Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/08/2005

DIÁRIO DE BORDO: agarrem-me que eu vou-me a ele

«Tinha e tenho condições políticas para obter um resultado surpreendente, mas o apoio do PS a outra candidatura cria uma situação nova e difícil», disse o poeta Manuel Alegre ontem em Viseu, numa intervenção muito festejada pela «frontalidade» e «coragem», que foi interpretada pelas pitonisas dos média como significando que renuncia à sua incontornável candidatura.

Agora é oficial. Estamos mesmo a afundar.

ARTIGO DEFUNTO: um ministro em construção

O Bloguitica cita aqui o caso do ministro das Finanças que é um exemplo de como os jornalistas, quando põem o chapéu de assessores de imprensa, se prestam a traficar influências para compor a imagem do assessorado, usando os seus colegas que ainda esperam, impacientes, na bicha para serem assessores. (via Blasfémias)

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o ministro por objectivos

Secção George Orwell
Era uma vez um senhor professor que depois de ter sido sucessivamente delfim do herdeiro de Salazar, fundador dum partido rigorosamente ao centro (mais tarde renegado), ajudante do doutor Soares numa aliança espúria para constituir um governo equívoco (sabotado por ele próprio), adversário do mesmo doutor Soares numa eleição presidencial, mestre de cerimónias na assembleia internacional com maior proporção de lacaios de assassinos e corruptos, compagnon de route do doutor Anacleto Louçã em maninfestações várias, detractor do fuehrer ianque, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do governo socialista, admirador confesso da ajudante do fuehrer ianque, putativo proto-candidato a uma nova eleição presidencial, depois de tudo isto (pausa para respirar), depois de tudo isto, dizia, descobriu-se, com 50 anos de atraso, um émulo de Peter Drucker.

Onde outros teriam gasto milhões de euros em management consulting e recorrido às McKinsey, às BCG, às Roland Berger, o nosso professor Freitas atentou no estado desesperado das finanças públicas e decretou, ou, mais exactamente, despachou a adopção da gestão por objectivos no ministério que nesta fase ilumina com a sua presciência.

E assim emitiu uma das mais poderosas ejaculações de órgão legislativo deste governo, produzindo o Despacho Normativo n.º 42/2005 de 18 de Agosto em que «determina que todas as unidades orgânicas do Ministério dos Negócios Estrangeiros se orientarão pelo princípio da gestão por objectivos e estabelece os termos de execução desse sistema». Esta notável peça legislativa e gerencial pode ser consultada no Diário da República n.º 158 Série I-B.

Rendido a esta poderosa ejaculação o Impertinências concede ao inefável professor 5 chateaubriands pela genial redução da ciência da gestão ao direito administrativo e deseja-lhe os maiores sucessos na «execução desse sistema».

30/08/2005

SERVIÇO PÚBLICO: um inesperado exercício de lucidez política

«Esta ala esquerda chega sempre ao encontro da História com dez anos de atraso. Repare que algumas das medidas que agora estão a ser tomadas, por exemplo em relação à função pública, já deviam ter sido tomadas há dez ou quinze anos. O pior que se pode fazer não é retirar regalias, é criar expectativas às pessoas e deixar que elas programem a sua vida com base numa situação que é insustentável a médio prazo. Eu dizia isto no tempo do Guterres e respondiam-me que eu queria retirar direitos adquiridos. Agora, em nome do Estado Social, já se pode. Prepararmo-nos para a globalização implica que o Estado Social seja todo revisto de alto a baixo. E quando o social está em crise, temos que voltar ao individual, temos que olhar os cidadãos como consumidores, a pagar muitos dos serviços que o Estado lhes presta, e em compensação o Estado baixa os impostos.
...
Quem faz a maior contestação às mudanças que estamos a fazer - e são só mudanças no campo da logística, da intendência - são os sindicatos e os sectores ligados ao PC e ao BE. E eu estou convencido de que este país só tem sucesso quando o PC e o BE criticarem com razão. Porque, por enquanto, têm criticado sem razão. Ora, se o Presidente da República é eleito por uma aliança destas, vai levar a que a Presidência, com o aumento da crise, volte ao tempo do eanismo e desagúem em Belém todos os lobis de pressão sobre o Governo.
»

