«O Dia mais Longo foi uma invasão desnecessária mas tornou-se um mito» foi o título escolhido pelo jornalista de causas Sérgio Soares para descrever uma versão revista da fase final da 2.ª guerra mundial demonstrando a inutilidade da invasão aliada, conclusão partilhada por José Estaline, nascido Ioseb Besarionis Dze Jugashvil, petit nom Koba (leitura recomendada: «Martin Amis, Koba o Terrível»), que a considerou desnecessária. E não, não foi no Pravda ou no Izvestia de antes do colapso da URSS, foi no i online.
Mais do que desnecessária, invasão terá sido inconveniente concede o autor quando escreve «não tivessem os Aliados desembarcado na Normandia e provavelmente o Exército Vermelho não se teria detido em Berlim», uma vez que «o exército alemão já tinha sido praticamente derrotado pelos russos na frente oriental e a indústria de guerra alemã estava totalmente destruída pelos bombardeamentos aéreos aliados». «Nessa altura, o Exército Vermelho apenas necessitava de abastecimentos para ocupar a Europa oriental», acrescenta citando um tal tenente-coronel William F. Moore («Overlord: The unnecessary invasion», bibliografia recomendada e hoje precisamente citada pelo Socialist Party of Great Britain, um partido marxista revolucionário «impossibilista»).
Em conclusão, o Dia D foi essencialmente o pretexto para «os feitos dos generais Patton e Montgomery, que penetraram na França em direcção à Alemanha, a partir da Normandia, tornaram-se lendários e objecto de numerosos livros e filmes de Hollywood», para além de um obstáculo para a União Soviética ocupar a Europa dos Urais até ao Atlântico. No final, até nós portugueses fomos prejudicados pelos efeitos perversos do Dia D ao parar as tropas soviéticas na Europa Oriental, impedindo a substituição do regime salazarista por uma democracia popular e privando-nos das alegrias do socialismo real.