Este é um dos mitos que mais faz salivar de excitação o jornalismo de causas e a comentadoria engagé. Já neste post tratei da coisa com algum detalhe. Vou agora acrescentar apenas duas trivialidades.
A primeira refere-se a uma constatação de Manuel Lemos que, certamente com grande escândalo daquelas corporações, garante que «em Portugal, só passa fome quem quer». Como presidente da União das Misericórdias, deve conhecer melhor o assunto do que qualquer jornalista de meia tijela.
A segunda é a confusão recorrente em que incorre a maioria das referidas corporações – e, mais do que elas, resmas de luminárias – é medir a pobreza em termos relativos, confundindo-a com desigualdade, o que as conduz a concluir que a pobreza aumenta mesmo quando os mais pobres têm o mesmo ou mais rendimento, apenas porque há mais gente com menos do que os tais x por cento do rendimento mediano. Ou, ainda mais ridiculamente, as pode fazer chegar à conclusão que a pobreza é maior em Portugal do que em Cuba ou na Coreia do Norte.