testes: Comissão Europeia, BCE e um obscuro Comité de Supervisores Bancários Europeus sedeado em Londres;
- Dúvidas sobre a resistência de vários bancos centrais às pressões políticas e ao «imperativo moral e patriótico» de reforçar a confiança dos mercados;
- Dúvidas sobre a suficiência do grau de stress do pior cenário dos testes devido a:
- Critério adoptado para os riscos da dívida soberana que apenas foram considerados no caso da dívida classificada como activos detidos para negociação ou disponíveis para venda (trading book), estimados em menos de 1% dos activos totais (1); não foi considerado o risco da dívida pública classificada como investimentos a deter até à maturidade (banking book) (2);
- Na situação de forte exposição às dívidas públicas dos PIGS e com 38 dos 91 bancos considerados nos testes a receber assistência financeira dos respectivos governos, apenas 7 bancos não passaram;
- Desses sete, cinco são caixas espanholas, a maioria das quais se sabe que estão falidas, empanturradas duma mistura explosiva de créditos à habitação e à construção em stock sem compradores;
- Apenas um dos seis bancos gregos testados não passou, apesar de todos estarem atulhados de dívida pública grega;
- Apenas não passou um dos bancos alemães (Hypo Real Estate) já intervencionado pelo governo; passaram todos os landesbanks testados sabendo-se que a situação destes bancos é em geral reconhecidamente débil;
- Ainda dúvidas sobre a insuficiência de capital estimada em apenas 3,5 mil milhões, quando se sabe que o Goldman Sachs estimou antes dos testes dez vezes mais (38 mil milhões);
(1) No caso português as exposições estão disponíveis no documento do BdeP e pode constatar-se que as classificadas como trading book são bastantes superiores à média europeia o que significa que os resultados dos testes merecem, em princípio, maior confiança; note-se que, diferentemente, os melhores resultados do BPI provavelmente dependem em grande parte do critério de classificação da dívida pública em carteira - banking book na quase totalidade.FONTES:
(2) Deste critério resulta que as eventuais imparidades só são reconhecidas e têm impacto nos resultados no vencimento da dívida, salvo no caso de venda antecipada em que todos os activos da classe têm que ser reclassificados como disponíveis para venda e reconhecidas as imparidades. Não é difícil de perceber que, no caso de ameaça de default da dívida soberana de um país, o banco se vê confrontado com um dilema temível: vender títulos a preços de saldo, reconhecer as imparidades de todos os activos desta classe e registar nesse ano perdas consideráveis ou esperar pela maturidade e ficar em carteira com junk bonds e registar a prazo perdas eventualmente ainda maiores.
Etiquetas:
antes isso que outra coisa,
as aparências iludem,
encomendas
25/07/2010
Vou esperar mais algum tempo antes de me declarar admirador de António Mexia
É difícil ficar indiferente à sua entrevista na Única do Expresso. Se esquecermos que faz parte do esperma feliz, como lhe costuma chamar Warren Buffett, e estudou na Suíça, o homem subiu a pulso na vida ou pelo menos andou bastante à boleia, segundo confessa. Com os 3,1 milhões de salário e bónus recebidos da EDP o ano passado, hoje está bem, depois de ter passado por muitas dificuldades - para pagar a renda de casa não lhe chegava o dinheiro ganho como assistente em duas faculdades.
Apesar de tudo isso e correndo o risco de me ver incluído entre os invejosos e os mesquinhos, vou esperar mais algum tempo antes de me declarar seu admirador. Vou esperar que tenha sucesso como presidente duma empresa sem golden share, nem o Estado como accionista, actuando num mercado concorrencial de bens ou serviços transaccionáveis, sem subsídios, uma empresa que não seja um quasi-monopólio.
Apesar de tudo isso e correndo o risco de me ver incluído entre os invejosos e os mesquinhos, vou esperar mais algum tempo antes de me declarar seu admirador. Vou esperar que tenha sucesso como presidente duma empresa sem golden share, nem o Estado como accionista, actuando num mercado concorrencial de bens ou serviços transaccionáveis, sem subsídios, uma empresa que não seja um quasi-monopólio.
