17/09/2023

Estará o capitalismo americano a perder o gás?

Se a destruição criativa é inerente ao capitalismo como defendeu Joseph Schumpeter, um economista austríaco que não por acaso publicou pela primeira vez em 1942 «Capitalismo, Socialismo e Democracia» onde defende essa ideia, precisamente nos Estados Unidos onde então vivia, o capitalismo americano revelou-se durante mais de um século especialmente criativo e, em consequência, destrutivo.

Alguns indicadores sugerem que esse ímpeto criador (e destrutivo) está a esmorecer, como os gráficos seguintes parecem mostrar (fonte).


No gráfico à esquerda em cima está representado por décadas da sua fundação o número de empresas da Fortune 500 que representam um quinto do emprego, metade das vendas e dois terços dos lucros. Apenas cerca de 10% foram criadas depois de 1990, só sete foram criadas depois de 2007, 280 das 500 são anteriores à segunda guerra mundial e desde 1990 a idade média subiu de 75 para 90 anos, embora com grandes variações por sector, como se pode ver no gráfico da direita onde as TI surgem com a idade média mais baixa, como é natural.

O gráfico anterior confirma a mesma tendência mostrando o abrandamento na criação de novos negócios nas últimas décadas. Há várias razões que podem explicar este fenómeno e uma delas é que, tal como Schumpeter reconheceu no final da vida, ao contrário do passado, a inovação tem tendido a ser cada vez mais do lado dos incumbentes, ou mais rigorosamente a adopção das inovações tem sido garantida pelos incumbentes que pela sua dimensão podem suportar os investimentos necessários, a começar pela compra das startups que geraram essas inovações.