05/02/2020

DIÁRIO DE BORDO: A doutrina Somoza continua muito popular entre a esquerdalhada

Sim, também tenho dificuldade em perceber como pode o CDS, um partido que se considera democrático, ter um dirigente, como Abel Matos Santos, que dá vivas a Salazar, o que pressupõe uma exaltação de um regime anti-democrático que tentou manter os portugueses num estado de menoridade mental - com algum sucesso, concedo.

Percebo com menos dificuldade que esse mesmo dirigente considere o Botas com «um dos maiores e melhores portugueses de sempre». É discutível, mas é uma opinião respeitável.

Percebo melhor que ele acrescente «E ele vive mesmo! Façam o que fizerem, mudem o nome da ponte que ele fez, apaguem nomes de ruas, mintam sobre ele, façam o que fizerem, nunca conseguirão apagar a sua memória e o seu vasto legado!» É o que parecem pensar milhões de portugueses e o que, provavelmente, a história expurgada de ismos passageiros confirmará.

Porém, tenho ainda mais dificuldade em perceber ou não entendo de todo como os indignados com as opiniões de Abel Matos Santos convivem alegremente com as opiniões dos adeptos de ideologias que nutriram sistemas sociais e políticos distópicos, como os comunismos nas suas diferentes encarnações soviéticas, maoistas, castritas et tutti quanti, ideologias que ainda hoje esses adeptos exaltam.

É apenas mais um exemplo desnecessário de como a doutrina Somoza continua popular entre as esquerdas (e, para sermos honestos, entre as direitas).