13/04/2026

Crónica da passagem de um governo (45a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Uma organização que representa 8% dos trabalhadores rejeita uma reforma laboral pífia

Agora é oficial, depois de 8 (oito) meses de negociações e 53 (cinquenta e três) reuniões, a UGT, uma organização de sindicatos maioritariamente controlada pelo Partido Socialista, com pouco mais de 400 mil sócios, menos de 8% dos trabalhadores portugueses, diz “não” a uma tímida reforma da lei laboral.

Eu diria mesmo mais, que empresariado é este?

«Quem chegar a Portugal por estes dias vai perguntar que raio de classe empresarial tem o país: quando as coisas correm bem, as empresas registam lucros e distribuem-nos pelos acionistas (alguns deles com bolsos bem fundos…). Quando as coisas dão para o torto, pedem ao contribuinte que os ajudem a manter as margens.» Escreveu Camilo Lourenço e eu assino por baixo.

Sindicatos, empresariado e governo, a mesma luta

Colocando-se ao nível dos sindicatos e do empresariado, o governo votou em Bruxelas a favor da tributação dos lucros extraordinários das empresas energéticas, uma medida que já tinha sido adoptada pelo Dr. Costa em 2022 e que o Dr. Montenegro então classificou, e bem, de demagógica.

Take Another Plan. "Resultados sólidos", disse o TEBV (Tratador do Elefante Branco Voador)

Ainda pelo estreito de Ormuz circulava o jet fuel, os lucros da TAP já tinham caído 70% em 2024 e voltaram a cair 90% em 2025 para 4,1 milhões, equivalentes a pouco mais de um por mil dos mais de 3 mil milhões de impostos que o Dr. Costa e o Dr. Pedro Nuno injectaram no elefante branco. Que o comunicado do CEO classificasse como “sólidos” esses resultados microscópicos, talvez suficientes para pagar as indemnizações dos processos em tribunal, e o contexto como “desafiante”, dá uma boa ideia do ponto a que chegámos.

O especialista em aviação Pedro Castro faz uma boa síntese do processo de privatização em curso quando diz que o vencedor será o operador que «melhor ignorar no que se está a meter e que achar que ter um Estado disfuncional como parceiro maioritário, sem prazo para isso terminar.».

Re-forma dos transportes rodoviários, Montenegro way. A ave que nada e grasna deixa de se chamar pato

Se há uma empresa que se destaca para pior no universo das empresas públicas, a CP é uma das mais sérias candidatas ao título de elefante branco público. Admito que a sua “re-forma” pudesse assumir diversas formas, uma das poucas que não me ocorreria seria manter tudo na mesma e reclassificá-la como «entidade de mercado para efeitos estatísticos» com as principais consequências de que «as contas da CP deixam de ser consolidadas no Setor das Administrações Públicas, e deixa de contar diretamente para o défice público».

(Continua)

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