Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

02/02/2017

Dúvidas (185) - Dará conta do recado? Pelos vistos não

Já tinha as maiores dúvidas que um Guterres, fugido do pântano no país onde era primeiro-ministro, cargo que estava a léguas de ser the hardest tasks on earth, desse conta do recado como secretário-geral da ONU, cargo a que comentadores do regime, opinion dealers e jornalistas de causas em manifestações de delírio chegaram a baptizar como o «mais poderoso do mundo».

Pois bem, ao ler o que escreveu hoje no Expresso Diário Ricardo Costa (um dos admiradores menos delirantes da criatura), dando-lhe de avanço os tweets de Trump como alibi antecipado para o anunciado falhanço, suspeito que Guterres está acabado antes de começar. Leia-se o que escreveu RC:

«Não deve faltar muito para que o Presidente americano comece a tweetar contra a ONU. Basta que a instituição não faça o que ele quer ou permita discursos ou posições pouco alinhadas com Washington. O azar de Guterres é este: é o homem certo, no lugar certo no tempo errado. O tempo atual é pouco favorável à ONU, infelizmente. Vamos ver isso por algum tempo e é quase impossível que António Guterres não seja arrastado nesse processo. Esperemos que ele consiga lutar contra isso. Era um bom sinal e estamos precisados disso.»

A mentira como política oficial (32) - O motor socialista da economia afinal é o défice

«Essa ideia peregrina de que é possível relação a economia sem haver um aumento significativo do investimento público é uma ideia absolutamente fracassada.» 
António Costa no dia 2 de Fevereiro de 2015 citado por João Vieira Pereira



Diagramas extraídos do vídeo «Investimento: de grande motor da alternativa económica do PS a vítima do melhor défice de sempre» de João Vieira Pereira no Expresso.

01/02/2017

SERVIÇO PÚBLICO: Pobreza e desigualdade não são a mesma coisa (2)

Ainda sobre os «Oito bilionários (que) têm tanto como metade da população mundial junta», as estatísticas de causas da Oxfam, a ONG que produziu o relatório bombástico que gerou mais uma onda de indignação, dão razão à boutade atribuída por Mark Twain a Disraeli: «There are three kinds of lies: lies, damned lies, and statistics».

Em primeiro lugar porque as pessoas com menos «riqueza» incluem 420 milhões de adultos com um património negativo, resultante de dívidas em montante superior aos seus activos. E onde estão essas pessoas? Na sua maioria nos países com rendimento per capita mais elevado, incluindo 21 milhões nos Estados Unidos que têm em conjunto uma património negativo de 357 mil milhões. Estes «pobres» são tão ricos que se podem dar ao luxo de se endividar fortemente. Se esses pobres ricos com património negativo forem excluídos, a metade mais pobre dos restantes teria um património equivalente não a oito mas a 98 bilionários.

Em segundo lugar, o património foi convertido das moedas locais em dólares às cotações correntes e não em paridades do poder de compra (PPP). Se usarmos o Bic Mac index da Economist, uma espécie de conversão em PPP a olho por cento, no caso do Egipto, por exemplo, um dólar tem um poder de compra 3,5 maior do que nos EU.

Em terceiro lugar, a metade mais pobre que em termos de património a cotações correntes detém 0,15%, em termos de rendimento a PPP tem 10,6%, ou seja 70 vezes mais, Pode-se comer com o rendimento por menor que seja, mas não se pode comer património.

No final a desigualdade existe porque os homens e as mulheres nunca foram iguais e nunca serão iguais em talento, esforço, determinação. E não pode deixar de existir a não ser numa distopia, que é uma utopia no mundo real. Ainda assim, como na «Animal Farm» de Welles, os animais seriam todos iguais mas uns seriam mais iguais do que outros - a nomenclatura e os apparatchiks que administram a distopia.

[Dados extraídos daqui]

31/01/2017

Que alívio! A culpa da derrapagem nas contas públicas também não é do Benfica...

