Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

31/10/2010

Estado empreendedor (36) – o PS como agência de emprego

[Infografia publicada no caderno Confidencial do Sol

Entre 2005 e 2009 a população total empregada manteve-se praticamente constante, tendo aumentado apenas de 5.554,900 para 5.582.700, isto é 27.800 empregados ou 0,5%. No mesmo período o emprego no sector empresarial do estado aumentou 54.308 efectivos ou 56,4% por cento, isto é 10 vezes mais.

Que é feito do PRACE? (3) – lambendo as feridas auto-infligidas

Já aqui e aqui se comentaram as medidas previstas na proposta de OE 2010 de extinção, reorganização ou reestruturação de 50 organismos, dos quais 9 já estariam extintos, reorganizados ou reestruturados em consequência de medidas já tomadas no âmbito do PRACE ou outras. Faltou dizer o que apurou João Duque (Caderno Economia do Expresso): a 1.ª, a 4º, a 5.ª, a 6.ª, a 7.ª, a 8.ª medidas «e por aí fora» referem-se a organismos criados nos últimos 4 anos pelos governos de José Sócrates.

CASE STUDY: Anti-selecção

O que há de comum entre a notícia da inspecção da ASAE à cozinha da cafetaria de El Corte Inglés e a notícia da divulgação pelo Wikileaks de novos vídeos sobre acções militares aparentemente ilegais dos EUA no Iraque? À primeira vista, nada. Da primeira resultou o encerramento da cozinha e da segunda o conhecimento da guerra suja americana.

A anti-selecção (adverse selection ou anti-selection) é o resultado de informação assimétrica entre as duas partes numa relação contratual e é geralmente apontada como uma das falhas do mercado (aqui para nós, as falhas do mercado são essencialmente falhas das teorias do mercado assentes em premissas irrealistas). Apesar de existirem negócios em que a anti-selecção é favorável ao comprador (os seguros, por exemplo), na maioria dos casos a assimetria de informação favorece o vendedor que sabe mais do que o comprador do produto ou serviço que lhe oferece ou dos riscos que lhe estão associados.

Voltando à ASAE, porque se focaliza na restauração nos centros comerciais? Já alguém ouviu falar de inspecções aos milhares de tascas por esse país, cujas cozinhas parecem instalações sanitárias e cujos sanitários parecem pocilgas?

E quanto ao Wikileaks, focada nas acções de guerra americanas no Iraque, ou a quaisquer outras organizações com iniciativas deste género, já alguém ouviu falar duma organização semelhante que no passado ou actualmente tenha exposto documentos obtidos do interior dos exércitos denunciando atrocidades? Para não recuar ao tempo do Império Soviético, alguma dessas organizações expôs documentos do exército russo sobre as acções na Chechénia ou ainda mais recentemente na Geórgia?

Olhemos as ASAE deste mundo e as ONG do tipo Wikileaks, como fornecedores de informação. Todas essas organizações sabem bem que existem irregularidades, sejam o incumprimento de normas sanitárias ou o desrespeito pelas Convenções de Genebra, fora do seu foco de acção – principalmente fora desse foco. Como sabem a cooperação que podem esperar de restaurantes preocupados com a sua reputação e com dinheiro para pagar coimas e a cooperação no interior das FA americanas de whistleblowers diligentes, correndo riscos mínimos. E sabem ainda melhor as dificuldades de todas as naturezas e dos riscos (agressões dos tasqueiros e falta de dinheiro para as coimas e eventual abate pelas secretas, respectivamente) que teriam de enfrentar para inspeccionar tascas ou documentar as atrocidades do exército russo, respectivamente. Quem não saberá, ou na melhor hipótese apenas suspeitará, são os consumidores de informação que a «compram» sem desconfiar do enviesamento e imaginando que a ausência de más notícias resulta do cumprimento das normas sanitárias pelas tascas ou das convenções e leis sobre a guerra pelos exércitos.

