Será mais uma manifestação de reverência pelo semanário de referência?
Concedo que, à parte considerações ideológicas, o jornalismo do Expresso é provavelmente o de melhor qualidade do Portugal dos Pequeninos com um grau de independência não muito vulgar, o que não é dizer muito porque o jornalismo de Portugal dos Pequeninos é de fraca qualidade e está muitas vezes ao serviço de alguém. Em consequência, as “notícias” do Expresso, por vezes opinião travestida, são importantes para credibilizar qualquer governo, de onde os governos PS terem movido as suas melhores influências para retribuírem a boa-vontade, como nestas manobras de lease-back com o Novo Banco. Menos do que os governos PS e com menos sucesso (veja-se o escarafunchar da moradia e da Spinumviva do Dr. Montenegro), também os governos PSD tentaram aliciar as boas-vontades. É neste contexto que pode ser vista a decisão da CMVM de dispensar de uma OPA a compra de uma participação na Impresa pelos herdeiros do falecido Sr. Burlesconi, sem dar opção aos accionistas minoritários, como aqui explica o jornal Eco.
A gigafábrica de IA, mal não fará (Marcos 16:18)
À míngua de reformas, o Dr. Matias, ministro da Reforma do Estado, gasta o seu talento a anunciar gigafábricas de IA e, mostrando o que está a fazer no governo, arregimentou spin doctors que enchem as páginas dos jornais com gigabytes de conversa fiada sobre o tema. Não se trata só da Gigafábrica de IA em Sines (por agora só uma candidatura aos dinheiros de Bruxelas), as gigafábricas irão multiplicar-se por todo o país (por agora só Abrantes).
Afinal, o que são gigafábricas? Para quem pense que albergarão batalhões de cientistas e técnicos altamente especializados, contribuindo assim para a retenção de talentos, pense outra vez. Por exemplo em Sines, prevê-se um investimento pantagruélico de 18 mil milhões de euros que serão gastos principalmente em hardware made in Taiwan, sistemas de refrigeração made in Germany, kms de fibra óptica, tudo para consumir e equivalente a mais de metade do consumo total do país, energia que será produzida em resmas de painéis solares fabricados na China e espalhadas pelo Alentejo e outros lugares pitorescos. Não serão batalhões de técnicos, serão umas poucas centenas, nem serão altamente especializados - esses estarão noutros países -, serão engenheiros electrotécnicos, programadores, administrativos, etc., indispensáveis para manter a funcionar um supercomputador com milhares de GPU da Nvidia.
E isto é mau? Claro que não, mas não nos façam de atrasados mentais. É muito bom para um país que tem milhares de Km2 vazios, centenas de dias por ano de sol e um clima agradável para os técnicos estrangeiros e não consegue fazer melhor.
Canários na mina de carvão
Não vou escrever sobre os factores exógenos, pelos quais pouco se pode fazer além de rezar para que os Srs. Bibi & e o seu ajudante Donaldo se cansem ou os aiatolas se rendam, o estreito de Ormuz não fique fechado por muito mais tempo e o barril de petróleo não chegue aos USD200, enquanto os tugas compram mais uns popós, sem esquecer os Porsches que se vendem como pãezinhos quentes.
Por agora, já tivemos o comboio de tempestades do qual pode resultar um défice de 0,8% do PIB e, ainda antes do tsunami petrolífero, a semana passada as emissões de OT a 7 anos e a 9 anos fizeram-se com yields mais elevadas 29 e 12 pontos-base, respectivamente, do que as yields das últimas emissões dos mesmos prazos.

Sem comentários:
Enviar um comentário