O Impertinente ainda está a trabalhar na resposta a esta pergunta dilacerante. Temos que aguardar pela Tese nº 4.
Entretanto, podemos conhecer mais uma entrada, muito oportuna como se verá, para o Glossário: Maninfestação.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
26/11/2003
25/11/2003
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: A montra alfarrabista da estação marcelista.
Secção Res ipsa loquitor
Se os primeiros meses do (des)consolado do Prof. Marcello Caetano, com dois "l", foram chamados de primavera marcellista, é justo que se diga, a propósito do seu afilhado prof. Marcelo Rebelo de Sousa, só com um “L”, que ocupa todo o ano uma só estação, que transformou a TVI na estação marcelista, só com um “L.
O Impertinente é, desde há muito, um admirador do prof. Marcelo só com um “L”, principalmente da sua costela de criador de factos políticos, costela injustamente chamada intriguista por alguns invejosos.
Contudo, há sempre um contudo, que no caso é a progressiva transformação da sua brilhante prestação televisiva numa montra de alfarrabista. Avia livros sobre tudo e mais alguma coisa: o golfe, o vinho do porto, a aldeia de Carrazeda de Ansiães, Lisboa antiga, Lisboa moderna, a zona ribeirinha do Porto, as caves de Gaia, e o diabo a sete.
Não ponho em dúvida que o prof. leia toda aquela imensa parafernália editorial – afinal ele não dorme. Também, nem no duche, me ocorre que o prof. receba umas propinas dos autores ou editores – afinal o prof., além de não parecer do género colector de propina, não precisa dela.
Mas o que procura o prof. Marcelo? Que impulso interior pode levá-lo a enfiar compulsivamente, todos os domingos, tanto metro de prateleira pelas goelas da câmara?
Será levado pelo mesmo impulso do Dr. Pacheco Pereira de nos deslumbrar com a sua erudição? Não parece. Afinal, ao contrário do Dr. Pacheco Pereira que, pelo estilo e pelo discurso, a gente ouve com um silêncio respeitoso, como se estivéssemos numa biblioteca com as paredes apaineladas de carvalho, o Prof. Marcelo, pelo estilo e pelo discurso, convoca mais o nosso instinto de basbaques de feira, inscrito no fundo da matriz popular lusa.
É um mistério. É mais fácil Cristo voltar à terra do que decifrá-lo.
Seja como for, o Prof. Marcelo merece alguns bourbons, porque sempre foi assim, desde os tempos em que se metia debaixo da cama da avó e a abanava simulando um terramoto e assustando a pobre senhora, até aos tempos mais recentes em que chamava com ternura mal disfarçada Lélé da Cuca ao Dr. Balsemão. Não sei quantos bourbons, porque não faço ideia se Cristo ainda vai demorar muito. O Impertinente leva 2 chateaubriands, por não conseguir decifrar a mente ladina do Prof.
Se os primeiros meses do (des)consolado do Prof. Marcello Caetano, com dois "l", foram chamados de primavera marcellista, é justo que se diga, a propósito do seu afilhado prof. Marcelo Rebelo de Sousa, só com um “L”, que ocupa todo o ano uma só estação, que transformou a TVI na estação marcelista, só com um “L.
O Impertinente é, desde há muito, um admirador do prof. Marcelo só com um “L”, principalmente da sua costela de criador de factos políticos, costela injustamente chamada intriguista por alguns invejosos.
Contudo, há sempre um contudo, que no caso é a progressiva transformação da sua brilhante prestação televisiva numa montra de alfarrabista. Avia livros sobre tudo e mais alguma coisa: o golfe, o vinho do porto, a aldeia de Carrazeda de Ansiães, Lisboa antiga, Lisboa moderna, a zona ribeirinha do Porto, as caves de Gaia, e o diabo a sete.
Não ponho em dúvida que o prof. leia toda aquela imensa parafernália editorial – afinal ele não dorme. Também, nem no duche, me ocorre que o prof. receba umas propinas dos autores ou editores – afinal o prof., além de não parecer do género colector de propina, não precisa dela.
Mas o que procura o prof. Marcelo? Que impulso interior pode levá-lo a enfiar compulsivamente, todos os domingos, tanto metro de prateleira pelas goelas da câmara?
Será levado pelo mesmo impulso do Dr. Pacheco Pereira de nos deslumbrar com a sua erudição? Não parece. Afinal, ao contrário do Dr. Pacheco Pereira que, pelo estilo e pelo discurso, a gente ouve com um silêncio respeitoso, como se estivéssemos numa biblioteca com as paredes apaineladas de carvalho, o Prof. Marcelo, pelo estilo e pelo discurso, convoca mais o nosso instinto de basbaques de feira, inscrito no fundo da matriz popular lusa.
É um mistério. É mais fácil Cristo voltar à terra do que decifrá-lo.
Seja como for, o Prof. Marcelo merece alguns bourbons, porque sempre foi assim, desde os tempos em que se metia debaixo da cama da avó e a abanava simulando um terramoto e assustando a pobre senhora, até aos tempos mais recentes em que chamava com ternura mal disfarçada Lélé da Cuca ao Dr. Balsemão. Não sei quantos bourbons, porque não faço ideia se Cristo ainda vai demorar muito. O Impertinente leva 2 chateaubriands, por não conseguir decifrar a mente ladina do Prof.
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Os barões também se abatem?
Secção Tiros nos pés
Há algum tempo, o Central Banco de Investimento (CBI), um banco participado pelas Caixas de Crédito Agrícola Mútuo, cozinhou uma operação de engenharia financeira para esconder prejuízos, neste caso mais de cosmética contabilística, cujo desfecho foi de facto adicionar novos prejuízos.
Oito administradores do CBI que decidiram essa operação, incluindo o seu antigo presidente Dr. Tavares Moreira, uma luminária do PSD, e seu porta-voz habitual para as questões económicas, foram agora punidos pelo Banco de Portugal com a inibição de exercer funções de gestão em instituições de crédito durante sete anos, e pagar 100 mil euros de multa cada.
Não é muito vulgar uma instituição deste país ir às lonas de sumidades, muito menos quando elas acumulam com o baronato numa das agências de emprego, na circunstância, uma que faz parte do poder em exercício.
Para as sumidades vão 5 ignóbeis. Para a administração do BP e, em particular, para o antigo prof. do Impertinente, Dr. Vítor Constâncio, vão 3 afonsos, ficando de reserva mais 2 se resistirem ao que virá a seguir.
Há algum tempo, o Central Banco de Investimento (CBI), um banco participado pelas Caixas de Crédito Agrícola Mútuo, cozinhou uma operação de engenharia financeira para esconder prejuízos, neste caso mais de cosmética contabilística, cujo desfecho foi de facto adicionar novos prejuízos.
Oito administradores do CBI que decidiram essa operação, incluindo o seu antigo presidente Dr. Tavares Moreira, uma luminária do PSD, e seu porta-voz habitual para as questões económicas, foram agora punidos pelo Banco de Portugal com a inibição de exercer funções de gestão em instituições de crédito durante sete anos, e pagar 100 mil euros de multa cada.
Não é muito vulgar uma instituição deste país ir às lonas de sumidades, muito menos quando elas acumulam com o baronato numa das agências de emprego, na circunstância, uma que faz parte do poder em exercício.
Para as sumidades vão 5 ignóbeis. Para a administração do BP e, em particular, para o antigo prof. do Impertinente, Dr. Vítor Constâncio, vão 3 afonsos, ficando de reserva mais 2 se resistirem ao que virá a seguir.
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Quem melhor que o grossista da pedofilia para nos ensinar a educar os nossos filhos?
Secção Perguntas impertinentes
O Comité dos Direitos das Crianças recomendou a proibição pelos governos dos castigos corporais das crianças, inclusive pelos pais. A Dona Dulce Rocha, presidente da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco, mal tinha encerrada a conferência internacional sobre o “Abuso Sexual de Crianças” realizada em Lisboa (não, não foi na Casa Pia), apressou-se a comunicar que a sua comissão vai propor ao governo a aplicação dessa recomendação.
Esqueço, por agora, a dilema existencial que costuma surgir nos crânios dos emplastros que nunca tiveram filhos, e talvez até nunca tenham sido filhos, a saber: quando um nosso filho faz borrada devemos cantar com ele em coro we don’t need education dos Who ou devemos fazer leituras em voz alta do Dr. Spock?
