Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/08/2021

Unforgivable stupidity


The White House contends that limited information sharing with the Taliban is saving lives; critics argue it's putting Afghan allies in harm's way.

U.S. officials in Kabul gave the Taliban a list of names of American citizens, green card holders and Afghan allies to grant entry into the militant-controlled outer perimeter of the city’s airport, a choice that's prompted outrage behind the scenes from lawmakers and military officials.

The move, detailed to POLITICO by three U.S. and congressional officials, was designed to expedite the evacuation of tens of thousands of people from Afghanistan as chaos erupted in Afghanistan’s capital city last week after the Taliban seized control of the country. It also came as the Biden administration has been relying on the Taliban for security outside the airport.

A câmara de Lisboa do Dr. Medina comunicava às embaixadas da Rússia, da China e da Venezuela, entre outros países com regimes autocráticos, os dados pessoais de promotores das manifestações contra os respectivos regimes. Podeis voltar Dr. Medina, estais perdoado.

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (64) - Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes


Após o pico na primeira quinzena de Julho com média diária de 140 mil, semana após semana o ritmo de vacinação tem vindo a reduzir-se e na última semana baixou para 60 mil. Não obstante, salvo algum desastre, sempre possível no quadro do Estado sucial sob administração socialista, os objectivos principais anunciados continuam atingíveis.

ECDC

No ranking da EU/EEA, com 94,0% dos maiores de 18 anos, Portugal é o país com mais primeiras doses administradas. Já em relação à vacinação completa dos +18 anos, que é o que mais importa, Portugal baixou do 5.º lugar da semana passada para o sexto lugar, ultrapassado pela Dinamarca.

30/08/2021

Dúvidas (317) - E não se pode entregar aos talibãs Mr Fart-Hing, que tirou lugar a humanos para embarcar cães e gatos em Cabul?

The Guardian

«In the recorded message, reportedly sent on Monday, Farthing threatened to “destroy” Quentin (a special adviser to the defence secretary), on social media if he did not help arrange the evacuation.»

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (100) - Em tempo de vírus (LXXVII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O Dr. Costa reentronizado

Reeleito com uma maioria norte-coreana, o Dr. Costa foi durante o fim de semana consagrado como chefe do partido que continuará a comandar rumo à vitória eleitoral nas eleições autárquicas, onde soterrará provavelmente a oposição e em particular o Dr. Rio que talvez então perceba estar acabada a sua candidatura a vice-primeiro ministro.

O Estado sucial do Dr. Costa está cada vez mais parecido com o Estado Novo

O governo prepara-se para acrescentar no Código Penal uma nova sanção para o crime de «discriminação e incitamento ao ódio e à violência» que consistirá na expulsão da profissão de funcionários públicos, docentes e jornalistas. Sem dificuldade, o desrespeito da linguagem inclusiva poderá ser considerado crime de ódio.

A descentralização vista pela nomenclatura do regime

Alguém fez as contas e concluiu que 68 deputados (30% do parlamento) são candidatos nas eleições autárquicas e, se não forem eleitos, continuarão com lugar garantido. Qualquer que seja a explicação, é um claro sintoma da profunda moléstia do regime.

L'État c'est nous

Socialistas e comunistas aprovaram disfarçadamente no parlamento uma aparentemente inócua alteração ao Programa de Apoio à Economia Local de onde resultaria o fim das sanções para os cinco autarcas do PS, incluindo uma actual secretária de Estado do Dr. Costa, e um do PCP, todos com processos em curso na IGF dos quais poderia resultar a perda de mandatos. Desta vez S. Ex.ª estava atento e vetou a manigância.

O governo pretende acabar com os concursos internacionais para professor associado e catedrático. É mais um passo no sentido da consolidação na universidade do nepotismo e da endogamia do luso-socialismo como modalidade da kakistocracia.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

Já o escrevi a semana passada: depois de quase 9 meses de leilões com 9 a 12 rondas diárias de tirinhas de GHz para fazer render o peixe, a Anacom conseguiu que o Portugal dos Pequeninos fosse um dos dois únicos países da UE que ainda não tem oferta comercial 5G. Acrescento agora que o leilão montado pela Anacom é um anacronismo segundo o economista Paul Milgrom, que deve saber do que fala porque recebeu o Nobel da Economia em 2020 pelo seu trabalho na Teoria dos Leilões.

