12/06/2020

Reescrever a história passada para escrever a história futura

O vandalismo sobre a estátua do Padre António Vieira a pretexto de ser um símbolo do colonialismo está a despertar indignação de gente instruída pelo facto de ser um homem de letras piedoso, defensor dos índios e porventura menos colonialista do que qualquer outro súbdito de Suas Majestades Filipe II, Filipe III, João IV, Afonso VI ou Pedro II que reinaram durante a longa vida da criatura.

É indignação mal gasta. Nenhum dos burgessos semi-analfabetos que arremeteram contra a estátua teria seguramente a menor das ideias de quem seria o alvo dos seus ódios açulados por activistas com um ou dois neurónios. Provavelmente teriam-no feito com outra qualquer estátua à mão de semear.

É claro que, por trás dos burgessos há activistas e por trás destes haverá catequistas possuídos pela obsessão omnipresente nas meninges de todo o radical que se vê como revolucionário de reescrever a história. Obsessão que George O., que conhecia de ginjeira essa gente, traduziu pela vontade de controlar o passado, para controlar o futuro.