Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
28/02/2009
O paradigma
Marcelo Rebelo de Sousa, no seu Blogue no Sol
ESTADO DE SÍTIO: try something and, when that does not work, try something else
Na sua constante agitação mediática o governo, desta vez pela boca do inefável ministro da Economia, anunciou mais uma medida a acrescentar à pletora já conhecida: as empresas com dificuldades financeiras, isto é todas as empresas do país que não dispõem duma reserva de mercado, que pagam aos credores e ao fisco e têm em dia os pagamentos à segurança social, poderão vender os seus imóveis a um fundo público de investimento imobiliário com quem farão um contrato de arrendamento. O fundo disporá de 100 milhões de euros, o suficiente para financiar umas 200 empresas se admitirmos um valor médio modesto de meio milhão de euros por imóvel.Como dizia o meu avô, não dá para encher a cova dum dente. Ou talvez não, se as empresas com dificuldades financeiras fossem caracterizadas como as que simultaneamente não dispõem duma reserva de mercado, pagam aos credores e ao fisco e têm em dia os pagamentos à segurança social, seriam talvez menos de 200.
Chegado aqui, lembrei-me da estratégia implícita do governo inglês que a Economist descreve como «try something and, when that does not work, try something else».
27/02/2009
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Apanhado na cama
-Acorda Paulo que já são 6.
-O quê? Já marcaram outro?
[Enviada por JB]
ESTADO DE SÍTIO: La putain de la republique (2) - sans virgules
26/02/2009
Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (21) É necessário que tudo fique na mesma para que algo mude
[lido n'O Insurgente]
25/02/2009
Incentivos errados (2) - procurando saltar para o regaço do governo
Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (20) Muitos foram chamados mas só um foi eleito
Depois de escolhas muito discutíveis reportadas abundantemente aqui no (Im)pertinências, no final dum período de escrutínio que se espera tenha sido mais cuidado do que o do secretário de estado do Comércio, com toda a família envolvida, Barack Obama mostra que em matéria de cães prefere os portugueses.
BREIQUINGUE NIUZ: O governo não é responsável - a não ser que
Não me lembraria de responsabilizar o governo pela perda de mais 70 mil postos de trabalhos em Janeiro, como faz a oposição. A não ser se o governo tivesse no seu programa o objectivo «de recuperar, nos próximos quatro anos, os cerca de 150.000 postos de trabalho perdidos na última legislatura» e nos tivesse lembrado todas as semanas que já tinha criado não sei quantos e que os que faltavam seriam criados em breve - mudando subtilmente o verbo «recuperar», que significava no contexto do programa reduzir o desemprego, para «criar» ou seja aumentar novos postos de trabalho, ainda que os destruídos pudessem ser mais do que os criados.
24/02/2009
Incentivos errados - a penalização da prudência ou a poupança como pecado
Meanwhile those who have lived within their means and put money aside for the proverbial rainy day, have seen interest rates slashed to 2% in the euro zone, 1% in Britain and virtually nothing in America. No one offers to help them out, even though saving is needed to allow business investment which, in turn, generates growth. Asians, told off in the 1990s for their current-account deficits, now get lectured for saving too much.
This is quite a different paradox of thrift from the usual one. In theory, everybody regards thrift as a virtue. In practice, they treat it as a vice.
Of course, politicians and economists will argue that they are only talking about the short run. They need people to spend to lift the economy out of recession. As John Maynard Keynes remarked: “Whenever you save five shillings, you put a man out of work for the day.”
One could argue that savers should do well in the event of outright deflation. Nominal interest rates may have fallen sharply. But they cannot fall below zero. So in a world of falling prices, real rates will be high.
Nevertheless, savers are far from content. Those who have built diversified portfolios (another hallmark of prudence) will have suffered losses in equities, property and corporate bonds. Even those who have been clever enough to keep their money in cash have had to fret about the security of banks and money-market funds.
In any case, the community of savers is a diverse one. Take the many elderly people who depend on their savings for retirement income. When interest rates fall as quickly as they have in recent months, their income falls, and they will be forced to spend less.
The retired do not have the option of making up lost income. They are too old to work, or companies may not consider them employable. They could take more risk by moving into corporate bonds or equities. But that strategy incurs the danger of a permanent loss of capital.
In many countries the system is biased against the saver.
[A lament for savers, Feb 12th 2009, The Economist]
O preço do dinheiro artificialmente baixo, resultante da política monetária do FED nos últimos 10 anos ou mais, conseguiu o pior de dois mundos: ao mesmo tempo aumentou a «exuberância irracional» puxando pelos mercados de capitais e imobiliário, estimulou o consumo, desincentivou a poupança e, inevitavelmente, acelerou o endividamento das famílias, das empresas e dos estados.