29/08/2021

Henry Kissinger sobre os erros estratégicos e políticos que levaram à retirada do Afeganistão

«THE TALIBAN takeover of Afghanistan focuses the immediate concern on the extrication of tens of thousands of Americans, allies and Afghans stranded all over the country. Their rescue needs to be our urgent priority. The more fundamental concern, however, is how America found itself moved to withdraw in a decision taken without much warning or consultation with allies or the people most directly involved in 20 years of sacrifice. And why the basic challenge in Afghanistan has been conceived and presented to the public as a choice between full control of Afghanistan or complete withdrawal.

An underlying issue has dogged our counterinsurgency efforts from Vietnam to Iraq for over a generation. When the United States risks the lives of its military, stakes its prestige and involves other countries, it must do so on the basis of a combination of strategic and political objectives. Strategic, to make clear the circumstances for which we fight; political, to define the governing framework to sustain the outcome both within the country concerned and internationally.
The United States has torn itself apart in its counterinsurgent efforts because of its inability to define attainable goals and to link them in a way that is sustainable by the American political process. The military objectives have been too absolute and unattainable and the political ones too abstract and elusive. The failure to link them to each other has involved America in conflicts without definable terminal points and caused us internally to dissolve unified purpose in a swamp of domestic controversies.
We entered Afghanistan amid wide public support in response to the al-Qaeda attack on America launched from Taliban-controlled Afghanistan. The initial military campaign prevailed with great effectiveness. The Taliban survived essentially in Pakistani sanctuaries, from which it carried out insurgency in Afghanistan with the assistance of some Pakistani authorities.

But as the Taliban was fleeing the country, we lost strategic focus. We convinced ourselves that ultimately the re-establishment of terrorist bases could only be prevented by transforming Afghanistan into a modern state with democratic institutions and a government that ruled constitutionally. Such an enterprise could have no timetable reconcilable with American political processes. In 2010, in an op-ed in response to a troop surge, I warned against a process so prolonged and obtrusive as to turn even non-jihadist Afghans against the entire effort.

For Afghanistan has never been a modern state. Statehood presupposes a sense of common obligation and centralisation of authority. Afghan soil, rich in many elements, lacks these. Building a modern democratic state in Afghanistan where the government’s writ runs uniformly throughout the country implies a timeframe of many years, indeed decades; this cuts against the geographical and ethnoreligious essence of the country. It was precisely Afghanistan’s fractiousness, inaccessibility and absence of central authority that made it an attractive base for terrorist networks in the first place.

Although a distinct Afghan entity can be dated back to the 18th century, its constituent peoples have always fiercely resisted centralisation. Political and especially military consolidation in Afghanistan has proceeded along ethnic and clan lines, in a basically feudal structure where the decisive power brokers are the organisers of clan defence forces. Typically in latent conflict with each other, these warlords unite in broad coalitions primarily when some outside force—such as the British army that invaded in 1839 and the Soviet armed forces that occupied Afghanistan in 1979—seeks to impose centralisation and coherence.

Both the calamitous British retreat from Kabul in 1842, in which only a single European escaped death or captivity, and the momentous Soviet withdrawal from Afghanistan in 1989 were brought about by such temporary mobilisation among the clans. The contemporary argument that the Afghan people are not willing to fight for themselves is not supported by history. They have been ferocious fighters for their clans and for tribal autonomy.

Over time, the war took on the unlimited characteristic of previous counterinsurgency campaigns in which domestic American support progressively weakened with the passage of time. The destruction of Taliban bases was essentially achieved. But nation-building in a war-torn country absorbed substantial military forces. The Taliban could be contained but not eliminated. And the introduction of unfamiliar forms of government weakened political commitment and enhanced already rife corruption.

Afghanistan thereby repeated previous patterns of American domestic controversies. What the counterinsurgency side of the debate defined as progress, the political one treated as disaster. The two groups tended to paralyse each other during successive administrations of both parties. An example is the 2009 decision to couple a surge of troops in Afghanistan with a simultaneous announcement that they would begin to withdraw in 18 months.

What had been neglected was a conceivable alternative combining achievable objectives. Counterinsurgency might have been reduced to the containment, rather than the destruction, of the Taliban. And the politico-diplomatic course might have explored one of the special aspects of the Afghan reality: that the country’s neighbours—even when adversarial with each other and occasionally to us—feel deeply threatened by Afghanistan’s terrorist potential.

Would it have been possible to co-ordinate some common counterinsurgency efforts? To be sure, India, China, Russia and Pakistan often have divergent interests. A creative diplomacy might have distilled common measures for overcoming terrorism in Afghanistan. This strategy is how Britain defended the land approaches to India across the Middle East for a century without permanent bases but permanent readiness to defend its interests, together with ad hoc regional supporters.

