«As such, it is a triumph of hope over experience to believe that more government spending will help the U.S. today.»
[Open letter to President Obama sponsored by The Cato Institute]
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
31/03/2009
O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O newspeak.
«Se não tivermos experiência pessoal deste processo (a perversão do significado do termo), torna-se difícil abarcar a magnitude desta alteração do significado das palavras, a confusão que provoca e as barreiras que cria a qualquer discussão racional. Há que ver para crer, como se um dos dois irmãos abraçasse uma nova fé e após algum tempo parecesse falar uma linguagem diferente, que impossibilita qualquer genuína tentativa de comunicação. E a confusão agrava-se porque esta alteração do significado das palavras que descrevem ideais políticos não é um acontecimento isolado mas sim um processo contínuo, uma técnica usada consciente ou inconscientemente para dirigir pessoas. Gradualmente, à medida que este processo prossegue, toda a linguagem vai sendo despojada, as palavras tornam-se receptáculos ocos destituídos de um significado preciso, podendo designar tanto uma coisa como o seu contrário, e são usadas apenas pelas associações emocionais que ainda suscitam.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
30/03/2009
O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: A verdade conveniente
«A propaganda hábil tem o poder de moldar (as mentes das pessoas) como queira e nem os mais inteligentes e independentes conseguem escapar por completo a essa influência se estiverem muito tempo isolados das outras fontes de informação.
As consequências morais da propaganda totalitária que teremos agora de considerar são, contudo, de um género ainda mais profundo. Destroem toda a moral porque minam os fundamentos de toda a moral, a noção de verdade e o respeito por ela. Pela própria natureza da sua tarefa, a propaganda totalitária não se pode restringir a valores, a questões de opinião e de convicções morais a que todos os indivíduos mais ou menos quase sempre se conformam, às ideias que regem a sua comunidade, mas tem de se estender às questões de facto, em que a inteligência humana está envolvida de uma forma diferente. E isto, em primeiro lugar, porque para levar as pessoas a aceitar os valores oficiais, estes têm de ser justificados. Ou tem de se demonstrar que estão relacionados com os valores porque as pessoas já se regem; segundo, porque a distinção entre fins e meios, entre o objectivo visado e as medidas tomadas para o alcançar, nunca é tão rigorosa e definida como uma discussão genérica destes problemas possa dar a entender; e porque, por isso, as pessoas têm de ser levadas a concordar não apenas com os objectivos últimos, mas também com as opiniões sobre os factos e as possibilidades em que se essas medidas se baseiam.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
As consequências morais da propaganda totalitária que teremos agora de considerar são, contudo, de um género ainda mais profundo. Destroem toda a moral porque minam os fundamentos de toda a moral, a noção de verdade e o respeito por ela. Pela própria natureza da sua tarefa, a propaganda totalitária não se pode restringir a valores, a questões de opinião e de convicções morais a que todos os indivíduos mais ou menos quase sempre se conformam, às ideias que regem a sua comunidade, mas tem de se estender às questões de facto, em que a inteligência humana está envolvida de uma forma diferente. E isto, em primeiro lugar, porque para levar as pessoas a aceitar os valores oficiais, estes têm de ser justificados. Ou tem de se demonstrar que estão relacionados com os valores porque as pessoas já se regem; segundo, porque a distinção entre fins e meios, entre o objectivo visado e as medidas tomadas para o alcançar, nunca é tão rigorosa e definida como uma discussão genérica destes problemas possa dar a entender; e porque, por isso, as pessoas têm de ser levadas a concordar não apenas com os objectivos últimos, mas também com as opiniões sobre os factos e as possibilidades em que se essas medidas se baseiam.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
Aplicações alternativas
Se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros em acções da Nortel Networks, um dos gigantes da área de Telecomunicações, hoje terias 59 Euros. Se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros em acções da Lucent Technologies, outro gigante da área de telecomunicações, hoje terias 79 Euros. Se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros da Super Bock (em cerveja, não em acções), tivesses bebido tudo e vendido as garrafas vazias, hoje terias 80 Euros.Conclusão: No cenário económico actual, perdes menos dinheiro se ficares sentado a beber Super Bock o dia inteiro.
[Sugerido por AB]
À atenção da Unicer: favor transferir para a minha conta o equivalente a 100 grades.
