24/03/2026

Crónica da passagem de um governo (42a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Derrapagem é o outro nome para a gestão das obras do Estado sucial

Em 2003 a construção do Hospital Oriental de Lisboa ou Hospital de Todos os Santos foi considerada prioritária (ver aqui a estória resumida). Desde então o projecto andou de Herodes para Pilatos e, por último, 100 milhões dos contribuintes europeus via PRR que iriam financiar uma das alas ficaram comprometidos por atraso na construção.

O Estado sucial é lerdo até a gastar o dinheiro dos outros

Dos 21,9 mil milhões do PRR, cerca de 70% (13,7 mil milhões) já foram torrados numa multidão de projectos, muitos deles sem retorno que justificasse o dinheiro neles torrado. Dos restantes 30% uma parte irá provavelmente perder-se porque os projectos não serão aprovados até 31 de Agosto. Irá perder-se? Depende da perspectiva. Do lado de lá é uma poupança, do lado cá são uns dinheiros que dariam jeito para disfarçar o marasmo.

Quereis reformas? Ora tomai lá disto

No caso de incumprimento do dever de diligência, um gestor privado é civilmente responsável pelas perdas sofridas pela empresa, pelos seus sócios e terceiros, pelos credores sociais e ainda por incumprimento fiscal, podendo (e nalguns casos devendo) dispor de uma garantia financeira. 

A ninguém passaria pela cabeça exonerar os gestores das suas responsabilidades. Salvo se as cabeças forem as de um governo que quer acabar com a «ameaça que paralisa a administração pública» pelo receio de decidir, limitando as responsabilidades dos gestores públicos à negligência grosseira e ao dolo, isto é, aos casos de incompetência terminal e crime. E foi assim que o ministro da Reforma do Estado, Dr. Matias, anunciou a sua primeira grande reforma.

No Estado sucial importa apenas a ignorância. A especialidade é irrelevante

O mês passado foi nomeado um enfermeiro para a coordenação da EMER 2030, um zingarelho para acelerar o licenciamento de projetos de energias renováveis. Dado o escândalo, umas semanas depois foi nomeado em substituição do enfermeiro um advogado, actual vogal da junta de freguesia de Alvalade.

O Estado sucial é um caloteiro

Pódio dos caloteiros (Fonte)

Que o Estado é mau pagador não é novidade, mas, que diabo, levar em média 6,5 anos para pagar as facturas é um bocadinho exagerado. A não ser por se tratar de financiar a inovação…

E, no entanto, o eleitorado não parece preocupado com a governação

Como mostra a sondagem ICS/ISCTE para o Expresso, as maiores insatisfações dos eleitores são com aquilo pelo qual o governo não pode fazer muito: custo da habitação (74% de insatisfeitos), custo de vida (64%) e corrupção (63%).

(Continua)

7 comentários:

  1. O mês passado foi nomeado um enfermeiro para a coordenação da EMER 2030 [...]. Dado o escândalo, umas semanas depois foi nomeado em substituição do enfermeiro um advogado

    Em Portugal os advogados são pau para toda a obra. Pois se até o ministro da Economia é um advogado!
    Isto já era assim no tempo de Salazar, e continuou assim em democracia.

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  2. O governo não pode fazer muito para combater a corrupção? Essa é boa... pode começar por mudar a constituição, por exemplo!

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  3. Entretanto, em Oeiras:

    https://observador.pt/2026/03/24/isaltino-morais-e-responsaveis-da-camara-de-oeiras-acusados-pelo-ministerio-publico-de-desviar-150-mil-euros-para-refeicoes-alcool-e-tabaco/

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    1. O Ministério Público português tem a mania de perseguir autarcas eleitos pelo povo. Ninguém elege o Ministério Público, cujos procuradores têm autonomia total para perseguir quem lhe dá na real gana, e usam essa autonomia para perseguirem aqueles que o povo escolheu.

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    2. É esse tipo de atitude que faz com que haja tanta gente a votar no Chega.

      O Ministério Público está a fazer o seu trabalho. O Isaltino Morais tem um historial de uso abusivo do dinheiro público, tendo até cumprido pena de prisão por isso. Havendo indícios de novos crimes, é natural que o MP investigue e acuse. Ter sido eleito pelo povo não dá carta branca a ninguém para cometer crimes!

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  4. O povo e a democracia o principio do fim da economia...............

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