30/10/2010

Bons exemplos (3)

«No Reino Unido, o Governo de coligação entrou em funcionamento em Maio de 2010. Tendo em conta trabalhos preparatórios anteriores e o programa de Governo, o ministro da Justiça fez saber a 23 de Junho que preparava uma reforma do mapa judiciário com encerramento de 157 tribunais (dos 530 existentes). São tribunais subtilizados, de forma que os recursos físicos e humanos possam ser transferidos para os tribunais congestionados, com uma poupança liquida de 15 milhões de libras por ano (mais 22 milhões em manutenção). Os municípios afectados não gostaram e fizeram saber a sua oposição. Depois de avaliadas as alternativas possíveis, o Governo anunciou a 15 de Setembro a manutenção do encerramento de mais de 150 tribunais. A 14 de Outubro foi anunciado que, aos tribunais encerrados, juntam-se agora dez departamentos e serviços do Ministério da Justiça. Tudo a implementar no primeiro semestre de 2011.

Palavras para quê? No Reino Unido, cinco semanas para encontrar e menos de um ano para implementar um novo mapa judiciário mais eficaz e mais racional, com custos e benefícios quantificados e avaliados. Em Portugal, três anos perdidos a pensar o novo mapa e seis anos supostamente para executar um mapa que já foi modificado antes de ser implementado. Sem custos e benefícios quantificados. Certamente a culpa é da crise internacional, dos malvados e incompetentes magistrados judiciais e das restantes vinte e sete razões que ilibam de responsabilidade o primeiro-ministro e o PS. Mas como promete o Governo Sócrates II, teremos excelentes resultados em 2014. E o Pai Natal existe
.»

[A justiça na sua desgraça, Nuno Garoupa no Negócios online]

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (28) – com amigos destes…

A lixeira do Face Oculta revela-se um filão inesgotável da trapaça socialista. Além do que já se sabia, ficou a saber-se que a ex-secretária de Estado Ana Paula Vitorino terá sido «sensibilizada» pelo então ministro Mário Lino para a necessidade de ter em conta nos desaguisados entre Godinho e a REFER que o sucateiro era amigo do PS. Também se ficou a saber que José Manuel Mesquita vereador em regime de substituição na Câmara Municipal de Lisboa também «sensibilizou» a ex-secretária de Estado no mesmo sentido.

Os novos situacionistas continuam nas suas tocas, quais coelhos expectantes, só com as orelhas de fora, esperando para ver para onde sopram os novos ventos.

29/10/2010

Curtas e grossas (4)

Entendamo-nos: o orçamento (a proposta do PS com ou sem alterações) já foi aprovado por Berlim, Bruxelas e Belém (por esta ordem). As escaramuças entre S. Bento e S. Caetano são apenas exercícios de aquecimento para as próximas legislativas. Não é que as escaramuças não tenham importância. Têm. Só que essa importância pouco tem a ver com o orçamento. É o que faz o país ter sido transformado pelo PS, com uma mãozinha do PSD, num protectorado conjunto de Berlim e Bruxelas.

SERVIÇO PÚBLICO: OS PROVINCIANOS, segundo José António Saraiva

«O PROCESSO chamado 'Face Oculta' tem as suas raízes longínquas num fenómeno que podemos designar por 'deslumbramento'.
Muitos dos envolvidos no caso, a começar por Armando Vara, são pessoas nascidas na Província que vieram para Lisboa, ascenderam a cargos políticos de relevo e se deslumbraram.
Deslumbraram-se, para começar, com o poder em si próprio. Com o facto de mandarem, com os cargos que podiam distribuir pelos amigos, com a subserviência de muitos subordinados, com as mordomias, com os carros pretos de luxo, com os chauffeurs, com os salões, com os novos conhecimentos.
Deslumbraram-se, depois, com a cidade. Com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade.

