02/03/2016

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A Regional da Indignação

Não é só nas universidades americanas que grassa a idiotia epidémica do politicamente correcto. Entre nós a idiotia é endémica, sobretudo na sua vertente regionalista e manifesta-se regularmente nas mais diversas circunstâncias.

Nas últimas semanas temos assistido às indignações do presidente da câmara do Porto a propósito da TAP, as quais assumiram uma dimensão particularmente insensata no ataque descabelado ao autarca de Valência onde adicionou ao regionalismo oportunista (e eleitoralista) o nacionalismo igualmente oportunista.

Nos últimos dias estamos a assistir (quero dizer estão, porque eu não assisto a nada nas redes sociais, limito-me a ler uns quantos blogues) às indignações de uns trogloditas, não já do Porto mas do Alentejo e do Algarve, insultando e ameaçando Henrique Raposo com vocabulário de carroceiro (alguns dos vocábulos estão abaixo de carroceiro), a pretexto do seu livro recentemente publicado «Alentejo prometido» ou a pretexto do que ele disse à Sic Radical a pretexto do livro.

Apesar de ler, geralmente com gosto, embora não apreciando o seu estilo demasiado colorido, a produção de Henrique Raposo, não conheço este seu livro e provavelmente não o irei ler. Por isso, não escrevo em defesa de Henrique Raposo ou do seu livro. Escrevo em defesa do direito de ele escrever os livros que bem entender e de os publicar sem ter de ser insultado por trogloditas, sejam eles algarvios, alentejanos ou alfacinhas, que por cá também não faltam.