Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

29/02/2004

CASE STUDY: O estado do capitalismo de Estado.

O doutor Durão Barroso foi na sexta-feira anunciar ao parlamento, durante o debate mensal, «novas fases de privatização da EDP, da Rede Eléctrica Nacional e da Galp e a alienação do capital estatal na Companhia das Lezírias, nas OGMA e no novo operador eléctrico do mercado ibérico» (ver aqui).
Bem pode o governo privatizar para compensar as 8 novas empresas públicas que, entretanto, criou, sem contar com os 31 hospitais SA.

Na semana anterior o Tribunal de Contas tinha divulgado o seu relatório de auditoria ao Sector Empresarial do Estado para 1999/2001, com 2 anos de atraso, note-se, en passant. O relatório citado na imprensa mostra números alucinantes:
+ Aumento do passivo total de 11,9 para 14,7 mil milhões de euros
+ 500 milhões de euros de «indemnizações compensatórias» (leia-se subsídios)
+ 1,6 mil milhões de euros de dotações de capital (leia-se subsídios)

Entre as novas empresas públicas inclui-se uma estranha criatura: CASO – Centro de Abate de Suínos do Oeste. Era uma empresa privada e sofreu esta nacionalização extemporânea, por razões possivelmente inconfessáveis de defesa nacional (pelo menos um «especialista» em questões de defesa nacional poderá ter intercedido como lobbyist) .

Não se percebe porque a esquerdalhada ataca o governo.

28/02/2004

DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: «Só nos faltava esta!» (parte 3 – O insulto à inteligência) / If you haven’t the guts to terminate them, feed them.

Summary for the sake of
Hard to believe. The Lisbon mayor plans to perpetuate forever the drug-addicted legion that makes his living of the extortion of money from Lisbon citizens whom they «help» to park their cars.
The mayor, a confessed and obsessed candidate for president of the Portuguese Republic, a job to be vacant in two years time, intends to allow those guys a permit with a badge in the chest to formalize their extortion.


Segundo o DN de 26, o doutor Santana Lopes mostrou, mais uma vez, que é um homem de causas, defendendo, com palavras inflamadas, na reunião da câmara a sua proposta de cumprir a profecia do doutor José Manuel de Mello «talvez arrumadores de carro»,
«Os arrumadores podem desempenhar um trabalho útil à cidade. Muitas vezes ajudam-nos a encontrar lugar para estacionar e até podem zelar pelos nossos carros.»
O doutor Santana Lopes dá assim indicações ao eleitorado de esquerda que pode render-se-lhe que ficará bem entregue. Ele se encarregará de providenciar que nunca acabem os pobrezinhos, os excluídos, os perdidos nas azinhagas da vida, proporcionando-lhes os meios para assegurar a sua perenidade.

É difícil produzir um pensamento mais à esquerda do que a sua tirada seguinte: «É preciso ter confiança no ser humano. O que eles fazem pode ter alguma utilidade.». Mostrando a imensa confiança que tem nesses seres humanos, o doutor Lopes encarrega-se de perpetuar a sua condição de marginais parasitários.
Do mesmo passo, o doutor Lopes mostra a sua costela keynesiana, por agora timidamente. Talvez ainda venhamos a ver a câmara municipal, hoje, e a presidência da República, amanhã, a acolher no seu seio aquelas vítimas da vida que ele carinhosamente dividirá em duas metades: uma que abrirá hoje os buracos nas ruas de Lisboa, amanhã nos jardins do palácio de Belém, e a outra que os tapará a seguir nas ruas e nos jardins, respectivamente.

Já aqui escrevi mas volto a fazê-lo:
Se o doutor Santana Lopes é o melhor representante que a sua geração tem para nos oferecer para a presidência, temos que pedir à velharia, que de outro modo deveria reformar-se rapidamente, para ficar ainda mais algum tempo a babar-se na política, fazendo tempo para a chegada da geração seguinte.

27/02/2004

CONDIÇÃO MASCULINA / STATE OF MEN : Macho? Moi?

Summary for the sake of
Portugal, especially Portuguese men have nurtured, since long time, a macho myth, as a kind of redemption for the profound and entrenched feminism paradigm that impregnates Portuguese society.

According to Hofstede studies, Portuguese culture has a high feminism score, ranking in 9th worldwide.
Portuguese men like to see themselves as resolute, aggressive, lady hunters, and winners. The true is much more the opposite. They are rather the sheep than the wolves.

During Carnival, nationwide, and locally in other traditional festivities, many men use to dress like women. Eventually they show at those moments their true faces.


