«A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, declarou-se "profundamente chocada" com o assassínio da advogada de Estremoz, praticado pelo marido de uma cliente da causídica, reconhecendo que as profissões ligadas ao judiciário, incluindo juízes, procuradores, agentes de execução, são profissões de "altíssimo risco".» (DN)
Já tinha chegado a essa conclusão com a morte de Will Gardner durante um julgamento. Foi uma grande perda profissional para Lockart & Gardner e um grande desgosto para Alicia, Diane e Kalinda.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
08/05/2014
Chávez & Chávez, Sucessores (21) – Contabilidade criativa e estatísticas de causas, a receita do regime
Appearances deceive in Venezuela
By our calculations, had import volumes remained at their 2012 levels, overall GDP would have contracted by 3.5%. Worse still, had Q4 import volumes mirrored their year-earlier levels, real GDP would have dropped by a startling 9.4%. The government has pledged to address shortages by increasing the disbursements of US dollars available for purchase this year, but this will increase import volumes. Assuming that oil production continues to fall, the external sector will drag badly on overall GDP. With Maduro under increasing pressure to meet protestors' demands, it appears that there is no end in sight to Venezuela's economic woes.
Simon Baptist, The Economist Intelligence Unit, Chief Economist
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PUBLIC SERVICE: «Too big to fail» - another financial volcanic eruption in the making (2)
Ainda a propósito deste tema, da inerente fatalidade das crises afligirem o sistema financeiro e do provável contributo da intervenção militante dos governos resgatando indiscriminadamente bancos, anestesiando a percepção do risco com garantias elevadas de depósitos e injectando artificialmente liquidez com as impressoras dos bancos centrais, foi recentemente publicado «Money Mania» de Bob Swarup (ler esta review do FT) que conclui que sim, as crises financeiras são inevitáveis, desde a do Imperador Augusto – o primeiro keynesiano da história, segundo Swarup -, e cada vez mais frequentes à medida que os sistemas se tornam mais complexos.
É difícil não concordar com os remédios que Swarup prescreve, não para acabar com as crises, que segundo ele seria um propósito utópico, mas para as limitar na frequência, na extensão e na profundidade. O primeiro remédio é não tomar demasiados remédios, criando pesadas regulações financeiras – meu conselho pessoal: fazer uma fogueira com os milhares de páginas da lei Dodd-Frank (ver este post) e desmanchar a teia de aranha que lhe está associada.
O mais importante, escreve Swarup e eu concordo, é limitar o volume de débito total na economia reduzindo a alavancagem dos bancos – meu conselho pessoal: abandonar as fantasias do capital do banco em função do risco (que ele próprio mede!) e regressar a uma percentagem prudente do activo total.
O segundo remédio é não deixar os bancos serem demasiado grandes (ver o artigo de Martin Wolf citado no post anterior) – aumentar o capital mínimo exigido em percentagem do activo vai nesse caminho na medida em que obriga os accionistas a meter a cabeço no cutelo em vez de alavancarem desmesuradamente os depósitos dos clientes.
Tomados os dois primeiros, o terceiro remédio é aceitar as crises como um facto inexorável resultante da natureza humana, consolando-nos com o facto histórico de várias crises terem eclodido em resultado de grandes inovações a que se seguiram períodos de especulação desmedida e optimismo irracional.
É difícil não concordar com os remédios que Swarup prescreve, não para acabar com as crises, que segundo ele seria um propósito utópico, mas para as limitar na frequência, na extensão e na profundidade. O primeiro remédio é não tomar demasiados remédios, criando pesadas regulações financeiras – meu conselho pessoal: fazer uma fogueira com os milhares de páginas da lei Dodd-Frank (ver este post) e desmanchar a teia de aranha que lhe está associada.
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| A teia de aranha segundo a Economist |
O segundo remédio é não deixar os bancos serem demasiado grandes (ver o artigo de Martin Wolf citado no post anterior) – aumentar o capital mínimo exigido em percentagem do activo vai nesse caminho na medida em que obriga os accionistas a meter a cabeço no cutelo em vez de alavancarem desmesuradamente os depósitos dos clientes.