29/03/2009
Se ele o diz
O liberalismo académico gosta de imaginar que os mercados são o deus ex machina das sociedades humanas. Em particular gosta de sonhar que os salários dos executivos são ditados pelos accionistas. Ouçamos o que tem para nos dizer a este respeito António Carrapatoso que, em vias de deixar o seu cargo na Vodafone, trata o tema com alguma franqueza e o suficiente conhecimento de causa.
«À partida as coisas seriam simples. Os salários e bónus dos gestores resultariam da lei da procura e da oferta relativa ao seu trabalho e ninguém teria nada a ver com o assunto, excepto os accionistas da organização em causa que, tendo aprovado o pacote de compensação, beneficiariam com a respectiva razoabilidade ou sofreriam com a falta desta.
Se a um determinado gestor fosse atribuído um salário base e um esquema de bónus muito atractivo seria porque os accionistas acreditavam no potencial deste gestor para acrescentar um valor substancial à organização. Se o gestor viesse a ganhar bónus extraordinários, então teria decerto também criado um valor extraordinário para a organização, beneficiando ainda a sociedade em geral. Mas, no mundo real, as coisas não funcionam como o teoricamente previsto.»
(ler o resto aqui)
«À partida as coisas seriam simples. Os salários e bónus dos gestores resultariam da lei da procura e da oferta relativa ao seu trabalho e ninguém teria nada a ver com o assunto, excepto os accionistas da organização em causa que, tendo aprovado o pacote de compensação, beneficiariam com a respectiva razoabilidade ou sofreriam com a falta desta.
Se a um determinado gestor fosse atribuído um salário base e um esquema de bónus muito atractivo seria porque os accionistas acreditavam no potencial deste gestor para acrescentar um valor substancial à organização. Se o gestor viesse a ganhar bónus extraordinários, então teria decerto também criado um valor extraordinário para a organização, beneficiando ainda a sociedade em geral. Mas, no mundo real, as coisas não funcionam como o teoricamente previsto.»
(ler o resto aqui)
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Alguns dedos não pertencem à mão invisível
O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal
«A escolha possível não é entre um sistema em que toda a gente tem o que merece, segundo um qualquer padrão legal absoluto e universal, e um outro em que o quinhão do indivíduo é determinado em parte pelo acaso ou pela boa ou má sorte, mas sim entre um sistema em que a vontade de uns quantos decide quem recebe o quê, e um outro que depende em parte da capacidade e empreendimento das pessoas interessadas e, em parte, de circunstâncias imprevisíveis. Num sistema de livre iniciativa, as hipóteses não são iguais, pois tal sistema baseia-se necessariamente na propriedade privada e (ainda que não com a mesma necessidade) na herança, com as diferenças de oportunidade que estes criam. Há motivos para reduzir esta desigualdade de oportunidades, na medida em que as diferenças congénitas o permitam e que se o possa fazer sem destruir o carácter impessoal do processo, no qual todos têm de arriscar e em que nenhuma opinião quanto ao que é legítimo e desejável se sobrepõe à dos outros.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
28/03/2009
O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As perversões do Estado “justo”.
«Um resultado necessário, e só aparentemente paradoxal, desta igualdade formal perante a lei está em conflito – é, aliás, incompatível – com qualquer actividade do governo que vise deliberadamente a igualdade material ou substantiva de pessoas diferentes, e qualquer política que vise um ideal substantivo de justiça distributiva tem de acarretar a destruição do Estado de direito. Para produzir o mesmo resultado para diferentes pessoas é necessário tratá-las de forma diferente. Dar a pessoas diferentes as mesmas oportunidade objectivas não é dar-lhes a mesma hipótese subjectiva. Não se pode negar que o Estado de direito produz desigualdade económica – o que se poderá dizer em seu abono é que esta desigualdade não é concebida para afectar determinadas pessoas de determinada forma. É extremamente significativo e característico que os socialistas (e os nazis) tenham sempre protestado contra a justiça “meramente” formal, que se tenham sempre oposto a uma lei sem concepções sobre quão abastadas as pessoas devem ser, e que tenham sempre exigido a “socialização da lei”, atacado a independência dos juízes, e ao mesmo tempo dado o seu apoio a todos os movimentos do género Freirechtsschule que minavam o Estado de direito.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
Adivinhe quem disse o quê
«O capitalismo humano sobrevive, o selvagem deve ser destruído.»
a) José Sócrates
b) Francisco Louçã
c) Papa Bento XVI
Se respondeu a), b) ou c) errou. Quem produziu o inspirado pensamento disse igualmente à Reuters que «há uma relação fantástica com a Sonangol e Angola, e o Estado português também está no dossier». Possivelmente onde se capitalismo humano deve ler-se capitalismo ao colo do governo e onde se lê capitalismo selvagem deve ler-se capitalismo tout court.
a) José Sócrates
b) Francisco Louçã
c) Papa Bento XVI
Se respondeu a), b) ou c) errou. Quem produziu o inspirado pensamento disse igualmente à Reuters que «há uma relação fantástica com a Sonangol e Angola, e o Estado português também está no dossier». Possivelmente onde se capitalismo humano deve ler-se capitalismo ao colo do governo e onde se lê capitalismo selvagem deve ler-se capitalismo tout court.