Esperemos pelos resultados da política de substituição da heroína pela metadona.
23/02/2009
ESTADO DE SÍTIO: Eles não saberão fazer contas mas serão exímios no uso da língua
É a grande oportunidade dos professores se redimirem da comprovada incompetência para plantar nos lóbulos das pequenas criaturas os rudimentos da matemática, das ciências e de outras matérias áridas e dedicaram os seus talentos a iniciá-las no cunilingus.
Enquanto isso, façamos o possível por esquecer o pequeno e desagradável problema da inumeracia.
22/02/2009
O complexo político-empresarial socialista
No seu discurso de despedida como presidente dos EU, Ike Eisenhower usou a expressão complexo militar-industrial para designar a aliança entre o Pentágono e os sectores industriais ligados à defesa com «potencial para (gerar) um surto desastroso de poder mal concentrado. Não devemos nunca permitir que o peso desta conjugação ameace as nossas liberdades ou o processo democrático», acrescentou.Quase meio século depois, do outro lado do Atlântico num país em vias de subdesenvolvimento, o socratismo está a criar o complexo político-empresarial socialista. Os sinais do conúbio multiplicam-se à medida que a crise empurra os empresários para o acolhedor regaço do poder socialista. Com excepção de Belmiro de Azevedo, Alexandre Soares do Santos e poucos mais, a classe empresarial põe-se a jeito em troca dumas migalhas do orçamento.
Um exemplo recente é a compra das minas de Aljustrel pela Martifer à Lundin Mining, que se propunha encerrá-las por inviáveis nas condições actuais do mercado. A compra foi agenciada pelo governo, na pessoa do inefável Pinho (por coincidência um empregado dos Espíritos em comissão de serviço no ministério da Economia), para salvar 200 empregos. É difícil não perceber que, se a Lundin Mining não conseguia viabilizar a exploração das minas, não será uma pequena empresa metalúrgica, que sabe tanto de minas como de serviços financeiros, que o conseguirá. Terá que haver contrapartidas por baixo da mesa.
Dois meses depois, o conselho de administração da Martifer coopta Jorge Coelho, ex-estradista do PS e ex-ministro das Obras Públicas e actual presidente executivo da Mota-Engil, por feliz coincidência o maior grupo português de obras públicas e o segundo accionista da Martifer.
Estão avisados. Depois não se queixem.
21/02/2009
ESTADO DE SÍTIO: Ao intervalo, Freeport 0 - BPN 0
Em sincronia com o atolamento de Sócrates, torna-se patente o atolamento do cavaquismo, com uma dúzia de ex-ministros e ex-secretários de estado já atingidos pelos detritos do BPN (vêm mais a caminho). À cabeça deste cavaquismo, surge o notável Dias Loureiro que quanto mais se agita mais se enterra nas areias movediças do BPN.
Faltava traço de união entre os dois casos. Já não falta: é o cada vez mais famoso tio de Sócrates que tinha off-shores abertas no BPN.
O tio que ri (foto do Público)
A menos que o envolvimento do Serious Fraud Office, por lado, e os jornalismos de causas comuno-berloquistas, excitados pelo crescente desconforto do eleitorado socialista não dependente do estado, espevitem a coisa e não a deixem morrer. É caso para pensar: valham-nos os ingleses, os comunistas, os trotskistas e os maoístas.
ESTADO DE SÍTIO: La putain de la republique
20/02/2009
Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (19) What is good for the country is not good for him
Lembrei-me da estória, no contexto da celebração do bicentenário do nascimento de Lincoln e da estratégia de imagem de Barack Obama procurar colar-se ao velho Abe, a propósito do Economist da semana passada ter feito comentário irónico que tem implícita uma proposição inversa à de Wilson:
Mr Obama, like Bill Clinton before him, has sent his own children to a private school, Sidwell Friends, while simultaneously anathematising voucher schemes that would allow those less wealthy to do the same. If the hottest political question in this bicentennial week is “what would Lincoln do?”, then the first answer is surely try a lot harder to repair America’s faltering commitment to meritocracy.
Neste caso, ao contrário de quase todos os outros episódios da obamofilia relatados no (Im)pertinências, não me parece que o facto e o comentário citados incomodem particularmente os nossos mais irredutíveis obamófilos locais, muitos deles criaturas socialistas ou bloquistas com um certo status, por vezes até com alguma patine, que convivem alegremente com o conúbio entre a escola pública para as massas ignaras e a escola privada para os seus filhos.
18/02/2009
O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Pensamento do dia (3)
17/02/2009
ESTÓRIA E MORAL: La Fontaine revisitado
VERSION CLASSIQUE
La fourmi travaille dur tout l'été dans la canicule; elle construit sa maison et prépare ses provisions pour l'hiver. La cigale pense que la fourmi est stupide; elle rit, danse et joue tout l'été.