Por agora, o Impertinente apenas deixa no ar algumas perguntas to whom it may concern:
- Devemos permitir que um Estado que durante décadas deu (e dá) guarida, protecção e emprego a pedófilos e foi (é?) grossista no mercado da pedofilia, nos ensine como devemos criar os nossos filhos?
- Podemos permitir que esse mesmo Estado, que durante outras tantas décadas usou a escola lúdica, local de eleição da disciplina consentida, para tentar, frequentemente com sucesso, transformar os nossos filhos em idiotas iletrados, regulamente as galhetas que lhes damos?
Enquanto não nos respondem, e aproveitando a boleia do dono do Dicionário do Diabo, que contrapôs, n’O Independente da semana passada, à ideia dos rapazes do radical chic de baixar para 16 anos a idade mínima dos eleitores, em vez disso, aumentá-la para 21 anos, por razões que ele explica e qualquer criatura cuja mente não se tenha evadido percebe perfeitamente, aproveitando a boleia, dizia deu, proponho a extensão do exercício da autoridade paternal, com uso apropriado de galhetas, até à idade do voto.
Deixando de paródia, a coisa só não é inquietante, porque, mesmo que as ideias da Dona Dulce tenham provimento, será sempre mais uma lei a juntar a tantas outras que se esgotam com a ejaculação do órgão legislativo.
Para a Dona Dulce vão 5 merecidos chateaubriands, e para o futuro ejaculante órgão legislativo vão 3 ignóbeis adiantados.
O Comité dos Direitos das Crianças recomendou a proibição pelos governos dos castigos corporais das crianças, inclusive pelos pais. A Dona Dulce Rocha, presidente da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco, mal tinha encerrada a conferência internacional sobre o “Abuso Sexual de Crianças” realizada em Lisboa (não, não foi na Casa Pia), apressou-se a comunicar que a sua comissão vai propor ao governo a aplicação dessa recomendação.
Esqueço, por agora, a dilema existencial que costuma surgir nos crânios dos emplastros que nunca tiveram filhos, e talvez até nunca tenham sido filhos, a saber: quando um nosso filho faz borrada devemos cantar com ele em coro we don’t need education dos Who ou devemos fazer leituras em voz alta do Dr. Spock?
Por agora, o Impertinente apenas deixa no ar algumas perguntas to whom it may concern:
- Devemos permitir que um Estado que durante décadas deu (e dá) guarida, protecção e emprego a pedófilos e foi (é?) grossista no mercado da pedofilia, nos ensine como devemos criar os nossos filhos?
- Podemos permitir que esse mesmo Estado, que durante outras tantas décadas usou a escola lúdica, local de eleição da disciplina consentida, para tentar, frequentemente com sucesso, transformar os nossos filhos em idiotas iletrados, regulamente as galhetas que lhes damos?
Enquanto não nos respondem, e aproveitando a boleia do dono do Dicionário do Diabo, que contrapôs, n’O Independente da semana passada, à ideia dos rapazes do radical chic de baixar para 16 anos a idade mínima dos eleitores, em vez disso, aumentá-la para 21 anos, por razões que ele explica e qualquer criatura cuja mente não se tenha evadido percebe perfeitamente, aproveitando a boleia, dizia deu, proponho a extensão do exercício da autoridade paternal, com uso apropriado de galhetas, até à idade do voto.
Deixando de paródia, a coisa só não é inquietante, porque, mesmo que as ideias da Dona Dulce tenham provimento, será sempre mais uma lei a juntar a tantas outras que se esgotam com a ejaculação do órgão legislativo.
Para a Dona Dulce vão 5 merecidos chateaubriands, e para o futuro ejaculante órgão legislativo vão 3 ignóbeis adiantados.
24/11/2003
DIÁRIO DE BORDO: O papel higiénico fica bem na 1º página do semanário do saco.
O Impertinente ainda não descontou, como se diz no mercado de capitais, a descida anterior de um degrau para o inferno tablóide, a que se dirige alegremente o Expresso, já o semanário do saco de plástico pisa o seguinte.
Desta vez, foi a foto na 1ª da página, do 1º dos 323 cadernos, do anúncio da Renova com um marmanjo com as cuecas a caírem, uma marafona pendurada nas traseiras do marmanjo, e no fundo uma latrina com um erótico papel higiénico no chão, o que faz dele um papel não higiénico.
A coisa é tão completamente gratuita, que dá para pensar não ser gratuita. Quer com isto o Impertinente dizer que pensou com os seus botões que talvez a Renova tenha pago ao saco de plástico, ou a um dos seus empregados, para botar aquela trampa – designação absolutamente apropriada neste cenário – na 1ª página. Não satisfeitos com a 1ª página do 1º caderno, os do saco de plástico reincidiram no 2º caderno com mais uma fotos explicando que em França a coisa tinha causado escândalo.
Não se percebe porquê o escândalo. Piedade talvez. Piedade por um semanário que se pretende de referência, que se rendeu às funções zingarilho - quanto mais fala em ética, mais se prostitui. Era um semanário mediano no género bom. E, pouco a pouco, transformou-se num semanário mau, no género mau.
Desta vez, foi a foto na 1ª da página, do 1º dos 323 cadernos, do anúncio da Renova com um marmanjo com as cuecas a caírem, uma marafona pendurada nas traseiras do marmanjo, e no fundo uma latrina com um erótico papel higiénico no chão, o que faz dele um papel não higiénico.
A coisa é tão completamente gratuita, que dá para pensar não ser gratuita. Quer com isto o Impertinente dizer que pensou com os seus botões que talvez a Renova tenha pago ao saco de plástico, ou a um dos seus empregados, para botar aquela trampa – designação absolutamente apropriada neste cenário – na 1ª página. Não satisfeitos com a 1ª página do 1º caderno, os do saco de plástico reincidiram no 2º caderno com mais uma fotos explicando que em França a coisa tinha causado escândalo.
Não se percebe porquê o escândalo. Piedade talvez. Piedade por um semanário que se pretende de referência, que se rendeu às funções zingarilho - quanto mais fala em ética, mais se prostitui. Era um semanário mediano no género bom. E, pouco a pouco, transformou-se num semanário mau, no género mau.
NOVA ENTRADA PARA O GLOSSÁRIO DAS IMPERTINÊNCIAS: Ejaculação do órgão legislativo.
Uma Avaliação Contínua que o Impertinente tem em curso, exigiu a produção dum novo termo para o Glossário das Impertinências, ou, se preferirem, exigiu uma nova ejaculação teórica.
Ejaculação do órgão legislativo
Tal como o macho, em muitas espécies, termina o seu papel face aos nascituros, futura prole, com o disparo genital, assim a assembleia da república com as suas leis, o governo com os seus decretos-lei, decretos, decretos regulamentares, portarias, e as câmaras municipais, que tal como as galinhas, fazem posturas, terminam o seu papel com o diploma ejaculado. A este acto podemos, com toda a propriedade, chamar ejaculação do órgão legislativo, que costuma produzir esperma infértil e com bichinhos sem cabeça, à imagem do órgão.
Ejaculação do órgão legislativo
Tal como o macho, em muitas espécies, termina o seu papel face aos nascituros, futura prole, com o disparo genital, assim a assembleia da república com as suas leis, o governo com os seus decretos-lei, decretos, decretos regulamentares, portarias, e as câmaras municipais, que tal como as galinhas, fazem posturas, terminam o seu papel com o diploma ejaculado. A este acto podemos, com toda a propriedade, chamar ejaculação do órgão legislativo, que costuma produzir esperma infértil e com bichinhos sem cabeça, à imagem do órgão.
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Amostras exasperantes e uma bela sova no radical chic.
A propósito da Blogaridade sobre as dúvidas do barnabé quanto a renovar a assinatura do Economist, prometi revelar algumas amostras sortidas deste monumento ao bom jornalismo profissional. Aqui vão hoje duas, possivelmente exasperantes para um barnabé.
Frases assassinas
Interrogando-se sobre as aparentes contradições dos lideres europeus que açoitam a administração americana pela intervenção no Iraque, depois de a terem verberado pela retirada da Somália em 1994, pela acção tardia nos Balcãs, por terem “permitido” aos Talibã tomarem o poder no Afeganistão, e ainda por só recentemente enviarem tropas para a Libéria, o Economist escreveu:
Uma resposta para esta última questão é que a incoerência é um dos luxos da impotência. Os que não podem, ou não querem, assumir as suas responsabilidades sentem-se à vontade para atirar sobre quem as assume.
(Greatest danger, or greatest hope? Nov 8th)
Por esta sentença politicamente incorrecta, o Economist merece 3 afonsos.
