«Segundo a imprensa, o Presidente da República terá dado a "garantia" de que, embora Portugal apoie a operação contra o IS, está fora de questão envolver forças militares no terreno. Por um momento, cheguei a temer que os nossos F-16 ou as nossas fragatas Meko pudessem servir para alguma coisa e que as nossas Forças Armadas fossem chamadas, 40 anos depois do último tiro disparado, a outras tarefas que não a de serem sinaleiros no aeroporto militar de Cabul ou motoristas no Kosovo. Que pudessem acompanhar outras nações, de dimensão igual à nossa - como a Bélgica, a Holanda, a Dinamarca -, cuja aviação militar está envolvida no combate ao EI, em lugar de ficar em casa a discutir promoções e carreiras, o sistema exclusivo de saúde ou a magna questão militar da fusão entre os colégios de Odivelas e o Colégio Militar.»
Escreveu Miguel Sousa Tavares no Expresso de ontem, assaltado por uma irónica lucidez, esquecendo que as Forças Armadas existem para dar emprego aos militares, tal como o ministério da Educação existe para dar emprego aos professores e em geral a Administração Pública existe para dar emprego aos funcionários públicos. No tempo do fascismo estes chamavam-se «servidores do Estado» (ainda existe uma coisa chamada «Montepio dos Servidores do Estado»). Hoje os «servidores do Estado» são os contribuintes que trabalham nas empresas privadas para alimentar o Moloch em que os diversos socialismos transformaram o Estado Social.