A boa nova
«A culpa da derrapagem nas contas e na violação sistemática das regras orçamentais por vários países da zona euro é dos políticos. São os governos que não cumprem os planos que traçaram e acabam por ter défices e dívidas acima do previsto. Dito assim, não é um resultado que surpreenda muito quem tem acompanhado o debate sobre a austeridade dos últimos anos. Mas surge agora, pela primeira vez, quantificado no estudo “Fiscal Politics in the Euro Area”, publicado esta segunda-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, da autoria de Vítor Gaspar, Luc Eyraud e Tigran Poghosyan.»

Foi assim que o Expresso, com coragem e desassombro, sintetizou o citado estudo do citado trio de luminárias que, com coragem e desassombro, esclareceu finalmente o mistério da culpa dos défices das contas públicas que afinal não é das agências de rating, nem da economia de casino, nem de Dona Merkel (desta já se sabia pelo menos desde as suas declarações sobre os refugiados), nem mesmo do Benfica (hipótese que os lagartos sopraram para os ouvidos dos mídia quando começaram a perder).

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Crédito malparado e dívida pública - uma função zingarilho recursiva


O mito de Sísifo que a Economist evoca a respeito de Chipre não é de todo aplicável a Portugal que nunca tentou seriamente resolver o pedregulho do crédito malparado que não fez outra coisa se não aumentar. Para termos uma ideia do que vale o malparado estimado pela EBA em quase 20% do PIB, convém saber que foi apresentada uma proposta ao governo e ao BdeP para comprar o malparado por 8% do PIB.

Variação das fontes de financiamento (Expresso)

Se a isso juntarmos o crescente financiamento da dívida pública pelos bancos, temos criadas as condições para aumentar a propagação dos problemas da dívida pública aos bancos e dos problemas dos bancos à dívida pública. É uma espécie de função zingarilho recursiva: quanto mais o Estado se endivida mais os bancos se entropiam; quanto mais os bancos se entropiam mas o Estado se endivida.

30/01/2017

DIÁRIO DE BORDO: A souplesse vence a potência

Os 30 são os novos 20

Federer vs Nadal na final do Open da Austrália 2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (68)

Outras avarias da geringonça.

Começo pela paródia da redução da TSU em que Costa esperava que Passos Coelho e Cristas fizessem os papéis de Jerónimo e Catarina na peça por ele montada e em exibição em todos os teatros nacionais desde a estreia em 26-11-2016.

E ainda a propósito da redução da TSU, rejeitada pelo PCP e as suas sucursais, Arménio Carlos, o ministro do Trabalho da geringonça, deixou em nome da CGTP sérios avisos: «se permanecer nesta perspectiva, naturalmente que isto terá consequências do ponto de vista da contestação popular».


29/01/2017

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (7) - Apenas um chinelo de quarto, por agora (II)

Outras botas para descalçar.

«Alguns comentadores falaram muito sobre o problema da emissão a 4,2%, mas na mesma sessão, logo a seguir, desceu para abaixo de 4% a taxa de juro. E nas sessões seguintes esteve abaixo de 4%, o que significa portanto que não consolidou a tendência que se dizia que era preocupante» disse na semana passada o presidente dos Afectos e suplente a primeiro-ministro e a ministro das Finanças.


Bloomberg

Depois de ter descido para abaixo, o presidente dos Afectos e comentador residente em Belém não reparou que poucos dias depois o yield das OT a 10 anos subiu para cima.

Um dia como os outros na vida do estado sucial (30) - Conflito de interesses

Paulo Macedo, o novo presidente da Caixa, onde terá um salário de mais de 400 mil euros por ano acrescido de eventuais bónus, pediu ao BCE para manter a sua posição no Millenium BCP, a cujos quadros pertence há mais de 23 anos, argumentando que isso não representaria um conflito de interesses à luz da lei. É claro que o BCE, para quem conflitos de interesses tem outro significado, não foi na conversa e Paulo Macedo vai ter de terminar a relação contratual com o Millenium BCP.