(excertos da entrevista do deputado socialista Ricardo Gonçalves ao Diário de Notícias de 29-08, um exercício de inesperada lucidez política rara no grupo parlamentar do PS, rara, aliás, em qualquer grupo parlamentar)

29/08/2005

SERVIÇO PÚBLICO: os chineses da (Auto)Europa

«A Volkswagen irá produzir o seu novo modelo todo-terreno Marrakesch na AutoEuropa, em Palmela, se os sindicatos alemães não concordarem com cortes salariais para reduzir os custos de produção, noticia hoje o semanário Der Spiegel». (Diário Económico)

DIÁRIO DE BORDO: o plano tecnológico

Plano tecnológico - estética neo-realista
(créditos: Techrepublic, um serviço notável para profissionais das TI)

28/08/2005

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: tal pai, tal filho

- Olha pai, sou gay.
- Deixa lá filho. E eu que tenho bicos de papagaio?
(Inspirado no doloroso lamento do doutor António Guerreiro, no caderno Actual do Expresso, acerca do estado da homossexualidade em Portugal: «é verdade que a Marcha do Orgulho Gay e Lésbico, em Lisboa, não é um espectáculo entusiasmante e resulta em algo pindérico e frouxo».)

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: uma nova área temática do Impertinências

O Plutão destes diálogos é o planeta mais pequeno do sistema solar, o mais afastado e o que tem a órbita mais inclinada relativamente aos outros. É por isso um planeta excêntrico, desalinhado, desconforme, fora do baralho e, portanto, impertinente. Aliás há quem não o considere sequer um planeta.
Os diálogos deste Plutão, são conversas excêntricas, ouvidas ou imaginadas, que talvez até nem sejam conversas.

Plutão a falar sozinho

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: crime, disse ele

Secção Insultos à inteligência
«Crime era o Algarve não ter estado no Euro 2004.» «Mas ... o estádio custa 450 mil contos por ano», lamenta-se o jornalista de O Independente, citando o outro candidato, que na página ao lado diz que são 8% das receitas correntes da câmara de Faro.

Sem se atrapalhar, o doutor Apolinário, cabeça de lista do PS por Faro, saca do argumento definitivo:
«As soluções passam por parcerias com privados para dinamizar a vida em torno do estádio, por exemplo, construir um hotel que permita melhor aproveitamento do turismo desportivo, passam pela construção de um parque de lazer para aquela região e por resolver o problema do hospital.»
Esperava-se que o doutor Apolinário explanasse o seu grandioso desígnio, por exemplo explicando onde irá desencovilar «privados» para torrar dinheiro no estádio. Ou, por exemplo, sugerindo a sua utilização para jogos de solteiros britânicos contra casados alemães, jogos que certamente produziriam inúmeras lesões que seriam tratadas no hospital a construir com o dinheiro de investidores russos amigos do presidente Putin.

Em vez disso, o doutor Apolinário arruma a questão negando que se trate dum «elefante branco» e classificando o bicho de «projecto estruturante». A ensombrar o radioso panorama ele só vê um pequeno problema: a câmara tem uma dívida de 74,5 milhões de euros (o que pelas minhas contas de merceeiro corresponde a 32 meses de receitas correntes).

Dito isto, é justíssimo atribuir ao doutor Apolinário 5 chateaubriands pela confusão genuinamente socialista entre «privados» e «tansos» e outros 5 bourbons pela sua capacidade notável de não esquecer nada e nada aprender. Enfim, tem tudo para ser um verdadeiro estradista na equipa do doutor Coelho.

27/08/2005

ARTIGO DEFUNTO: uma crónica mal-amanhada

No dia 15 recebi um email do jornalista Luís Moreira anunciando a sua crónica «TGV EM PORTUGAL / UM PROJECTO MAL AMADO» (ver News Release 429) publicada no site THE PORTUGAL DIGITAL JOURNAL.

