21/08/2015

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (115) - A pulsão para o aparelhismo

«O enfraquecimento dos partidos políticos tradicionais favoreceu uma autonomização dos magistrados relativamente à política no tratamento da criminalidade económico-financeira, em particular da corrupção. Essa ruptura foi possível graças a contextos históricos em que a legitimidade dos políticos se encontrava fragilizada e contestada, permitindo, como foi o caso em Itália e é hoje no Brasil, a legitimação de uma posição de contrapoder do campo judicial apoiada numa longa tradição onde a razão jurídica é por essência mais nobre do que a razão política sempre ameaçada de fazer prevalecer interesses particulares sobre o interesse geral. Perante a legitimidade electiva dos políticos os magistrados jogam uma autoridade moral e uma competência fundadas numa outra legitimidade: a legitimidade técnica.»

Quem escreveu a peça «A função política da justiça» a que pertence o excerto citado foi Estrela Serrano, doutorada em Sociologia da Comunicação, da Cultura e da Educação pelo ISCTE, mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, que desempenhou vários cargos de nomeação política incluindo assessora para a comunicação de Mário Soares e vogal do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social nomeada pelo governo do preso 44.

Ficamos a saber o que podemos esperar de um governo socialista e da tralha com que encherá o aparelho de estado para «regular» os excessos de «autonomização dos magistrados relativamente à política no tratamento da criminalidade económico-financeira, em particular da corrupção.»