Secção George Orwell
Comentando a aparente falta de interesse dos governos sobre o tema vital do aquecimento global e a ausência de progressos nos trabalhos do Intergovernmental Panel on Climate Change, o Economic Focus (Hot potato revisited, Nov 8th) aborda a aparente falta de competência do painel composto por uma horda de autoridades recrutada num meio profissional muito limitado, que não inclui os saberes económicos e estatísticos necessários.
O produto dessas mentes pode avaliar-se pelas projecções catastrofistas para o aquecimento global. Essas projecções são baseadas em premissas tão lunáticas que, mesmo no cenário mais optimista, isto é com menores emissões, no final deste século a África do Sul, a Argélia, a Argentina, a Líbia, a Turquia e a Coreia do Norte teriam um PIB per capita superior ao dos Estados Unidos, conclui o jornalista.
De passagem, conclui o Impertinente, regista-se aqui mais um fenómeno de contaminação da ciência pela ideologia. Lá no inferno onde ardem Lenine e Estaline, adivinham-se murmúrios de aprovação.
Razão teve George Orwell quando disse que há ideias e opiniões tão obviamente idiotas que é preciso ser-se um intelectual para se acreditar nelas.
Dois afonsos para o George, outros tantos para o Economist, e 5 chateaubriands para os painelistas do IPCC.
Secção George Orwell (bis)
E já que estamos nesta Secção, vem a propósito remeter o leitor acidental para o massacre, levado a cabo pelo Contra a Corrente no passado dia 21, das teses dominantes na esquerdalhada e, em particular, nas capelas do radical chic sobre as origens e raison d’être do terrorismo islâmico.
Para a infantaria do politicamente correcto e a cavalaria do radical chic vão 5 chateaubriands e mais 5 bourbons para os que já estão fase do esquerdismo senil. Ficam reservados bourbons para os que, não se emendando antes de terem direito a descontos nos transportes públicos, forem admitidos na dita classe de esquerdismo.
Frases assassinas
Interrogando-se sobre as aparentes contradições dos lideres europeus que açoitam a administração americana pela intervenção no Iraque, depois de a terem verberado pela retirada da Somália em 1994, pela acção tardia nos Balcãs, por terem “permitido” aos Talibã tomarem o poder no Afeganistão, e ainda por só recentemente enviarem tropas para a Libéria, o Economist escreveu:
Uma resposta para esta última questão é que a incoerência é um dos luxos da impotência. Os que não podem, ou não querem, assumir as suas responsabilidades sentem-se à vontade para atirar sobre quem as assume.
(Greatest danger, or greatest hope? Nov 8th)
Por esta sentença politicamente incorrecta, o Economist merece 3 afonsos.
Secção George Orwell
Comentando a aparente falta de interesse dos governos sobre o tema vital do aquecimento global e a ausência de progressos nos trabalhos do Intergovernmental Panel on Climate Change, o Economic Focus (Hot potato revisited, Nov 8th) aborda a aparente falta de competência do painel composto por uma horda de autoridades recrutada num meio profissional muito limitado, que não inclui os saberes económicos e estatísticos necessários.
O produto dessas mentes pode avaliar-se pelas projecções catastrofistas para o aquecimento global. Essas projecções são baseadas em premissas tão lunáticas que, mesmo no cenário mais optimista, isto é com menores emissões, no final deste século a África do Sul, a Argélia, a Argentina, a Líbia, a Turquia e a Coreia do Norte teriam um PIB per capita superior ao dos Estados Unidos, conclui o jornalista.
De passagem, conclui o Impertinente, regista-se aqui mais um fenómeno de contaminação da ciência pela ideologia. Lá no inferno onde ardem Lenine e Estaline, adivinham-se murmúrios de aprovação.
Razão teve George Orwell quando disse que há ideias e opiniões tão obviamente idiotas que é preciso ser-se um intelectual para se acreditar nelas.
Dois afonsos para o George, outros tantos para o Economist, e 5 chateaubriands para os painelistas do IPCC.
Secção George Orwell (bis)
E já que estamos nesta Secção, vem a propósito remeter o leitor acidental para o massacre, levado a cabo pelo Contra a Corrente no passado dia 21, das teses dominantes na esquerdalhada e, em particular, nas capelas do radical chic sobre as origens e raison d’être do terrorismo islâmico.
Para a infantaria do politicamente correcto e a cavalaria do radical chic vão 5 chateaubriands e mais 5 bourbons para os que já estão fase do esquerdismo senil. Ficam reservados bourbons para os que, não se emendando antes de terem direito a descontos nos transportes públicos, forem admitidos na dita classe de esquerdismo.
23/11/2003
CONDIÇÃO MASCULINA: A diferença fundamental não é óbvia?
Não há nenhuma diferença entre homens e mulheres (além das óbvias, naturais e bem-vindas); há uma diferença fundamental entre pessoas medíocres e pessoas inteligentes, escreveu ontem a Bomba Inteligente.
Ao ler estas declarações sobre matéria de fé, o Impertinente disse para os seus botões: uma das grandes realizações do machismo foi conseguir que a condição feminina aceitasse a superioridade do modelo masculino, acreditando que a ascensão a esse patamar superior da humanidade exigiria negar as diferenças, excepto, claro as óbvias, naturais e bem-vindas. Talvez os militantes da condição feminina devessem valorizar as diferenças não óbvias e naturais, que estas, por definição, não precisam de ser valorizadas e, muito menos, precisam de ser bem-vindas, porque sempre cá estiveram e sempre cá estarão, se a engenharia genética não for usada para criar Frankensteins e She-Frankensteins.
O dogma desta religião igualitária resulta duma confusão irremediável, talvez fácil de ocorrer em quem não tem filhos ou só os tem mesmo género, ou para quem só vê os diferentes géneros aos domingos. Seja como for, quem tem as responsabilidades de ser mãe ou pai, de filhos do mesmo género ou de géneros diferentes, pode ser praticante, mas terá pouca vocação, e pouco tempo, para o sacerdócio, que nesta religião está confiado a celibatários ou casais sem filhos, a gays, lésbicas, bissexuais ou praticantes de sexo itinerante e aos cultores do politicamente correcto.
O resto da humanidade fraqueja na sua fé. Mas para as criaturas, com um módico de bom senso, que tenham criado filhos machos e fêmeas, ser sacerdote está fora de causa e até fica difícil ser fiel duma religião todos os dias contraditada pela observação da profunda diferença não óbvia entre os géneros.
Os casos irredutíveis resultam duma mente empanzinada com ideologia e preconceitos, ou da sua inflamação com os axiomas do politicamente correcto. O Impertinente tem um amigo cuja filha antropóloga - uma das áreas preferidas para o pouso do emplastro - só ficou com a sua fé abalada quando, a seguir a uma filha, teve um filho e, apesar dos seus esforços igualizadores, foi sucumbindo às persistentes diferenças de género, constantemente presentes nos interesses, nas emoções, na sua expressão, nos jogos, na relação entre si, com os pais e com toda a gente.
E qual o problema da diferença óbvia e não óbvia? Nenhum.
Onde talvez haja um problema é no dito da diferença entre pessoas medíocres e pessoas inteligentes. Mais exactamente, no não dito. O que é a inteligência? Há uma coisa chamada “a” inteligência? Um prémio Nobel da Física é mais inteligente do que um pintor? Um jogador de futebol medíocre é mais medíocre do que um escritor falhado? Qual é a diferença entre um bailarino falhado e um cineasta medíocre? Um filósofo de café é mais inteligente do que um competente gestor de empresas? Um intelectual de tertúlia que nunca mexeu uma palha é inteligente porque articula a vacuidade com elegância? Um engenheiro de sistemas é medíocre porque nunca leu Proust?
Mas esta é outra conversa que não cabe na Condição Masculina.
Ao ler estas declarações sobre matéria de fé, o Impertinente disse para os seus botões: uma das grandes realizações do machismo foi conseguir que a condição feminina aceitasse a superioridade do modelo masculino, acreditando que a ascensão a esse patamar superior da humanidade exigiria negar as diferenças, excepto, claro as óbvias, naturais e bem-vindas. Talvez os militantes da condição feminina devessem valorizar as diferenças não óbvias e naturais, que estas, por definição, não precisam de ser valorizadas e, muito menos, precisam de ser bem-vindas, porque sempre cá estiveram e sempre cá estarão, se a engenharia genética não for usada para criar Frankensteins e She-Frankensteins.