Com essa crónica Luís Moreira pretendia explicar «que o autor do Blogue O ABRUPTO, José Pacheco Pereira, não tem razão, estendida também aos vários blogues que acompanharam a intendência de José Pacheco Pereira, sobre o novo Aeroporto de Lisboa, na OTA, e por extensão, sobre o TGV em Portugal.» Provavelmente todos os outros blogues acompanhantes terão recebido um email semelhante.

O que Abrupto pediu ao governo, e com ele os outros blogues, foi para «colocar em linha os estudos sobre o aeroporto da Ota». Esperava-se que quem quisesse demonstrar a falta de razão do Abrupto expusesse os links a tais estudos desconhecidos dos ignaros bloguenautas da intendência ao governo.

Procurei debalde nas 4 densas páginas A4 em que imprimi a crónica, qualquer referência a esses estudos. O que encontrei foi uma soma considerável de detalhes técnicos ou factos irrelevantes, mais de metade referentes ao TGV, que não estava incluído no peditório. As conclusões, que não resultam de qualquer demonstração, ainda que superficial, baseada nesses ou noutros factos, são meros artigos de fé cujo enunciado dispensaria o prolixo desfiar de trivialidades.

Em vez de artigos de fé o que precisamos, em relação ao novo aeroporto como em relação ao TGV, é de análises e avaliações profissionais que identifiquem as diferentes soluções alternativas, explicitem claramente as premissas de cada, incluindo os modelos de financiamento e de operação, e avaliem e comparem os respectivos custos e benefícios num horizonte temporal adequado. Só então fará sentido uma decisão económica racional que implique escolha entre alternativas e não um mero exercício argumentativo para justificar uma decisão contrabandeada.

Não vale argumentar que o investimento público é apenas uma pequena fracção do investimento total, passando ao lado das «contrapartidas» por baixo da mesa aos interesses privados que já se adivinharam e esquecendo défices de exploração que o estado napoleónico-estalinista poderá obrigar-se a suportar (ver o caso das SCUT). Não vale argumentar que o investimento público vai ser multiplicado, esquecendo a «desmultiplicação» resultante da redução do consumo e do investimento privados para financiar o investimento público.

26/08/2005

TRIVIALIDADES: erros nossos? má fortuna?

O milionário inglês Graham Pendrill foi passar férias ao Quénia e travou conhecimento com um grupo Masai a quem deu boleia. Criou laços tão fortes com a tribo que esta o adoptou como «mais velho», depois de lhe ter dado a beber urina de boi e de o ter baptizado de Siparo («o bravo»). Por deferência, o Sr. Pendrill foi promovido directamente ao topo da hierarquia, sem passar pela circuncisão nem pelo serviço regulamentar como guerreiro Masai.

Regressado a Inglaterra, o Sr. Pendrill passou usar no dia-a-dia a sua túnica tribal. Roído de saudade projecta vender o seu T-12 e mudar-se definitivamente para o Quénia.

Uma pergunta inevitável: porquê o engenheiro Sócrates não deu boleia aos Masai?

(Crédito da estória: Times que assim quase se resgata da publicação das barbaridades do jumento empertigado)

25/08/2005

NÓS VISTOS POR ELES: para dizer mal, é preciso amá-lo ou odiá-lo

Nesta rubrica já aqui dei conta do que dizem pensar de nós vários cidadãos estrangeiros:

Todos eles nos ficaram a conhecer (a nós ou à Jerónimo Martins) o que os autorizou a dizer coisas simpáticas ou antipáticas, mas certamente justas, do seu ponto de vista. Se disseram mal, disseram-no com um módico de conhecimento da causa. Só temos que agradecer-lhes por isso.

Diferente é o caso dum pedante prenhe de pesporrência que assinou como AA Gill uma review do restaurante Tugga na King's Road, Londres. Aceita-se que a luminária enfatuada não tivesse gostado da mistela que lhe foi servida. Também se aceita, com um pouco de esforço, que a alcachofra amaricada torne extensivo a toda a cozinha nacional o seu desamor pelas rações que lhe foram servidas no tugúrio.