Escreveu o Abrupto aqui:
«De longe, de outro carnaval, olho com estranheza o carnaval português. Num país machista, em que a cultura masculina dominante é machista, em que os valentões de café, de escritório, de praia, de carro, proliferam, subitamente chega o carnaval e todos eles descem à rua vestidos de mulher, aos magotes, aos milhares, exibindo as mamas falsas e os collants. Há qualquer coisa de estranho em tudo isto.»

Esquecemos, por agora, os valentões de café, etc., hoje um paradigma da condição masculina has been. Concentremo-nos no mais comum dos lugares comuns e, ao mesmo tempo, um dos maiores mitos lusitanos: um «país machista, em que a cultura masculina dominante é machista».

Vou directo ao assunto a que um dia voltarei, com mais tempo. Há 20 anos o antropólogo holandês Geert Hofstede fez um notável e extensivo estudo comparativo das culturas de dezenas de nações, usando um modelo que desenvolveu que distingue 4 dimensões na cultura dominante numa sociedade. Há uma 5ª dimensão, aplicável ao confucionismo, que não é para aqui chamada.
Uma dessas dimensões é a masculinidade/feminilidade, definida com base nos estereótipos comuns a quase todas as culturas (confronto/consenso, simpatia pelo sucesso/simpatia pelo desgraçadinho, grande e rápido/pequeno e lento, orientação para as coisas/orientação para as pessoas, performance/qualidade de vida, concorrência/cooperação, etc.). Esse estudo tem vindo a ser regularmente actualizado e é frequentemente adoptado para o treino em Intercultural Management de gestores com carreiras internacionais.

Qual o score português e o seu lugar no ranking das nações?
Segundo o mito, o Portugal macho deveria ser o campeão na liga da masculinidade. Segundo os dados de 1995, em cerca de 90 países analisados de todos os continentes, Portugal é o 9º menos masculino. A sociedade portuguesa só é superada em feminilidade pelas do norte da Europa e pouco mais.

O país não é machista, a cultura masculina não é socialmente dominante e o machismo não é dominante nessa cultura. Os nossos valentões ao primeiro sinal de perigo correm todos a agarrar-se às saias das mães. E, claro, no Carnaval deixam cair as máscaras.

Um dia voltarei a este tema, na perspectiva mais ampla dos obstáculos ao desenvolvimento que representa a particular combinação dessas dimensões na cultura portuguesa.

26/02/2004

DIÁRIO DE BORDO: «Só nos faltava esta!» (parte 2 - A auto-crítica).

Confessei eu, com atraso, a minha concordância com o doutor Miguel Sousa Tavares, a respeito do doutor Pedro Santana Lopes, para o visado vir, no próprio dia, desmentir pela acção os juízos ligeiros que sobre ele fez o doutor Tavares (e eu, com ele).

Ontem mesmo, o doutor Santana Lopes apresentou (supondo que não tenha mudado de ideias, entretanto) uma proposta na reunião da câmara para oficializar a profissão de arrumador de carros através dum cartão que será requisitado por um requerimento dirigido ao próprio doutor Santana Lopes, e será colocado no «lado direito do peito» do técnico. Apesar de já estar prevista na lei objecto de ejaculação pelo governo no final de 2002, o doutor Santana Lopes é um pioneiro na sua aplicação, mostrando assim que está atento ao futuro e ouviu bem a profecia do doutor José Manuel de Mello «talvez arrumadores de carro» que ele vai materializar.

Procurando sempre ir mais além, o doutor Santana Lopes inclui ainda na sua proposta a obrigação do gestor da arrumação subscrever um seguro de responsabilidade civil.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: Não chorem o desemprego, voltem para a escola. / Don’t mourn job losses go back to school.

Summary for the sake of
Don’t mourn job losses go back to school, said the brave grandpa Greenspan, Federal Reserve Chairman, a very politically incorrect assertion said in a very politically incorrect way.
Shame on the shitty young protectionists.


Secção Assaults of thoughts
Alan Greenspan, o presidente da Reserva Federal, ainda hoje aos oitenta e picos nos consegue surpreender.

Face à controvérsia sobre a perda de postos de trabalho americanos pelo outsourcing no estrangeiro, para trabalhos cada vez mais qualificados, Alan Greenspan disse, sem papas na língua, que o proteccionismo só tornaria as coisas piores e a única solução será melhorar as competências dos trabalhadores americanos, aconselhando-os a voltarem para a escola se perderem o emprego.

Para o vovô Alan vão 3 afonsos (teria 5 se fosse governador do Banco de Portugal).

25/02/2004

DIÁRIO DE BORDO: «Só nos faltava esta!».

