03/05/2015

De boas intenções está o inferno cheio (30) – A religião é a política por outros meios? (III)

Uma espécie de continuação daqui.

Recordando: instintivamente, desconfiei do Papa Francisco. Tive e tenho dúvidas que seja um bom papa para a Igreja e tenho dúvidas de que seja um bom papa para o mundo. É o estilo e a substância. Cheira-me a teologia da libertação. E não só a mim cheira – vejam-se os narizes sensíveis da esquerdalhada, sempre excitadíssima en masse com qualquer trivialidade de Francisco.

Quase todas as semanas poderia voltar a escrever o parágrafo anterior face à abundância das declarações de Francisco a propósito de tudo e de nada. Apenas como mais um exemplo, leiam-se as suas declarações sobre a desigualdade de salário entre géneros (isto é sexo, já que não estamos a comparar os salários do Homo sapiens com os do Pan troglodytes) onde produz uma combinação de catequese com lugares-comuns, votos piedosos e disparates.

De caminho, Francisco tapa o sol com uma peneira, faz um exercício de sociologia de causas e classifica como «machismo» pensar que a crise do casamento está relacionada com «a emancipação da mulher» - como se fizesse sentido negar uma óbvia correlação histórica (quanto à causação, isso são contas de outro rosário) entre «a emancipação da mulher», a crise do casamento e, claro, a queda brutal da natalidade.