27/03/2009
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: a certeza da impunidade
Secção Still crazy after all these years
«Sempre gostei de ter dinheiro em casa, sempre gostei de numerário e tenho pena de não ter mais» disse ontem no tribunal o autarca Isaltino de Morais.
Pela franqueza e sobranceria face à mediocridade, incompetência e subserviência da justiça deste país, Isaltino merece 2 afonsos a juntar aos 5 alegados ignóbeis pelas alegadas traficâncias de que é acusado, ou suspeito, sei lá.
«Sempre gostei de ter dinheiro em casa, sempre gostei de numerário e tenho pena de não ter mais» disse ontem no tribunal o autarca Isaltino de Morais.
Pela franqueza e sobranceria face à mediocridade, incompetência e subserviência da justiça deste país, Isaltino merece 2 afonsos a juntar aos 5 alegados ignóbeis pelas alegadas traficâncias de que é acusado, ou suspeito, sei lá.
CASE STUDY: O ministro bombeiro
21-12-2008«O plano de salvamento da Qimonda, hoje anunciado, vai permitir manter os dois mil empregos em Portugal e reforçar a transferência de tecnologia para o país, considerou o ministro da Economia, Manuel Pinho»
22-12-2008
«As acções da Qimonda encerraram a sessão a ganhar 48,54% na bolsa alemã, depois de terem disparado 151,05% durante a sessão, a reagir ao empréstimo de 100 milhões de euros concedido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) à maior exportadora portuguesa.»
16-01-2008
«O ministro da Economia, Manuel Pinho, disse ontem que o banco português que vai atribuir um empréstimo à Qimonda ainda não concluiu a operação de financiamento à empresa. Pinho afirmou hoje que o Governo está “a acompanhar de perto a situação”.»
23-01-2009
(Pinho) «adiantou estar confiante que a “empresa tem todas as condições” para continuar a funcionar, devido à sua “elevadíssima qualidade”»
02-02-2009
«O actual processo de falência da empresa “poderá ter uma consequência, pois dá mais flexibilidade para a reestruturação das diversas partes do grupo, sendo que as melhores e mais competitivas são a unidade de Dresden e a de Vila do Conde”»
18-02-2009
«O ministro da Economia garantiu, esta terça-feira, que o Governo português tudo tem feito para salvar a Qimonda de Vila do Conde, mas acusou o executivo de Angela Merkel de nada fazer para salvar a empresa.»
19-02-2009
«O ministro da Economia Manuel Pinho reuniu-se hoje em Bruxelas com o seu congénere alemão, tendo no final afirmado que notou "abertura" da parte deste para tentar resolver o problema da Qimonda, defendendo que "é preciso ter fé"»
05-03-2009
«É um caso muito complexo, não quero levantar falsas expectativas, mas é muito positivo que partes muito importantes neste processo se mostrem muito positivas na busca de uma solução»
16-03-2009
«Há um grupo espanhol que mostrou interesse na aquisição da fábrica da multinacional Qimonda, confirmou hoje à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde.»
26-03-2009
«Não haja a mínima dúvida: o apoio que nós demos, vamos tentar recuperá-lo até ao último tostão.»
27-03-2009
«Qimonda entregou hoje pedido de insolvência»
27-03-2009
«Numa primeira reacção do governo português, o ministro da Economia referiu já esperar pelo desfecho que se verificou na Qimonda/Portugal.»