Tomados os dois primeiros, o terceiro remédio é aceitar as crises como um facto inexorável resultante da natureza humana, consolando-nos com o facto histórico de várias crises terem eclodido em resultado de grandes inovações a que se seguiram períodos de especulação desmedida e optimismo irracional.
07/05/2014
Pro memoria (167) – Um programa de sound bites
Na entrevista do Expresso ontem divulgada, António José Seguro fez o costume: debita uma fiada desconexa de sound bites vazios de ideias, na melhor hipótese, e faz promessas que só os patetas podem acreditar, na pior.
Esta pior hipótese das promessas irrealizáveis dar-lhe-á provavelmente a maioria nas eleições legislativas, visto o número de eleitores patetas se não assegura uma vitória dá um precioso contributo. «Comigo não haverá despedimentos na função pública» significa que Seguro ou está conscientemente a mentir ou, pior, não tem a mínima intenção de reformar o Moloch engordado durante décadas pelo seu partido com algumas ajudas do PSD e do CDS.
«Garantir que não haverá aumento da carga fiscal» para quem se opôs ao aumentos de impostos do governo PSD-CDS é avalizar retroactivamente aquilo a que se opôs. Desculpar-se com não saber o estado em que irá «receber o país» é uma desculpa de mau pagador por duas razões:
Seguro tem razão quando diz «a resposta mais fácil é prometer tudo a toda a gente. Mas disso os portugueses estão fartos», e é grave que, uma vez mais, ele faça o mesmo com a maior das faltas de vergonha ou das inconsciências, se preferirem.
Talvez a única coisa aproveitável da sua entrevista tenha sido a dúvida que colocou às assessoras de imagem: «fico melhor com casaco aberto ou fechado?»
Esta pior hipótese das promessas irrealizáveis dar-lhe-á provavelmente a maioria nas eleições legislativas, visto o número de eleitores patetas se não assegura uma vitória dá um precioso contributo. «Comigo não haverá despedimentos na função pública» significa que Seguro ou está conscientemente a mentir ou, pior, não tem a mínima intenção de reformar o Moloch engordado durante décadas pelo seu partido com algumas ajudas do PSD e do CDS.
«Garantir que não haverá aumento da carga fiscal» para quem se opôs ao aumentos de impostos do governo PSD-CDS é avalizar retroactivamente aquilo a que se opôs. Desculpar-se com não saber o estado em que irá «receber o país» é uma desculpa de mau pagador por duas razões:
- O acompanhamento dos técnicos da troika e a malha da contabilidade apertada pelo Eurostat nos últimos anos não lhe alimentam os receios, ao contrário das trapalhadas de contabilidade criativa herdadas do governo Sócrates que levaram a corrigir retroactivamente os défices de uns pontos percentuais e a dívida pública de quase uma dezena de pontos;
- Pela falta de legitimidade como líder de um partido que foi governo durante 6 anos em que deixou o país da pantanas, durante os quais o então dirigente Seguro nunca cuidou de saber o estado em que esse governo estava a deixar o país.
Seguro tem razão quando diz «a resposta mais fácil é prometer tudo a toda a gente. Mas disso os portugueses estão fartos», e é grave que, uma vez mais, ele faça o mesmo com a maior das faltas de vergonha ou das inconsciências, se preferirem.Talvez a única coisa aproveitável da sua entrevista tenha sido a dúvida que colocou às assessoras de imagem: «fico melhor com casaco aberto ou fechado?»
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ACREDITE SE QUISER: Profissão de desgaste rápido?
«A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) lançou ontem uma petição pública com vista a que o estatuto profissional da PSP consagre a profissão como de desgaste rápido. A ASPP/PSP cita um estudo realizado em 2010, segundo o qual os profissionais da PSP têm uma esperança de vida média inferior em 11 anos à média nacional, o que atribuem ao exercício da profissão.» (Económico)
Pode haver várias razões para uma esperança de vida mais reduzida, mas será precisa fé para acreditar que isso se deva ao stress da profissão por falta de efectivos, quando se sabe que o «Police Personnel» em Portugal era em 2010 de 47.409 efectivos ou 444,1 por 100.000 habitantes o que coloca Portugal no top dos estados mais policiados do mundo e na Europa só somos ultrapassados por Malta (460,5) e pela Irlanda do Norte (470,5) e no mundo, além daqueles dois países, só algumas ilhas perdidas no meio do Atlântico, Índico e Pacífico é que nos levam a melhor (ver este post).