Não é muito frequente concordar com as opiniões do doutor Miguel Sousa Tavares. Aconteceu há dias com o seu Só nos faltava esta! em que trata do doutor Pedro Santana Lopes, um personagem doentiamente obcecado com a sua pessoa. Com uma grande ambição sem um talento à altura dela, a sua ascensão à presidência introduziria na já confusa vida política portuguesa um clima de permanente instabilidade e transformaria o palácio de Belém numa sucursal da Kapital.

Se o doutor Santana Lopes é o melhor representante que a sua geração tem para nos oferecer para a presidência, temos que pedir à velharia, que de outro modo deveria reformar-se rapidamente, para ficar ainda mais algum tempo a babar-se na política, fazendo tempo para a chegada da geração seguinte.

24/02/2004

DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: Acabar com os ricos ou com os pobres? / Terminate the rich people vs. finish poverty

Summary for the sake of (see this new term in the Glossary)
According to a Portuguese smart lady, owner of blog «Bomba Inteligente» (Smart Bomb), the word Carnival came from the Latin expression carnem levare, meaning say good-bye to the sin at least until Easter (see how powerful and meaningful was Latin?).

Thinking in the last opportunity to sin in the next forty days, I remembered a vicious joke story, possibly grounded in facts. During the summer 75, incidentally a politically very hot one in Portugal, the Portuguese leftist general Otelo (by the way, also charged with terrorist murders and a performer in softcore porno movies), told in an interview to a foreign reporter that he was terminating the reach people. The legend says that the astonished reporter answered why don’t you try poverty?


Hoje é dia de Carnaval. Segundo a doutora Charlotte, «Carnaval deriva da expressão latina carnem levare, que terá sido depois modificada para carne, vale, que significará qualquer coisa como "adeus carne", e que anunciava a suspensão de carne devido à Quaresma».
Não sei porquê, lembrei-me hoje duma estória que um jovem me contou a semana passada. Na altura dos acontecimentos o jovem ainda estava na primeira infância e por isso não teve a oportunidade de fruir a atmosfera demencial que se vivia no verão de 1975.

A estória tem como protagonista o general Otelo, o mesmo que uns anos mais tarde planeava e mandava executar o abate sumário de «exploradores capitalistas», e mais recentemente, filmava como actor um decidido cunilingus ao som da Grândola Vila Morena, em boa hora transmitido no programa intelectual da bela Elsa Raposo na noite dum sábado de Setembro de 2001.
Segundo o jovem (eu, que tinha obrigação de me lembrar, não me lembro) o nosso general, depois de engavetar umas dezenas de capitalistas e seus lacaios em Caxias, terá dito numa entrevista a um jornalista estrangeiro que em Portugal se estava a acabar com os ricos. Segundo esse meu jovem amigo, o jornalista, certamente tímido perante o grande Capo do 25 de Abril, terá dito que no país dele se pretendia, em vez disso, acabar com os pobres.

ESTÓRIA E MORAL / SHORT STORY AND BIG MORAL: Falcão medricas contra pombo bravo. / Chicken hawk vs. hawkish dove.

Summary for the sake of (see this new term in the Glossary)
John Forbes Kerry is articulate, educated and French speaking, I told you. George W. Bush is not. He is the president of the United States.
JFK last move was a letter challenging George W. to a public debate about Vietnam War and their respective participations, meaning JFK as war hero in Vietnam jungle and George W. as pilot of the National Guard in the backyard.
(Make no mistake; the next war won’t be Vietnam War, anyway.)

Don't keep a dog and bark yourself, should I say as advice to Mr. Bush.


Estória
John Kerry, já aqui o referi, é um político letrado, inteligente, com carácter e coragem. Se é competente para liderar os Estados Unidos nos desafios que eles e o mundo têm que enfrentar, é outra questão.
Seja como for, está a encostar o George W. à parede. Fê-lo desta vez com uma carta que lhe enviou, cujo conteúdo foi convenientemente tornado público, onde escreveu «ao longo da última semana, você e a sua campanha iniciaram um ataque em larga escala contra o meu serviço no Vietname, a minha decisão de falar a favor de acabar com essa guerra e o meu compromisso para com a defesa desta nação. Se quer debater a era do Vietname, e o impacto das nossas experiências sobre as nossas abordagens à liderança presidencial, eu estou preparado para o fazer».

Acertou no porta-aviões. Sabendo-se que o actual presidente, se baldou à ida ao Vietname e se ficou como piloto da força aérea da Guarda Nacional do Texas, sendo acusado de fazer parte dos «chicken hawks», imagina-se o embaraço em que se encontra, num país em que ter guts faz parte dos atributos de qualquer candidato.
(Sendo certo que a próxima guerra não será no Vietname.)

