31/05/2013
Parece-me difícil restaurar o sentido de decência naquela companhia…
Ontem na Aula Magna, no comício da Frente Popular, Mário Soares decretou que o governo «não deve ser considera legítimo», considerando as manifestações que envolveram, com boa vontade, um ou dois por cento dos portugueses, e por ter ignorado a Constituição.
Pacheco Pereira que fez companhia (*) ao Dr. Soares, a Manuel Alegre, a Boaventura Sousa Santos e a João Semedo, considerou que a coisa está para além de posições «de esquerda ou de direita» (pronto, já percebemos, trata-se de posições de esquerda a tentarem camuflar-se) e que o importante é «restaurar o sentido de decência».
Eu diria, como creio ele terá dito um dia, ser difícil a democracia sem democratas, e acrescento que não considero democratas quem entende que o resultado das eleições tem que ser referendado pela rua e pelos ungidos da esquerda. Considero ainda mais difícil restaurar a decência na companhia do Dr. Soares, para não ir mais longe. Parece-me também um pouco exagerado rasgar agora as vestes, depois de umas décadas de convívio relativamente pacífico com a decência dos governos anteriores.
(*) «Vou ler uma síntese do texto que me fez chegar o camarada Pacheco Pereira» (cujo corpo de facto não esteve presente), anunciou Soares, provocando gargalhadas na plateia, onde se encontravam muitos elementos do PS, PCP e Bloco de Esquerda» segundo o Negócios. As gargalhadas demonstram que Pacheco perdeu há muito o estatuto de ungido da esquerda e terá que se esforçar para o reganhar. Como um cristão-novo, as suas farinheiras irão ser vasculhadas para confirmar a presença do porco.