O dogma desta religião igualitária resulta duma confusão irremediável, talvez fácil de ocorrer em quem não tem filhos ou só os tem mesmo género, ou para quem só vê os diferentes géneros aos domingos. Seja como for, quem tem as responsabilidades de ser mãe ou pai, de filhos do mesmo género ou de géneros diferentes, pode ser praticante, mas terá pouca vocação, e pouco tempo, para o sacerdócio, que nesta religião está confiado a celibatários ou casais sem filhos, a gays, lésbicas, bissexuais ou praticantes de sexo itinerante e aos cultores do politicamente correcto.
O resto da humanidade fraqueja na sua fé. Mas para as criaturas, com um módico de bom senso, que tenham criado filhos machos e fêmeas, ser sacerdote está fora de causa e até fica difícil ser fiel duma religião todos os dias contraditada pela observação da profunda diferença não óbvia entre os géneros.
Os casos irredutíveis resultam duma mente empanzinada com ideologia e preconceitos, ou da sua inflamação com os axiomas do politicamente correcto. O Impertinente tem um amigo cuja filha antropóloga - uma das áreas preferidas para o pouso do emplastro - só ficou com a sua fé abalada quando, a seguir a uma filha, teve um filho e, apesar dos seus esforços igualizadores, foi sucumbindo às persistentes diferenças de género, constantemente presentes nos interesses, nas emoções, na sua expressão, nos jogos, na relação entre si, com os pais e com toda a gente.
E qual o problema da diferença óbvia e não óbvia? Nenhum.
Onde talvez haja um problema é no dito da diferença entre pessoas medíocres e pessoas inteligentes. Mais exactamente, no não dito. O que é a inteligência? Há uma coisa chamada “a” inteligência? Um prémio Nobel da Física é mais inteligente do que um pintor? Um jogador de futebol medíocre é mais medíocre do que um escritor falhado? Qual é a diferença entre um bailarino falhado e um cineasta medíocre? Um filósofo de café é mais inteligente do que um competente gestor de empresas? Um intelectual de tertúlia que nunca mexeu uma palha é inteligente porque articula a vacuidade com elegância? Um engenheiro de sistemas é medíocre porque nunca leu Proust?
Mas esta é outra conversa que não cabe na Condição Masculina.
22/11/2003
BLOGARIDADES: Trocar o Economist pela Newsweek? Se me contassem não acreditaria.
Numa navegação de ontem pelos rios da bloguilha fui desaguar a um barnabé que se pergunta o que é que tem diferente dos outros?
Como o Impertinente tinha lá chegado para tentar perceber porque se inquietava a alma do barnabé com a renovação da assinatura do Economist , confesso que tive a premonição da sua diferença, quero dizer do que estava errado com o barnabé: um ser que se interrogava sobre a renovação - a re-novação, note-se - da sua assinatura da melhor revista de economia, finanças e etc.
Ainda admiti emprestar os 219,50 euros para a criatura renovar por dois anos, se fosse caso de falta de fundos. Mas não era. É uma falta de fundo.
Começa o barnabé por confessar-se vítima de deriva esquerdizante. A admissão da doença é às vezes o princípio da cura, pensei. Ao continuar, vi que estava enganado.
Trata-se de não aguentar mais a lenga-lenga beata sobre os mercados livres como a panaceia para todos os males, diz ele. Isto é escrito por um português, supõe-se, em Portugal, um dos países com maior aversão ao risco, aos mercados, à iniciativa privada ou pública, com uma devoção doentia pelo proteccionismo e pelo conforto do ventre acolhedor da vaca marsupial pública. Uma prosa destas é chover no molhado, como diz o povo.
Em troca, o barnabé propõe-se assinar o quê? Spectator, New Yorker, ou similares? Não era grande ideia, mas assim, como assim, antes fosse. Não. Pensa passar-se para assinante da Newsweek – a revista do Powell, de acordo com barnabé.
Por tudo isto, a parte má do Impertinente levou-o ao sítio do barnabé deixar lá uma pitada de veneno:
O seu é um caso de cegueira esquerdizante?
Para quem lê regularmente o Economist, o que escreveu é um insulto à inteligência.
Para não conhece o Economist é manipulação da ignorância.
Se algum dia o jornalismo português conseguisse criar uma revista assim, Portugal passaria directamente à divisão de honra.
Por estas e por outras, um dia destes vou começar a expôr, para quem não conhece o Economist, algumas pequeníssimas amostras das peças de jornalismo da melhor revista de economia, finanças e etc. – provavelmente.
Como o Impertinente tinha lá chegado para tentar perceber porque se inquietava a alma do barnabé com a renovação da assinatura do Economist , confesso que tive a premonição da sua diferença, quero dizer do que estava errado com o barnabé: um ser que se interrogava sobre a renovação - a re-novação, note-se - da sua assinatura da melhor revista de economia, finanças e etc.
Ainda admiti emprestar os 219,50 euros para a criatura renovar por dois anos, se fosse caso de falta de fundos. Mas não era. É uma falta de fundo.
Começa o barnabé por confessar-se vítima de deriva esquerdizante. A admissão da doença é às vezes o princípio da cura, pensei. Ao continuar, vi que estava enganado.
Trata-se de não aguentar mais a lenga-lenga beata sobre os mercados livres como a panaceia para todos os males, diz ele. Isto é escrito por um português, supõe-se, em Portugal, um dos países com maior aversão ao risco, aos mercados, à iniciativa privada ou pública, com uma devoção doentia pelo proteccionismo e pelo conforto do ventre acolhedor da vaca marsupial pública. Uma prosa destas é chover no molhado, como diz o povo.
Em troca, o barnabé propõe-se assinar o quê? Spectator, New Yorker, ou similares? Não era grande ideia, mas assim, como assim, antes fosse. Não. Pensa passar-se para assinante da Newsweek – a revista do Powell, de acordo com barnabé.
Por tudo isto, a parte má do Impertinente levou-o ao sítio do barnabé deixar lá uma pitada de veneno:
O seu é um caso de cegueira esquerdizante?
Para quem lê regularmente o Economist, o que escreveu é um insulto à inteligência.
Para não conhece o Economist é manipulação da ignorância.
Se algum dia o jornalismo português conseguisse criar uma revista assim, Portugal passaria directamente à divisão de honra.
Por estas e por outras, um dia destes vou começar a expôr, para quem não conhece o Economist, algumas pequeníssimas amostras das peças de jornalismo da melhor revista de economia, finanças e etc. – provavelmente.
21/11/2003
CASE STUDY: Como aumentar o PIB (quase) sem dor.
Todos sabemos, ou alguns sabem, sei lá, que para aumentar o PIB há três vias, todas elas dolorosas, que se podem combinar de 7 modos diferentes. As 3 vias, são:
* Pôr mais criaturas a dar corda aos sapatos – dor para os novos explorados e oprimidos
* Pôr as mesmas criaturas a dar mais corda aos sapatos – mais dor para os antigos
* Aprender a dar corda aos sapatos, como deve ser – uma dor de cabeça para todos, explorados e exploradores, oprimidos e opressores.
Se é verdade que a junção das 3 vias dá um auto-estrada para o desenvolvimento, também não é mentira que é um sofrimento geral do caraças.
Mas os deuses da economia vêm em nosso socorro, abrindo uma janela de oportunidade para evitarmos as vias dolorosas no próximo ano que, diz o governo, será o princípio duma grande felicidade económica e, receia a oposição, que até poderá parecer.
Como assim?
Assim:
+ O ano de 2004 é um ano bissexto
+ O Dia da Liberdade (25-04) calha a um domingo
+ O Dia do Trabalhador (01-05) calha a um sábado
+ O Dia da Pátria (10-06) coincide com o Dia de Corpo de Deus
+ O Dia de Stº António (13-06) calha a um domingo
+ O Dia da Assunção de Nossa Senhora (15-08) calha a um domingo
+ O Natal calha a um sábado
+ O dia 1 de Janeiro de 2005 calha a um sábado
São ao todo mais 7 dias ou, em relação à média, mais 5 dias para trabalhar do que num ano “normal”.
Uma criatura “normal”, supondo que exista esse ser, dos 250 dias trabalháveis por ano, está férias 20 e doente outros tantos. Abatendo os dias das pontes, os dias para entregar o IRS, ir ao funeral da sogra (uhf!), os dias em que fica em casa para levar o cachorro ao veterinário ou mandar capar o gato, etc., fica o máximo duns 200 dias produtivos.
Os 5-dias-5 extra em 2004 permitirão assim um aumento de 2,5% do PIB, sem se dar por isso.