Com tais efectivos o corpo policial não terá dificuldades em atingir o mínimo de signatários para levar o assunto ao parlamento - basta que um em cada dez polícias assine a petição.
Pode haver várias razões para uma esperança de vida mais reduzida, mas será precisa fé para acreditar que isso se deva ao stress da profissão por falta de efectivos, quando se sabe que o «Police Personnel» em Portugal era em 2010 de 47.409 efectivos ou 444,1 por 100.000 habitantes o que coloca Portugal no top dos estados mais policiados do mundo e na Europa só somos ultrapassados por Malta (460,5) e pela Irlanda do Norte (470,5) e no mundo, além daqueles dois países, só algumas ilhas perdidas no meio do Atlântico, Índico e Pacífico é que nos levam a melhor (ver este post).
Com tais efectivos o corpo policial não terá dificuldades em atingir o mínimo de signatários para levar o assunto ao parlamento - basta que um em cada dez polícias assine a petição.
06/05/2014
ARTIGO DEFUNTO: Premonições de causas
Dois jornais que se consideram de referência publicaram em 5 de Fevereiro de 2011, a menos de 2 meses do pedido de ajuda do governo de Sócrates ao FMI, e em 28 de Setembro de 2013, na véspera de eleições municipais, nas suas primeiras páginas as seguintes notícias:
| Recordado no Blasfémias |
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Lost in translation (203) - «Tortura psicológica e terrorismo social», disse um notório herdeiro espiritual do Gulag
«O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou hoje o Governo de fazer "tortura psicológica e terrorismo social" contra os funcionários públicos».
Relembrando: Arménio Carlos é de há muitos anos membro do PCP, uma organização que durante décadas foi tributária de um partido comunista e de um regime soviético que manteve durante 30 anos, de 1930 a 1960, um sistema prisional de trabalhos forçados principalmente para a repressão política de dissidentes. A Administração Principal dos Campos e Colónias Correctivas de Trabalho, ou na sigla em russo Gulag, chegou a ter 53 campos e 423 colónias de trabalho por onde passaram 14 milhões de pessoas, das quais 1,6 milhões morreram.
Arménio Carlos é igualmente um notório prosélito dos regimes despóticos da Coreia do Norte e de Cuba.
Não se conhece a Arménio Carlos uma palavra, um estado de alma, um sobressalto cívico, um suspiro, uma distância, de um ideário, de um regime e, em concreto, deste sistema repressivo de trabalhos forçados.
Relembrando: Arménio Carlos é de há muitos anos membro do PCP, uma organização que durante décadas foi tributária de um partido comunista e de um regime soviético que manteve durante 30 anos, de 1930 a 1960, um sistema prisional de trabalhos forçados principalmente para a repressão política de dissidentes. A Administração Principal dos Campos e Colónias Correctivas de Trabalho, ou na sigla em russo Gulag, chegou a ter 53 campos e 423 colónias de trabalho por onde passaram 14 milhões de pessoas, das quais 1,6 milhões morreram.
Arménio Carlos é igualmente um notório prosélito dos regimes despóticos da Coreia do Norte e de Cuba.
Não se conhece a Arménio Carlos uma palavra, um estado de alma, um sobressalto cívico, um suspiro, uma distância, de um ideário, de um regime e, em concreto, deste sistema repressivo de trabalhos forçados.
Pro memoria (166) - «Neste momento não há direitos humanos» em Portugal
A que momento se refere Mário Soares?
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| Ao momento da 1.ª intervenção do FMI? |
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| Ao momento da 2.ª intervenção do FMI? |
05/05/2014
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Se saímos a ele o devemos
Ponto: Senhor Engenheiro como comenta a saída limpa?
Senhor Engenheiro: Em primeiro lugar é preciso não esquecer que só foi necessário sair porque tivemos de entrar.
Ponto: Como assim?
Senhor Engenheiro: Tivemos de entrar porque o Coelho votou contra o PEC IV.
Ponto: Mas diz-se que o governo já não tinha dinheiro para pagar salários…
Senhor Engenheiro: É mentira. É uma enorme falsidade. O dinheiro sempre apareceu quando foi preciso.