Não vou fulanizar a questão e concluir que Paulo Macedo, um profissional competente, de repente se converteu num chico-esperto e aproveitador. Nada disso. Possivelmente Paulo Macedo, como português genuíno e pouco «estrangeirado», viu a manutenção dessa relação contratual, desse «vínculo», como no luso-juridiquês se diz (e quer dizer imenso, só por si), como algo não só legal mas eticamente aceitável neste país.

E é no eticamente aceitável que está o busílis. Porque se, para uma criatura com o status de Paulo Macedo, não há conflito de interesses nessa acumulação, para o português comum conflito de interesses será uma figura de retórica sem aplicação prática numa lusofonia onde só há conflito de interesses num caso de polícia.

28/01/2017

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: O presidente vai nu (4)

Outros nus do presidente.

Prossegue esta série de posts com mais manifestações de desencanto, falta de encanto, preocupação, cansaço, saturação ou mesmo agonia, pelas agitações espasmódicas do presidente Marcelo.

Desta vez são três manifestações que vão desde o historiador Rui Ramos até ao deputado bloquista Luís Fazenda (UDP, estalinista e maoísta), passando pela jornalista Maria João Avilez. À laia de teaser para a leitura das três peças, acrescento um curto comentário sobre cada uma delas.

Rui Ramos disseca com ironia a transformação da táctica em azáfama e exorta «alguém que nos faça o favor de proteger o presidente». No lugar dele eu exortaria alguém a que nos protegesse do presidente.

Luís Fazenda, em tempos UDP, estalinista e maoísta e um dos fundadores e próceres do bloquismo, vai às canelas do homem no estilo trauliteiro que faz parte da marca e de caminho constrói as inevitáveis teorias da conspiração sobre a presumível agenda oculta de Marcelo que, segundo ele, repousa no «desejo de regresso à alternância dos partidos ao centro, a saudade dos liberais europeístas». Alguém deveria explicar-lhe que Marcelo tem de comum com o liberalismo o mesmo que ele Fazenda tem com a social-democracia e o desejo de Marcelo tem mais a ver com a permanência (do próprio Marcelo) do que com a alternância, sobretudo se a alternância se materializasse com um Passos Coelho que ele detesta,

A visão  de Maria João Avilez, mais equilibrada mas igualmente crítica, foca-se na caução pública da governação da geringonça que Marcelo se presta a publicamente a fazer.

De uma maneira ou de outra, estas manifestações prenunciam o fim do estado de graça de Marcelo Rebelo de Sousa, o que, só por si, será um desfecho higiénico para mais um mal-entendido desta democracia defeituosa.

27/01/2017

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (73) - Falem menos uns com os outros

Manifestação de protesto contra Donald Trump (Economist)
«Those who oppose the president need to spend more time thinking about how to win over people who voted for Mr Trump and less time talking to each other.»

SERVIÇO PÚBLICO: Pobreza e desigualdade não são a mesma coisa



A propósito de «Oito bilionários têm tanto como metade da população mundial junta» alguém me enviou o vídeo acima, o que nos deveria a levar a pensar «E se os oito mais ricos deixassem de ser tão ricos o que ganhavam os pobres com isso?»

26/01/2017

Dúvidas (184) – Irá o Brexit consumar-se? (V)

Outras dúvidas sobre a consumação do Brexit.


Pois parece que sim, que se vai consumar. O governo inglês acabou de enviar ao parlamento para aprovação «A one-clause bill for Article 50», provavelmente a lei mais curta que alguma vez foi apresentada:
«(1)The Prime Minister may notify, under Article 50 (2) of the Treaty on European Union, the United Kingdom’s intention to withdraw from the EU. 
(2)This section has effect despite any provision made by or under the European Communities Act 1972 or any other enactment.»
That's it.