* Pôr mais criaturas a dar corda aos sapatos – dor para os novos explorados e oprimidos
* Pôr as mesmas criaturas a dar mais corda aos sapatos – mais dor para os antigos
* Aprender a dar corda aos sapatos, como deve ser – uma dor de cabeça para todos, explorados e exploradores, oprimidos e opressores.
Se é verdade que a junção das 3 vias dá um auto-estrada para o desenvolvimento, também não é mentira que é um sofrimento geral do caraças.
Mas os deuses da economia vêm em nosso socorro, abrindo uma janela de oportunidade para evitarmos as vias dolorosas no próximo ano que, diz o governo, será o princípio duma grande felicidade económica e, receia a oposição, que até poderá parecer.
Como assim?
Assim:
+ O ano de 2004 é um ano bissexto
+ O Dia da Liberdade (25-04) calha a um domingo
+ O Dia do Trabalhador (01-05) calha a um sábado
+ O Dia da Pátria (10-06) coincide com o Dia de Corpo de Deus
+ O Dia de Stº António (13-06) calha a um domingo
+ O Dia da Assunção de Nossa Senhora (15-08) calha a um domingo
+ O Natal calha a um sábado
+ O dia 1 de Janeiro de 2005 calha a um sábado
São ao todo mais 7 dias ou, em relação à média, mais 5 dias para trabalhar do que num ano “normal”.
Uma criatura “normal”, supondo que exista esse ser, dos 250 dias trabalháveis por ano, está férias 20 e doente outros tantos. Abatendo os dias das pontes, os dias para entregar o IRS, ir ao funeral da sogra (uhf!), os dias em que fica em casa para levar o cachorro ao veterinário ou mandar capar o gato, etc., fica o máximo duns 200 dias produtivos.
Os 5-dias-5 extra em 2004 permitirão assim um aumento de 2,5% do PIB, sem se dar por isso.
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um cardeal pode ser mais teso do que um comunista disfarçado de democrata.
Secção Albergue espanhol
No dia dos funerais dos caribinieri assassinados em Nassiriah o cardeal Camillo Ruini, presidente da Conferência Episcopal italiana disse que a Itália não deve e não pode fugir do Iraque, não se deve amedrontar com os terroristas assassinos, mas enfrentá-los com coragem, determinação e com toda a energia de que é capaz.
A esquerdalhada hipocritamente à boleia da Igreja na condenação da intervenção da coligação anglo-americana no Iraque, disse, pela boca de Pietro Folena, do partido comunista agora rebaptizado de DS, não é da competência de Ruini intervir sobre a missão italiana no Iraque, mas sim do Parlamento. Ah, ah, ah.
Três afonsos para a coragem politicamente incorrecta do Cardeal Ruini e dois chateaubriands e dois ignóbeis para o porta-voz da esquerdalhada.
No dia dos funerais dos caribinieri assassinados em Nassiriah o cardeal Camillo Ruini, presidente da Conferência Episcopal italiana disse que a Itália não deve e não pode fugir do Iraque, não se deve amedrontar com os terroristas assassinos, mas enfrentá-los com coragem, determinação e com toda a energia de que é capaz.
A esquerdalhada hipocritamente à boleia da Igreja na condenação da intervenção da coligação anglo-americana no Iraque, disse, pela boca de Pietro Folena, do partido comunista agora rebaptizado de DS, não é da competência de Ruini intervir sobre a missão italiana no Iraque, mas sim do Parlamento. Ah, ah, ah.
Três afonsos para a coragem politicamente incorrecta do Cardeal Ruini e dois chateaubriands e dois ignóbeis para o porta-voz da esquerdalhada.
20/11/2003
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Aditamentos ao exame ad hoc dos sub-21.
A pedido de vários leitores, acidentais uns, assinantes outros, o Impertinente vê-se obrigado a fazer os seguintes aditamentos ao exame ad hoc do França-Portugal:
Agradecimento aos nossos mais antigos aliados cujo representante na arbitragem não validou um golo limpinho da França, e que por isso ganha dois afonsos e um pilatos (por ter olhado para o lado).
Cinco afonsos para o lagarto Mário Sérgio que, debaixo duma chuva de vis apupos da plebe gaulesa, se ofereceu para marcar uma das humilhações.
Cinco ignóbeis para o jogador francês, espèce de cocu emmerdant, que atirou uma garrafa de cerveja a um dos nossos rapazes que festejava a vitória dos magriços sobre aquele tribo merdosa.
Dois ignóbeis para o Impertinente que escreveu alfaias galesas, quando, que se saiba, não havia trastes no balneário importados do País de Gales.
Agradecimento aos nossos mais antigos aliados cujo representante na arbitragem não validou um golo limpinho da França, e que por isso ganha dois afonsos e um pilatos (por ter olhado para o lado).
Cinco afonsos para o lagarto Mário Sérgio que, debaixo duma chuva de vis apupos da plebe gaulesa, se ofereceu para marcar uma das humilhações.
Cinco ignóbeis para o jogador francês, espèce de cocu emmerdant, que atirou uma garrafa de cerveja a um dos nossos rapazes que festejava a vitória dos magriços sobre aquele tribo merdosa.
Dois ignóbeis para o Impertinente que escreveu alfaias galesas, quando, que se saiba, não havia trastes no balneário importados do País de Gales.
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Onde se começa bem com os pés, se acaba mal com a cabeça, e se pergunta o imperguntável.
Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro
Os nossos rapazes dos sub-21, não jogaram grande coisa, mas com a preciosa ajuda da avantesma Djibril Cissé, expulsa à custa de aviar com o sarrafo nas polainas dum dos nossos meninos, fizeram aquela espécie pedante que vive na Gália engolir a arrogância.
Foi assim que os rapazes ganharam o jogo de pés. Mas perderam no jogo de cabeça, quando voltaram aos balneários e se transformaram, por seu turno, em avantesmas, partindo os trates e as alfaias galesas que por lá se encontravam.
Isto já era bastante mau, mas, assim o postulam as leis de Murphy, nada está tão mau que não possa ficar ainda pior. Foi o que aconteceu, com os insultos à inteligência de quem o ouviu, ao treinador Zé Romão a explicar o sucedido.
Para os rapazes 4 afonsos pela humilhação dos gauleses e 2 ignóbeis pela bagunça e, para o treinador Zé, 3 pilatos pela falta de acção e 2 chateaubriands pelas asneiras.
Secção Perguntas impertinentes
- A que propósito jornalistas viajam para o Kuwait num avião fretado pelo governo Português?
- A menina jornalista da Sic que foi ferida estava em missão de soberania ou trabalhava para o governo, que por isso mandou a avioneta dos contribuintes fazer as vezes do jatinho que o Dr. Balsemão não tem, mas que gostava de ter?
- O governo percebe que estas acções falam mais alto do que todas as palavras?
- O governo percebe que está a dizer para milhões de lusitanos: vede meus filhos como as tetas da vaca marsupial pública são fartas?
Enquanto o governo não responde leva 4 chateaubriands para a sua colecção.
Os nossos rapazes dos sub-21, não jogaram grande coisa, mas com a preciosa ajuda da avantesma Djibril Cissé, expulsa à custa de aviar com o sarrafo nas polainas dum dos nossos meninos, fizeram aquela espécie pedante que vive na Gália engolir a arrogância.
Foi assim que os rapazes ganharam o jogo de pés. Mas perderam no jogo de cabeça, quando voltaram aos balneários e se transformaram, por seu turno, em avantesmas, partindo os trates e as alfaias galesas que por lá se encontravam.
Isto já era bastante mau, mas, assim o postulam as leis de Murphy, nada está tão mau que não possa ficar ainda pior. Foi o que aconteceu, com os insultos à inteligência de quem o ouviu, ao treinador Zé Romão a explicar o sucedido.
Para os rapazes 4 afonsos pela humilhação dos gauleses e 2 ignóbeis pela bagunça e, para o treinador Zé, 3 pilatos pela falta de acção e 2 chateaubriands pelas asneiras.
Secção Perguntas impertinentes
- A que propósito jornalistas viajam para o Kuwait num avião fretado pelo governo Português?
- A menina jornalista da Sic que foi ferida estava em missão de soberania ou trabalhava para o governo, que por isso mandou a avioneta dos contribuintes fazer as vezes do jatinho que o Dr. Balsemão não tem, mas que gostava de ter?
- O governo percebe que estas acções falam mais alto do que todas as palavras?
- O governo percebe que está a dizer para milhões de lusitanos: vede meus filhos como as tetas da vaca marsupial pública são fartas?