Ponto: Como assim?
Senhor Engenheiro: Olhe, veja a dívida que o meu governo deixou... praticamente 100% do PIB… Acha que teria sido possível se o dinheiro não tivesse aparecido?
Ponto: Voltando à saída limpa…
Senhor Engenheiro: É absolutamente enganadora a versão histórica que o primeiro-ministro tem dado, segundo a qual foi o anterior Governo que atirou Portugal para a ajuda externa.
Ponto: Mas não foi o seu governo que pediu ajuda?
Senhor Engenheiro: Porque o Coelho votou contra o PEC IV. O pedido de ajuda foi uma medida patriótica do meu governo que aproveitou a este governo e lhe permitiu fazer o brilharete.
Ponto: Com o PEC IV não teria sido necessária a austeridade?
Senhor Engenheiro: Não. De maneira nenhuma. Seria uma espécie de redressement avant la lettre, como o do mon ami François.
(Diálogo quase imaginário, imaginado a partir do tempo de antena do senhor Engenheiro)
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E agora José?
Lost in translation (202) - Se não nos derem o cavalo para o chuto, podemos suicidar-nos
«Se a negociação falhar, podemos impor a reestruturação da dívida», disse o professor doutor em Economia Francisco Louçã, também conhecido por tele-evangelista, entrevistado pelo Económico a quem também confessou não afastar a ideia de poder candidatar-se a Belém.
Lost in translation (201) – «Estou-me nas tintas para as eleições», disse ele
Se dúvidas houvesse, e havia poucas, as últimas semanas provaram à saciedade que Passos Coelho e o seu governo podem estar-se nas tintas, e estão, para muitas coisas, como um resquício de consistência, por exemplo, mas não para as eleições.
Depois de sucessivas declarações definitivas que os impostos não seriam aumentados, o governo divulga um Documento de Estratégia Orçamental cujas principais medidas são o aumento do IVA para 23,25% e da TSU dos trabalhadores de 0,2%. São mentiras gratuitas por se tratar de aumentos pouco significativos mas que serão trombeteados pela oposição como se fossem significativos, e inúteis, pelas razões que mais adiante se verão, que só não são mais graves porque têm feito parte das tácticas de comunicação de todos os governos, incluindo o presente, frequentemente em doses imoderadas, como nos governos de José Sócrates, e com os quais poucos se sentiram incomodados, enquanto não se percebeu que as vacas estavam gordas com a forragem comprada a crédito.
Contudo, mais do que mentiras, estas medidas, das quais resultam em essência poupar os funcionários públicos e os pensionistas à custa dos activos do sector privado, mostram que, se até agora o governo pouco reformou o Estado, a partir de agora e até ao final do mandato trata-se apenas de tentar recuperar para ganhar as eleições de 2015 o suficiente dos mais de 4 milhões de votos de funcionários públicos e de pensionistas, que constituem o que Medina Carreira chamou o «Partido do Estado» e que em grande parte são votos cativos do PS e do PC.
Posso estar enganado, mas prevejo que com estas medidas o governo perca mais votos da sua base eleitoral (sobretudo para a abstenção) do que os que espera ganhar do «Partido do Estado», desiludindo quem esperava um ímpeto reformista que não se viu e não convencendo quem acha que para fintar as reformas indispensáveis, para prometer amanhãs que cantam e para torrar dinheiro que não existe o Partido Socialista será sempre mais competente.
Se assim for, será mais um tiro no pé da coligação e, pior do que tudo, um tiro nos pés de barro da recuperação do país. Assim se confirmará o que os portugueses mais lúcidos (ou mais pessimistas, como os mal informados os chamam) já concluíram: o país é irreformável pelos portugueses.
Depois de sucessivas declarações definitivas que os impostos não seriam aumentados, o governo divulga um Documento de Estratégia Orçamental cujas principais medidas são o aumento do IVA para 23,25% e da TSU dos trabalhadores de 0,2%. São mentiras gratuitas por se tratar de aumentos pouco significativos mas que serão trombeteados pela oposição como se fossem significativos, e inúteis, pelas razões que mais adiante se verão, que só não são mais graves porque têm feito parte das tácticas de comunicação de todos os governos, incluindo o presente, frequentemente em doses imoderadas, como nos governos de José Sócrates, e com os quais poucos se sentiram incomodados, enquanto não se percebeu que as vacas estavam gordas com a forragem comprada a crédito.