Moral
Não tenhas cão se és tu que ladras.

23/02/2004

SERVIÇO PÚBLICO / PUBLIC SERVICE: Politique a la française.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
French Politics is everyday more like Cloaca Maxima, a huge roman sewer plenty of shit.
François Léotard former leader of the Republican Party and former minister, accused of laundering money and illegal financing of his party, was convicted last week to 10 months in jail.
Merde in France didn’t announce us this new Franchouille achievement. We excuse him, because we know how hard is to keep us informed about so much French filthy stuff.

A vida política francesa parece-se cada vez mais com a Grande Cloaca Romana, uma das maravilhas da engenharia, o monumental esgoto que transportava a caca dos romanos.
Mais um político francesa acusado de financiamento ilícito dum partido. Foi agora a vez de François Léotard, antigo líder do Partido Republicano, antigo ministro da defesa e da cultura, foi condenado a semana passada por um tribunal a 10 meses de prisão.
Merde in France não chamou a nossa atenção para o Monde de 18-02, mas nós desculpamos, porque sabemos quanto é difícil dar conta das poucas-vergonhas da política francesa.

DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: A política portuguesa vista de Melmac / Portuguese politics seen from Melmac.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
I met Alf, the melmacian a.k.a. Gordon Shumway, two years ago in a former muslin territory Al Garb nowadays occupied by Portugal.
Since then, he calls me from time to time asking for answers to his freak questions. The last call was late yesterday when all my troubles seem so far away.
He asked me to confirm that the current leftist campaign to promote abortion was a brainchild of the lady minister of Finance as a policy to balance the budget and close the announced 2.200 primary schools in the next 4 years.
If the members of the Portuguese parliament were recruited among unemployed and civil service staff (he thought this was an official positive discrimination policy), why, enquired him, 20 pct of them are actually working for private companies?
He also asked me about the results of election for president that will take place in 2 years time, but that he understood it had token place yesterday, because of the paranoid attention that Portuguese politicians are putting on the issue in the last months.


Após 3 meses de silêncio, Alf fez ontem um telefonema insólito. Antes de o contar, lembro que conheci Alf, o cidadão melmaciano Gordon Shumway, no verão de 2002, durante as suas férias com os Tanners na Quinta da Balaia, onde comeu todos os gatos das redondezas.
Insólito foi o telefonema - pela primeira vez a chamada não foi a pagar no destino - e enigmáticas foram as perguntas.
A campanha de promoção do aborto era uma imposição da ministra das Finanças para o ministério da Educação fechar as tais 2.200 escolas primárias nos próximos 4 anos?
Se os deputados eram recrutados entre os desempregados e funcionários públicos, porquê 20% deles trabalham em empresas?
Qual foi o resultado das eleições de ontem para presidente da República? Aquele rapaz dos casinos sempre tinha ganho?

22/02/2004

BLOGARIDADES / BLOGARITIES: A máquina de sacar donativos. / Blogs Pumping Bucks Machine.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
Howard Dean, the screamer, is loser as a candidate, but he had got his credits as Blogs Pumping Bucks Machine pioneer.
I pick the idea and I shall put an ad in Impertinências to the benefit of the Portuguese drag queen that announced 2 weeks ago his (her) intention to run for president in 2 years time.
It is my redemption as a stuck-up homophobic soul.

Howard Dean pode ter perdido as primárias mas vai ficar para a história por ter inventado a máquina de sacar donativos na Blogosfera.
Agora que já estamos há meses em campanha para as presidenciais porque não adoptar a mesma solução?
Vou pôr um ad no Impertinências para angariar fundos para campanha do transformista Valéria (ou será Vitória?), a quem já declarei o meu apoio desde aqui.

É incontornável a sugestão para o doutor Pacheco Pereira colocar também um ad no seu Abrupto para a colecta em benefício do doutor Santana Lopes.

BLOGARIDADES / BLOGARITIES: Clube dos Poetas Mortos / Dead Poets Society.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
A famous Portuguese blog, Abrupto, moans about Portuguese Blogisland that had started as a friendly cozy circle of highbrow souls and soon, with the mob of lowbrow creatures coming in, it is turning into an acid and hostile environment.
So what? Everything has a price. Fresh air and openness comes at a price.


Ao princípio eram poucos, gente culta e civilizada. Era um clube virtual, antes do Big Bang, nem era ainda a Bloguilha. Havia umas picardias, mas tudo ficava em família. Depois veio o Big Bang, e o clube dissolveu-se na Bloguilha que ficou ácida, estado que atrai os ácidos.