Enquanto o governo não responde leva 4 chateaubriands para a sua colecção.
19/11/2003
BLOGARIDADES: Informações talvez úteis.
Duas novas secções foram hoje adicionadas (ver Glossário):
- Entradas de leão e saídas de sendeiro
- Perguntas impertinentes
A posta de ontem da Tese nº 3 sobre o Pipi tinha algumas calinadas e imprecisões, agora corrigidas, para as quais me chamou a atenção o Belo Menir, que com um cajadada matou dois coelhos – do primeiro já falei; o segundo foi aguentar estoicamente a revelação perigosamente pública da sua ligação à FLM - Frente de Libertação do Macho.
- Entradas de leão e saídas de sendeiro
- Perguntas impertinentes
A posta de ontem da Tese nº 3 sobre o Pipi tinha algumas calinadas e imprecisões, agora corrigidas, para as quais me chamou a atenção o Belo Menir, que com um cajadada matou dois coelhos – do primeiro já falei; o segundo foi aguentar estoicamente a revelação perigosamente pública da sua ligação à FLM - Frente de Libertação do Macho.
CASE STUDY: Tese nº 3 sobre os públicos de O Meu Pipi. Diferentes públicos, mas nem todos distintos.
Prometida há mais duma semana e sempre adiada, é altura de tratar da tese dos públicos do Pipi, enquanto ainda há Pipi. Públicos para o Pipi é que nunca faltarão, dada a pletora de grunhus vulgaris lusitanicus que, não sendo o único público, são o mais persistente e abundante, como já se tinha concluído no Prelúdio à Tese nº 3.
Não tendo o produto sexo um target específico, é difícil ser exaustivo quando quase todas as criaturas são consumidores potenciais da prosa do Pipi. Potenciais mas não actuais, porque para estes se requerem as seguintes condições:
1) Um módico de literacia - com boa vontade 3 ou 4 milhões de criaturas
2) Ter acesso à Internet - o que reduz os 3 a 4 milhões a uns 300 ou 400 mil
3) Navegar na bloguilha, isto é ser bloguilhéu - talvez 10%, ou seja 30 a 40 mil
4) Conhecer o blogue do Pipi - talvez 60 a 80% dos bloguilhéus
5) Frequentá-lo - talvez uns 8.000 a 9.000 (*) bloguilhéus, o que dá um share extraordinário ao redor de 1/4.
(*) Nas últimas 10 semanas o Pipi arrotou 20 postas e teve aproximadamente 200.000 visitas, cerca de 10.000 por posta; a maioria das visitas é de grunhus vulgaris. Se admitirmos que uns 10-20% do público vomita e nunca mais lá volta, e que os restantes não perdem uma, a audiência total fidelizada do Pipi deve rondar as 8.000 a 9.000 almas. É claro que estou a esquecer as visitas redundantes, quer do visitante que gostou tanto que volta outra vez ao lugar do creme, quer do visitante ansioso que vai lá 3 dias ver se já há uma nova posta e só a encontra ao quarto. Retirando estes, a audiência seria eventualmente muito menor.
Até aqui é só aritmética do actual 9º ano, equivalente à 3ª classe da primária com a Dona Gertrudes e a sua palmatória didáctica. Vamos agora ao prato de sustância, com a ajuda da Doutora Ana, psicóloga pela Sorbonne e socióloga e antropóloga nas horas vagas. Esquecendo os 10-15% de leitores acidentais, afinal quem são essas 8.000 ou 9.000 criaturas? Se não as conhecemos, podemos ao menos arrumá-las nos seguintes segmentos:
Leitores reticentes
Leitores que conseguem aguentar irregularmente as visitas, sacrificando a agonia à qualidade delirante da prosa do Pipi.
Exemplo: o Impertinente e umas quantas outras almas.
Grunhus vulgaris
São leitores contumazes do Pipi e de longe a espécie mais abundante, representando talvez 70-80% da audiência. Entre os Grunhus vulgaris há que distinguir a variedade commentarius que se caracteriza por uma verbalização incipiente, resultado de só usar a parte mais primitiva do cérebro. A variedade commentarius é responsável por quase todos os comentários às postas do Pipi, que ao ritmo de cerca de 1.300 por posta conspurcam a bloguilha, que no caso deles se reduz a uma braguilha.
Exemplos: abundantes.
Grunhus literattus
É a elite dos grunhos. Distinguem-se dos grunhus vulgaris por serem portadores de literacia.
Exemplos: não muitos.
Épater le bourgeois
Por incrível que pareça, nestes tempos em que o tema sexo se banaliza, exala dos écrans da televisão generalista para os doces lares lusitanos, escorre das revistas, verte-se das conversas das viúvas de todos os S. Lourenços de Mamporcão, parece haver quem pense que o Pipi é a vanguarda do ataque aos tabus que deixa os patetas embasbacados.
Exemplos: vários.
FLM - Frente de Libertação do Macho
São militantes da causa que sofrem com a decadência do macho em geral, e do lusitano em particular, sucumbido ao paradigma do homem sensível, que chora, usa cremes, se meneia delicadamente, avia beijinhos, e é portador de todos os outros trejeitos peculiares que fazem as delícias da mulher distraída, que se julga emancipada. O Pipi é o seu herói.
Exemplo: O Belo Menir da Vareta Funda.
Cultores da Língua
Vêem no Pipi a redenção, pelo bom uso da língua, da parte escatológica do sexo. Gostariam da prosa do Pipi mesmo que ele escrevesse sobre jardinagem.
Exemplos: Bomba Inteligente, Dicionário do Diabo.
(Continua?)
Não tendo o produto sexo um target específico, é difícil ser exaustivo quando quase todas as criaturas são consumidores potenciais da prosa do Pipi. Potenciais mas não actuais, porque para estes se requerem as seguintes condições:
1) Um módico de literacia - com boa vontade 3 ou 4 milhões de criaturas
2) Ter acesso à Internet - o que reduz os 3 a 4 milhões a uns 300 ou 400 mil
3) Navegar na bloguilha, isto é ser bloguilhéu - talvez 10%, ou seja 30 a 40 mil
4) Conhecer o blogue do Pipi - talvez 60 a 80% dos bloguilhéus
5) Frequentá-lo - talvez uns 8.000 a 9.000 (*) bloguilhéus, o que dá um share extraordinário ao redor de 1/4.
(*) Nas últimas 10 semanas o Pipi arrotou 20 postas e teve aproximadamente 200.000 visitas, cerca de 10.000 por posta; a maioria das visitas é de grunhus vulgaris. Se admitirmos que uns 10-20% do público vomita e nunca mais lá volta, e que os restantes não perdem uma, a audiência total fidelizada do Pipi deve rondar as 8.000 a 9.000 almas. É claro que estou a esquecer as visitas redundantes, quer do visitante que gostou tanto que volta outra vez ao lugar do creme, quer do visitante ansioso que vai lá 3 dias ver se já há uma nova posta e só a encontra ao quarto. Retirando estes, a audiência seria eventualmente muito menor.
Até aqui é só aritmética do actual 9º ano, equivalente à 3ª classe da primária com a Dona Gertrudes e a sua palmatória didáctica. Vamos agora ao prato de sustância, com a ajuda da Doutora Ana, psicóloga pela Sorbonne e socióloga e antropóloga nas horas vagas. Esquecendo os 10-15% de leitores acidentais, afinal quem são essas 8.000 ou 9.000 criaturas? Se não as conhecemos, podemos ao menos arrumá-las nos seguintes segmentos:
Leitores reticentes
Leitores que conseguem aguentar irregularmente as visitas, sacrificando a agonia à qualidade delirante da prosa do Pipi.
Exemplo: o Impertinente e umas quantas outras almas.
Grunhus vulgaris
São leitores contumazes do Pipi e de longe a espécie mais abundante, representando talvez 70-80% da audiência. Entre os Grunhus vulgaris há que distinguir a variedade commentarius que se caracteriza por uma verbalização incipiente, resultado de só usar a parte mais primitiva do cérebro. A variedade commentarius é responsável por quase todos os comentários às postas do Pipi, que ao ritmo de cerca de 1.300 por posta conspurcam a bloguilha, que no caso deles se reduz a uma braguilha.
Exemplos: abundantes.
Grunhus literattus
É a elite dos grunhos. Distinguem-se dos grunhus vulgaris por serem portadores de literacia.
Exemplos: não muitos.