Contudo, mais do que mentiras, estas medidas, das quais resultam em essência poupar os funcionários públicos e os pensionistas à custa dos activos do sector privado, mostram que, se até agora o governo pouco reformou o Estado, a partir de agora e até ao final do mandato trata-se apenas de tentar recuperar para ganhar as eleições de 2015 o suficiente dos mais de 4 milhões de votos de funcionários públicos e de pensionistas, que constituem o que Medina Carreira chamou o «Partido do Estado» e que em grande parte são votos cativos do PS e do PC.
Posso estar enganado, mas prevejo que com estas medidas o governo perca mais votos da sua base eleitoral (sobretudo para a abstenção) do que os que espera ganhar do «Partido do Estado», desiludindo quem esperava um ímpeto reformista que não se viu e não convencendo quem acha que para fintar as reformas indispensáveis, para prometer amanhãs que cantam e para torrar dinheiro que não existe o Partido Socialista será sempre mais competente. Se assim for, será mais um tiro no pé da coligação e, pior do que tudo, um tiro nos pés de barro da recuperação do país. Assim se confirmará o que os portugueses mais lúcidos (ou mais pessimistas, como os mal informados os chamam) já concluíram: o país é irreformável pelos portugueses.
04/05/2014
ACREDITE SE QUISER: Há desempregados que não têm emprego e há empregos que não têm desempregados
«Desde o início de 2014 que têm ficado em média, por mês, 5737 ofertas de emprego por preencher. Os dados, do Instituto de Emprego e Formação Profissional, revelam ainda que, em 2013, das 137.456 ofertas de emprego criadas só 60% foram preenchidas.
A área da agricultura é uma das mais afetadas pela falta de mão-de-obra, razão pela qual muitos empresários recorrem a estrangeiros para trabalhar.
Na Hortomelão, que no pico das colheitas emprega 600 pessoas, 90% são estrangeiras, pela simples razão de que os portugueses não querem trabalhar nas tarefas disponibilizadas.
Carlos Ferreira, diretor executivo da empresa, recorda a má experiência que teve ao procurar um centro de emprego no Alentejo: "apresentaram-me 900 pessoas potenciais interessadas. Pedi para fazerem uma triagem e propuseram-me 600. Insisti para que apurassem o processo de selecção e acabaram por me apresentar 90 interessados. Passámos uma semana a fazer entrevistas e só 30 aceitaram. No entanto, só 15 se apresentaram ao trabalho. Foram inventando desculpas e, resultado, ficámos apenas com uma pessoa, ...que era estrangeira".»
(Fonte: Expresso)
A área da agricultura é uma das mais afetadas pela falta de mão-de-obra, razão pela qual muitos empresários recorrem a estrangeiros para trabalhar.
Na Hortomelão, que no pico das colheitas emprega 600 pessoas, 90% são estrangeiras, pela simples razão de que os portugueses não querem trabalhar nas tarefas disponibilizadas.
Carlos Ferreira, diretor executivo da empresa, recorda a má experiência que teve ao procurar um centro de emprego no Alentejo: "apresentaram-me 900 pessoas potenciais interessadas. Pedi para fazerem uma triagem e propuseram-me 600. Insisti para que apurassem o processo de selecção e acabaram por me apresentar 90 interessados. Passámos uma semana a fazer entrevistas e só 30 aceitaram. No entanto, só 15 se apresentaram ao trabalho. Foram inventando desculpas e, resultado, ficámos apenas com uma pessoa, ...que era estrangeira".»
(Fonte: Expresso)
Dúvidas (39) – Aprendizes de feiticeiro?
Como pode um «documento confidencial do Governo» ser citado na 1.ª página Expresso? E, se não for pedir demasiado, como pode um documento desses ter sido «enviado a alguns membros do governo e a comentadores»? A comentadores?