«Os amigos e conhecidos foram sucessivamente sendo substituídos por estranhos, os círculos de influência, que eram também de troca de reconhecimento, foram-se desagregando, e isso torna os blogues um meio mais duro, menos satisfatório em termos psicológicos. Mais do que a política mudou o estilo e a dimensão, e uma sensação que a blogosfera é agora mais hostil do que cozy.», queixou-se o Abrupto aqui.

Já não é o Clube dos Poetas Mortos, mas ainda não é Blogosfera, é a Bloguilha. Que outra coisa poderia ser? Pois se os nossos quase-mercados ainda são protegidos, cartelizados, opacos, com cumplicidades promíscuas, porque seria diferente a Bloguilha? Precisamos apenas de juntar os ingredientes próprios do quase-mercado dos produtos da cultura: os círculos, as tertúlias, as capelas, as influências, os fazedores de opinião, os admiradores e, no submercado da Bloguilha, o retro-link.
Se a acidez for o preço a pagar para arejar uma Bloguilha a huis clos, não é caro.

21/02/2004

CASE STUDY: Compromisso Portugal? Compromisso é coisa de galinhas. Precisamos é de ser porcos. / The fairy tale of the old and the young gangs.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
The young gang says they have the will, but not the money. They ask the government for a breakthrough. The government doesn’t give neither breakthroughs nor monies.
The old gang has the money, but not the will – well, they are writing a will, post mortem kind.
This is the state of Portuguese businesses. Can we get out of this dead end? Yes, because it not a true dead end.
The young gang should convince the old gang to lend them their money. With the money borrowed the young gang will buy the businesses from the old gang.
The old gang will go to a deserved retirement, probable a golden one – should the young gang pay back. The young gang will fight hardly for life to pay the monies borrowed from the old gang, will pay more taxes to the government and will pray to get some extra monies to themselves.
In the end everybody will be happy, old gang, young gang and, last but not least, the government, like in any fairy tale.


Já aqui disse das 30 propostas para melhorar o país produzidas no Convento do Beato o que Maomé não disse das alheiras. Mas estou inocente de me atirar às 500 luminárias a quem baptizei, com grande benignidade, de la crème de la crème.

Li com curiosidade alguns comentários doutras luminárias que não estiveram no Beato e que se atiraram a la crème de la crème como gato a bofe.
Um deles é o comentário «Compromisso»? do doutor Vasco Pulido Valente no DN, em que esta ilustre reencarnação dos Vencidos da Vida esturrica impiedosamente as 500 luminárias com os argumentos do costume – é tudo óbvio, já foi tudo dito desde pelo menos o Senhor D. João VI. Acrescenta, porém, uma grande inovação: a idade jovem, e por isso comovente, das luminárias que pertencem a «uma geração atafulhada de energia, saber e competência», que só poderia produzir «vacuidade, arcaísmo ou asneira».

Outro comentário interessante foi o do doutor Jorge Fiel nos «Invisíveis Correntes» do Expresso, que partilha com o doutor Braga de Macedo, cognominado o Adiantado Mental nos seus tempos de ministro das Finanças em que descobriu em Portugal um oásis no deserto europeu da crise económica.
O doutor Jorge Fiel tenta outra abordagem. Começa por contar a estória do senhor Horácio Roque que subiu a pulso na vida desde o balcão da cervejaria em Luanda até dono do grupo financeiro Banif, para nos mostrar a seguir a que distância dele se encontram as 500 luminárias que fizeram as suas licenciaturas, pós-graduações, mestrados, doutoramentos, muitos deles nas Harvards e nos INSEADs, quase sempre com a propina paterna, e que aterraram depois numas administrações e presidências, mas que nunca vergaram a mola na vida e nunca apostaram os seus cabedais nas aventuras empresariais que comandam. «Não se descobriu petróleo no Beato», concluiu o doutor Fiel. Termina contando a velha estória da diferença entre compromisso e envolvimento - nos ovos com bacon a galinha compromete-se e o porco envolve-se.

Que fazer com as 30 propostas para melhorar o país?
Segundo aqueles dois e outros senhores, o melhor é deixar tudo como está: segundo o doutor Pulido Valente, é melhor a 3ª idade ficar no comando das empresas e do país, até se sufocarem na própria baba; segundo o doutor Jorge Fiel, deve-se esperar que as 500 luminárias façam umas poupanças para arriscar os seus cobres nos seus próprios negócios, já que a versão cervejaria luandense não parece disponível.

Com comentadores assim, é melhor fechar o país.