ORA, para homens que até aí tinham vivido sempre na Província, que até aí tinham uma existência obscura, limitada, ligados às estruturas partidárias locais, este salto simultâneo para o poder político e para a cidade representou um cocktail explosivo.
As suas vidas mudaram por completo.
Para eles, tudo era novo - tudo era deslumbrante.
Era verdadeiramente um conto de fadas - só que aqui o príncipe encantado não era um jovem vestido de cetim mas o poder e aquilo que ele proporcionava.
Não é difícil perceber que quem viveu esse sonho se tenha deixado perturbar.

CURIOSAMENTE, várias pessoas ligadas a este processo 'Face Oculta' (e também ao 'caso Freeport') entraram na política pela mão de António Guterres, integrando os seus Governos.
Armando Vara começou por ser secretário de Estado da Administração Interna, José Sócrates foi secretário de Estado do Ambiente, José Penedos foi secretário de Estado da Defesa e da Energia, Rui Gonçalves foi secretário de Estado do Ambiente.
Todos eles tiveram um percurso idêntico.
E alguns, como Vara e Sócrates, pareciam irmãos siameses: Naturais de Trás-os-Montes, vieram para o poder em Lisboa, inscreveram-se na universidade, licenciaram-se, frequentaram mestrados.
Sentindo-se talvez estranhos na capital, procuraram o reconhecimento da instituição universitária como uma forma de afirmação pessoal e de legitimação do estatuto.

A QUESTÃO que agora se põe é a seguinte: por que razão estas pessoas apareceram todas na política ao mais alto nível pela mão de António Guterres?
A explicação pode estar na mudança de agulha que Guterres levou a cabo no Partido Socialista.
Guterres queria um PS menos ideológico, um PS mais pragmático, mais terra-a-terra.
Ora estes homens tinham essas qualidades: eram despachados, pragmáticos, activos, desenrascados.
E isso proporcionou-lhes uma ascensão constante nos meandros do poder.
Só que, a par dessas inegáveis qualidades, tinham também defeitos.
Alguns eram atrevidos em excesso.
E esse atrevimento foi potenciado pelo tal deslumbramento da cidade e pela ascensão meteórica.

QUANDO o PS perdeu o poder, estes homens ficaram momentaneamente desocupados.
Mas, quando o recuperaram, quiseram ocupá-lo a sério.
Montaram uma rede para tomar o Estado.
José Sócrates ficou no topo, como primeiro-ministro, Armando Vara tornou-se o homem forte do banco do Estado - a CGD -, com ligação directa ao primeiro-ministro, José Penedos tornou-se presidente da Rede Eléctrica Nacional, etc.
Ou seja, alguns secretários de Estado do tempo de Guterres, aqueles homens vindos da Província e deslumbrados com Lisboa, eram agora senhores do país.

MAS, para isso ser efectivo, perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.
Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.
A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.
Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.
O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara).
A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma 'OPA', que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos ecrãs de Manuela Moura Guedes.
O director do Público foi atacado em público por Sócrates - e, apesar da tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.
A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que por sua vez depende do Governo.

SUCEDE que, na sua ascensão política, social e económica, no seu deslumbramento, algumas destas pessoas de quem temos vindo a falar foram deixando rabos-de-palha.
É quase inevitável que assim aconteça.
O caso da Universidade Independente, o Freeport, agora o 'Face Oculta', são exemplos disso - e exemplos importantes da rede de interesses que foi sendo montada para preservar o poder, obter financiamentos partidários e promover a ascensão social e o enriquecimento de alguns dos seus membros.
É isso que agora a Justiça está a tentar desmontar: essa rede de interesses criada por esse grupo em que se incluem vários "boys" de Guterres.
Consegui-lo-á?
Não deixa de ser triste, entretanto, ver como está a acabar esta história para alguns senhores que um dia se deslumbraram com a grande cidade.
Esta é a forma mais eloquente de definir um parolo provinciano com tiques de malandro, mas sempre de mão estendida, pior que os arrumadores que uma vez na vida se revelam minimamente úteis independentemente do ar miserável como se apresentam e se comportam quando não se lhes dá a famigerada moedinha.»