Repudiam-se com veemência as considerações que a alimária emproada faz sobre um país onde nunca esteve e um povo que não conhece. Para dizer mal dum país é preciso amá-lo ou odiá-lo. Não basta não o conhecer.

Exortam-se todos os bloguenautas a enviar um email ao TimesOnLine com uma boa colecção de insultos dirigidos ao jumento empertigado. Chamar-lhe, como o fez a Vitriolica, «miserable little whingeing git» é um bom começo.

24/08/2005

DIÁRIO DE BORDO: bushite ou bullshit?

Há várias coisas que me afastam de George W. Bush. O fundamentalismo evangélico e o pendor para o big government, em primeiro lugar. Depois, talvez, uma desconfiança mal disfarçada nos méritos dos mercados.

Há outras que me aproximam. Uma simpatia mitigada, como contrapartida ao ódio doentio que lhe devotam os crentes do politicamente correcto e a esquerdalhada em geral. E ainda a sua convicção democrática (aparentemente genuína) e o seu carácter resoluto, em contraste com as águas pantanosas que foram as presidências de Clinton, sobretudo a segunda.

Ah, já me esquecia, há mais uma: a sua paixão pela actividade física e as suas performances desportivas, que por certo irritam as luminárias da esquerdalhada, na sua maioria incapazes de levantar as flácidas bundas dos sofás onde ruminam as suas impotências.

23/08/2005

PUBLIC SERVICE: the nature of life itself

«Though my heart may be left of centre, I have always know that the only economic system that works is a market economy. This is the only natural economy, the only kind that makes sense, the only one that leads to prosperity, because it is the only one that reflects the nature of life itself, the essence of life is infinitely and mysteriously multiform, and therefore it cannot be contained or planned for, in its fullness and variability, by any central intelligence.»
Vaclav Havel, Summer Meditations

22/08/2005

DIÁRIO DE BORDO: posso fazer uma pergunta?

Porque não investigam as autoridades brasileiras, com o mesmo zelo que aplicam na morte de Jean Charles de Menezes pela polícia inglesa, as dezenas de mortes causadas todos os anos pela polícia brasileira e jamais esclarecidas?

ARTIGO DEFUNTO: o argumento final

Admito que é temerária a invocação do professor Marvão Pereira, pelos doutores Álvaro de Mendonça e Nicolau Santos no Expresso, para justificar a conclusão de que «o investimento público no TGV, no novo aeroporto da Ota e nos outros mega-projectos incluídos no PIIP ... será pago, no pior dos cenários, no prazo máximo de onze anos». É uma conclusão possivelmente não demonstrável sem recorrer às premissas do costume e, sobretudo, sem escamotear que o financiamento desses projectos faraónicos se fará sempre à custa doutros projectos públicos ou privados.

Mas que pensar do argumento final que tais projectos «terão uma magnitude bem mais importante do que a Expo-98 ou o Euro-2004, esforços, esses sim. seriamente questionáveis, mas já esquecidos»?

21/08/2005

ARTIGO DEFUNTO: abaixo os factos e vivam as causas

Numa entrevista a O Independente, na sequência da atribuição dum prémio pelo Clube de Jornalistas, o jornalista e escritor Armando Baptista-Bastos ilumina-nos com a sua visão do papel do jornalista, expressa em frases antológicas:
«O jornalismo tem que ser sobretudo o porta-voz daqueles que não têm voz.» «Não há factos. Os factos correspondem à visão do mediador, do repórter.» (Defendo um jornalismo de indignação e) «também um jornalismo de causas».

Preocupado (sem razão, parece-me) com as ameaças de conversão do jornalismo de causas em jornalismo «indolor e incolor», BB solta um aflito grito de alma - «o que querem é capar-nos», disse, talvez receando a continuidade geracional do «jornalismo de causas».

Um exemplo clássico do «jornalismo de causas» (já aqui referido pelo Abrupto) é o tratamento jornalístico da morte do cidadão brasileiro pela polícia anti-terrorista inglesa. Antes mesmo de se saber que a polícia tinha «de facto» divulgado «informação» errada, já o jornalismo de causas bramava, exigindo a condenação da política e o castigo da polícia.