But this alternative was never explored. Having campaigned against the war, Presidents Donald Trump and Joe Biden undertook peace negotiations with the Taliban to whose extirpation we had committed ourselves, and induced allies to help, 20 years ago. These have now culminated in what amounts to unconditional American withdrawal by the Biden administration.

Describing the evolution does not eliminate the callousness and, above all, the abruptness of the withdrawal decision. America cannot escape being a key component of international order because of its capacities and historic values. It cannot avoid it by withdrawing. How to combat, limit and overcome terrorism enhanced and supported by countries with a self-magnifying and ever more sophisticated technology will remain a global challenge. It must be resisted by national strategic interests together with whatever international structure we are able to create by a commensurate diplomacy.

We must recognise that no dramatic strategic move is available in the immediate future to offset this self-inflicted setback, such as by making new formal commitments in other regions. American rashness would compound disappointment among allies, encourage adversaries, and sow confusion among observers.

The Biden administration is still in its early stages. It should have the opportunity to develop and sustain a comprehensive strategy compatible with domestic and international necessities. Democracies evolve in a conflict of factions. They achieve greatness by their reconciliations.
»

Henry Kissinger on why America failed in Afghanistan

27/08/2021

ARTIGO DEFUNTO: População vacinada é o que o jornalista quiser

Exemplos de alguns títulos de jornais portugueses do dia 25 de Agosto e tenha-se em conta que nos últimos 7 dias foram administradas 520 mil doses suficientes para uma primeira dose de 5% da população ou 2,5% de duas doses e repare-se na confusão sobre o que seja população, população vacinada e vacinação completa: 

«Portugal com mais de 80% da população vacinada com a primeira dose» (Sic Notícias)

«72% da população com vacinação completa». (DN)

«Portugal atinge meta de 85% da população vacinada com primeira dose na próxima semana» (Jornal i)

«81,6% da população vacinada contra a Covid-19» (Renascença)

«85% da população estará vacinada com a primeira dose na próxima semana» (Económico)

«Portugal atinge 85% da população com primeira dose na próxima semana» (Eco)

«Portugal deverá atingir os 85% da população vacinada na próxima semana» (Público)

«72% da população portuguesa já tem vacinação completa» (Público)

«Portugal deverá atingir os 85% da população vacinada na próxima semana» (Sapo)

É cruel dizer isso do idoso Joseph Robinette Biden, mas parece uma boa descrição do presidente dos EUA na retirada do Afganistão

«Mas a própria ideia da retirada, por motivos que Tony Blair explicou melhor do que ninguém, é também, pesadas todas as coisas, errada. Quer em termos idealistas, quer em termos realistas. Em termos idealistas, porque vai contra a intuição, pela maioria de nós partilhada, que há uma continuidade da experiência humana que sobrevive às descontinuidades culturais e que a devemos tentar preservar, o que significa, entre outras coisas, defender os direitos humanos onde eles estão em perigo. Em termos realistas, porque a presença das tropas americanas, mesmo em baixo número (e o seu número já era baixo), contribuía para que a ameaça do terrorismo islâmico fosse, numa certa medida, contida. Quer dizer que, num grau ou noutro, o interesse dos Estados Unidos não parece protegido com esta retirada, antes pelo contrário..

Aparentemente, Biden não teve em consideração nenhum dos dois aspectos. É verdade que ele parece cada vez mais destituído de inteligência emocional, o que, em parte, se pode atribuir à velhice. Com a idade – toleravelmente em certos casos, tendendo para o péssimo noutros —, vamos perdendo certa disponibilidade emocional, o que se percebe, já que o corpo se degrada e arrasta o espírito consigo. E a perda da inteligência emocional diminui grandemente a faculdade de julgar: Biden faz cálculos trôpegos, com toda a obstinação da falta de convicção. Já agora, diminui também a capacidade de se exprimir convenientemente. De facto, parece por vezes que tenta adaptar a técnica literária do cut-up (uma técnica desenvolvida pelo escritor William Burroughs nos anos 60, que consiste em recortar passagens de prosa já escrita, juntando-as depois numa ordem aleatória) à retórica política. Nas entrevistas, sem precisar de papel e tesoura, o sucesso é indisputável, produzindo sequências do tipo: “Os talibãs – A minha mulher disse – Olhe… – Só a América – Trump – Onde está o almoço? – Nada a ver com Saigão — Isso foi há cinco dias – Sejamos claros – Olhe… — A ideia – Olhe, George… – Vinte anos – Corn flakes – O aeroporto — A escolha é simples – Ray Ban — Foi o que aconteceu”. Fascinating!, como diz, na CNN, à média de cinco vezes por programa, Fareed Zakaria. Mas duvido que os afegãos apreciem por aí além esta nova contribuição para a retórica. E que os americanos, se pensarem bem, tenham muitos motivos para a admirar.

