(Continuação de 45a)
Comecemos pelas boas notícias. A guerra de Bibi-Trump contra o que resta dos Aiatolas parece estar a desviar o turismo do Médio Oriente para os destinos europeus e, inevitavelmente, para o nosso Portugal dos Pequeninos onde os hotéis estão a registar um aumento significativo das reservas. É claro que o aumento da dependência de uma actividade com elevada sazonalidade e volatilidade e com mão de obra pouco qualificada não é uma boa notícia a longo prazo, mas quem é que quer saber disso?
Canários na mina de carvão
[Lembrete: nas minas de carvão usavam-se canários que são muito sensíveis ao monóxido de carbono e ao metano para alertar os mineiros de um perigo iminente.]
Não nos iludamos. Não foi a guerra de Bibi-Trump contra os Aiatolas que criou a vulnerabilidade da economia portuguesa. A guerra é apenas mais uma circunstância incontrolável para a qual estamos mal preparados para enfrentar e que, por enquanto, só tem efeitos sobre a inflação que em Março aumentou para 2,7% (INE).
Multiplicam-se os sinais de que as coisas se podem complicar. Em Fevereiro, ainda antes do fecho do estreito de Ormuz, o défice da balança comercial de bens aumentou € 489 milhões, principalmente devido à redução de 26% das exportações de produtos industriais. Dirão os optimistas – ou seja, os pessimistas mal informados – que isso não interessa porque o turismo na balança de serviços mais do que compensa esse défice. Pois é, plus ça change, plus c'est la même chose, diria o Jean-Baptiste.
Outra vez em Fevereiro, antes da guerra, o Índice de Volume de Negócios na Indústria do INE (fonte), que havia tido uma redução de 1,9% em Janeiro, apresentou uma nova redução homóloga nominal de 4,8%, e o emprego que havia caído 0,1% no mês anterior diminui 0,2%. Enquanto isso, as remunerações subiram 4,8% e 5,1% nos dois primeiros meses do ano e, que se saiba, não ocorreu nenhum milagre e a produtividade continua como estava. Plus ça change.
Quem não deve não teme, diz o povo. Os dirigentes têm medo de decidir, diz o Dr. Montenegro
Não vale a pena discutir que o visto prévio só faria sentido se o Tribunal de Contas fosse um órgão administrativo e não de fiscalização, como é. Percebe-se, por isso, que o governo tenha aprovado a dispensa do visto prévio. Que o tenha feito apenas para contratos até € 10 milhões é que se percebe com mais dificuldade. Ainda se percebe menos a justificação do primeiro-ministro de que os dirigentes têm medo de decidir, dirigentes que têm a ousadia de planear em diapositivos do PowerPoint um projecto de dezenas de milhões de euros como o Ferrovia 2020.
E não se percebe de todo que se limite o visto prévio do TdC e de seguida se limitem as responsabilidades dos gestores públicos à negligência grosseira e ao dolo, isto é, aos casos de incompetência terminal e crime.
No Estado sucial do Portugal dos Pequeninos, a Justiça é surda, mas não é cega
| mais liberdade |
Extraordinário não é 55% dos portugueses não terem confiança no sistema judicial. Extraordinário é ainda haver 45% dos portugueses que têm alguma confiança. Um peão socrático na Provedoria de Justiça O Provedor de Justiça «defende as pessoas prejudicadas por atos ou omissões injustos ou ilegais da administração ou outros poderes públicos ou que vejam os seus direitos fundamentais violados». E quem mais adequado ao cargo do que o Dr. Tiago Antunes, ex-secretário de Estado do Eng. Sócrates, agora proposto pelo PS e aceite pelo PSD e Chega, que garante não «fazer fretes a ninguém» e ter «total independência», garantia atestada por ter sido um dos suportes do Simplex e o Câmara Corporativa dois blogues criados para promoção do Animal Feroz agora a ser vítima de um julgamento. |

o aumento da dependência de uma actividade com elevada sazonalidade e volatilidade e com mão de obra pouco qualificada não é uma boa notícia a longo prazo
ResponderEliminarSabe-se lá...
A longo prazo os empregos que hoje têm mão de obra altamente qualificada serão, em boa parte, desempenhados por robôs e/ou inteligência artificial.
Pelo contrário, empregos pouco qualificados num hotel dificilmente serão substituíveis dessa forma. Ainda não se inventou um robô para aspirar um quarto, lavar uma sanita e fazer uma cama...