A polícia lamentavelmente errou na aplicação duma política certa e acertou indesculpavelmente numa política errada de adulteração dos «factos». Mas, aos olhos do «jornalismo de causas», essa adulteração não deveria constitui um pecado grave para quem, afinal, «não há factos».

O doutor Daniel Oliveira, que tem a coluna de «opinião» «Choque e pavor» no Expresso, «informa-nos» esta semana que o brasileiro morto em Londres, na sequência dos atentados do mês passado, «foi executado pela polícia inglesa». Uma vez mais, «os factos correspondem à visão do mediador». Se o mediador entende que é «execução», passa a ser execução. Execução é diferente de «erro». «Erro», pelo menos desde que Lula foi eleito, é a execução regular com total impunidade pela polícia brasileira de facínoras, à mistura com inocentes.

É por isso é que um «jornalista» se «indigna» e se usar o seu jornal para promover maninfestações de protesto contra a «brutalidade» da polícia inglesa e a exiguidade da indemnização (8.000 salários mínimos brasileiros), isso não o obriga a «indignar-se» contra a regular brutalidade da polícia brasileira, nem a exigir um funeral para as vítimas dessa brutalidade. «Não há factos. Os factos correspondem à visão do mediador». Ponto final.

20/08/2005

DIÁRIO DE BORDO: o estresse nos humanos e nas plantas

Tenho uma amiga que defende e pratica uma filosofia de protecção incondicional da sua prole. Aos nossos filhos não devemos exigir-lhes, não devem cansar-se, bla bla, não precisam de estudar muito, bla bla, coitadinhos, bem basta a vida um dia, bla bla, se tiver que ser, bla bla, mas só se eu não puder evitar, bla bla.

Há poucos dias, vi no seu pequeno jardim várias árvores com uma pedra ou um tijolo pendurado. Explicou-me que o estresse as fazia revigorar.

A melhor aluna da turma (*)
(*) Phyllantus niruri, também conhecida por arrebenta-pedra, dissolve cálculos renais e promove a desobstrução do ureter.

BREIQUINGUE NIUZ: o governo e as calamidades

Calamidade anunciada
Pela boca do ministro da Administração Interna, o governo anunciou a intenção de alterar a legislação sobre o estado de calamidade pública, suprimindo a condição de só conceder apoios no caso de danos inseguráveis. O governo, pela boca do ministro, acaba de anunciar:
  1. a atribuição de um prémio aos negligentes e imprudentes que não pagam um prémio às seguradoras para proteger a sua propriedade;
  2. a punição dos contribuintes diligentes e prudentes que pagam um prémio às seguradoras para segurar a sua propriedade e irão pagar um prémio ao estado napoleónico-estalinista para segurar a propriedade dos negligentes e imprudentes.

Calamidade inaugurada
O primeiro-ministro deste governo vai inaugurar na próxima semana na Marinha Grande uma «incubadora de empresas» com 4.600 m2 que custou 3,1 milhões dos quais 1,2 milhões directamente extorquidos aos contribuintes. A «incubadora» destina-se a dar abrigo a 32 empresas (8 industriais e 24 de serviços), mas até agora só há 10 candidatos que estão a ser avaliados.

A coisa arrasta-se desde 2002, pelo que as frangas que tinham ovos para chocar há 3 anos ou foram chocá-los para outro lado ou foram usadas para fazer canja. A esperança, que nestas coisas dá sempre jeito, leva-nos a esperar que possamos contar com ovos no cu das 10 atrevidas frangas que estão na bicha. A fé ajuda-nos a considerar resolvido a favor da galinha o dilema de quem nasceu primeiro.

O resultado é garantido porque os putativos pintos, frutos do labor inovativo, serão devidamente tratados pela «equipa pluridisciplinar para apoiar as empresas».

19/08/2005

BLOGARIDADES: eles estão-me a morrer (2)

O mês de Agosto tem sido fatal. Primeiro o Jaquinzinhos, depois o Fora do Mundo e agora o Aviz.

Começo a sentir-me só.