O (IM)PERTINÊNCIA FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Hoje é um de Abril?

«Telejornal de hoje:

ANA "investe" Eur 700.000 para criar uma ciclovia que dá acesso ao aeroporto.

E vem o José Sá Fernandes dizer que já viu pessoas a saírem do aeroporto e partirem de bicicleta. Será que tem noção do ridículo dessa afirmação?

Vejo já uma aplicação prática: construir uma ciclovia Lisboa/Madrid, paralela ao TGV. Eu também já vi espanhóis a andarem de bicicleta
.»

[Enviado por AB]

28/10/2010

Desculpem, mas não percebi

«Caso imponha a redução salarial no banco central e absorva essas poupanças ou beneficie delas através do aumento dos resultados da instituição, o Estado estará a financiar-se através da emissão de moeda, acusa o parecer da comissão de trabalhadores (CT) do BdP, entregue ao ministro das Finanças.
Ou seja, o Estado não pode usufruir do corte de custos que venha a impor ao BdP, já que, para o Estado, essa receita permitiria reduzir o défice e as necessidades de financiamento públicas. O que, indirectamente, corresponderia a uma emissão de moeda, já que os proveitos têm origem na autoridade monetária, violando a proibição de financiamento monetário
.» (Negócios online)

Vamos ver se percebi: a CT do BdP, fazendo as vezes de consultor, considera que o eventual acréscimo do lucro do BdeP eventualmente resultante da eventual redução dos custos eventualmente proveniente da eventual redução dos salários dos empregados do BdP é equivalente à emissão de moeda? E se o BdP fizer um acordo com a Renova para a compra de papel higiénico (o preto por exemplo) com desconto, o eventual acréscimo do lucro do BdeP eventualmente resultante da eventual redução dos custos eventualmente proveniente da eventual redução gastos com papel higiénico também é equivalente à emissão de moeda?

SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (6)

[Actualização deste, deste, deste e deste posts]

17-12-2008
O ministro das Finanças (MF) diz que o défice em 2009 será de 3% do PIB e não 2,2% .

05-02-2009
É aprovado pelo PS o Orçamento suplementar com uma previsão 3,9% do défice.

21-04-2009
O MF diz que «a despesa está perfeitamente controlada» e que o défice se mantém (3,9%)

15-05-2009
O MF diz que o défice será 5,9% em vez de 3,9%

04-07-2009
O MF mantém que o défice será 5,9%.

22-07-2009
José Sócratez diz que «está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu».

09-10-2009
O MF mantém a previsão de 5,9%.

03-11-2009
A CE anuncia uma previsão de 8% e o MF admite a revisão da estimativa anterior (5,9%).

24-11-2009
Défice do Estado dispara para 8,4% do PIB em 2009, em resultado do orçamento rectificativo redistributivo apresentado à AR.

12-01-2010
O ministro admitiu que o défice de 2009 será superior a 8% do PIB.

26-01-2010
Responsáveis do PSD, que tiveram com o Governo negociações sobre o OE, garantiam que o défice iria passar de um valor próximo de 8,7 por cento em 2009.

27-01-2010
Teixeira dos Santos revelou ... que o défice de 2009 atingiu o valor histórico de 9,3% do PIB.

01-02-2010
«Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias», disse José Sócrates, sem explicar porque não tinha o governo sido capaz de antecipar o défice que resultou das suas decisões, nem como tendo as ajudas sido de menos de 2% do PIB causam um aumento do défice de 2,2% para 9,3%.

27-10-2010
«Sim, sou inflexível. O défice de 2011 tem de ser 4,6%» disse Teixeira dos Santos justificando a ruptura da negociação do OE 2010 com o PSD.