CASE STUDY: Trumpologia (10) - O Donald é um copycat

Mais trumpologia.

Afinal Trump não vai construir um novo muro. Começado a construir por Bush pai e continuado pelo marido da sua adversária Hillary Clinton, o muro já existe em 1.130 km da fronteira com 3.141 km.

E ao nomear Senior adviser o seu genro Jared Kushner também não é o primeiro a romper com a regra de não nomear parentela para lugares oficiais. Teve dois precursores ambos democratas e lendas do American Dream.

JFK nomeou em 1961 como procurador-geral o seu irmão Robert, o mesmo que autorizou escutas nos quartos de hotel onde ficasse Martin Luther King e disse um dia «I did not lie awake at night worrying about the problems of Negroes». E Bill Clinton nomeou em 1993 a sua mulher Hillary para a Task force para a Reforma do Sistema de Saúde.

As suas políticas de anti-globalização, intervencionismo estatal e investimento público para puxar pela economia também não têm nenhuma novidade. Há décadas são defendidas pela esquerdalhada.

O seu discurso, a forma como lida com os mídia, a sua manipulação pela «pós-verdade» e os «factos alternativos», são uma cópia tosca do agitprop inventando pelos comunistas soviéticos nos anos 20. Não admira, por isso, que «1984», onde George Orwell retrata a distopia soviética, esteja a ser um best-seller, de novo, quase 70 anos depois.

CASE STUDY: Democracias defeituosas

«Declining trust in government is denting democracy» (The Economist)

«A AMÉRICA, que há muito se define como porta-estandarte da democracia para o mundo, tornou-se uma "democracia defeituosa" de acordo com o Índice de Democracia anual da Economist Intelligence Unit... A sua pontuação caiu para 7,98 em 2016 de 8,05 em 2015, ficando abaixo do limite de 8,00 para uma "democracia plena". O downgrade não foi uma consequência de Donald Trump, afirma o relatório. Em vez disso, foi causada pelos mesmos factores que levaram Trump à Casa Branca: uma erosão contínua da confiança no governo e nas autoridades eleitas, que o índice mede usando dados de pesquisas globais. No total, incorpora 60 indicadores em cinco grandes categorias: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política democrática e liberdades civis.»

Democracy Index 2016 - Revenge of the “deplorables” (The Economist Intelligence Unit)

Finalmente estamos na mesma liga dos Estados Unidos: a liga das democracias defeituosas. Porquê? Repare-se nos scores de «Funcionamento do governo», «Participação política» e «Cultura Política». Voilà.

É claro que tudo seria diferente se tivessem incluído o factor «Afectos» onde, graças ao presidente Marcelo, rebentaríamos o score.

25/01/2017

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (6) - Apenas um chinelo de quarto, por agora

Outras botas para descalçar.

«Alguns comentadores falaram muito sobre o problema da emissão a 4,2%, mas na mesma sessão, logo a seguir, desceu para abaixo de 4% a taxa de juro. E nas sessões seguintes esteve abaixo de 4%, o que significa portanto que não consolidou a tendência que se dizia que era preocupante.»

Foram estas as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, comentador residente em Belém. É claro que esta elucubração, só por si, quando comparada com a bota da geringonça que o presidente dos Afectos terá de descalçar em devido tempo, é apenas um chinelo de quarto que sacudirá do pé com a habitual ligeireza.

E por falar no desceu para abaixo do presidente dos Afectos...

Era este o sobe e desce nos 12 meses que antecederam o resgate
... recordei o sobe e desce registado neste post dos tempos de Sócrates em que o próprio, o seu adjunto Teixeira dos Santos, o séquito socialista e o coro do jornalismo de causas trombeteavam cada descida com grande júbilo.

Com a verdade nos engana

Questionado pelo DN por haver «quem o acuse de ingerência em matérias governativas e de estar a presidencializar o regime», Marcelo Rebelo de Sousa garante que até tem «uma interpretação muito comedida dos poderes presidenciais».