Não estou a dizer que Biden está xexé. Mas falta-me pouco para o pensar. Somando tudo, é a melhor das possibilidades.»

Excerto de Realistas, idealistas e Biden, Paulo Tunhas no Observador

26/08/2021

Pro memoria (412) – gone with the wind (epílogo)

Os jornais de ontem publicitaram a primeira central eólica offshore em Portugal a funcionar desde há um ano que já forneceu electricidade para suficiente para fornecer 60 mil famílias. Parece um grande sucesso, não é verdade? Vejamos as coisas mais de perto.

Para quem não saiba, trata-se do projecto Windfloat Atlantic que aqui no (Im)pertinências temos vindo a acompanhar há 10 (dez) anos, desde que em 2011 foi lançado para depois de 9 (nove) anos começar a produzir electricidade.

Em 2017, seis anos depois do início do projecto, o ponto de situação era o seguinte:

«Até 2019, o parque eólico flutuante que o consórcio liderado pela EDP quer instalar ao largo de Viana do Castelo tem de estar ligado e a produzir energia de fonte renovável. O risco de falhar o prazo é o de o projecto Windfloat Atlantic, cujo custo estimado ronda os 115 milhões de euros, perder os fundos comunitários de 30 milhões atribuídos em 2012 pelo Programa NER300.» (fonte)

Repare-se o efeito Lockheed Tristar em todo o seu esplendor. Um projecto eventualmente inviável que custaria 15 ou 20 milhões há seis anos custará agora (em 2017) 115 milhões ou seis a oito vezes mais. À maneira habitual, provavelmente irão ser gastos ainda mais do que os 115 milhões para não perder os 30 milhões de fundos comunitários. Foi assim que uma parte significativa dos mais de cem mil milhões (130 mil milhões em 2021 antes do PRR) de subsídios comunitários pagos extorquidos aos contribuintes europeus, o equivalente a mais de 55% (70% em 2020) do PIB anual actual, foi delapidada.

Em 2020, nove anos depois do início, o ponto de situação era o seguinte:

O brinquedo, que era para custar 15 ou 20 milhões há nove anos e 115 milhões há seis anos, ficou este ano por 125 milhões, financiados por 60 milhões pelo Banco Europeu de Investimento, por um subsídio de 30 milhões do programa europeu NER 300 e outro de €6 milhões do Fundo Ambiental). Resta dizer que o parque Windfloat disfrutará de um preço garantido de venda de energia de €140/MWh quando o preço atual de mercado está abaixo de €40/MWh. Apesar deste maná que os consumidores de electricidade pagarão, a Windfloat está a dever vários milhões as dezenas de empresas subcontratadas. (fonte)

E assim chegamos aos dias de hoje com mais um exemplo do multiplicador socialista que, diferentemente do keynesiano que multiplica o montante do produto resultante de um investimento, o socialista multiplica o montante do próprio investimento do qual resultará um produto inferior ao previsto.

25/08/2021

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (50) - De que serve vacinar adolescentes?


Qualquer pessoa com um módico de cultura geral desconfia que a narrativa da vacina contra o SARS-Cov2 impossibilitar a infecção pelo mesmo vírus e, em consequência, impedir a transmissão a outras pessoas, é uma treta. De facto, o efeito das vacinas não é impedir a infecção é reforçar a resposta do sistema imunitário ao vírus e assim minimizar as consequências da infecção.

E os dados disponíveis aí estão para desmontar a treta:

  • Em Portugal cerca de 16 mil pessoas com a vacinação completa foram infectadas (fonte);
  • Um estudo da universidade de Oxford mostra os adultos vacinadas infectados com a variante Delta podem ter uma carga viral tão elevada como os não vacinados (fonte);
  • Duas equipas científicas holandesas concluem que as pessoas vacinadas podem infectar outras pessoas embora com menor probabilidade e gravidade (fonte).
Em conclusão, 
«Ao não prevenirem a infeção, estas vacinas não previnem a transmissão e, por isso, não distinguem vacinados de não vacinados no risco de transmissão da doença, se bem que nestes possa haver alguma atenuação devido à redução da carga viral, Contradizendo argumentos de peritos e autoridades de saúde que procuram justificar a extensão da vacinação às crianças e adultos jovens sem comorbilidades como estratégia de proteção dos indivíduos de risco (quase todos vacinados), estas vacinas também não produzem imunidade de grupo.»
pode ler-se neste artigo do Expresso com uma explicação médica em linguagem acessível.