DIÁRIO DE BORDO: Reflexões avulsas após a declaração periódica do IVA no portal das Finanças
O departamento do Xerife de Notingham é o mais eficiente e eficaz da vaca marsupial pública. E porquê? Ora, porque haveria de ser? É dessa máquina de extorsão que vem o leite para amamentar as centenas de milhar de vitelos mamões pendurados nas tetas da vaca.
Etiquetas:
delírios pontuais,
eu diria mesmo mais
24/07/2010
NOVA ENTRADA PARA O GLOSSÁRIO DAS IMPERTINÊNCIAS: Neo-coisismo
Como se sabe, pelo menos desde Guilherme de Ockham, as coisas não existem sem um nome. Ontem o Pertinente criou, sem se dar conta (sou sempre eu que tenho que estar atento), uma nova categoria conceptual que importa registar para a post-eridade.
Neo-coisismo
É uma categoria conceptual que engloba a reencarnação sob novas vestes de doutrinas filosóficas, religiosas, políticas, militares, etc. eventualmente existentes no passado. As criaturas que defendem essas reencarnações doutrinárias são os neo-coisistas.
Exemplos: doutrinas políticas como o neo-liberalismo (eventualmente o socialismo pobre e endividado, d’après Abrupto) ou o neo-conservadorismo (o conservadorismo revolucionário), doutrinas económicas como o neo-keynesianismo (o keynesianismo que ainda não percebeu que as despesas públicas já não são 20% do PIB) ou doutrinas religiosas como o neo-benfiquismo (o benfiquismo de Jesus).
Neo-coisismo
É uma categoria conceptual que engloba a reencarnação sob novas vestes de doutrinas filosóficas, religiosas, políticas, militares, etc. eventualmente existentes no passado. As criaturas que defendem essas reencarnações doutrinárias são os neo-coisistas.
Exemplos: doutrinas políticas como o neo-liberalismo (eventualmente o socialismo pobre e endividado, d’après Abrupto) ou o neo-conservadorismo (o conservadorismo revolucionário), doutrinas económicas como o neo-keynesianismo (o keynesianismo que ainda não percebeu que as despesas públicas já não são 20% do PIB) ou doutrinas religiosas como o neo-benfiquismo (o benfiquismo de Jesus).
Etiquetas:
delírios pontuais,
Desconformidades
Eu diria mesmo mais: deitam-se abaixo e constroem-se de novo (2)
Infelizmente parece não estar a ter vencimento a proposta neo-keynesiana (*) que fiz a semana passada: demolir os estádios do Euro 2004 e construí-los de novo. Entre as 21 propostas dos alunos de Gestão de Marketing do Instituto Português de Administração de Marketing de Aveiro encontram-se ideias como «transformar o Estádio Municipal de Aveiro no maior pólo de jogos de sorte do país - com hotel de cinco estrelas e campo de golfe integrado - ou fazer do complexo um espaço cultural de referência da região centro», mas nenhuma ousa a demolição seguida de construção.
(*) O neo-keynesianismo está para o keynesianismo como o neo-liberalismo está para o liberalismo – quando não se sabe o que seja a coisa podemos sempre baptizá-la de neo-coisismo.
(*) O neo-keynesianismo está para o keynesianismo como o neo-liberalismo está para o liberalismo – quando não se sabe o que seja a coisa podemos sempre baptizá-la de neo-coisismo.
23/07/2010
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (21) – cada tiro, cada melro
Com a saída do amigo Armando Vara da vice-presidência da Caixa, ficou o outro amigo Francisco Bandeira. Ambos são agora acusados pela CMVM de eventual dolo por terem autorizado em 2006 e 2007 créditos a clientes (também amigos?) usados para aquisição de acções da REN, da Galp e da Martifer através de contas fictícias para fintar os limites de subscrição e «melhorar» o rateio.