Une fois l'hiver arrivé, la fourmi est au chaud et bien nourrie. La cigale grelottante de froid n'a ni nourriture ni abri et meurt de froid.
VERSION EUROPEAN ACTUELLE
La fourmi travaille dur tout l'été dans la canicule; elle construit sa maison et prépare ses provisions pour l'hiver. La cigale pense que la fourmi est stupide; elle rit, danse et joue tout l'été.
Une fois l'hiver arrivé, la fourmi est au chaud et bien pourvue. La cigale grelottante de froid organise une conférence de presse et demande pourquoi la fourmi a le droit d'être au chaud et bien nourrie tandis que les autres moins chanceux comme elle ont froid et faim.
La télévision organise des émissions en direct qui montrent la cigale grelottante de froid et passent des extraits vidéo de la fourmi bien au chaud dans sa maison confortable avec une table pleine de provisions. Des téléspectateurs sont outrés : dans un pays si riche, on laisse souffrir cette pauvre cigale tandis que d'autres vivent dans l'abondance. Les associations contre la pauvreté manifestent devant la maison de la fourmi.
Les journalistes organisent des interviews demandant pourquoi la fourmi est devenue riche sur le dos de la cigale et interpellent le gouvernement pour augmenter les impôts de la fourmi afin qu'elle paie "sa juste part". Les partis politiques d'opposition abondent dans ce sens.
En réponse aux sondages, le gouvernement rédige une loi sur l'égalité économique et une loi (rétroactive à l'été) d'anti-discrimination. Les impôts de la fourmi sont augmentés et la fourmi reçoit aussi une amende pour ne pas avoir embauché la cigale comme aide.
La maison de la fourmi est préemptée par les autorités car la fourmi n'a pas assez d'argent pour payer son amende et ses impôts. La fourmi quitte l'Éurope pour s'installer avec succès ailleurs.
La télévision fait un reportage sur la cigale maintenant engraissée. Elle est en train de finir les dernières provisions de la fourmi bien que le printemps soit encore loin.
L'ancienne maison de la fourmi devenue logement social pour la cigale se détériore car cette dernière n'a rien fait pour l'entretenir. Des reproches sont faits au gouvernement pour le manque de moyens. Une commission enquête est mise en place, ce qui coûtera 10 Millions d'euros.
La cigale meurt d'une overdose; Libération et Humanité ironisent sur l'échec du gouvernement à redresser sérieusement le problème des inégalités sociales.
[Enviado por JB]
16/02/2009
Só pode ser uma campanha negra contra o ministro anexo
Percebe-se que os casos Madoff aconteçam em países infectados pelo neo-liberalismo, com empresários e gestores gananciosos e um (muito conveniente) défice de regulação. Mas como explicar que entre nós, um país de empresários e gestores cooperativos e sempre prontos a saltar para o colo do governo, aconteçam casos como o BPN e o BPN? E logo no sector bancário que tem uma regulação 5 estrelas onde impera o ministro anexo doutor Constâncio.Como compreender as declarações de António Franco, director de Operações do BPN? O Banco de Portugal não fez as perguntas necessárias porque se «contenta com meias respostas» que fazem «desaparecer os problemas»? «Se o Banco de Portugal tivesse perguntado de onde vinha o dinheiro, já tinha descoberto há muito o Banco Insular»? «Acabam (os bancos) por se aperceber dos tiques do supervisor, se este pede informações só no fim do mês, no fim do semestre ou no fim do ano. O Banco de Portugal fica satisfeito com meias respostas»? Quando havia era «posto dinheiro e o Banco de Portugal fica satisfeito se aquilo desaparecer»? «Nunca fazem a pergunta seguinte: de onde apareceu esse dinheiro?»
ESTADO DE SÍTIO: A arte independente além de dependente é cara

Segundo as contas do Sol, Vanitas e Querença custaram aos sujeitos passivos 1,1 milhões euros ou 2 mil euros por espectador.
15/02/2009
Visão estratégica
O outro lado da moeda
Não estivesse Miguel Portas possuído pela sua irredutível fé, lembrar-se-ia do conhecido ditado arábe (eu contra o meu irmão, eu e o meu irmão contra o meu primo, eu o meu irmão e o meu primo contra o resto do mundo), e, em vez de Israel, poderia ter escrito Líbano, Jordânia ou Médio Oriente. E ocorrer-lhe-ia que, se é verdade que não se esquecer do cerco de inimigos que desejam ardentemente a sua destruição é condição de sobrevivência para um pequeno país é também uma condição de sobrevivência para todos os regimes autocráticos, na melhor hipótese, ou despóticos na pior, que cercam esse pequeno país cultivar com desvelo o ódio a um inimigo externo.