24/08/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (63)

Depois de uma primeira quinzena de Julho com média diária de 150 mil doses, desde então a média diária móvel tem variado entre as 80 e 90 mil doses e não é provável que saia daqui devido às férias, como o Sr. Almirante já reconheceu. 

Quanto à vacinação completa dos maiores de 18 anos, Portugal continua no 5.º lugar dos países EU/EEA.

ECDC

Citando outras fontes e com outros critérios (nomeadamente a população-alvo), alguns jornais têm entrado em delírios patrióticos colocando os portugueses no topo do mundo. É um bocadinho doentio mas já estamos habituados em muitos outros domínios. Não é grave, é apenas ridículo, demonstrativo de um complexo de inferioridade e sobretudo inútil porque, de acordo com os dados da European Centre for Disease Prevention and Control, a fonte mais credível a este respeito, a task force tem feito um excelente trabalho graças ao Sr. Almirante (eu sei que o posto da criatura é Vice) que o governo não reconheceu e o PR, se tinha de o condecorar, deveria tê-lo feito pelo seu trabalho na task force e não «pelas suas carreiras militares».

Entretanto, o Sr. Almirante reformulou o objectivo quase toda a população elegível com vacinação completa no fim de Setembro para 85% dos portugueses deverão estar totalmente vacinados até ao fim de setembro, o que, dependendo do que seja a população elegível, pode não ser a mesma coisa e também, como o objectivo anterior, não está garantido.

Uma última palavra para o disparate, a que o Sr. Almirante se deixou associar, de usar vacinas escassas a nível mundial para vacinar adolescentes, um grupo praticamente sem risco, como se a vacina impedisse a infecção e a transmissão pelo SARS-Cov-2  (voltarei a este tema).

23/08/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (99) - Em tempo de vírus (LXXVI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O PS tem uma ambição: aumentar a freguesia eleitoral, eternizar-se no governo e, de caminho, fazer de todos portugueses funcionários públicos

O número de empregados do Dr. Costa atingiu no final do 2.º trimestre o recorde do Eng. Guterres de 731,3 mil utentes da vaca marsupial pública, acrescentando 72,2 mil aos 659,1 mil deixados pelo governo neoliberal. É um exemplo da obra feita do Dr. Costa na continuação da construção do Estado sucial, que mais do que duplicou os efectivos do Estado Novo, com os seus 350 mil que incluíam 150 mil militares que combatiam em três frentes da guerra colonial. O diagrama seguinte ilustra a marcha gloriosa a caminho do socialismo.

Fonte SIEP


Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei

O Vice-Almirante Gouveia e Melo, que recebeu do seu antecessor apparatchik socialista pouco mais de 500 mil doses administradas nos dois meses anteriores, conseguiu que fossem administradas 13 milhões de doses nos seis meses seguintes. Nem uma palavra de reconhecimento lhe foi dirigida pelo governo, presumivelmente porque lhe falta o cartão de novo situacionista. O Dr. Marcelo, com o seu apurado estilo florentino, para marcar as suas diferenças em relação ao Dr. Costa, resolveu condecorá-lo mas, como de costume, faltaram-lhe os tomates para o condecorar pelo seu trabalho na task force e condecorou-o «pelas suas carreiras militares».

22/08/2021

A esquerdalhada nunca se engana no lado. Mais do que apreciar os talibãs, odeia os Estados Unidos, o Ocidente, a liberdade e a democracia liberal

«Ao longo da semana, formal ou informalmente, surgiram por aí inúmeras manifestações de relativização ou simpatia face aos talibãs. Do PCP ao BE, passando pelas zonas menos envergonhadas do PS actual, não se pouparam esforços para celebrar a derrota do “neoliberalismo” e a tomada de Cabul pelas forças “progressistas” (cito um candidato autárquico). E não, não estamos a falar de um daqueles movimentos patetas que prescrevem a virgindade antes do casamento. Trata-se dos talibãs, os bons e velhos talibãs das barbas e do surro, das castrações públicas e da escravização das mulheres, dos genocídios literais e simbólicos, que de resto já retomaram as tradições que os celebrizaram.        