Eu, que sou um contribuinte líquido, daria uma oportunidade aos geadas do Manifesto de mostrarem a sua sageza e outra oportunidade, a mesma, aos 500 do Beato de mostrarem que os comentadores não têm razão. Trancava as 500 luminárias no Beato, juntamente com os 40 geadas do Manifesto, e só os deixava sair quando os primeiros convencessem os segundos a passar-lhe a pasta para as mãos. Os segundos emprestam a massa aos primeiros, e partem para a reforma. Os primeiros compram os negócios dos segundos, fecham o que for para fechar, desenvolvem o que for para desenvolver e abrem o que for para abrir.

20/02/2004

SERVIÇO PÚBLICO/PUBLIC SERVICE: O que importa não é a intervenção, o que importa é quem intervém / Peace force? Better call it piss force.

SUMMARY: don’t waste your time, go here.


Qual é a diferença entre uma intervenção «unilateral» duma potência num terceiro país com uma ditadura que constitui uma ameaça à segurança internacional e a intervenção unilateral duma outra potência num terceiro país que só constitui uma ameaça para si próprio?
Imensa, sobretudo se a primeira potência for a hiperpotência e o país da intervenção o Iraque e a segunda potência for uma potência regional decadente – uma impotência, a França – e o país da intervenção for uma sua antiga colónia – o Haiti.
Para mais pormenores ver Merde in France aqui.

ESTÓRIA E MORAL / SHORT STORY AND BIG MORAL: Anormais mas previsíveis / So queer and so predictable.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
So predictable, as the sun that rises every day, as Opus Gay - a kind of Union trade for queers - reacts loudly every time someone says something against the Queer’s Vulgata.
They cried «attack to human rights». They should talk about limitation of gay rights, having in mind children rights.
They cried, «homosexuality is a normal behavior». They are wrong. Should they be right and they shouldn’t need any Opus Gay.


Antes de contar a estória tenho que pedir desculpa aos juizes espanhóis de Pamplona que concederam a custódia de 2 gémeas (concebidas por inseminação artificial) à sua mãe biológica lésbica. Não se tratava, portanto, dum caso de adopção como admiti aqui. Se estivesse no lugar deles teria decidido o mesmo, embora fazendo figas por baixo da mesa.

Estória
Como se previa, surgiu a inevitável a reacção da bicharia às palavras do doutor Villas-Boas. A Opus Gay classificou as suas declarações como "um ataque aos direitos humanos e à dignidade dos homossexuais" e espantou-se por ele «dizer que a homossexualidade não é um comportamento normal».
A Opus Gay deveria dizer limitação dos direitos dos homossexuais por respeito aos direitos das crianças, em vez de «ataque aos direitos humanos», e deveria perceber que se a homossexualidade fosse um «comportamento normal» a Opus Gay não existiria. Existiria, em vez dela, uma Opus Sad, organização clandestina arregimentando uns quantos hetero que, esporadicamente, se manifestariam sob os assobios e gritinhos de multidões de bichonas, protegidas por polícias musculados, crânios rapados, de bigode, com as mangas arregaçadas deixando ver coloridas tatuagens.

Moral
Ninguém toca em carvão que não saia enfarruscado (ditado popular).

19/02/2004

BLOGARIDADES: Comovi-me, coisa rara / A tribute to grandpa moved me.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
Moved with the tribute of a grand child on the 96th anniversary of his old grand father, I wonder if I can expect the same from one of my grand children under the form of a hologram coming from planet K317 in forty years time

Comovi-me com o aniversário do avô Américo do Vareta que fez ontem 96 anos. Parabéns avô Américo. Parabéns Vareta pelos parabéns ao avô Américo.
Quando tiver 96 anos (ainda faltam quase 40) gostava que um dos meus 3 netos, ou um dos que ainda possam chegar, me enviasse um holograma assim, a cavalo num raio gama, lá do planeta K317, onde por acaso estaria a fazer uma pós-graduação em biónica aplicada às artroses dos humanóides.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: A educação dos infantes é coisa para gente normal (Parte 2) / If it's queer it isn’t straight.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
A Spanish court allowed a couple of lesbian women to adopt a child. A Portuguese psychologist, president of an Adoption Committee, reacted with strong disapproval and he said that for a child to get education from a queer couple it means unhappiness, because queer people are unable to provide a healthy environment for a child and they interfere with the normal evolution of his or her sexuality.

Nothing new. It’s just a peace of common sense understandable by any people born with some. But it’s hard to say these days, anyway.
Listen to the crying flock of gays and lesbians, drag queens, drag kings, bi, occasional, et alia.