Alegam os amigos desconhecer a marosca e ter sido a coisa engendrada por uns funcionários ignotos. A CMVM acha que todos estiveram com a mão na massa e lá terá as suas razões. Tratando-se de quem se trata, aqui no (Im)pertinências não se põe as mãos no lume por tais amigos do chefe e especialistas em trapalhadas.
[Aqui para nós, poderia ser até caso para inverter o ónus de prova.]
Alegam os amigos desconhecer a marosca e ter sido a coisa engendrada por uns funcionários ignotos. A CMVM acha que todos estiveram com a mão na massa e lá terá as suas razões. Tratando-se de quem se trata, aqui no (Im)pertinências não se põe as mãos no lume por tais amigos do chefe e especialistas em trapalhadas.
[Aqui para nós, poderia ser até caso para inverter o ónus de prova.]
Etiquetas:
alegada inocência,
ética republicana,
salto à vara
Lost in translation (56) – Consolidação orçamental? Derrapagem orçamental, queriam eles dizer
Segundo o ministro das Finanças anunciou em devido tempo, a consolidação orçamental iria fazer-se fifty-fifty à custa da redução da despesa e do aumento dos impostos. Segundo os dados da DGO, a execução orçamental no 1.º semestre mostra um aumento da despesa total de 4,3% e de 5,1% das despesas correntes. O aumento das receitas fiscais foi de 6%, o que nem assim evitou o agravamento do défice em 6,3% para 7,8 mil milhões de euros. Por este andar, o défice pode ficar próximo dos 10%. Para se cumprir o PEC será preciso usar todos os recursos de engenharia orçamental e elevar a batota ao nível da excelência.
Etiquetas:
contabilidade,
Conto do vigário,
vida para além do orçamento
22/07/2010
SERVIÇO PÚBLICO: Ética republicana
Para quem tenha dúvidas sobre o que é para o socialismo maçónico (e não só) a ética republicana, inspirada na que foi a primeira república (1910-1926), recomenda-se a leitura deste texto de JPP.
Algo inexplicável pela cartilha da esquerdalhada
A Alemanha não conseguiu colocar a totalidade duma emissão de dívida de 4 mil milhões de marcos euros, enquanto a emissão grega teve uma procura quatro vezes superior à oferta (1,95 mil milhões) e a emissão espanhola (4,25 mil milhões) teve uma procura dupla da oferta.
Uma ajuda para as mentes confusas:
Uma ajuda para as mentes confusas:
- Maturidades: alemã 30 anos; grega 13 semanas; espanhola 12 meses
- Taxas: alemã 3,3%; grega 4,05%; espanhola 2,2%
Etiquetas:
as aparências iludem,
esquerdalhada
21/07/2010
BREIQUINGUE NIUZ: O óbvio ululante
«PS diz que não apoiará destruição do Estado Social». E diz bem porque o que está feito não precisa de ser refeito. Em 12 dos últimos 15 anos o PS fez mais para destruir o Estado Social, arruinando-o, do que jamais qualquer revisão constitucional inspirada no neo-liberalismo poderá fazer.
Não basta ter (talvez) razão. É preciso ter razão na altura certa e explicá-la do modo adequado
Ou estou completamente enganado ou o tempo (na silly season e quando a plebe está a tentar esquecer que cada vez sobra mais mês ao ordenado ou ao subsídio de desemprego) e o modo (aos soluços) como o PSD está a lançar o tema da revisão constitucional estão completamente errados e estão condenados a ajudar José Sócrates a dar pasto à legião de comentadores e constitucionalistas, a distrair as atenções do pântano governativo e a assustar a populaça (olhó fim do SNS, olhós despedimentos selvagens, olhó neoliberalismo, olhós etc.), e, portanto, a prolongar a agonia do pior governo desde pelo menos dona Maria II (Sousa Franco dixit).
Subscrever:
Mensagens (Atom)