Não há nada de novo. Se de um lado temos um psicopata a degolar infelizes e do lado oposto um infeliz degolado, os comunistas nunca se baralham na escolha. Lembram-se da última vez em que os comunistas hesitaram a decidir entre o totalitarismo e a democracia? Aconteceu há oitenta anos e apenas porque puderam opor-se a um regime assassino em prol de um regime assassino similar. Caso os nazis não tivessem violado o pacto germano-soviético, os comunistas negariam hoje o Holocausto com a ênfase com que negam o Holodomor, o Gulag e a bestialidade que calhar.»

Os talibãs de trazer por casa, Alberto Gonçalves no Observador

21/08/2021

A retirada do Afganistão vista por Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos EUA

«In the wake of Kabul’s fall, though, a corrosive and deeply unfair narrative is emerging: to blame the Afghans for how it all ended. The Afghan security forces failed. The Afghan government failed. The Afghan people failed. “We gave them every chance to determine their own future,” President Biden said in his address Monday — as if the Afghans had somehow chosen the Taliban.

No — they didn’t choose the Taliban. They fought and died alongside us, helping us degrade al-Qaeda. Working with the Afghans and our allies, we gained time to build a counterterrorism presence around the world and a counterterrorism apparatus at home that has kept us safe. In the end, the Afghans couldn’t hold the country without our airpower and our support. It is not surprising that Afghan security forces lost the will to fight, when the Taliban warned that the United States was deserting them and that those who resisted would see their families killed.

No — they didn’t choose the Taliban. They seized the chance to create a modern society where girls could attend school, women could enter professions and human rights would be respected.

No — they didn’t choose the Taliban. They built a fledgling democracy with elected leaders who often failed but didn’t brutalize their people as so many regimes in the region do. It was a government that never managed to tame corruption and the drug trade. In this, Afghanistan had plenty of company across the globe.

Twenty years was not enough to complete a journey from the 7th-century rule of the Taliban and a 30-year civil war to a stable government. Twenty years may also not have been enough to consolidate our gains against terrorism and assure our own safety. We — and they — needed more time.

We have understood this before. Technically, our longest war is not Afghanistan: It is Korea. That war didn’t end in victory; it ended in a stalemate — an armistice. South Korea did not achieve democracy for decades. Seventy years later, we have more than 28,000 American troops there in an admission that even the sophisticated South Korean army cannot deter the North alone. Here’s what we achieved: a stable equilibrium on the Korean Peninsula, a valuable South Korean ally and a strong presence in the Indo-Pacific.

Afghanistan is not South Korea. But we might have achieved a reasonable outcome with a far smaller commitment. More time for the Afghans didn’t have to entail combat troops, just a core American presence for training, air support and intelligence.

More time for us might have retained American intelligence and counterterrorism assets on the ground to protect our allies and our homeland from the reemergence of a terrorist haven. More time might have preserved our sophisticated Bagram air base in the middle of a dangerous region that includes Pakistan and borders the most dangerous country in the Middle East — Iran.

More time would have served our strategic interests.

We did not want to give ourselves or the Afghans more time. Understood. But we were in such a hurry that we left in the middle of the fighting season. We know that the Taliban retreats in the winter. Might we have waited until then and given the Afghans a little more time to develop a strategy to prevent the chaotic fall of Kabul?

Now we have to live with the consequences of our haste.»

Excerto de The Afghan people didn’t choose the Taliban. They fought and died alongside us, Condoleezza Rice, Secretária de Estado dos EUA de 2005 a 2009.

Leitura adicional para ajudar a colocar as coisas em perspectiva: entrevista ao Observador de Thomas Barfield. 

20/08/2021

ARTIGO DEFUNTO: "Despublicação", o nome politicamente correcto da pós-censura

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A peça na imagem divulgada por Telmo Azevedo Fernandes no Blasfémias (corrigido) refere-se a um artigo publicado pelo Público e posteriormente "despublicado" com o pretexto da recusa «em absoluto de promover juízo que tendem a negar a importância ou o relativo consenso científico em torno das vacinas». 

A "despublicação" e a explicação suscitam-me alguns comentários.
 
O primeiro é que a "despublicação", na verdade um acto de pós-censura de uma opinião que já tinha sido publicada, é em si mesma incompatível com o culto e o estímulo da diferença de opiniões que o Pública se auto-atribui.