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03/05/2014
DIÁRIO DE BORDO: «There are few things more dangerous than making life too easy»
Não vou contar a estória de Peter Munk que está aqui contada. Vou apenas reter a sua filantropia e as suas lições de vida relatadas pela Economist:
«Mr Munk is less troubled by the prospect of failure this time around. He plans to give almost all of his fortune to charity, and has already made a start by giving $160m to hospitals and universities in Canada and Israel. He wishes to spare his children the curse of too much inherited wealth. Take it from a man who knows a thing or two about success or failure: there are few things more dangerous than making life too easy.»
Acrescento um juízo de Munk sobre si próprio que poderia ser uma outra lição de vida para a legião de patetas, convencidos da sua genialidade, cujo talento se resume a explicar com estudado diletantismo a invisível diferença entre seu putativo talento e a falta dele:
«I'm not exactly an Einstein, so I compensate by being more focused»
«Mr Munk is less troubled by the prospect of failure this time around. He plans to give almost all of his fortune to charity, and has already made a start by giving $160m to hospitals and universities in Canada and Israel. He wishes to spare his children the curse of too much inherited wealth. Take it from a man who knows a thing or two about success or failure: there are few things more dangerous than making life too easy.»
Acrescento um juízo de Munk sobre si próprio que poderia ser uma outra lição de vida para a legião de patetas, convencidos da sua genialidade, cujo talento se resume a explicar com estudado diletantismo a invisível diferença entre seu putativo talento e a falta dele:
«I'm not exactly an Einstein, so I compensate by being more focused»
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02/05/2014
Chávez & Chávez, Sucessores (20) – Na corrida do salário mínimo contra a inflação quem ganha são as prateleiras vazias
Desde que Chávez apareceu ao herdeiro sob a forma de pajarito, Nicolás Maduro já aumentou cinco vezes o salário mínimo, a última das quais em 30%. Em breve terá que aumentá-lo novamente porque a inflação aproxima-se perigosamente dos 60% anuais.
O aumento dos salários de pouco serve porque as prateleiras das lojas estão vazias pelo efeito duplo da fixação de preços artificiais pelo governo e pela escassez de bens importados por falta divisas.
A Venezuela parece-se cada vez mais com uma Cuba com petróleo e sem os manos Castro.
O aumento dos salários de pouco serve porque as prateleiras das lojas estão vazias pelo efeito duplo da fixação de preços artificiais pelo governo e pela escassez de bens importados por falta divisas.
A Venezuela parece-se cada vez mais com uma Cuba com petróleo e sem os manos Castro.
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CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (2)
O equilíbrio das contas externas, depois de décadas de défices e endividamento crescente ao exterior, foi provavelmente o maior sucesso resultante da intervenção da troika. Foi mas já não é. Veja-se o quadro seguinte, resumo das Estatísticas da Balança de Pagamentos e da Posição de Investimento Internacional no Boletim Estatístico do BdeP publicado esta semana.
Como não podia deixar de ser, com todos os sinais do consumo a disparar, os resultados dos dois primeiros meses do ano apontam claramente para a degradação das contas externas por via do aumento do défice nos Bens, insuficientemente compensado pelo aumento do superavit dos Serviços resultante do aumento do turismo. E as coisas podem ser piores do que parecem, porque a comparação com o período homólogo de 2013 esconde a evolução favorável quase até ao fim do ano de 2013. Compromete-se assim a tendência para a redução dos passivos nas Posições de investimento internacional que se tinham reduzido de 507,1 em 2010 para 468,9 mil milhões (Quadro C.3.0 do BE).
Poderia dizer-se que o aumento das importações resultaria dos bens de capital indispensável para o investimento com vista a aumentar a capacidade de produção. Pois poderia, mas receio que se trataria de wishful thinking quando se vêem as Estatísticas de Comércio Internacional de Fevereiro 2014 do INE e se constata nos 3 meses terminados em Fevereiro ter a importação de bens de capital aumentado 233 milhões, enquanto a importação de automóveis e bens de consumo aumentou 512 milhões.