O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O Estado (i)moral
«Assim que são previstos os efeitos concretos aquando da feitura da lei, esta deixa de ser um mero instrumento a ser utilizado pelas pessoas e torna-se, ao invés, um instrumento usado pelo legislador nas pessoas e para os seus fins. O Estado deixa de ser uma peça da máquina utilitária destinada a ajudar as pessoas no pleno desenvolvimento da sua personalidade individual e torna-se uma instituição “moral” – em que “moral” não é usado em contraponto com imoral, antes descreve uma instituição que impõe aos seus membros as suas concepções sobre todas as questões morais, sejam estas morais ou altamente imorais. Neste sentido, o Estado nazi, ou qualquer outro Estado colectivista, é imoral, enquanto que o Estado liberal não o é.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
Nova entrada no Guiness
As fotocópias mais caras do mundo foram tiradas pelo advogado João Pedroso, por coincidência irmão do ex-ministro do governo Guterres, eminência socialista na reserva. Custaram 266 mil euros e levaram vários anos a tirar a partir dos Diários do Governo e da República.
Dirão que a obra merece uma entrada directa no Guiness. Errado. O que merece tal honra é a desfaçatez da adjudicatária das fotocópias, a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues que no parlamento descontou a coisa com esta frase lapidar: «hoje o sr. deputado diz que ele é um incumpridor nato, mas isso não fazia parte do seu currículo na altura. É relativamente fácil avaliar hoje, mas na altura não era».
Dirão que a obra merece uma entrada directa no Guiness. Errado. O que merece tal honra é a desfaçatez da adjudicatária das fotocópias, a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues que no parlamento descontou a coisa com esta frase lapidar: «hoje o sr. deputado diz que ele é um incumpridor nato, mas isso não fazia parte do seu currículo na altura. É relativamente fácil avaliar hoje, mas na altura não era».
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Conto do vigário,
dissonância cognitiva
26/03/2009
O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O poder arbitrário já está instalado.
«O facto, muito em voga, de se concentrar na democracia o principal valor ameaçado, não é destituído de perigo. E é em grande parte responsável pela crença errónea e infundada de que enquanto a origem última do poder for a vontade da maioria, o poder não pode ser arbitrário. A falsa garantia que muitos obtêm desta crença é uma causa importante da inconsciência generalizada face aos perigos que enfrentamos. Não há justificação para se julgar que enquanto o poder for conferido por procedimentos democráticos, não pode ser arbitrário; o contraste sugerido por esta afirmação é rotundamente falso: não é a origem mas a limitação do poder que o impedem de ser arbitrário. O controlo democrático pode impedir o poder de se tornar arbitrário, mas não o faz pela sua mera existência. Se a democracia se resolve por uma tarefa que implique necessariamente o uso de poder que não pode ser dirigido por regras fixas, torna-se poder arbitrário.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
25/03/2009
O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Estamos quase lá
«Assim que o sector comunitário, em que o Estado controla todos os meios, excede uma determinada proporção do todo, os efeitos das suas acções dominam todo o sistema. Embora o Estado controle directamente a utilização de apenas uma grande parte dos recursos disponíveis, os efeitos das suas decisões na parte restante do sistema económico tornam-se tão grandes que acaba por controlar praticamente tudo de forma indirecta. Quando, como foi o caso da Alemanha em 1928, as autoridades centrais e locais controlam directamente a utilização de mais de metade do produto interno (53% segundo uma estimativa oficial alemã), indirectamente controlam quase toda a vida económica da nação. Então, praticamente não há um fim individual que não esteja dependente da acção do Estado, e “a escala social de valores” que norteia a nação deve incluir quase todos os fins individuais.»
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
[F. Hayek, O caminho para a servidão]
24/03/2009
O CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Uma nova área do (Im)pertinências
O Caminho para a servidão é uma nova área do (Im)pertinências, dedicada ao Portugal colectivista, que foi buscar o seu nome à obra de Friedrich Hayek de 1944. Quando foi publicada nesse ano The Road to Serfdom, já era visível o fim próximo do eixo alemão-italiano-japonês; por isso Hayek visava muito mais os germes do colectivismo que floresciam nas sociedades democráticas ocidentais (e a expansão do comunismo) do que os regimes nazi-fascistas na iminência do colapso.A crise financeira e económica internacional que cavalgou a crise estrutural da economia portuguesa está a ser um poderoso álibi para o colectivismo imanente na sociedade portuguesa que impregna a partidocracia doméstica reforçar a sua influência a pretexto do alegado falhanço do alegado neo-liberalismo que, seja lá o que se entenda por tal, nunca fez parte das doenças que nos assolaram nem das mezinhas que tomámos, pelo menos desde Dona Maria II.
23/03/2009
DIÁRIO DE BORDO: Pensamento do dia (5)
"If morality represents how people would like the world to work, then economics shows how it actually does work."
