16/05/2026

Javier Milei ganhou uma batalha. Ganhar a guerra é outra coisa e, a ser possível, levará algum tempo (3)

Continuação de (1), (2)

Já o escrevi e repito: uma criatura com instintos liberais vê com natural simpatia os esforços de Javier Milei para pôr em prática políticas visando emagrecer o Estado dinossáurico argentino e dar aos argentinos liberdade para viverem as suas vidas sem o jugo de uma "casta" extractiva. Também escrevi que a política é a arte do possível e acrescento que o possível para um governo democrático é um possível mais limitado do que o possível numa autocracia. 

E o possível na Argentina está chocar de frente com uma economia a tropeçar (o PIB caiu 2,6% em Fevereiro, a inflação subiu 3,4% em Março e o desemprego continua a aumentar) e os escândalos a crescerem, como o da criptomoeda $LIBRA promovida por Milei que se suspeita ter recebido pagamentos como consultor dos promotores, uma criptomoeda que um desastre para a maioria dos seus detentores (uma minoria "bem informada" vendeu antes do descalabro), ou o escândalo do chefe de gabinete Adorni a ser investigado por corrupção.

Fonte

Por tudo isto, a queda abissal da taxa de aprovação de Milei não é surpreendente. O que é uma surpresa para quem o imaginava com fortes convicções liberais é estar a fazer o que fazem os regimes autocráticos: inventar um inimigo.


É possível que a imprensa argentina esteja infestada pelo jornalismo de causas, acontece um pouco por todo o lado, mas os factos são os factos e as mentiras combatem-se com factos. A invenção de um inimigo por Milei não é original; quase todos os governos, com pouca consideração, to say the least, pela liberdade de expressão e pela democracia, a usam.

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