Subsidiar os preços em vez de apoiar as famílias
Face aos aumentos dos preços do petróleo resultantes do fecho do estreito de Ormuz (onde a frota de Albuquerque chegou no princípio do século XVI e os portugueses lá construíram o Forte de Nossa Senhora da Conceição) em resposta à cruzada dos Srs. Bibi & Trump, o governo decidiu uma vez mais subsidiar os combustíveis através de uma dedução no ISP. Dito de outro modo, em vez de subsidiar as famílias mais vulneráveis (como fez o governo trabalhista inglês), o governo decidiu que a redução de receita fiscal devida à dedução no ISP seria compensada por todos os contribuintes, mesmo os que não precisam e em média gastam mais combustíveis.
Aversão ao risco
A aversão ao risco é uma das características da cultura do Portugal dos Pequeninos como este blogue vem há décadas lembrando (por exemplo no post DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: aversão ao risco é o que nos sobeja).
| mais liberdade |
A coisa é tão doentemente acentuada que as sociedades de capital de risco, criadas no princípio da década de 90, que pretendiam imitar o venture capital, se dedicaram na maioria do casos a fazer exactamente o contrário financiando empresas quase falidas. Não admira que, como o diagrama mostra o capital de risco tenha um peso muito menos significativo do que na média das UE, que já de si não é um bom exemplo.
Pensamento milagroso, desta vez vai ser diferente?
Incentivando a fatal aversão ao risco dos portugueses em geral e dos empresários em especial, o governo anunciou que vai despejar a fundo perdido quase mil milhões generosamente oferecidos pelos contribuintes europeus para financiar a inovação. Naturalmente, as “ajudas à inovação” vão ser dadas a projectos aprovados pelos nossos venture capitalists que são os apparatchiks do Banco Português de Fomento que geriu um sistema de garantia mútua que até ao final de 2020 registou perdas por pagamento de garantias de 881,08 milhões e desde 2012 até 2024 registou perdas de 124 milhões nas cerca de 300 startups em que participou.
Boa Nova. Uma reformazita
Arriscando estar a deitar foguetes antes da festa, festejo a iniciativa do governo de podar o Instituto de Emprego e Formação Profissional de ramos inúteis eliminando estruturas e chefias infectadas pelo parkinsonismo (o de C. Northcote Parkinson e não o de James Parkinson).
(Continua)

a redução de receita fiscal devida à dedução no ISP
ResponderEliminarDuvido que haja qualquer redução da receita fiscal, uma vez que o IVA se aplica ao preço do produto, pelo que, se o produto (gasolina ou gasóleo) é mais caro, então o IVA é maior.
Ou seja, o Governo está a devolver sob a forma de uma redução do ISP aquilo que ganha a mais devido ao aumento do IVA.
A aversão ao risco é uma das características da cultura do Portugal dos Pequeninos
ResponderEliminarSem dúvida. Porém, há que ver que essa caraterística cultural tem razões compreensíveis: os pobres são avessos ao risco porque, se perdem, passam fome. O povo português era apenas até há uma ou duas gerações um povo de camponeses pobres, que naturalmente formou uma cultura avessa ao risco.