15/01/2016

SERVIÇO PÚBLICO: O trilema de Žižek não é sempre aplicável

Há excepções
Já tem mais de uma semana, mas é tão raro acontecer que não tem prazo para ser relevado. Como é sabido, um dos delírios favoritos da esquerda em geral e das esquerdas socialista e revolucionária em particular é o do aumento do salário mínimo não ter consequências sobre o emprego e o desemprego e, na dúvida, se tiver, são positivas.

Não vou gastar latim a repetir o que se pensa sobre o assunto no (Im)pertinências. O tema já foi muitas vezes abordado: por exemplo aqui e aqui. Vou apenas relevar a honestidade intelectual de Luís Aguiar-Conraria, que, segundo creio, é, e considera-se ele próprio, de esquerda, pelo seu artigo «Esquerda, salário mínimo e hipocrisia» no Observador, cuja leitura atenta se recomenda e onde em suma conclui:
«A hipocrisia do governo e dos sindicatos está em esperarem que este decréscimo não se note. Por exemplo, se o desemprego descer dos actuais 11,9% para 11,5%, poderão dizer que o salário mínimo aumentou e que ainda assim o desemprego diminuiu. Nunca dirão que, sem o aumento do salário mínimo, o desemprego poderia descer ainda mais, muito provavelmente para 11%. Ou seja, este aumento do salário mínimo, mais do que destruir empregos, o que vai fazer é que pessoas actualmente no desemprego tenham ainda mais dificuldade em voltar a trabalhar, agravando ainda mais o desemprego de longa duração, o qual é, a par do desemprego jovem, o nosso maior flagelo