09/10/2026

A visão do Dr. João Costa do que é o mal maior explica a sua obra no ministério da Educação

Para quem não saiba, o doutor João Costa andou desde 2015 a circular pelo Ministério da Educação, primeiro como secretário de Estado e depois como ministro, de 2022 a 2024. O gráfico seguinte, representando os scores dos alunos portugueses nos testes PISA da OCDE, em que o traço vermelho assinala o ano em que a criatura iniciou a sua obra no Ministério da Educação, ilustra claramente os resultados do trabalho desenvolvido pelas equipas de que fez parte ou liderou.

(Fonte: OCDE, PISA 2025 Results, Volume I, Country Note Portugal)

Foi o mesmo doutor João Costa que publicou o artigo de opinião «As ingerências na Universidade Nova refletem um mal maior» onde descreve com larga soma de pormenores o processo kafkiano da eleição do reitor da Universidade Nova, processo sobre o qual não tenho opinião para além de o considerar kafkiano, como não tenho opinião sobre as personalidades envolvidas.

Ao contrário, tenho opiniões muito claras sobre a opinião do doutor João Costa de «o que se passa na NOVA é sintoma de um mal maior que atinge as instituições de ensino superior um pouco por todo o mundo», porque «nas últimas décadas, por todo o lado, passaram a imperar modelos de gestão empresarial». Em consequência, o doutor João Costa é especialmente crítico com a intervenção «ao jeito norte-americano» de entidades privadas externas na gestão das universidades.

Infelizmente, para os modelos do doutor João Costa, em qualquer ranking mundial das universidades, as americanas são as mais representadas, pelo menos enquanto a administração Trump não as transformar em megafones MAGA. Por exemplo, no ranking Times High Education as universidades americanas representam 7 das 10 primeiras classificadas e quase um terço do total do top 100; a universidade portuguesa mais bem classificada está no escalão 376-400. Pelas suas críticas, implicitamente, o doutor João Costa propugna o modelo prevalecente nas universidades portuguesas onde predomina a endogamia e quase 70% dos doutoramentos têm lugar na mesma universidade onde os doutorados leccionam e em dez faculdades essa percentagem sobe para 90%.