O segundo é que essa mesma justificação poderia muito bem ser usada para censurar o que se classifica como consenso científico, técnico, ético, moral ou outro qualquer consenso para tornar aceitável a supressão de ideias ou valores divergentes. Poderia, por exemplo, ter sido usada pelo Estado Novo para suprimir quase tudo o que a censura prévia censurou e até mesmo poderia ter sido usada pelo Público para censurar a promoção de comportamentos sexuais divergentes do relativo consenso nacional.

O terceiro comentário, puramente circunstancial, é que a peça publicada tem menos a ver com o suposto consenso científico sobre as vacinas e mais a ver com a denúncia dos «argumentos irracionais, emotivos e políticos, (...) usados pelos (ir)responsáveis e pelos especialistas», denúncia legitimada por vários exemplos de que cito só um: o "debate" entre a Dr.ª Graça e o Prof Marcelo e o posterior comentário do Dr. Costa.

Vivemos num estado policial? (21) - Sim vivemos. E por isso pedimos meças à UE (e ao mundo)

 Outros casos de polícia.

Revista do Expresso

Como venho repetidamente a escrever, Portugal é um dos países com mais polícias por habitante na UE e elsewhere. No caso da UE somos o sexto país em número de agentes mas, apesar disso, estamos na média de gastos com as polícias em percentagem do PIB porque nos polícias e em todas as profissões os salários médios portugueses são mais baixos do que a média da UE (porque recorde-se a produtividade do trabalho em Portugal é 65% da média da UE).

Se o Dr. Costa deixar o Dr. Cabrita cumprir o prometido o ano passado, até 2023 a polícia terá mais 10 mil efectivos o que provavelmente colocará Portugal no topo da UE ou mesmo do mundo.

Mas onde os polícias portugueses mais se distinguem é no seu exacerbado sindicalismo. No último levantamento que fiz há dois anos existiam 17 sindicatos de polícias, tendo o 16.º 451 associados e 459 dirigentes e delegados e o 17.º sindicato 27 polícias todos dirigentes sindicais. O desvelo policial pelo sindicalismo resulta do «trabalho sindical» dos dirigentes dar quatro folgas por mês e o dos delegados sindicais 12 horas.

Em Setembro os polícias irão fazer uma vigília em S. Bento a reivindicar o aumento do subsídio de risco dos agentes da PSP e dos militares da GNR. Faz todo o sentido, porque o salário dos polícias é apenas para ficarem sentados no interior das esquadras. Se se quiser que os polícias façam o trabalho policial expondo-os à meteorologia e aos contactos com a população, nem sempre agradáveis, será preciso pagar-lhe devidamente.

19/08/2021

Possible unintended consequences of Mr Biden's decision


What if the New Middle Kingdom has already begun suggesting to the Taiwan government to see this withdrawal from Afghanistan as an anticipation of what will happen to Taiwan when it happens?

18/08/2021

A liberdade de imprensa e o politicamente correcto

«Although people of different political stripes in Western countries rarely find common ground on political correctness, they may have more in common than compatriots in other parts of the world. A recent survey conducted by Ipsos Mori, a pollster, on behalf of King’s College London asked 23,000 adults in 28 countries about their attitudes towards free speech. They asked respondents to rate, on a scale from zero to seven, how they felt about using potentially hurtful words when speaking with people from different backgrounds to their own. A zero would mean that they felt that “people are too easily offended”; a seven would mean they thought it was necessary to “change the way people talk”.

More than half of respondents in America, Australia, Britain and Sweden rated themselves between zero and three (excluding those who answered “don’t know”), meaning they were the most likely to feel that the general public are too sensitive when it comes to speech. At the other end of the scale, Chinese, Indians and Turks were the least likely to say people were being too sensitive—fewer than one-fifth of the people from these countries responded with a scale of zero to three—instead believing it was necessary to modify their language.

What affects these attitudes across countries? Using an index of press freedom from Reporters Without Borders, a watchdog, we found a strong correlation between the extent of press freedom and individual attitudes towards language. Although people living in places with less press freedom are most receptive to what the Anglosphere would call “political correctness”, it may be that, in countries such as China, cautious use of language is required for self-preservation. That might add fuel to conservatives’ fire that political correctness could somehow erode democratic norms.