27/10/2010

ESTÓRIAS E MORAIS: Queixar-se de barriga cheia

Estória

Ao fim de muitos anos de limitação da abertura das grandes superfícies aos domingos e feriados, o governo percebeu (ou não percebeu, mas cedeu às pressões dos grupos de distribuição) finalmente que essa limitação não tinha efeitos na protecção do comércio tradicional. Condenado a prazo, com ou sem abertura das grandes superfícies aos domingos e feriados, o pequeno comércio está limitado a longo prazo a alguns nichos muitos especializados e, frequentemente, a uma clientela sofisticada e com poder de compra suficiente para pagar o prémio dum serviço personalizado e de qualidade. Acontece que o pequeno comércio fez tudo menos caminhar para esta conversão indispensável e continuou a oferecer uma gama generalista de produtos sem diferenciação, sem qualidade de serviço e com preços mais elevados.
Aparentemente a ampliação do horário teve sucesso e os hipermercados que já a adoptaram tiveram no domingo passado uma grande procura. Toda a gente parece ter ficado satisfeita - quem sabe se os pequenos comerciantes também aproveitaram a ocasião para fazer compras? Toda a gente? Não. Há pelo menos duas almas ouvidas pelo Diário Económico que ficaram traumatizadas. Uma economista disse «tínhamos conseguido algum nível de desenvolvimento, podemos dizer que é um critério as pessoas poderem ter um convívio familiar mais alargado e isto é andar para trás, diz enquanto empurra o carro de compras cheio até cima». Um técnico de telecomunicações disse «foi traumático».

Moral
A abertura aos domingos das grandes superfícies não prejudica os pequenos comerciantes, mas pode prejudicar a saúde mental dos pequenos patetas que se queixam das oportunidades que lhes oferecem.

26/10/2010

O estado empreendedor (28) - os negócios do senhor engenheiro com o amigo coronel Tapioca (REPUBLICADO)

Um dos amigos do peito com que José Sócrates fez negócios foi o czar da Bolívia coronel Hugo Chávez, que, enquanto se entretém a nacionalizar supermercados, vai ficando com uns milhões de bolívares das empresas portuguesas que foram na treta do senhor engenheiro. Milhões que se já valiam pouco, depois da desvalorização valem metade.

[Republicação do post de 22-01-2010, que continua actual em vista dos «irmãos» Sócrates e Chávez continuarem a anunciar negócios já anunciados]

BREIQUINGUE NIUZ: Uma grave lacuna só agora preenchida

O Instituto Politécnico de Setúbal apresentou os seus novos cursos para 2010-11, entre os quais uma licenciatura em Língua Gestual Portuguesa. [OJE]

Os Tea partiers e as elites

«For those who wonder why so many people have come to hate, or let me change it to profoundly dislike, "the elites," especially the political elite, here is one reason: It is because they have armies of accountants to do this work for them. Those in power institute the regulations and rules and then hire people to protect them from the burdens and demands of their legislation. There is no congressman passing tax law who doesn't have staffers in his office taking care of his own financial life and who will not, when he moves down the street into the lobbying firm, have an army of accountants to protect him there.

Washington is now to some degree the focus of the same sort of profound resentment that Hollywood liberals inspired when they really mattered, or seemed really powerful. For decades they made films that were not helpful to our culture or society, that were full of violence and sick imagery. But they often brought their own children up more or less protected from the effects of the culture they created. Private schools, nannies, therapists, tutors. They bought their way out of the cultural mayhem to which they'd contributed. Their children were fine. Yours were on their own.

This is part of why people dislike "the elites" and why "the elites," especially in Washington, must in turn be responsive, come awake, start to notice. People don't like it when they fear you are subtly, day by day, year by year, changing the personality and character of their nation. They think, "You are ruining our country and insulating yourselves from the ruin. We hate you." And this is understandable, yes?»

[Peggy Noonan: Why so many of us resent the 'elites']

25/10/2010

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (27) – As empresas públicas são apenas uma extensão do aparelho socialista e vice-versa (II)

A oferta de tenças em empresas públicas pela clique socrática, está a tornar-se um hábito. Desta vez, o beneficiário frustrado foi Narciso Miranda – não exactamente um exemplo de integridade – que confessou à Sábado terem-lhe oferecido, para ficar sossegado, o «cargo de presidente da Metro do Porto, presidente dos transportes públicos do Porto, presidente das Águas do Rio Douro e Paiva, presidente do ex-Instituto Nacional de Habitação e para uma eventual holding para gerir as infra-estruturas marítimo-portuárias».