Épater le bourgeois
Por incrível que pareça, nestes tempos em que o tema sexo se banaliza, exala dos écrans da televisão generalista para os doces lares lusitanos, escorre das revistas, verte-se das conversas das viúvas de todos os S. Lourenços de Mamporcão, parece haver quem pense que o Pipi é a vanguarda do ataque aos tabus que deixa os patetas embasbacados.
Exemplos: vários.
FLM - Frente de Libertação do Macho
São militantes da causa que sofrem com a decadência do macho em geral, e do lusitano em particular, sucumbido ao paradigma do homem sensível, que chora, usa cremes, se meneia delicadamente, avia beijinhos, e é portador de todos os outros trejeitos peculiares que fazem as delícias da mulher distraída, que se julga emancipada. O Pipi é o seu herói.
Exemplo: O Belo Menir da Vareta Funda.
Cultores da Língua
Vêem no Pipi a redenção, pelo bom uso da língua, da parte escatológica do sexo. Gostariam da prosa do Pipi mesmo que ele escrevesse sobre jardinagem.
Exemplos: Bomba Inteligente, Dicionário do Diabo.
(Continua?)
18/11/2003
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Precisa-se uma Princesa para beijar um Sapo.
Secção Insultos à inteligência
Após alguns dias sem conseguir comunicar com as criaturas que moram no servidor de correio da hotmail.com, entre elas a Doutora Amélia, o Impertinente em estado de carência reclama ao Serviço de Apoio a Clientes da PTM.com no dia 28 de Outubro: queiram esclarecer as razões porque o meu correio dirigido a moradas em hotmail.com é rejeitado, escreveu o Impertinente.
Depois de várias insistências, o Serviço de Não Apoio a Pacientes, após duas semanas de recatado silêncio, resolve no dia 12 de Novembro responder-me a tudo o que eu gostaria de ter perguntado se tivesse coragem: gostaríamos de informar que, de facto o Hotmail está a barrar emails originados nos servidores do SAPO. É uma situação ao qual o SAPO é alheio mas garantimos que estamos a efectuar todos os esforços para que esta situação seja desbloqueada o mais depressa possível. E acrescentaram, com cinismo, lamentamos o eventual transtorno que esta situação possa estar a causar.
Mal eles sabiam que, além dos transtornos triviais, a sua falta de diligência me tinha privado de tentar dissuadir a Doutora Amélia de, em vez de se entregar a um noivo (que) também tem um blog, um blog sério, muito lido, continuasse mais uns tempos encalhada à espera dum capitão capaz de a navegar por mares encapelados, ainda que já navegados.
Por transtornos causados e gastarem duas semanas para me dizerem coisas que já sabia, os do SAPO levam 3 pilatos e 4 chateaubriands.
Após alguns dias sem conseguir comunicar com as criaturas que moram no servidor de correio da hotmail.com, entre elas a Doutora Amélia, o Impertinente em estado de carência reclama ao Serviço de Apoio a Clientes da PTM.com no dia 28 de Outubro: queiram esclarecer as razões porque o meu correio dirigido a moradas em hotmail.com é rejeitado, escreveu o Impertinente.
Depois de várias insistências, o Serviço de Não Apoio a Pacientes, após duas semanas de recatado silêncio, resolve no dia 12 de Novembro responder-me a tudo o que eu gostaria de ter perguntado se tivesse coragem: gostaríamos de informar que, de facto o Hotmail está a barrar emails originados nos servidores do SAPO. É uma situação ao qual o SAPO é alheio mas garantimos que estamos a efectuar todos os esforços para que esta situação seja desbloqueada o mais depressa possível. E acrescentaram, com cinismo, lamentamos o eventual transtorno que esta situação possa estar a causar.
Mal eles sabiam que, além dos transtornos triviais, a sua falta de diligência me tinha privado de tentar dissuadir a Doutora Amélia de, em vez de se entregar a um noivo (que) também tem um blog, um blog sério, muito lido, continuasse mais uns tempos encalhada à espera dum capitão capaz de a navegar por mares encapelados, ainda que já navegados.
Por transtornos causados e gastarem duas semanas para me dizerem coisas que já sabia, os do SAPO levam 3 pilatos e 4 chateaubriands.
17/11/2003
DIÁRIO DE BORDO: A las cinco en punto de la tarde.
Um novo Impertinente da 3ª geração nasceu. A Impertinente da 2ª geração resolveu chamar-lhe Afonso. Não por causa dos afonsos, mas é uma bela coincidência.
É mais um contributo impertinente para pagar as vossas reformas dentro de 20 ou 30 anos.
Ó vós leitores acidentais correi a fazer filhos ou a convencer os vossos filhos a fazerem-vos netos.
É mais um contributo impertinente para pagar as vossas reformas dentro de 20 ou 30 anos.
Ó vós leitores acidentais correi a fazer filhos ou a convencer os vossos filhos a fazerem-vos netos.
ESTÓRIA E MORAL: A hiperpotência coloniza a nossa meteorologia.
Estória
O Impertinente quando viaja, como há dias na expedição ao Portugal profundo, gosta de saber se deve ou não levar chapéu de chuva, galochas, etc. ou, pelo contrário, pode ir de corpinho bem feito porque estará um tempo formidável.
Durante anos visitei o sítio do nosso Instituto de Meteorologia para conhecer as previsões para os próximos dias. Por lá ficava a saber se o céu estaria pouco ou muito nublado ou, quem sabe limpo, se o vento sopraria de nordeste ou sudoeste, moderado ou forte, se nas terras altas bla bla bla, se haveria uma pequena, grande ou moderada descida de temperatura mínima, se haveria formação de geada, aqui ou acolá.
Uma prosa sóbria, para gente letrada, sem imagens. Previsões para o Continente, ou, quando muito para os Litorais, os Nortes, os Centros ou o Sul. Nada de palpites ousados sobre a meteorologia na Baixa lisboeta. Nenhuma previsão para as próximas semanas que os nossos técnicos não vendem banha da cobra. Em resumo, uma previsão pobre, mas honrada, uma previsão nossa, para o nosso tempo, na nossa terra. Atrás dela estava o labor de centenas de técnicos nossos patrícios, com poucos recursos, mas que com grande dignidade, nos iam dando a previsão possível.
Tudo isto está em vias de mudar. Cada vez mais ataques vem sendo desferidos contra o nosso produto meteorológico. Todos os dias novos sites mundializantes tentam seduzir as nossas almas patrióticas com previsões para 5 ou mesmo 10 dias, com imagens excitantes, com temperaturas máximas e mínimas, com probabilidades de ocorrência de chuva, pressão atmosférica, humidade relativa e, pior que tudo, para cada uma das nossas cidades e vilas.
Aqui vai um entre muitos, o da Weather.com para a cidade de Lisboa que podem comparar com o nosso pobrezinho, mas muito nosso Instituto de Meteorologia.
Moral
Se for verdade, como escreve Jean Paul Kauffman, citado num daqueles imaginativos anúncios do Banco Privado Português, que a economia depende tantos dos economistas como o tempo dos meteorologistas, então talvez possamos ter esperança na recuperação do estado comatoso da nossa economia.
O Impertinente quando viaja, como há dias na expedição ao Portugal profundo, gosta de saber se deve ou não levar chapéu de chuva, galochas, etc. ou, pelo contrário, pode ir de corpinho bem feito porque estará um tempo formidável.
Durante anos visitei o sítio do nosso Instituto de Meteorologia para conhecer as previsões para os próximos dias. Por lá ficava a saber se o céu estaria pouco ou muito nublado ou, quem sabe limpo, se o vento sopraria de nordeste ou sudoeste, moderado ou forte, se nas terras altas bla bla bla, se haveria uma pequena, grande ou moderada descida de temperatura mínima, se haveria formação de geada, aqui ou acolá.
Uma prosa sóbria, para gente letrada, sem imagens. Previsões para o Continente, ou, quando muito para os Litorais, os Nortes, os Centros ou o Sul. Nada de palpites ousados sobre a meteorologia na Baixa lisboeta. Nenhuma previsão para as próximas semanas que os nossos técnicos não vendem banha da cobra. Em resumo, uma previsão pobre, mas honrada, uma previsão nossa, para o nosso tempo, na nossa terra. Atrás dela estava o labor de centenas de técnicos nossos patrícios, com poucos recursos, mas que com grande dignidade, nos iam dando a previsão possível.
Tudo isto está em vias de mudar. Cada vez mais ataques vem sendo desferidos contra o nosso produto meteorológico. Todos os dias novos sites mundializantes tentam seduzir as nossas almas patrióticas com previsões para 5 ou mesmo 10 dias, com imagens excitantes, com temperaturas máximas e mínimas, com probabilidades de ocorrência de chuva, pressão atmosférica, humidade relativa e, pior que tudo, para cada uma das nossas cidades e vilas.