Como não podia deixar de ser, com todos os sinais do consumo a disparar, os resultados dos dois primeiros meses do ano apontam claramente para a degradação das contas externas por via do aumento do défice nos Bens, insuficientemente compensado pelo aumento do superavit dos Serviços resultante do aumento do turismo. E as coisas podem ser piores do que parecem, porque a comparação com o período homólogo de 2013 esconde a evolução favorável quase até ao fim do ano de 2013. Compromete-se assim a tendência para a redução dos passivos nas Posições de investimento internacional que se tinham reduzido de 507,1 em 2010 para 468,9 mil milhões (Quadro C.3.0 do BE).
Poderia dizer-se que o aumento das importações resultaria dos bens de capital indispensável para o investimento com vista a aumentar a capacidade de produção. Pois poderia, mas receio que se trataria de wishful thinking quando se vêem as Estatísticas de Comércio Internacional de Fevereiro 2014 do INE e se constata nos 3 meses terminados em Fevereiro ter a importação de bens de capital aumentado 233 milhões, enquanto a importação de automóveis e bens de consumo aumentou 512 milhões.
01/05/2014
Povo combate a austeridade no dia do trabalhador consumidor atacando as lojas do Pingo Doce (outra vez)
A coisa desta vez parece ter passado sem grandes indignações, salvo um numeroso grupo de 15 pessoas que no Porto se juntaram «para denunciar a abertura da grande distribuição no 1.º de Maio, no que dizem ser uma “clara afronta aos trabalhadores” que pretendiam «comemorar» este dia feriado.»
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| Foto do ataque de há 2 anos |
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antes isso que outra coisa,
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Bons exemplos (79) – In vino veritas
«I love Portugal because it offers tremendous value and variety, with wines that you won’t find anywhere else. And the Douro Valley, the region famous for those fortified ports and its stunningly beautiful landscape, leads the way.
Much of the country’s charm is in the sheer variety of its grapes, many of which are indigenous and not widely grown in other countries. Portugal has not succumbed to the lure of chardonnay and cabernet. It shares some grapes with Spain, of course. Albariño and godello appear here as alvarinho and gouveio. Tempranillo, the great red grape of Rioja and Ribera del Duero, plays a supporting role throughout Portugal under a variety of pseudonyms. Syrah makes a cameo appearance, though it hasn’t stolen the show.
If you enjoy keeping track of the grape varieties you’ve tasted, you can add extensively to your repertoire by exploring the wines of Portugal. The port grapes of touriga nacional, touriga franca, tinta roriz (Portugal’s main pseudonym for tempranillo) and tinta cao form the major red blends from the Douro. Farther south, trincadeira anchors the reds along with aragonez (another name for tempranillo), while fernao pires shines in aromatic whites. If you search, you can find touriga in Virginia or Australia, and others maybe in experimental vineyards, but most of these varieties are unique to Portugal.»
Why Portugal is high on a wine lover’s list, Dave McIntyre no WSJ
Espera-se que o governo não faça nada e deixe o cluster do vinho fazer por ele próprio.
Much of the country’s charm is in the sheer variety of its grapes, many of which are indigenous and not widely grown in other countries. Portugal has not succumbed to the lure of chardonnay and cabernet. It shares some grapes with Spain, of course. Albariño and godello appear here as alvarinho and gouveio. Tempranillo, the great red grape of Rioja and Ribera del Duero, plays a supporting role throughout Portugal under a variety of pseudonyms. Syrah makes a cameo appearance, though it hasn’t stolen the show.
If you enjoy keeping track of the grape varieties you’ve tasted, you can add extensively to your repertoire by exploring the wines of Portugal. The port grapes of touriga nacional, touriga franca, tinta roriz (Portugal’s main pseudonym for tempranillo) and tinta cao form the major red blends from the Douro. Farther south, trincadeira anchors the reds along with aragonez (another name for tempranillo), while fernao pires shines in aromatic whites. If you search, you can find touriga in Virginia or Australia, and others maybe in experimental vineyards, but most of these varieties are unique to Portugal.»
Why Portugal is high on a wine lover’s list, Dave McIntyre no WSJ
Espera-se que o governo não faça nada e deixe o cluster do vinho fazer por ele próprio.
30/04/2014
SERVIÇO PÚBLICO: Regresso ao passado
Como já aqui referi, por via das portarias de extensão, os contratos colectivos negociados pelos sindicatos que representam 10% dos trabalhadores têm influenciado 90% dos contratos de trabalho, em empresas e sectores sem condições para pagarem a bitola das maiores empresas e continuarem competitivas. Por esta via, a concertação social tem tido principalmente o papel de defender os «direitos adquiridos» das corporações empresariais e sindicais, aumentar o desemprego e assim manter o statu quo.