Continua a não haver notícia de indignação por parte dos novos situacionistas, que assobiam para o lado.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A matemática, António Câmara e a hiperventilação

«A maior parte das pessoas aqui [na YDreams, supõe-se] é dez vezes melhor a matemática que qualquer americano que trabalhe na Google. Não há comparação. As pessoas cá não têm padrões, é inacreditável. Os exames de matemática em Portugal são mais difíceis que no MIT. Há o talento em Portugal para fazer isso, a questão é transformar isto num negócio gigantesco.»
[António Câmara, «mentor e CEO» da YDreams, ao i online]

A maior parte das pessoas aqui é dez vezes melhor a matemática que qualquer americano que trabalhe na Google, eu sou o Clark Kent e tenho uma namorada chamada Loris Lane.

NÓS VISTOS POR ELES: O mar, os portugueses e a hiperventilação

«Mas todos os países tem aproveitado as oportunidades que o mar oferece devido ao vasto conhecimento que acumulámos na Europa, excepto Portugal, que não existe. Bem talvez esteja a exagerar, mas a verdade é que Portugal não é visível nos assuntos do mar na cena internacional.
…
Lembro de um professor universitário [Ernâni Lopes] que falava nessa conferência de 2005 no hipercluster do mar [mais à frente Niko Wijnolst, refere-se ao hipercluster do mar como hiperventilação], mas era um exercício intelectual, e é isso que se tem feito muito mais em Portugal do que aproveitar concretamente as oportunidades.
…
Em geral, a nível internacional encontro muito poucos portugueses ligados aos negócios ou aos assuntos do mar, embora esteja ligado a várias redes nesta área.
…
Nestes processos é necessário o empenhamento do sector privado, que diz o que é, o que quer, o que necessita e que passa à acção e tenta mudar as coisas. E não sinto que esse espírito exista em Portugal.»
[Niko Wijnolst, presidente da Rede Europeia de Clusters Marítimos e da Dutch Maritime Network em entrevista no Expresso]

24/10/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Salazar entalado entre duas repúblicas incontinentes

Pontos em destaque:
  • 1910 Implantação da República
  • 1914 Início da I Guerra Mundial
  • 1926 Golpe de 28 de Maio
  • 1928 Salazar ministro das Finanças
  • 1939 Início da II Guerra Mundial
  • 1968 Salazar cai da cadeira
  • 1986 Entrada na CEE
  • 1999 Entrada no Euro
[Infografia de Negócios online]

Curtas e grossas (3)

O que falta ao tacticismo ziguezagueante de Passos Coelho para ter sucesso no teatro da política mediática é substituir aquele ar meio postiço e aquela linguagem corporal rígida e empertigada por, ao menos, a aparência de convicção de um mentiroso consumado. Como José Sócrates, por exemplo.

23/10/2010

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismos de causas e de interesses

Depois de 5 anos a melhorar, o Press Freedom Index da ONG Reporters Without Borders mostrou nos 3 últimos uma degradação significativa atirando Portugal para o 40.º lugar do ranking a seguir ao Surinam, Uruguai e África do Sul. É um resultado que não surpreende e reflecte as tentativas obsessivas de controlo dos media pelo governo de Sócrates e pelo partido Socialista e o sucesso da máquina de manipulação instalada com a ajuda da dependência do jornalismo de causas em relação aos aparelhos partidários e do jornalismo de interesses em relação ao poder económico, tudo facilitado pela subserviência endémica e a esperança duma tença.
Ano  - Ranking
2003 - 28
2004 – 25
2005 – 23
2006 – 12
2007 – 10
2008 – 18
2009 – 32
2010 - 40