Pode parecer que de Marcelo nos está a atirar areia para os olhos como de costume, mas é uma boa imagem do que tem sido a sua presidência a correr a trás do governo da geringonça, qual agente facilitador, justificando o que faz ou decide, atestando a bondade dessas decisões e a sua conformidade e felicitando-se com o que vê como um sucesso.

Antecipo que assim continuará enquanto puder porque o seu desejo doentio de popularidade e o pavor de não ser amado tornam-lhe impossível conviver com o rufar das pandeiretas da esquerdalhada e enfrentar as tropas que apoiam o governo, em particular os pelotões do jornalismo de causas.

24/01/2017

Lost in translation (284) - Discriminação encapotada no NYT

«Oscar Nominations 2017: 14 for ‘La La Land,’ and 6 for Black Actors»

Black actors? Não deveria ser African-American? E os Asian-American?  E os Hispanic-American? E os Indian-American? E os Native-American, sem os quais não haveria coboiadas?

No melhor pano cai a pior nódoa. Há um longo trabalho de educação que nos espera!

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (27)

Outras preces.

Há anos que não consigo ver mais do que alguns minutos das performances televisivas do agora presidente Marcelo. Pouco depois da sua ascensão a Belém, a minha tolerância reduziu-se rapidamente e desde há alguns meses tornei-me em absoluto incapaz de as ver.Tudo para dizer que não vi a entrevista presidencial de domingo.

Vou por isso comentar apenas dois detalhes amplamente documentados na imprensa. O primeiro foi a sua confirmação de continuar a privar com Ricardo Salgado, o que tem para mim dois lados. O lado positivo: o homem tem a coragem de não abandonar os seus amigos presumivelmente criminosos que deram emprego à sua eterna namorada; e o lado negativo: o homem não se distancia dos seus amigos presumivelmente criminosos que deram emprego à sua eterna namorada.

O segundo detalhe também tem para mim dois lados. O lado que confirma que mesmo que garanta só mudar de ideias se Cristo voltar à terra, o homem é bem capaz de o fazer sem Cristo se dignar aparecer-nos, como foi agora depois de ter deixado implícito que ficaria só por um mandato ter revelado que só lá para Setembro de 2020 é que decidirá, E o lado que confirma o que ele próprio concluiu ter dito Passos Coelho sobre a sua pessoa: «catavento de opiniões mediáticas».

Clicar para ampliar (Expresso)
Já agora, deixai-me fazer um prognóstico sobre o provável triste fim que pode esperar quem, esforçando-se por amanteigar uma esquerda que só o tolera porque a amanteiga, se sentir obrigado a largar a manteiga para ele próprio não se afundar, quando essa esquerda se afundar e levar o país consigo, uma vez mais. Nessa altura, pode muito bem Marcelo ficar sem esquerda e sem país. Para quem imagina que a popularidade de Marcelo é um seguro contra todos os riscos, lembremos, que Cavaco, odiadíssimo no final do seu segundo mandato, tinha no final do primeiro ano uma popularidade superior à de Marcelo.

23/01/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (67)

Outras avarias da geringonça.

Começo pela paródia da TSU culminada por Costa a acusar o PSD de não aceitar fazer de suplente da geringonça, substituindo o PCP e o BE.

Corrigindo e completando o que escrevi a semana passada sobre o aumento das exportações: segundo os dados do Eurostat, aumentaram as exportações para a UE, mas caíram as para fora da UE e o total estagnou nos onze primeiros meses de 2016.

Continuam a surgir fissuras na geringonça na área da Saúde. O ministro admite que existam hospitais como parcerias público-privadas. Contudo, comunistas e bloquistas insistem em mais uma «reversão» com argumentos tão estúpidos que fazem dó - leia-se a propósito o que escreveu José Manuel Fernandes sobre a polémica com o BE (aqui citada).