The survey also asked respondents whether or not they agreed that “culture wars” were dividing their countries. Americans and Indians were among the most likely to say that they were, with about three-fifths agreeing. By contrast, fewer than one-tenth of Japanese and one-fifth of Russians and Germans thought that culture wars were divisive. Yet country-level responses to this question bear little relationship to their attitudes about offensive speech. Although Americans and Britons are similarly exercised about political correctness, just one-third of Britons are concerned about divisive culture wars.»

People in the West are least worried about hurtful speech

17/08/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (62) - Em terra de cegos, quem tem um olho é rei e quem tem dois é o quê?

A queda acentuada do ritmo de vacinação desde a primeira semana de Julho com a descida da média de 150 mil doses para 70-80 mil nas semanas seguintes parece estar a estabilizar ao redor da média semanal de 90 mil.

Em relação à vacinação completa dos maiores de 18 anos, depois de uns vergonhosos primeiros quatro ou cinco meses, Portugal está bem posicionado no pelotão da frente no quadro da EU/EEA.

ECDC

Quase todos os objectivos estão a ser atingidos ou serão muito provavelmente atingidos nas datas anunciadas. Agradecei o trabalho do Sr. Almirante insultado por um bando de grunhos no sábado à noite em Odivelas, que até hoje o Dr. Costa não se dignou apreciar, possivelmente porque a criatura não tem ficha no PS, 

Após semanas de um concurso de dislates com vários participantes, nomeadamente a Dr.ª Graça e o Dr. Marcelo, que se revelou um inesperado especialista em vacinação, a primeira sucumbiu e recomendou a vacinação do escalão etário 12-15 anos, o que só em Marte seria uma prioridade considerando os adultos que faltam vacinar e o facto desse escalão representar uma percentagem negligenciável dos infectados e num total de 18 mil óbitos apenas haver dois no escalão 10-19.

Compare-se com a Inglaterra que no escalação 12-15 anos apenas vai vacinar os jovens clinicamente vulneráveis ou que vivam com adultos de risco com doenças graves.

16/08/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (98) - Em tempo de vírus (LXXV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Remodelar? Acham que o Dr. Costa é tolo?

Por que cargas de água haveria o Dr. Costa de fazer o que a oposição, que perdeu o norte e arrisca-se a perder o país, quer que ele faça? Por que haveria ele de mandar embora os seus amigos de sempre, ou o seu rival que ele espera continue a ser torrado, ou o lastro que, sendo descartável, lhe dá jeito para entreter a oposição? Logo que ele que na sua fase chinesa aprendeu que se deve manter os amigos por perto e os inimigos ainda mais perto.

A ciência é o que o Dr. Costa quiser

Depois de já ter dito tudo e o seu contrário, a Dr.ª Graça da DGS acabou a recomendar a vacinação dos jovens dos 12 aos 15 anos, recomendação suportada pelos pareceres técnicos desse grande epidemiologista que temos a sorte de ter em Belém. Faz todo o sentido porque, como é sabido, este grupo etário representa prá aí uns 5 % dos infectados e dois ou três dos 18 mil mortos e, ao contrário do que vem dizendo o Sr. Almirante da task force, não temos vacinas a menos, temos vacinas a mais. Se dúvidas houvesse, o Dr. Costa tê-las-ia arrumado definitivamente como uma decisão puramente técnica. Ditosa pátria que tal filho teve!

Take Another Plan. O Dr. Pedro Nuno Santos não salvando o que não tem salvação, ao menos ajuda a Ryanair

Com as operações a metade de 2019 em Agosto e Setembro, a TAP continua a queimar os 1.700 milhões que já recebeu dos contribuintes que em breve se esgotarão, enquanto revê o plano de reestruturação que a CE devolveu.

O Sr. O'Leary não tem mesmo nenhuma razão para tratar mal o Dr. Pedro Nuno comparando-o a Pinóquio, quando a TAP está a dispensar pilotos que a Ryanair se propõe recrutar num lote de mais de 300 profissionais que anunciou pretender contratar para as operações portuguesas e investir 300 milhões dariam imenso jeito ao Dr. Pedro.

Dr. Pedro Nuno, o Anunciador

O Dr. Pedro pode não ter o talento de um gestor mas não se lhe pode negar o talento para fazer anúncios. O mais recente foi o segundo anúncio do concurso de electrificação da linha entre Tunes e Lagos - o primeiro concurso foi anulado. É assim que o pedronunismo, passo a passo, se mostra uma doutrina indispensável a um governo socialista promovendo, antes da obra feita, a obra anunciada, obra com a vantagem de ter apenas um pequeno peso para o erário público, uma verba modesta para preparar concursos.