Escrevi há dias, a propósito do Dr. Domingues de Azevedo, bastonário dos técnicos oficiais de contas, que ele é um tribuno sempre à frente das grandes causas, a apontar novos caminhos e a criticar a governação com uma linguagem colorida, inesperada em quem lida com o deve, o haver e as partidas dobradas. Poderá ter sido um exagero? Parece que não. Ora leia-se mais uma das suas proclamações precisamente na mesma entrevista ao jornal i que foi «desdobrada» como se tratasse de outra:
«Passos Coelho deve rezar a Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, se é que ele acredita, se não acredita reze a quem quiser, todos os dias de manhã e à noite para que a Grécia saia da Europa, porque se não sair é evidente que os portugueses vão analisar todos os problemas que enfrentaram e toda a carga fiscal que suportam enquanto os gregos não fizeram nada disso e permanecem na União Europeia. É claro que vão condenar quem tomou estas decisões. A melhor prenda política que Passos Coelho poderá ter é a Grécia não ficar na Europa.»
Com a invocação a Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, lembrou-me o papa Francisco que também parece sofrer da mesma síndrome: fazer o lugar do outro. Se isto continua, ficaremos com um insustentável défice de papas e de técnicos oficiais de contas e um superavit cada vez maior de políticos.