Secção Assaults of thoughts
Luís Villas-Boas, presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei da Adopção portuguesa é, viu-se agora, um sujeito sensato e corajoso.
«Reagindo à decisão espanhola (do Tribunal de Navarra, quem sabe atulhado de juizes mariconços) de permitir a adopção de duas crianças por um casal de lésbicas» disse, pela boca do Público, que «mais vale uma criança passar toda a vida numa instituição ou em famílias de acolhimento à "infelicidade de ser educado por homossexuais, sejam dois ou um"».

Não disse mais do que o óbvio para toda a gente normal. Normal? Sim normal, ou é preciso voltar a escrever que se Deus quisesse que os machos fossem iguais às fêmeas só tinha feito caracóis?
Óbvio até para os homossexuais com um módico de senso que conseguem perceber que o direito a serem caracóis não se confunde com o encher do saco e o moer do bestunto à humanidade. E muito menos lhes dá o direito à pedofilia activa ou mesmo contemplativa.
Exagero meu? Nem tanto. O doutor Villas-Boas diz com grande argúcia que o carinho (?) das bichas é "um carinho falso. Não é carinho organizado, estruturante - gostam deles próprios através da criança".
«Criar crianças em "ambiente homossexual" é "interferir com o normal percurso do exercício dessa mesma sexualidade". "Ser lésbica não é ser mulher na plenitude natural do termo, porque se assim fosse não haveria o problema da procriação natural"»

Ao doutor Villas-Boas atribuo-lhe 3 afonsos, com reserva de mais 2 se lidar corajosamente, como se espera, com o coro anunciado de gritos histéricos das carpideiras bichonas.

18/02/2004

DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: A educação dos infantes é coisa para gente normal. / Parental education – a common sense exercise.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
After many years of insanity, more and more pediatrists start to discover that children are just children, as they used to be since many years. Parents need to feed their children, to love them, to educate them, to teach them rules. To punish them too, if needed.
By the way, they also are discovering that girls and boys are different, and because of that there are sound reasons for girls to prefer barbies and for boys to prefer action men. I mean reasons beyond the well-known conspiracy of toys multinational corporations (faites attention M. Bouvé, il y a un tas de choses pour brûler !).
Parents should accomplish their duties, rather than with too much reading, with a lot of common sense, something still hard to find in books about children education.


Faço parte da geração Spock. Não dos filhos, mas dos pais dos filhos. O doutor Spock e os pediatras dos sixties tinham da educação dos infantes uma ideia perfeitamente lírica. No fundo eram adeptos de Rousseau, sem o saberem. Os filhos eram para eles os bons selvagens que os pais se deviam esforçar por não infectar com educação, disciplina, regras, etc.
Felizmente consegui nunca ler a bíblia spockiana ou outras e só sofri a contaminação ambiental. Acabei por criar os filhos com um misto da receita tradicional, bom senso, senso comum e, por vezes, falta de senso.

A primeira vez que verdadeiramente me dei conta que havia algo errado nesta abordagem foi há 25 anos na cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde. Vi então, durante duas semanas, um conhecido poeta português a correr no restaurante do hotel, nas horas das refeições, atrás do seu rebento que gritava, puxava as toalhas da mesas, deitava talheres ao chão, até se cansar, meia hora mais tarde, e aceder sentar-se, por uns minutos, antes de iniciar um novo ciclo. Tudo isto sob o comando da esposa do poeta, uma professora da faculdade de Letras, que instruía constantemente o cônjuge para o coitado deixar a criança desenvolver a sua criatividade. A cena repetiu-se o tempo que o casal lá esteve para transmitir aos indígenas a sua ciência sobre não sei o quê.
Um amigo e colega, que partilhava comigo as refeições e esses deliciosos momentos de visão da nova pedagogia em movimento, deixou de frequentar o restaurante com receio que lhe desse o fanico.

Foi nessa altura que percebi, definitivamente, a grossa asneira dos «novos» métodos educativos. A observação, em múltiplos casos, da idiotia adolescente resultante de 12 ou 13 anos de aplicação esforçada e intensiva desses métodos nos tenros crânios, convenceu-me em definitivo.

25 anos depois é visível - louvado seja o Senhor - o refluxo dessa corrente paralisante do bom senso parental. Ao folhear nas livrarias as obras mais recentes para os jovens pais começam a encontrar-se coisas um pouco menos lunáticas. Fiz este exercício a partir duma referência que li, não sei onde, a um livro cujo título é, por si só, um exercício do politicamente incorrecto na pediatria - «O método Brazelton – A criança e a disciplina».

