É um segredo de Polichinelo: o agitprop dos comunistas soviéticos reciclado pela autocracia de Xi Jinping e pela cleptocracia de Vladimir Putin e potenciado pelas redes sociais está a ser usado para promover os respectivos regimes e para minar por dentro as democracias liberais usando a liberdade que é simultaneamente a sua maior fragilidade e a sua maior força.
As coisas já são tão óbvias que até mesmo a Comissão Europeia, um órgão mais ou menos inócuo, a navegar habitualmente na ambiguidade política, veio denunciar pela boca da vice-presidente Vera Jourová a Rússia que tem «a desinformação incluída na doutrina militar» e a China que «é pela primeira vez assinalada e (...) se existem provas, não nos devemos comedir de o apontar».
Talvez esta denúncia só tenha sido possível porque Vera Jourová é uma checa que tinha quatro anos quando os tanques soviéticos invadiram em 1968 a Checoslováquia pondo fim à Primavera de Praga.