Steven D. Levitt, Freakonomics
Steven D. Levitt, Freakonomics
21/03/2009
SERVIÇO PÚBLICO: A crise financeira explicada em bom castelhano
O texto "Explicación a la crisis financiera que nos azota" do professor do IESE Leopoldo Abadía reproduzido num post do blogue Viajar por Internet de Nacho Giral é provavelmente uma das melhores e mais claras análises (não contaminadas pelo economês) da génese da crise financeira, sobretudo sabendo-se que foi escrito há mais de um ano.
[Dica de JB]
[Dica de JB]
20/03/2009
Eles só começam a falar verdades quando desmontam do cavalo do poder, como diria o camarada Otelo
"Quando se constrói uma auto-estrada, um aeroporto, o que se pensa é que o benefício do projecto é todo o emprego e as matérias-primas que se empregam quando se vai construir. Ora, isto é o custo do projecto. Nenhum empresário vai fazer uma fábrica e dizer que o benefício de fazer a fábrica foi construí-la e colocar lá as máquinas.O benefício do projecto de uma fábrica é o rendimento que essa fábrica depois vai gerar: vai vender e vai ter as suas receitas e os seus lucros. Esse rendimento líquido vai ter de pagar os custos. Esta lógica de fazer grandes projectos porque vai gerar emprego é uma lógica invertida. O que interessa é o rendimento adicional que se vai gerar em Portugal.
No novo aeroporto, coloco os custos de construção de um lado, do outro vejo se vou gerar rendimentos suficientes, porque há aqui um custo de oportunidade: esses recursos estão colocados no aeroporto, não caem do céu, e com esses recursos podia construir outras coisas, complexos turísticos, fábricas, escritórios etc. Qual o rendimento gerado pelo novo aeroporto? O existente (Portela) está ainda longe de ter a capacidade totalmente utilizada. Se formos ao aeroporto de Heathrow, Londres, Chicago, há praticamente um avião a baixar de minuto a minuto e o movimento de Lisboa não tem qualquer comparação. Uma professora do IST, que fez um estudo dos aeroportos europeus, concluiu que o aeroporto português podia aumentar a sua utilização à volta de 30 por cento se fosse eficientemente utilizado. Portanto, em primeiro lugar, temos de utilizar da melhor maneira possível o que temos. E daqui a quantos anos vai duplicar ou triplicar a procura dos serviços aeroportuários? Não sei, mas tenho muitas dúvidas."
[Excerto duma entrevista ao Público de Abel Mateus, ex-presidente da Autoridade da Concorrência, actual professor da Universidade de Nova Iorque]
No novo aeroporto, coloco os custos de construção de um lado, do outro vejo se vou gerar rendimentos suficientes, porque há aqui um custo de oportunidade: esses recursos estão colocados no aeroporto, não caem do céu, e com esses recursos podia construir outras coisas, complexos turísticos, fábricas, escritórios etc. Qual o rendimento gerado pelo novo aeroporto? O existente (Portela) está ainda longe de ter a capacidade totalmente utilizada. Se formos ao aeroporto de Heathrow, Londres, Chicago, há praticamente um avião a baixar de minuto a minuto e o movimento de Lisboa não tem qualquer comparação. Uma professora do IST, que fez um estudo dos aeroportos europeus, concluiu que o aeroporto português podia aumentar a sua utilização à volta de 30 por cento se fosse eficientemente utilizado. Portanto, em primeiro lugar, temos de utilizar da melhor maneira possível o que temos. E daqui a quantos anos vai duplicar ou triplicar a procura dos serviços aeroportuários? Não sei, mas tenho muitas dúvidas."
[Excerto duma entrevista ao Público de Abel Mateus, ex-presidente da Autoridade da Concorrência, actual professor da Universidade de Nova Iorque]
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Desfazendo ideias feitas,
verdade inconveniente
19/03/2009
DIÁRIO DE BORDO: E se Hayek tivesse razão contra Keynes?
Se o homo eoconomicus da economia neo-clássica me põe os cabelos em pé, a simplificação redutora e unidimensionalidade do «action man» dos austríacos, que partilha com o outro homo, deixam-me com mais dúvidas que certezas. Apesar disso, na polémica Hayek-Keynes a respeito da depressão de 1929 apostaria em Hayek que muito provavelmente tinha razão ao criticar as receitas de Keynes que, segundo ele, distribuíam pão hoje em troca da fome amanhã.Se tinha então razão, Hayek também a teria hoje e se ressuscitasse faria certamente as mesmas críticas a políticas anti-crise semelhantes de inspiração keinesiana.
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Economia capitalista de direcção central
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