17/02/2004

BLOGARIDADES / BLOGARITIES: O Meu Mêmê (2) / The making of a penseur's blog.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
This is a tribute to the penseur, franchouille kind, and former Culture minister (something like a minister of the Cult) professor Manuel Maria Carrilho. A tribute not for those credits, or debits one may say, but in spite of them because he had coined Pactology, a politically incorrect term.
Unfortunately, looking into his current site and trying hard to recycle some of stuff in there to build up a blog, the only stuff one could extract is lots of pomp, a material good for nothing in a blog.
So, no more tributes, I guess.


Há mais de dois meses que não dou contributos para a transformação num blogue à séria do sítio Manuel Maria Carrilho, verdadeira montra da vida e obra do Professor, Filósofo e Homem de Cultura com o mesmo nome, como então escrevi aqui.

Agora que lhe usurpei impertinentemente, mas com toda a vénia, o termo Pactologia, senti o apelo do dever para continuar aquele trabalho preguiçosamente interrompido.

O sítio está dividido em vários secções, a saber:
+ Bloco-Notas que continua vazio, como há dois meses;
+ Crónicas - são as suas «Contingências» do semanário do saco de plástico – com uma cajadada mata dois coelhos, mas nenhum deles é o que interessa;
+ Intervenções (2) - se não me engano, já estão requentadas;
+ Curriculum Vitae - continua actualizado, o que não é uma boa notícia;
+ Livros - onde também não aparece nenhuma novidade;
+ Entrevistas - uma pobreza franciscana, pouco própria duma personalidade tão mediática – apenas 3, desde Maio do ano passado (faltam as entrevistas à Caras).

Por muito que me custe, tenho que concluir que para fazer daquele sítio um blogue, mesmo mediano, não se aproveitava nada. E extrair dali material, só se fosse pompa e circunstância.
Em conclusão, vou encerrar O Meu Mê Mê, pelo menos enquanto o senhor professor não for presidente da Câmara de Lisboa.

16/02/2004

DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: Educação sexual? Só se for para adultos / Sex education? For grown ups, maybe.

SUMMARY for the sake of those foreign souls coming from outer space who are not able to read Portuguese:
The lady secretary of state of Education is under the attack of the leftist flock because she argued that State has not the right to impose sex education in schools.
She is right. Maybe her rightness has poor grounds, but she is right.
For a liberal mind there are principles besides the practical arguments, such as that kids nowadays master the fucking machinery better than their old-fashioned teachers, or families should have the say in anything but arithmetics.
Principles? What principles? Well, putting the enemy against the wall with the help of their precious Pink Floyd old boys, I would say principles such as teachers leave the kids alone, they don't need no (sex) education, they don't need no thought control.


Podemos olhar para a questão da educação sexual nas escolas como o fez o João Pereira Coutinho no Expresso de 14-02. A educação sexual é puramente inútil porque os adolescentes de hoje sabem mais do «truca-truca», como ele escreveu, do que os professores. O que provavelmente é verdade na maior parte dos casos, com a banalização do sexo. O sexo é para eles mais familiar do que a aritmética. Conhecem melhor a engenharia do sexo do que a tabuada.
Mas essa não é a questão de fundo. A questão de fundo é que «O Estado não tem o direito de impor um modelo de educação sexual, como não tem o de impor uma religião».
Quem disse isto? Algum perigoso liberal? Não. Foi a doutora Mariana Cascais, secretária de Estado da Educação. Terá dito outras coisas menos sensatas, ou mesmo insensatas, mas poderá ter sido por esta que a esquerdalhada lhe caiu em cima. Suspeito.
E porquê a esquerdalhada se excitou? Porque defende o pensamento único. Porque vê o Estado como uma máquina de fabricar militantes do pensamento único. Aliás, como a direita estúpida, que defende, em sottovoce, a mesma coisa no capítulo da religião ou da moral.
É às famílias, em particular ao pai e à mãe, que compete a educação sexual dos fedelhos. Não é a escola. A escola não deve “ensinar” moral ou religião ou a técnica do «truca-truca».
Além das razões de princípio para o Estado não intervir nesse domínio, há várias razões práticas, para além da inutilidade, como sublinhou João Pereira Coutinho.
É ridículo pensar que o Estado, incompetente para ensinar os rudimentos da língua portuguesa e da aritmética, tenha competência para encharcar os tenros crânios daquelas almas com educação sexual, seja lá o que isso for, para além dum capítulo banal da biologia humana, incluindo claro os diagramas necessários para exemplicar a mecânica do «truca-truca».
É perigoso pensar que um Estado que deixou corromper dezenas ou centenas ou milhares de crianças e adolescentes na Casa Pia e em outras instituições vá agora ocupar-se da educação sexual dos restantes.