Aqui vai um entre muitos, o da Weather.com para a cidade de Lisboa que podem comparar com o nosso pobrezinho, mas muito nosso Instituto de Meteorologia.
Moral
Se for verdade, como escreve Jean Paul Kauffman, citado num daqueles imaginativos anúncios do Banco Privado Português, que a economia depende tantos dos economistas como o tempo dos meteorologistas, então talvez possamos ter esperança na recuperação do estado comatoso da nossa economia.
16/11/2003
DIÁRIO DE BORDO: Relato duma visita de estudo ao Portugal profundo.
Ainda abalado pela notícia do casamento anunciado da Doutora Amélia, só por obrigação presto contas da expedição, ou, diria a saudosa que estudou na Sorbonne, faço um enfastiado compte rendu.
Em S. Lourenço de Mamporcão, uma aldeola a caminho de Portalegre, com umas 2 centenas de famílias, 43 viúvas e apenas 1 viúvo, tive oportunidade de entrevistar várias pessoas, incluindo e nomeadamente 31 das 43 viúvas. Tentei também o viúvo, mas a sua completa surdez tornou a comunicação pobre, porque a linguagem gestual da criatura era muito limitada – praticamente só usava o dedo indicador para tentar significar o seu desinteresse já antigo pela matéria.
Ao contrário do que um citadino empedernido como o Impertinente poderia pensar, as viúvas inquiridas mostraram um surpreendente interesse e conhecimento da mecânica e geografia sexuais, com preferências por práticas bastante chocantes, ainda que na maioria dos casos não consumadas.
Apesar de nenhumas delas ter ouvido falar do Pipi, e muito menos ter lido a sua obra, aliás 3/4 são analfabetas, falaram com grande desembaraço do tema, como se conversássemos da melhor maneira de preparar as migas ou o cação com coentros. Foi uma oportunidade de confirmar as minhas suspeitas de que comida e sexo têm um profunda ligação.
Curioso por saber a fonte de tamanha ciência, lá consegui descobrir, por entre risinhos maldosos, que era a revista Maria, que as viúvas com letras liam para as iletradas, em sessões muito concorridas, no meio dum imenso chavascal de aplausos, apupos, gritos, suspiros, uivos e gemidos, segundo as suas próprias palavras. Perante o meu ar duvidoso, algumas delas sacaram do bolso do avental o último número da Maria, procuraram nas páginas já ensebadas e lá ouvi, com o rubor nas faces impertinentes, cartas de leitoras relatando os sacrifícios a que se obrigavam para reter os marmanjos dos seus namorados e maridos, mas também as delícias confessadas de outras com as prestações dos seus amores ou comoventes dúvidas de como consolar os seus próprios corpos carentes. De tudo um pouco.
Instruído com esta visão do Portugal profundo, o Impertinente ainda teve tempo de visitar a uma hora respeitável, antes do bulício nocturno, um estabelecimento de strip misto situado à beira da estrada entre Borba e Vila Viçosa, recomendado por duas das ousadas viúvas. A conversa com a gerência – um casal alternativo com práticas sexuais vagabundas - foi muito esclarecedora. Fiquei a saber que o seu negócio prosperava a olhos vistos, e eram muitos os esbugalhados todas as noites apreciando o exaltante espectáculo.
É por estas, e por outras, é que se recomenda aos intelectuais, aos políticos, aos artistas, e em geral às nossas iluminadas elites pelo menos uma visita por ano aos habitates dos indígenas que povoam o nosso Portugal profundo. Devemos ser nós, quer dizer vós, porque eu já fui, a ir até eles e não os jornalistas das Time ou outras revistas mundializantes que, por incompetência ou maldade, deturpam nos seus relatos os usos e costumes da nossa terra e dão uma ideia errada da alma do nosso Povo.
Em S. Lourenço de Mamporcão, uma aldeola a caminho de Portalegre, com umas 2 centenas de famílias, 43 viúvas e apenas 1 viúvo, tive oportunidade de entrevistar várias pessoas, incluindo e nomeadamente 31 das 43 viúvas. Tentei também o viúvo, mas a sua completa surdez tornou a comunicação pobre, porque a linguagem gestual da criatura era muito limitada – praticamente só usava o dedo indicador para tentar significar o seu desinteresse já antigo pela matéria.
Ao contrário do que um citadino empedernido como o Impertinente poderia pensar, as viúvas inquiridas mostraram um surpreendente interesse e conhecimento da mecânica e geografia sexuais, com preferências por práticas bastante chocantes, ainda que na maioria dos casos não consumadas.
Apesar de nenhumas delas ter ouvido falar do Pipi, e muito menos ter lido a sua obra, aliás 3/4 são analfabetas, falaram com grande desembaraço do tema, como se conversássemos da melhor maneira de preparar as migas ou o cação com coentros. Foi uma oportunidade de confirmar as minhas suspeitas de que comida e sexo têm um profunda ligação.
Curioso por saber a fonte de tamanha ciência, lá consegui descobrir, por entre risinhos maldosos, que era a revista Maria, que as viúvas com letras liam para as iletradas, em sessões muito concorridas, no meio dum imenso chavascal de aplausos, apupos, gritos, suspiros, uivos e gemidos, segundo as suas próprias palavras. Perante o meu ar duvidoso, algumas delas sacaram do bolso do avental o último número da Maria, procuraram nas páginas já ensebadas e lá ouvi, com o rubor nas faces impertinentes, cartas de leitoras relatando os sacrifícios a que se obrigavam para reter os marmanjos dos seus namorados e maridos, mas também as delícias confessadas de outras com as prestações dos seus amores ou comoventes dúvidas de como consolar os seus próprios corpos carentes. De tudo um pouco.
Instruído com esta visão do Portugal profundo, o Impertinente ainda teve tempo de visitar a uma hora respeitável, antes do bulício nocturno, um estabelecimento de strip misto situado à beira da estrada entre Borba e Vila Viçosa, recomendado por duas das ousadas viúvas. A conversa com a gerência – um casal alternativo com práticas sexuais vagabundas - foi muito esclarecedora. Fiquei a saber que o seu negócio prosperava a olhos vistos, e eram muitos os esbugalhados todas as noites apreciando o exaltante espectáculo.
É por estas, e por outras, é que se recomenda aos intelectuais, aos políticos, aos artistas, e em geral às nossas iluminadas elites pelo menos uma visita por ano aos habitates dos indígenas que povoam o nosso Portugal profundo. Devemos ser nós, quer dizer vós, porque eu já fui, a ir até eles e não os jornalistas das Time ou outras revistas mundializantes que, por incompetência ou maldade, deturpam nos seus relatos os usos e costumes da nossa terra e dão uma ideia errada da alma do nosso Povo.
15/11/2003
BLOGARIDADES: Prestar contas e aprender a escrever bem.
Enquanto o Impertinente mergulhava na expedição ao Portugal profundo, a Doutora Amélia foi pedida em casamento. Do primeiro evento prestarei contas a seu tempo. Do segundo evento competirá à Doutora Amélia dar as devidas satisfações a todos os seus admiradores.
Também durante a minha curta ausência, uma alma amiga enviou-me as seguintes 29 dicas para escrever bem, que parecem inspiradas na prosa imaculada do Impertinente. Lembrando que nunca é tarde para aprender, aceitando que só a leitura das Impertinências possa não bastar e admitindo que essas dicas sejam úteis aos leitores acidentais das Impertinências, aqui vão elas:
1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, tá fixe?
9. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar, é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação correctamente o ponto e a vírgula especialmente será que já ninguém sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! O seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida, e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúaa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai deixando seu texto pobre - causando ambiguidade - e esquisito, ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.
29. Outra barbaridade que você deve evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carago.
Também durante a minha curta ausência, uma alma amiga enviou-me as seguintes 29 dicas para escrever bem, que parecem inspiradas na prosa imaculada do Impertinente. Lembrando que nunca é tarde para aprender, aceitando que só a leitura das Impertinências possa não bastar e admitindo que essas dicas sejam úteis aos leitores acidentais das Impertinências, aqui vão elas:
1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, tá fixe?
9. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar, é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação correctamente o ponto e a vírgula especialmente será que já ninguém sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! O seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida, e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúaa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai deixando seu texto pobre - causando ambiguidade - e esquisito, ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.
29. Outra barbaridade que você deve evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carago.
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