Desde Outubro de 2012, por pressão da troika, as portarias de extensões passaram a ter um alcance mais limitado só podendo aplicar-se à totalidade do sector se a associação patronal que assinou a convenção colectiva representar pelo menos metade desse sector.
Pois bem o governo acabou de apresentar aos parceiros sociais uma alteração quer, em termos práticos, coloca tudo como era no passado: as portarias de extensão terão lugar a associação patronal que assina a convenção colectiva tiver como associados pelo menos 30% de micro, pequenas e médias empresas. Devem contar-se pelos dedos de uma mão, ainda sobrando, as associações empresariais com menos de 30% dessas empresas.
Serão já os efeitos de uma «saída limpa» que pode acabar por sujar tudo?
Desde Outubro de 2012, por pressão da troika, as portarias de extensões passaram a ter um alcance mais limitado só podendo aplicar-se à totalidade do sector se a associação patronal que assinou a convenção colectiva representar pelo menos metade desse sector.
Pois bem o governo acabou de apresentar aos parceiros sociais uma alteração quer, em termos práticos, coloca tudo como era no passado: as portarias de extensão terão lugar a associação patronal que assina a convenção colectiva tiver como associados pelo menos 30% de micro, pequenas e médias empresas. Devem contar-se pelos dedos de uma mão, ainda sobrando, as associações empresariais com menos de 30% dessas empresas.
Serão já os efeitos de uma «saída limpa» que pode acabar por sujar tudo?
Lost in translation (200) – Seguro não fala a mesma língua dos socialistas europeus que o deixam a falar sozinho
Se por cá António José Seguro, um líder a prazo acossado por socratistas e soaristas, não tem boas notícias, de França, a sua grande esperança, as notícias não são melhores. À croissance, seguiu-se a solidarité, a esta o redressement, e por fim o Programme de stabilité com 50 mil milhões de euros de cortes proposto por Manuel Valls foi ontem aprovado na assembleia nacional francesa pela maioria socialista, com a particularidade do voto contra da UMP, o maior partido do centro direita. Veja-se a infografia do Libération.
É uma espécie de Portugal ao invés, o que demonstra estar o emagrecimento do Estado pletórico (e o francês é ainda mais gordo do que o português) a ser imposto mais pela sua insustentabilidade do que por opções ideológicas ou programáticas. Se e quando Seguro, ou o seu sucessor ganharem as próximas eleições, o PS vai engolir toda a conversa fiada que anda a impingir aos ignaros e fará aproximadamente o mesmo que o governo PSD-CDS, provavelmente com piores resultados - por várias razões, desde a falta de convicção às concessões às clientelas internas, e ao previsível coro do protesto dos jarretas atacados de irremediável esquerdismo senil.
Como se fosse pouco, Seguro teve mais um desgosto ao ouvir Martin Schulz, candidato do Partido Socialista Europeu à presidência da Comissão Europeia, a dizer que o PS não deve fazer promessas que sabe não poder cumprir, como a mutualização do seguro de desemprego ou os eurobonds.
É uma espécie de Portugal ao invés, o que demonstra estar o emagrecimento do Estado pletórico (e o francês é ainda mais gordo do que o português) a ser imposto mais pela sua insustentabilidade do que por opções ideológicas ou programáticas. Se e quando Seguro, ou o seu sucessor ganharem as próximas eleições, o PS vai engolir toda a conversa fiada que anda a impingir aos ignaros e fará aproximadamente o mesmo que o governo PSD-CDS, provavelmente com piores resultados - por várias razões, desde a falta de convicção às concessões às clientelas internas, e ao previsível coro do protesto dos jarretas atacados de irremediável esquerdismo senil.
Como se fosse pouco, Seguro teve mais um desgosto ao ouvir Martin Schulz, candidato do Partido Socialista Europeu à presidência da Comissão Europeia, a dizer que o PS não deve fazer promessas que sabe não poder cumprir, como a mutualização do seguro de desemprego ou os eurobonds.
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